oak Rodrigo Carvalho

Ele a encontrou. Mas não achou que poderia dar aquela sorte. Até que o universo provasse o contrário. Ela o fez a pessoa mais feliz do mundo. Até que o universo..


Conto Para maiores de 18 apenas.

#relações #amor #felizes-para-sempre #ficção #sobrenatural #paranormal #mistério #+18 #romance #suspense #horror #terror
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Meu Raio de Sol

Hey, aqui é o Rodrigo;

então, esse é o primeiro conto que escrevo assim e não sei se ficou bom. Nem sei se é algo que passou de algum
limite ou ficou exagerado - foi um tiro no escuro que me propus a dar.

Dito isso, espero que você goste do que vai ler e que a leitura seja agradável


+++


O rapaz atravessou a rua após um leve espreguiçar-se. Su Ho estava cansado pelo dia puxado no trabalho, ele era um analista de tecnologia numa empresa famosa, mas desde os episódios ‘Red Ligth’, uma enxurrada de trabalho surgiu para a sua área, em contrapartida milhares de outros postos de trabalho foram dissolvidos. A pressão sobre ele era enorme. Manter seu trabalho era preciso pois não sabia se conseguiria outra coisa se perdesse aquela vaga.


Kang Su Ho era um cara bem apessoado, bonito e bem conservado aos 36 anos na carteira de registro. Mais alto que a média, daqueles que são mostrados na tv e nos programas pelo mundo afora criando a falsa imagem de ‘homens altos e bonitos reais’ do país, podia ser até considerado um modelo, apesar da vida regrada nunca ter sido o seu ideal. Tecnologia, padrões e ideias era o que chamava atenção e, no momento, nem mulheres tiravam sua atenção disso.


Exceto por ela.


Su Ho a vê todos os dias caminhando enquanto ele aguarda na parada de ônibus. Onde mora, uma área elevada que culmina em um morro arborizado e de prédios residenciais e estatais voltados para o lazer público. Deduz que ela deve ser uma estudante universitária ou de algum curso técnico que há nas redondezas.


Ele tem vergonha, não acha que é capaz de se envolver novamente, já fazem anos que vive diretamente naquela rotina de trabalhar muito e só. A red light mudou tudo para todo mundo e para ele foi isso. Ele optou deixar a vida pessoal de lado julgando que teria que focar na profissional, uma vez que sem isso a vida pessoal poderia ser inviabilizada pela pobreza, fome e desesperança.


Funcionou?


“Desculpa, você pode me ajudar?” - Su Ho não ouviu o que a pessoa falava, mas viu suas mãos balançando com sua visão periférica. Achou que ela estava ferida pelos movimentos rápidos e tirou rapidamente os fones do ouvido e virou-se para acudi-la.


Uma surpresa boa.


“Ah- você?” - Ele brecou com a surpresa. Era a garota universitária que ele sempre via. “Desculpe, não queria te incomodar” - Ela falou se desculpando com gestos tradicionais e um olhar lateral de claro desconforto com sua própria atitude.


Imagina o que se passava na cabeça de cada um.


Ela se levantou enquanto ele se esticou para impedi-la de se desculpar. As cabeças não se tocaram, mas as mãos sim e, num frame de filme de romance, se entrelaçaram. O segundo de silêncio explodiu em uma risada desconfortável e envergonhada para os dois lados.


Um frame de filme de romance, você diz?


Ela deu dois passos para trás, enquanto ele coçou sua nuca sem saber o que dizer. “Mil desculpas, eu não queria. Não foi minha intenção!” - Falou olhando para baixo e percebendo que ela era uma mocinha pequenina e cheirava a frutas doces. “Ah, eu, é, você. Digo. Eu que tenho que me desculpar, te deu um susto enorme, mil perdões” - Ela respondeu se aproximando um passo e olhando para cima. Pensou sobre como ele alto, será que já tinha o visto na tv?


Ele sorriu com cuidado, não querendo demonstrar que não foi um susto como ela falava. Foi um bom susto, diria ele. “Não se preocupe, eu, eu estava distraído ouvindo música” - Comentou mostrando os fones sem fio na mão. Ela sorriu, deu outro passo para frente.”O que tava ouvindo?” - Ela perguntou por impulso. “G-Dragon” - E ele respondeu sem perceber.


Clássico.


Um passo de cada. Um sorriso no rosto de cada. Ela pensava em algo, ele via seus olhos o encararem. E ela sabia que ele também pensava em algo.


“Você sabe me dizer se aqui passa algum transporte pro centro? Vou andando todos os dias pra economizar, mas preciso chegar mais cedo” - Comentou virando-se a apontando na direção da rua que descia gradativamente a elevação natural da região.


“hm, eu, é, sim. Passa, é aquele que ta vindo ali, tem um ponto bem na frente do banco do centro” - Seus olhos fizeram um arco para baixo e terminaram olhando para o lado, cortando a troca de olhares que durou sabe-se lá quanto tempo até ali.


Arregalou os olhos e apertou o botão da estação de espera de ônibus quase no limite de tempo. O ônibus parou e o motorista olhou feio para ela. “Obrigado!” - Ela falou virando-se para Su Ho enquanto pegava seu cartão e a porta do ônibus se fechava.


Ombros caídos, derrota no olhar, um suspiro. Mantinha-se em rota segura.


“Yubin! Eu me chamo Park Yubin e você?” - O grito da garota rompeu os sinos fúnebres de sua mente e a flauta que inspirava tristeza rapidamente acabou. Um sorriso cresceu em seu rosto quando seus olhos focaram na menina com a cabeça e um braço pra fora de uma janela falando com ele.


Uma curva fechada, a rota se perdeu. Um clássico.


No dia seguinte ouviram música juntos. O posterior, foram para o centro juntos, afinal a empresa onde Su Ho morava ficava próximo. Na sexta-feira, pararam em uma cafeteria famosa, aquela com logo esverdeado, e ficaram conversando por horas a fio após o expediente de ambos. Yubin não era universitária, era professora, apesar de ser uma substituta contratada a pouco tempo.


Ele não tinha perdido o jeito, ao que parece, nunca teve jeito com garotas, falava alto e tratava ela como um ‘brother’ e isso a fazia rir, principalmente quando ela mostrava isso para ele.


Era noite quando os se encontraram, mas Su Ho não estava nada disposto, apesar de dizer o contrário. Ainda assim era óbvio que os olhos fundos e cansados diziam sobre ele e não era ficar com a sua garota. Quando seu telefone tocou e Yubin o pegou de cima da estante para ajudá-lo, ela entendeu o que estava acontecendo. Era o trabalho dele, como assistente senior ele precisava se doar mais, precisava dar sua vida pela empresa, principalmente se quisesse um futuro, e um presente.


Um homem feliz não liga para cobranças descabidas.


Conversaram sobre aquilo dias seguidos. Ela dizia que ele precisava se esforçar tanto quanto seus chefes queriam enquanto ele dizia que não podiam cobrar mais do que ele já era cobrado. E ele não estava errado, a cada semestre mais gente era demitida e mais trabalho caía sobre si. As dez horas de expediente mais as horas extras estavam atingindo um ponto impossível, principalmente, agora, que existia ela.


Ensaiaram discussões sobre isso, mas o dedo em sua boca, posto delicadamente por Su Ho a estremeceu. Foi pega desprevenida por um toque inesperadamente desejado. A grande mão de Su Ho deslizou por seu rosto até repousar em sua lateral, ela o olhou nos olhos. Profundamente olhou em seus olhos, tocando sua alma.


Desarmado e pronto para deixar-se tomar.


Se beijaram sob a luz da lua cheia, que saiu de trás das nuvens que a encobriam até instante antes, iluminando os dois como se fossem os protagonistas de uma peça de sucesso. “Não quero falar de trabalho, não aqui com você” - Ele falou em meio aos beijos e a leves mordidas em sua boca. Não houve uma resposta em palavras, mas em um suspiro profundo e no bater acelerado do coração da garota.


Se abraçaram e as pernas da menina circundam sua cintura, apertando-o. Uma das mãos tocou sua coxa e dedilhou-a até chegar em seu quadril. A respiração de Yubin acelerou, seu coração estava mais rápido e seu corpo mais quente. Suas bocas se tocavam lenta e poderosamente arrancando suspiros contidos de Su Ho enquanto a mulher cada vez mais deixava escapar o que seu corpo não tinha vergonha de expor.


Havia momentos onde a leveza dos beijos dava espaço para as mordidas lentas e provocativas enquanto olhares eram trocados. Se encarando a curta distância viam o interior um do outro, sentiam o micro e o macro cosmos, o universo em criação, devassidão, destruição e reconstrução a cada movimento.


A noite fria deixava de ser fria e as gotículas de água se condensam na janela fechada.


Ela entrelaçou seus dedos por seus cabelos negros como a noite e os apertou medindo sua força baseado na intensidade os beijos que ele dava em seu pescoço. As mordidas causavam explosões tão fortes que ao invés de apertá-lo, o soltava, descontrolada por súbitas faltas de ar, falta de tato e de seus sentidos. Tudo resumido ao contato da boca de Su Ho em seu pescoço. Seus dentes em sua pele, sua língua em seu gosto.


Suspiros se transformam em gemidos. Gemidos em anseios. E anseio em..


As mordidas desceram do pescoço para seu ombro e a respiração desacelerou. Ela teve tempo de pensar no que estava acontecendo, de cogitar o que estaria por vir. Ela não queria ao mesmo tempo que queria. Ele pegou em sua mão, entrelaçou os seus dedos nos dela, como ela fazia em seu cabelo. A mão em sua cintura tiraram sua concentração, os beijos que desciam ainda mais tiravam sua respiração.


“O que você quer?” - Foi tudo o que ela pode fazer perante tamanha pressão. A pergunta continha sua última barreira contra aquilo e ela torcia que ele falasse as palavras erradas.


Tudo o que eu quero é você e o que você quer.


Ele estava sentado na beirada da cama e ela estava sentada em seu colo quando ouviu a respostas. Ela já não pensava muito no que aconteceria dali para frente mas foi tomada por um susto que a desconectou da sua entrega total. Su Ho a pegou com delicadeza pela cintura e a deitou na cama.


Cedo demais, talvez?


Ela o olhou nos olhos e mal reparou quando ele tirou a própria camisa e a jogou para o lado. Cuidadosamente escalou a cama se postando sobre ela, que era tão pequena e ficava sobre sua sombra escura. Mas seus olhos ainda se encontravam, ainda estavam ALI.


Beijou sua boca com doçura enquanto se apoiava primeiro com suas mãos, depois com o cotovelos na cama. Yubin não pensou apenas abraçou seu pescoço com seus braços, juntando-os além do abraço. Cada beijo era como jogar gasolina em uma fogueira voraz. E ela podia notar que não era apenas com ela que essa reação acontecia.


Quando é recíproco a gente sente.


Estavam colados um no outro, moviam-se em uma dança ritmada por seus beijos onde disputavam quem oferecia mais de si para o outro. Até que aconteceu. Não havia mais como pararem, nem como esperarem. Eles sabiam, por experiências anteriores, mas principalmente por algo dentro de cada um. Era ela. Era ele. E deveria ser os dois.


Su Ho se ergueu de seus cotovelos e a olhou nos olhos. Ela entendeu, e tirou, com cuidado, o pouco de roupa que ainda restava e fechou os olhos, esperando os próximos movimentos dele com tanta ansiedade que sentia o ato e seus efeitos antes mesmo de acontecer.


Mas não, ele não fez o que ela esperava, ainda de olhos fechados sentiu a pressão na cama diminuir, como se ele se afastasse. O medo tomou seu coração por um instante, será que era feia? Não era mais desejável? Ele tinha perdido o interesse?


Não.


Abriu os olhos e levantou-se, dobrando levemente o tronco para frente e encarando o que ele estava prestes a fazer. Nesse mesmo momento sentiu as grandes mãos dele segurando em sua cintura e um beijo lento e arrastado na parte interior de sua coxa.


Ele a olhou com sua visão ofuscada pelo corpo dela e ela devolveu o olhar com um sorriso de mensagens múltiplas que traduziam a surpresa e o deleite que ela trazia.


A noite que se seguiu foi turbulenta e os vizinhos na minha seguinte comentavam sobre os gritos e gemidos que ouviram. Pareciam gatos, um dizia. Quem são essas pessoas? Perguntava outro. Yubin pegou, sem querer, uma das senhoras falando que queria uivar daquele jeito algum dia.


Um suspiro e um sorriso surgiram no rosto da mulher quando saiu cedo para comprar algo no mercado. Um bolinho, um pastel, suco em um copinho e café no outro.


Dobrou a esquina e deu de cara com Su Ho, que como previa o encontro dos dois, em um movimento ágil e preciso, pegou um dos copinhos de sua mão, e entrelaçou-a pela cintura, beijando-a como se aquele fosse o último beijo que daria nela.


Desnorteada pelo beijo, ouviu dele que o escritório tinha ligado e que precisava ir mais cedo. “Você é o raio de sol mais bonito que já, sabia?” - Ele falou enquanto pegava o café e um dos bolinhos e corria na direção do ponto de ônibus.


Não gostava daquilo. Sentia que apesar dele parecer o ser humano mais feliz por estar com ela, fazer isso causava problemas para ele. Físicos e psicológicos, uma vez que era exigido cada vez mais por pessoas que não ligavam realmente para ele e, que dentro da situação onde estavam, podiam tornar sua vida muito problemática, caso ele fosse demitido.


Então teve aquela ideia.


Mensagem Enviada: Tenho uma pergunta pra te fazer.
Mensagem Enviada: O que foi, raio de sol?
Mensagem Enviada: É uma coisa complicada, mas importante.
Mensagem Enviada: Aconteceu alguma coisa, Yubin? Fala que eu saio correndo e vou ai.
Mensagem Enviada: Não, não é isso?
Mensagem Enviada: Então o que foi? Você tá me deixando preocupado!
Mensagem Enviada: É que..
Mensagem Enviada: É o que, Yubin?
Mensagem Enviada: Quer morar comigo?


A resposta foi uma quantidade enorme de ‘COM CERTEZA EU QUERO’. Dezenas, talvez até dezenas de mensagens repetidas. Aquilo encheu seu coração com uma sensação quentinha que só era comparável à que ele sentiu em seu coração. Estavam felizes, mesmo com as complicações na economia nacional que forçaram Su Ho ter que trabalhar cada vez mais.


Já estavam se encontrando faz algumas semanas, e variam de casa para casa, mas tudo parecia fluir melhor quando na casa dela e ele nunca tinha se incomodado com isso. Principalmente pela vista do parque, algo que o seu apartamento não tinha.


Yubin pensou consigo mesma, enquanto fechava o seu armário na sala dos professores da universidade que as Red Light tinham sido eventos devastadores, mas que mudaram a base conservadora do país e, aquilo em si, tinha sido positivo. Antes, isso jamais aconteceria, mas hoje, hoje era possível e ela se sentia feliz por ter conhecido ele depois daquilo tudo.


Hora de começar o ‘felizes para sempre’, certo?


Combinaram de se encontrar na sua casa, mas ele chegaria mais cedo pois hoje era dia de aplicação de exames e haveria reuniões até tarde para ela. Seu relógio batia quase oito de um noite nublada com nuvens avermelhadas de uma pesada chuva que era prometida há dois dias pelos noticiários.


Pegou o ônibus com medo da chuva, mas estranhou a ausência dela quando percebeu que o vento havia mudado, mas só notou que algo estava errado quando o veículo parou já próximo ao seu ponto de descida habitual e alguns passageiros se aglomeraram próximos a janela da frente.


Yubin olhou para aquilo por meio segundo até o estalo vir e ela tentar ver o lado de fora do ônibus.


Estava vermelho sangue. O céu, sem nuvem, com a lua cheia negra. Sua pupila diminui assim como a expressão de terror tomou o seu rosto.”Abre a porta, abre a porta agora” - Ela gritou esmurrando a lataria do ônibus.


Saiu correndo e virou-se para a rua que levava até sua casa, mesmo que ainda bem distante. Havia uma dezena de pessoas assustadas nas ruas, algumas gritavam, outras choravam enquanto colocavam as mãos no outro e gritavam pedindo para que aquelas vozes parassem.


não


Não


NÃO


Largou sua bolsa na rua e partiu em uma corrida desesperada na direção de seu prédio. Passava por pessoas enlouquecidas, correndo, gritando, ferindo umas às outras. Viu uma criança rasgando em sua própria testa, com alguma coisa pontiaguda um desenho de algum símbolo estranho.


E, enquanto se aproximava, uma vez que a criança estava a directamente à sua frente mas mais alta que ela na ladeira, a viu se erguendo aos céus. Yubin parou sua corrida esbaforida enquanto acompanhava a criança flutuando até atingir uma altura considerável, cercada por outras pessoas que assim como ela também se ergueram de algum lugar.


“Não, para com isso, hoje não” - Ela gritou como se falasse diretamente com as pessoas que, talvez em resposta, abriram seus braços e formaram uma espécie de círculo. A mulher correu novamente na direção de sua casa, essa que por sua vez parecia estar bem no centro do círculo formado pelas pessoas que flutuavam dezenas de metros acima do nível do chão.


Seus olhos largaram lágrimas a cada movimento de seus músculos. Ela não conseguia pensar em nada, apenas que precisava correr. Encontrar Kang Su Ho o mais rápido possível.


O som das pessoas que flutuavam surge no momento em que ela chega até o prédio de três andares onde morava. Elas cantam em uníssono alguma coisa em uma língua que ninguém entenderia, se pudessem, já que as pessoas que descontroladas faziam coisas sem consciência disso caem em meio a tremores nervosos.


A senhora que invejava Yubin cai aos seus pés, tremendo, gemendo e vertendo sangue de todos os orifícios visíveis para ela.


“Su Ho, não.. SU HO, você tá me ouvindo? Fala comigo, por favor, por favor, fala comigo. SU HO!” - Subiu a escada gritando em meio a soluços e pisadas em falsas criadas pelo desespero e pelo choro compulsivo que inundava seu rosto com lágrimas e mais lágrimas.


Hoje não parece o dia para ‘felizes para sempre’?


Ela morava no último andar. Eles moravam. E até lá, pelas escadas, uma vez que o elevador estava ocupado por algumas pessoas caídas em meio a gemidos de agonia e morte, era uma subida rápida. Mas a cena do elevador se repetiu quando ela chegou no andar. Haviam corpos caídos, sofrendo e sangrando como uma fila que ia desde a escada até a porta de sua casa.


A porta que estava aberta.


“Porque? Me diz, porquê agora? Eu não mereço isso, eu não quero isso, para, para por favor” - Esmorecida, caminhou entre os corpos indo até a entrada da sua casa. Sua mente já lhe dizia o que viria, ela já esperava pela visão que teria.


Mas o choque sempre vem quando o que você espera acontece. Dentro do apartamento, além do sangue espalhado por todas as paredes, tomadas por símbolos estranhos sem um significado aparente que pareciam guiá-la até a varanda, ela viu a pasta e os sapatos dele.


Se ajoelhou no chão quando o encontrou. Ele estava em pé, de costas para ela. Caiu sobre um corpo e seu sangue, e chorou esticando as mãos para ele. “Kang Su Ho, não faz isso comigo, por favor, não faz isso comigo” - Ela suplicou enquanto ele virou-se, cercado por sete corpos, esticados, tomados por sangue.


“Esse é o nosso presente pra você mãe, você merece ter todos aos seus pés” - Ele falou olhando para ela com o seu olho tomado pela cor branco. Su Ho ergueu sua cabeça lentamente para cima e fazia o mesmo com os braços enquanto Yubin correu e agarrou suas pernas. “Não, isso não é um presente, eu nunca quis isso, parem, por favor, eu faço o que vocês quiserem, só não levem ele” - Gritou forçando-o contra o seu corpo mas sem conseguir parar qualquer movimento vindo do rapaz.


O doce acalento do toque é sempre reconfortante. Não é?


A mão de Su Ho tocou seu rosto o sujando de vermelho, ela olhou para cima e ele a encarou com seus olhos brancos e um sorriso tão natural que focar apenas nele tiraria a situação totalmente de contexto. “Mas raio de sol, esse é o presente que você merece” - Seu corpo começou a flutuar e enquanto seus dedos iam arrastando pelo rosto da garota marcando-os, enquanto seus olhos, sem piscar a encaravam a medida que ela quebrava e ficava estática vendo a incapacidade de segurá-lo.


Park Yubin havia estado em cada ponto da Coreia onde a Red Light aconteceu nos anos anteriores. Sua aparência normal e, quase frágil, ajudava a passar despercebida e mesmo quando se envolvia com alguém, aquilo era pouco notado. Por isso, quando o primeiro rapaz morreu ou, quando a primeira garota desapareceu, nada foi ligado a ela.


Tudo o que Yubin precisava fazer era se mudar e recomeçar a vida.


A cantoria das demais flutuantes cessou no momento em que todos os seres humanos caídos se levantaram e viraram-se para Yubin, estivessem onde estivessem. “Eu te amo, raio de sol” Todos eles falaram num conjunto de vozes distorcidas que atingiram a garota como um soco no estômago.


Su Ho, agora no centro do círculo de flutuantes, ainda olhando para ela, ergueu seus braços e gritou “Eu amo o meu raio de sol” e cuspiu uma torrente de sangue por todos os orifícios de sua cabeça. Os demais fizeram o mesmo e os moribundos em terra que encaravam Yubin também.


O sangue subiu, enquanto os corpos caíram, exceto o de Su Ho que sumiu durante o flash de um raio roxo que iluminou todo o horizonte.


O temporal prometido pelo noticiário chegou, feito de sangue e uma alma quebrada. Yubin estava caída de joelho olhando para o céu enquanto todo o sangue que caia em forma de sangue tornava tudo vermelho.

Me desculpa, Su Ho, me desculpa, por favor” - Juntando suas mãos em seu peito e olhando para o céu. O seu coração havia rachado junto de sua alma e ela só podia sentir o vazio tomando conta de seu mundo a cada gota que batia contra o seu corpo. Se perguntava o que tinha feito de errado e porque merecia aquilo, por que ela?


Geralmente você pode renegar o seu destino e enfrentar o desejo do universo.


Não, se você chama-se Park Yubin.

26 de Março de 2021 às 13:02 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Rodrigo Carvalho Gosto de escrever, ** *** ******* ***, por enquanto é só isso.

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