maxrocha Max Rocha

Na luta entre índios e brancos nos sertões de Minas se desenrola uma história sobrenatural de guerra, morte , sofrimento e vingança, em pleno Brasil colonial. A bela Cajubi vai levar horror aos carrascos de seu povo indígena.


Ação Para maiores de 18 apenas.

#sobrenatural #guerra #vingança #ação #natureza #Folclore-indígena #Bandeirantes
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TEJUCO







Tomás Bueno surgiu esbaforido, subindo a via principal do Arraial do Tejuco, nos sertões de Minas. Tropeiro de profissão, como muitos outros mamelucos, filhos de branco e índio, puxava uma mula carregada de aguardente, açúcar mascavo e farinha. Parou em frente à casa de Rodrigues Veiga, um português rude que comandava um grupo misto de brasileiros mestiços e perós, como eram chamados os brancos pelos índios, na árdua missão de encontrar ouro e enviar para a coroa portuguesa.


Meu capitão... capitaaaão... capitão Rodrigues! "Mba'éichapa?" (como está?)


Corria o ano de 1713, século XVIII, e a guerra entre os invasores e os nativos da região, os índios Botocudos, Coroados e Puris se arrastava sangrenta. Durante as bandeiras, as baixas entre os indígenas eram consideráveis, atingidos pelas balas dos mosquetes portugueses, comandados pelo experiente capitão Veiga. Os índios feridos pelas armas de fogo eram impiedosamente abatidos a golpes de facão, diante de suas mulheres e filhos.


As aldeias eram queimadas e os nativos sobreviventes reunidos e acorrentados nas suas grandes praças centrais, as chamadas ocaras, para posteriormente serem vendidos como escravos. Mas a concorrência do crescente tráfico negreiro africano tornava cada vez menor o valor dos bugres e muitos bandeirantes já haviam perecido pelo revide com flechas e tacapes dos silvícolas, sedentos por defender seu território sagrado. Os perós capturados vivos eram vítimas de canibalismo pelas tribos da região, que assim acreditavam absorver a força do inimigo.


O medo era uma constante por aquelas bandas. Rodrigues Veiga apareceu no alto da varanda.


"Iporâ ha nde" (bem, e você?)... e aí ô Tomás! Cumpriste tua missão? Encontraste a árvore sagrada dos Puris? Ande logo, desembuche homem!


"Meu capitão, achei! A acaiacá é enorme, deve de tê uns 40 metro; uma belezura que só ela... fiz um mapa aqui... oía, tá no alto do Ibitira e o sinhô num credita: daqui a três dia, noite de Lua cheia, os Puri vai tudo pras marge do Ipiacica, onde o filho do cacique Corupela, o guerreiro Lepipo, vai casá com a Cajubi, flô-de-manacá da aldeia deles. Uma lindeza de muié... sinhô precisava vê... dá até dó! Mas nessa noite a árvore sagrada vai tá sozinha. É só mandá uns quatro matuto e botá ela abaixo."


Rodrigues Veiga alisou a longa barba branca, já alheio ao falatório do Tomás.


"Este bugre traiu suas próprias origens; agora eu acabo com esses selvagens" pensou, já planejando a ação covarde.

4 de Março de 2021 às 14:01 5 Denunciar Insira Seguir história
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J Carreir J Carreir
Olá ^^ Olha, devo confessar que fiquei contente e satisfeita em encontrar uma narrativa tao bem feita, bem desenvolvida, com descrições ricas, verídicas e encantadoras. Como mineira-brasileira, é uma honra ter nossa cultura retratada de uma forma tão bonita! Thomás bueno fez as vezes de judas, entregando o povo que compõe metade de sua raça, favorecendo a outra parte. E sinto que nao sairá barato para ele rs , fiquei curiosa e ansiosa pelo desenrolar descrito na sinopse, sobre essa "cobrança" que será feita pela Cajube.
May 12, 2021, 20:00

  • Max Rocha Max Rocha
    Que comentário agradável! J Carreir, espero que possa seguir a história e verificar o destino dos personagens. Tenho certeza que irá gostar; mas, devo dizer, esteja preparada... Um abraço do Fantasma . May 12, 2021, 21:08
  • Max Rocha Max Rocha
    Obrigado pelo gentil comentário. Nosso folclore é uma fonte riquíssima para criar enredos capazes de extrair emoção. Imensamente feliz por você ter apreciado. Abraços do Fantasma. May 19, 2021, 14:00
Afonso Luiz Pereira Afonso Luiz Pereira
Dois aspectos notáveis me chamaram a atenção neste teu conto: o esmero na condução narrativa e, certamente, o investimento do tempo em fazer uma minuciosa pesquisa sobre a cultura e a linguagem dos índios. Tenho absoluta certeza que foi um texto trabalhoso de escrever, levando-se em conta esta pesquisa cultural. O cuidado do autor em nos trazer algo muito bem trabalhado perpassa todo o texto. Em relação a história dramática da destruição de um objeto sagrado da fé indígena (a árvore sagrada dos Puris) e a vingança da deusa-árvore por meio de uma violenta tempestade que se abate na aldeia do bandeirante está muito bem representada no gênero terror. A linguagem visual da chacina, promovida pela entidade sobrenatural incorporada na índia Cajubi, me lembrou as grandes histórias das revistinhas de terror oitentistas brasileiras. Há cenas violentas, muito próprias do gênero terror mais visceral, mas escritas com cuidado, sem querer apenas chocar por chocar. O gênero terror tem várias vertentes (Slasher, gore, psicológico, gótico, sobrenatural,etc) e nosso amigo acabou por fazer uma mescla bem interessante de algumas delas dando um bom verniz tupiniquim. Gosto deste tipo esmerado de texto, por isso sou suspeito para apontar reparos. Gostei muito.
March 08, 2021, 04:41

  • Max Rocha Max Rocha
    Valeu Afonso. Obrigado! Análise mui pertinente. Vc sempre presente... March 08, 2021, 20:22
~

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