choientist Beatriz Fernanda

Matteo Rossi, um rapaz religioso e centrado, procura por uma moça com os mesmos princípios que os seus. Deixa a pequena Sorrento, onde vivia com seus pais, para tentar realizar seu sonho em Milão. Nunca teve muito contato com o mundo exterior, e os modos de sua nova vida serão um pouco difíceis de aprender. Luca Savoia, um jovem cantor esperando pela proposta milionária que pode mudar sua vida, gasta seu casto salário em viagens extravagantes e expedições pelo mundo. Tudo é fácil de resolver aos seus olhos; como sabe que seu futuro é incerto, não se preocupa nunca com o amanhã, tirando proveito de qualquer situação. Mesmo sendo tão opostos, ambos seguem à risca os seus sonhos e, sem querer, acabam se esbarrando no meio do caminho. E o encontro promete ser mais doce e inesquecível que o esperado, chacoalhando seus pequenos mundos.


Romance Romance adulto jovem Para maiores de 18 apenas.

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Começando com o pé direito

Matteo Rossi olhava ansioso para a janela, com os ouvidos apurados e o sorriso no rosto, esperando pelo chamado do seu voo. Conseguia escutar as fungadas de sua mãe e a voz calma de seu pai, praticamente implorando para sua mulher parar de escândalo. Ela estava daquele jeito desde que Matt havia comprado a passagem só de ida meses atrás. O rapaz sentia seu corpo se aquecer de expectativa; seu sonho estava tomando forma e esperava que se realizasse o mais rápido possível.

"Passageiros do Voo 167, destino Milão, embarque no Portão 3".

O choro de sua mãe intensificou-se, dando-lhe uma leve dor no coração. Abraçou seus pais com todo o carinho que podia e pegou sua mala de mão.

— Tome cuidado, meu filho — pediu seu pai, sorrindo da forma amável e costumeira de sempre. — O mundo pode ser muito cruel, apenas tome cuidado.

Pisou na aeronave com o pé direito e os dedos cruzados. Não que acreditasse muito naquelas coisas, mas, era sempre melhor prevenir do que remediar. Mal acomodou-se em sua desconfortável poltrona para caçar a sua Bíblia na bolsa e por a rezar.

O terço ia em uma mão, sendo apertado com força; seus lábios eram rápidos e entoavam as palavras com fé. Podia sentir alguns olhares tortos dos vizinhos de fileira, todavia, pouco importava. Não tinha vergonha de expressar sua fé em público.

— Amém! — Proferiu ao finalizar sua oração, ao mesmo tempo em que o avião decolava. Segurou nos braços do assento até sentir seus dedos doerem e fechou os olhos, resolvendo começar o terço novamente. A nave ia aumentando sua velocidade até não tocar mais o chão. Matteo atreveu olhar pela janela, ficando instantaneamente mais nervoso. Era real, não haviam mais meios de voltar.

Virou a cabeça e viu os outros passageiros: alguns conversavam e outros mexiam em seus celulares de última geração. Nenhum parecia necessariamente preocupado.

— Algum problema, senhor? — Escutou uma doce voz feminina ao seu lado. A simpática aeromoça sorria, deixando a mostra seus belos dentes brancos. O justo terninho cinza deixava à mostra o pouco de curvas que tinha, mas, que fazia questão de exibir. — Deseja alguma coisa?

— N-Não, muito obrigado. — Balançou as mãos com veemência na frente do rosto e concentrou-se no céu excessivamente azul do lado de fora. Respirou fundo, deixando o corpo relaxar.

A mente vagou por diversos caminhos, até chegar em um tópico intrigante. Casamento. Estava viajando com um único propósito: construir a sua própria família. O irmão mais velho já havia consumado o ato há oito anos e tido a benção dos filhos há seis.

O mais novo estava noivo e com o casamento agendado para o fim do ano. Matt tinha que arranjar uma namorada, noivar e, quem sabe, conseguiria se casar antes do irmão. Era o que mais desejava.

Sendo um rapaz educado, extremamente religioso, formado em economia e consideravelmente rico, acreditava que não haveriam problemas em achar uma jovem interessante. Tinha certeza de que seria o orgulho de seus pais — que esperavam por mais netos e mais celebrações.

Sempre tentava imaginar seu tipo ideal, mas, nunca conseguia. Loira, pequena, fofa, olhos castanhos e boca rosada. Morena, alta, corajosa, olhos claros e bochechas coradas. Ruiva, magra, olhos amendoados, companheira e nariz empinado. Negra, olhos escuros, inteligente, corpo esbelto e bilíngue. Japonesa, atriz, voz de veludo, olhos redondos e simpática. Todos os tipos possíveis pareciam passar em frente aos seus olhos; nenhuma o agradava realmente.

"Talvez eu queira todas", permitiu-se maliciar.

Deu um descanso a mente e o coração agitados, tirando um merecido cochilo. O avião chegaria logo em Milão e Matteo não queria perder tempo, já começaria a sua procura por uma boa esposa naquela noite.


A noite se aproximava e as luzes ofuscantes da cidade começavam a aparecer. Matteo encontrava-se em uma situação um pouco constrangedora, já que seu rosto estava colado no vidro do táxi e não conseguia parar de tirar fotos. Das pessoas na rua, dos prédios enormes, do céu meio estrelado e dos automóveis luxuosos. Tudo era novidade perante os seus olhos, não havia muito movimento e vida em Sorrento como em Milão.

O taxista pigarreou e o rapaz sentiu o rosto esquentar; estava parecendo um caipira de outro mundo. Jogou algumas notas para o homem e apressou-se em retirar as malas, podendo conhecer seu novo lar. Novamente, pisou no hall com o pé direito e o coração acelerado.

Parou para admirar a grande área, onde um conjunto de sofás estampados jazia, assim como vários arranjos florais e um tapete felpudo vermelho. Eram muitas cores para seus olhos, entretanto, achava bonito e refinado.

Observou-se por um momento no espelho límpido pendurado na parede. Era um rapaz bem-afeiçoado, tinha que dar o crédito aos pais. Como a mãe, os olhos verdes destacavam-se no rosto delicado junto com a boca carnuda e rosada. Tinha um nariz angular como o do pai, nada muito exagerado, mas, que o deixava mais atraente. Os cabelos castanhos penteados de forma impecável para trás.

Confiante consigo mesmo, voltou à sua procura por um porteiro ou balconista, não encontrando ninguém. Deu de ombros, não perdendo a animação. Tentou abrir a porta de vidro que o separava do elevador, sem sucesso.

— Insira o seu código. — Escutou o som vindo do teto, ecoando por todo o hall. — Por favor, insira o seu código.

Meio desesperado para achar o dono da voz, deu uma volta no próprio eixo e vasculhou o minúsculo balcão, ainda não encontrando ninguém.

— Insira seu código — repetiu; não demonstrava nenhuma emoção, nem de impaciência ou de raiva.

— Com licença... — Sentiu uma mão pequena cutucar seu ombro esquerdo, tentando chamar a sua atenção. — O senhor é novo por aqui?

— Bem, eu... Eu cheguei hoje — cuspiu de uma vez, atrapalhando-se em algumas palavras. Riu nervoso, passando as mãos atrás da cabeça; não sabia como iria arranjar a tão sonhada esposa se não tinha muito jeito com mulheres.

— Entendo. Cada morador tem um tipo de senha, geralmente somos nós que escolhemos, mas, como você não é daqui, deve estar com a senha do antigo proprietário. Esse sistema é realmente impressionante, nenhum prédio por essa região tem algo parecido. O que me espanta, já que estamos em Milão. Oras, a "grande" Milão nunca me pareceu diferente. Moro aqui desde que nasci e... — A mulher continuou a falar, falar e falar, fazendo com que o som não penetrasse mais nos ouvidos de Matteo e apenas palavras desconexas e frases soltas rondassem a sua mente. Meio atordoado assentia sem parar, querendo se livrar logo daquela falação. Abanou a mão livre em agradecimento e jogou-se no sofá, tentando entrar em contato com a corretora.

Não demorou mais que alguns minutos para conseguir a tal senha. Quando conseguiu se enfiar dentro do elevador com as malas, pôde suspirar um pouco mais aliviado. No entanto, quando as portas se abriram novamente, revelando o corredor dos apartamentos, quis voltar no mesmo instante. O que era aquilo?

Seu único vizinho era um verdadeiro porco e descuidado. Toda a beleza do corredor, mostrada nas fotos, não estava ali; parecia um mundo paralelo. As paredes pintadas em um tom bege claro estavam cobertas por quadros de artistas desconhecidos ou paisagens abstratas; o piso, lotado de coisas inúteis e que, provavelmente, não cabiam no outro apartamento.

Desviou de sacos plásticos, cadeiras dobráveis e objetos que não conseguia identificar até chegar em sua porta de número 868. Enfiou o cartão e digitou o código, empurrando-a em seguida.

Sentiu os olhos lacrimejarem; o lugar parecia brilhar, emitindo uma luz sobrenatural de filmes. Era encantador. Não pôde evitar um suspiro de admiração, já se sentindo "em casa".

O rapaz ficou um tempo arrumando seus pertences, tentando não surtar com a bagunça e a falta de coisas em seu apartamento. Já tinha decidido que iria sair naquela noite e nada poderia atrapalhar seus planos, nem mesmo a desordem de seu novo lar.

Tomou um banho rápido, procurou por uma roupa confortável e encheu-se de perfume. Estava apresentável e encantador, como de costume. Apagou todas as luzes e trancou a porta. Caminhou até o elevador, desviando da imundice no chão. Estava tão absorto tentando entender toda a desordem que só percebeu quando tropeçou em uma bola de praia ao estar sentado no piso frio sentindo as nádegas doerem. Mordeu os lábios com força para não praguejar alto.

Matteo tinha certeza de que aquela situação não era permitida e na primeira oportunidade reclamaria com um responsável.

2 de Março de 2021 às 03:10 0 Denunciar Insira Seguir história
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