calielalves Caliel Alves dos Santos

A Companhia de Libertadores chegam até as terras desérticas do Sultanato de Oasis. Com o perigo eminente de invasão, o grupo liderado por Saragat acabará se envolvendo numa guerra entre a Horda e os cavaleiros das dunas. O problema é que o próprio rei Zarastu deseja fazer uma participação especial nessa guerra.


Fantasia Medieval Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Prólogo: A Cavalaria das Dunas

Parte 1

A criatura espreitava pelos corredores de pedra morta, até que chegou a uma sala com vários papéis esvoaçando rasurados, eram os cartazes de procurados dos Libertadores.

O lobisomem os havia rasgado porque não faziam mais jus ao poder dos seus inimigos.

— Meu general, o senhor está sendo convidado a participar da reunião extraordinária... Glup!

O general atroz se virou arreganhando os longos e afiados caninos, mas percebendo quem o havia abordado, ele relaxou os ombros e depois sua face lupina. O subordinado se sentiu agradecido.

— Capitão Berserker, as más notícias voam mais rápido que nossos mensageiros. O rei Zarastu cometeu um grave erro ao deixar o moleque escapar com o livro.

O interlocutor fez cara de assombro, como um bugbear, seu corpo era o mesmo de um goblin com dois metros de altura, usando armadura de couro costurada com plaquetas de ferro, era o mais fiel soldado de Sirius.

— Agora ele quer remediar o próprio mal que causou ao Reino dos Monstros, se minha fé em Enug não fosse tamanha, teria desejado outro rei que não este...

Fazendo continência, o opulento ser deu passagem ao licantropo, o mesmo se dirigiu ao conselho dos Generais Atrozes. Durante o caminho, os plebeus se prostraram.

A maioria da população da Cidade Real era de monstros, humanos eram meros escravos. De acordo com Enug, era a única forma que a humanidade tinha de servi-lo.

Os vitrais do castelo revelavam a derrota e a supremacia da Horda sobre os exércitos de Lashra. Vencido o longo corredor, o lobisomem bateu suas garras na porta e um arauto o anunciou no conselho.

— Adentre meu general, só faltava você.

Numa tábula oval, feita em carvalho negro, apenas o rei se assentava num dossel muito ornado, todos os outros cinco lugares estavam vagos.

— Perdoe-me meu rei, mas numa situação como essa, a presença de todos os nossos generais aqui não seria mais conveniente?

Os três Generais Atrozes restantes confirmavam presença através de telemagia, esferas de tons iridescentes flutuavam sobre os assentos transmitindo a reunião aos monstros.

— Quem acha que eu sou seu otário? Tá achando que eu vou facilitar pra esses pivetes cara? Saí dessa, eu vou triturar os ossos deles com...

— Cale-se Vicious, você tagarela demais.

— Cucucucu, sempre hic, você é que toma hic, a bronca primeiro Vicious.

— Cala a boca tu Cuca, sua vadia alcoolizada.

— Não, calem-se ambos, imediatamente.

O rei continuava impassível, apenas os seus olhos faiscantes e rubros podiam ser vistos debaixo da sua capa amarela. Vez ou outra o seu corpo estalava com espasmos musculares. Sirius sentia uma grande pulsação monstruosa vindo dele.

— Labatut morreu há apenas dois dias, não é hora para pânico general Sirius, muito menos pra diversão Vicious e Cuca. Estamos num momento avançado na infiltração de Oásis, se tudo correr bem, em meio ano nos já teremos o controle daquelas terras.

— Vossa Majestade me perdoe o atrevimento, mas entenda minhas preocupações, esse é o mesmo tempo que a tal Companhia de Libertadores levará para chegar até Oásis, não seria prudente ir atrás deles primeiro? Oásis é um problema menor nesse momento.

O rei direcionou os seus olhos e apontou para o telemago com o dedo indicador que mais parecia uma garra. A voz vinda do telemago era a do general Anhangá.

— Sábio general, depois de perdermos a Cordilheira de Bashvaia, nós precisamos encontrar logo uma nova reserva de escravos e minérios, que agora nesse momento, só pode ser encontrado em abundância em Oásis. A Companhia de Libertadores não será problema maior para nós se acaso dominarmos aquele sultanato, encurralando todo o grupo nas terras desérticas. Além do mais, o caminho até lá está cheio de vilarejos controlados pela Horda, e embora sejam pequenos contingentes, será suficiente para retardá-los, nos dando o tempo necessário para derrotar Oásis.

Ah meu rei, não sei se o que o leva a ser assim, é sua arrogância ou ingenuidade?

— Está bem, seja feita a sua vontade.

— Dispensados!

O lobisomem saiu do conselho, a gargalhada insana de Zarastu ecoou durante horas na sua mente.

Parte 2

Meses depois...

A Companhia de Libertadores havia atravessado o norte de Lashra, e no caminho havia purificado muitas vilas e cidades, de modo que muitas outras páginas do Monstronomicom haviam sido preenchidas com as enigmáticas formas monstruosas.

Adentrando no deserto, o quinteto se divertia relembrando suas recentes batalhas.

— Quando você derrotou aquele hobgoblin Saragat, e disse “pronto, já acabou”, todo mundo ficou assim tipo, nossa veio! Hihihihi.

— As pessoas mal acreditam que estão sendo libertadas Rosicler, mas o destaque mesmo vai pro nosso fedelho aqui, ele derrotou a tropa sozinho, e ainda chegou a tempo de nos ajudar.

— Ei, eu não tive culpa tá bom, hahaha, vou tentar chegar mais cedo da próxima vez.

Letícia também sorria, pois a experiência de manter a luta mais tempo do que o necessário com o hobgoblin havia sido muito desgastante para o grupo.

Nesses seis meses de viagem até as terras desérticas, ela havia ensinado algumas outras alquimias a Tell, aliado aos exercícios de iluminação de Saragat, ele havia apreendido rapidamente, até demais para alguém pouco versado na transmutação.

— Até agora uma coisa me intriga pessoal, porque a monstruosidade é coletada no livro e se torna uma ilustração? Isso é tão misterioso!

— O inútil do Index ainda não te explicou não?

— Não, ele às vezes se recolhe no livro para tentar liberar novos capítulos, mas nem sempre ele consegue trazer informações relevantes, ele disse que só poderá acessar aquilo que a minha mente esteja apta a conhecer.

— Então a culpa não é só dele, tem muito de sua lerdeza também.

O encapuzado deu de ombros e o mago-espadachim soltou o ar poeirento da garganta.

Ali, naquelas terras áridas e vertiginosas, os heróis avançavam a passos trôpegos e enfastiantes. Até aqui só puderam ver comerciantes e acampamentos de refugiados.

Todos os nativos haviam sido levados para as cidades de Oásis, e adentrar nela exigia cumprir alguns protocolos de segurança.

— Quando chegarmos a essa cidade mano, a sola de minha bota já derreteu faz tempo.

— Nem me fale, estou usando uma burca pra me proteger do sol, mas a vontade que dá é sacudi-la fora e...

— Isso aí é strip-tease amiga!

— R-Rosicler, p-pare com isso j-já.

— Hihihihi, vai que você descola um oasiano pra você.

A alquimista revirou os olhos com aquela declaração. Sua pele branca durante a viagem havia adquirido um tom bronzeado, deixando seus pêlos dourados.

Embora o calor castigasse, eles se sentiam motivados a continuar a andar, a vontade de deitar numa cama confortável e dormir era o sonho de consumo no momento.

Continuavam sua jornada, mesmo que um tanto perdidos, pois em meio as areias rubras e uniformes do deserto escaldante, não existe rota certa para os leigos.

— Esperem, estão ouvindo isso?

A ladina com seus ouvidos apurados fez seu grupo parar e ouvir atentamente.

— O que foi? Eu só escuto o uivo do vento.

A gatuna então empreendeu uma corrida e subiu uma imensa duna e chamou o mascarado. O conjurador junto com os outros foram até ela, e quando lá chegaram...

— Mas isso é covardia.

— Todos os monstros são covardes em sua natureza capa-preta.

Cinco cavaleiros acuados enfrentavam um enorme grupo de caveiras e salamandras.

Estes monstros tinham aspecto reptiliano, suas escamas emanavam um fumo escuro como se queimassem eternamente. Caminhando sobre duas patas, eles investiam vomitando fogo contra o quinteto oasiano. Suas garras e caudas ardiam em chamas.

— Temos que ajudar.

— Não me parecem que eles precisam de ajuda Tell.

A alfonsina apontou o dedo para aquele que parecia ser o líder dos cavaleiros, ele apeou da sua montaria e desfechou um golpe com sua cimitarra.

Sua força só se equiparava com sua agilidade, e aos poucos as criaturas foram tombando nas areias fugidias do deserto.

— Vamos lá, se continuar assim todos os monstros vão morrer, preciso purificá-los.

— Está bem, avancem!

O grupo desceu a duna, mas na metade do caminho Tell tropeçou e desceu-a embolando, derrubando o servo de Nalab, que por sua vez esbarrou em Letícia.

Rosicler foi à única que se manteve de pé o tempo todo, e se divertiu com os companheiros descendo a duna daquela maneira pouco recomendável.

— Tell, qual é o seu problema garoto?

— Desculpe-me, eu acabei tropeçando...

— Você tropeçou na areia fofa seu idiota?

— Hã, pessoal, eu acho que nossa ajuda não será mais necessária.

A ladra apontou para os guerreiros, o grupo de heróis percebeu que todos os monstros estavam derrotados e para surpresa de Tell, vivos!

— Mas, mas o que é que eles estão fazendo.

— Podem estar se divertindo.

O conjurador rosnara furioso para o mago-espadachim. O jovem tomou à dianteira e foi ter com os oasianos. Os homens ficaram surpresos com a vinda dos encapuzados. Geralmente as pessoas costumavam fugir das batalhas.

Essas crianças do deserto são mesmo curiosas...

— Volte pequenino, não há nada para vedes aqui.

Por um momento Tell riu com a forma de expressão arcaica que ele havia utilizado. Esse tipo de formalismo não era visto há muito tempo. O servo de Nalab então interferiu no diálogo.

— Desculpai-me meu senhor, mas viemos aqui pra realizar benigna tarefa...

— Cala-te, não confio em mascarados, muitos homens assim já derramaram o sangue do meu povo durante os séculos.

— É Saragat, tua fama tá em baixa por aqui, hihihi.

Aquele sorriso cheio de cinismo adentrou os ouvidos do encapuzado e o mesmo pareceu explodir por dentro.

Desacordados, o grupo de monstros soltava alguns grunhidos. O vento assoviava uma canção de ira e o sol iluminava a cena, de modo egoísta, sem deixar espaço para nuvens.

Os ginetes se encaminharam para os recém-chegados com muita reticência por sinal.

Aquela visita inesperada os havia deixado em alerta, pois podia ser uma armadilha.

— Considero-vos meros tolos, pois estais aqui a pôr-se em elevado risco.

— Saiba o gentil cavaleiro, que nós viemos aqui purificar os monstros.

Os oasianos se puseram a rir do que o conjurador havia dito, embora ele não tivesse contado nenhuma piada. O líder dos cavaleiros o redarguiu:

— Isto é prosa imprudente mascarado, não sabeis que isto é ilusão? Meu pai já renunciou a essa ideia insana, tu abdicai dela também para...

— Seu pai é que deve abdicar desta ideia, e o único tolo aqui é você oasiano.

Letícia que se sentia castigada pelo calor e pela areia, retirou seu capuz e revelou seu belo rosto bronzeado. O guerreiro do deserto a olhou fixamente, como atraído por uma força gravitacional.

— Mas que falta de respeito a minha senhorita, saiba minha cara donzela, que a palavra de meu pai é como a promulgação de uma lei, pois ele é o sultão de Oásis. E assim como ele, não sou nenhum tolo, somos pessoas prudentes, pois agimos sob os ensinamentos de Al Q’enba. O que não damos crédito é essa mentira de purificação que voa sobre as asas do vento.

— Dê uma amostra grátis a ele Tell.

Os interlocutores continuaram a se encarar, o filho de Taran pegou o Monstronomicom sob olhares vigilantes e proferiu os versos misteriosos que purificavam os monstros.

A luz iridescente fez volteios no ar e passou a absorver a monstruosidade. Mais veloz que o vento do deserto, a humanidade reapareceu aos olhos estupefatos de cinco cavaleiros. Eles não puderam acreditar na proeza há tanto tempo negada por sua nação.

— Acho que agora está provado que o Monstronomicom existe, funciona e o seu portador merece ser respeitado, agora exigimos a presença do chefe de Estado oasiano.

— Pois não senhorita, vosso grupo será bem recebido em nossa nação.

29 de Março de 2021 às 12:53 0 Denunciar Insira Seguir história
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