erickqalves Erick Q. Alves

Uma antologia de fantasia, "Guerras Fantásticas" conta sobre grandes conflitos do mundo mágico, desde a primeira guerra, até a criação da arma viva capaz de extinguir uma raça inteira.


Fantasia Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#origem #antologia #contos #resistencia #universo-proprio #nova-mitologia #deuses #fantasia #385 #bruxo #mago #lobisomem #371 #anjos
1
2.0mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Erros

Após eras a deusa que criou a Terra ensinou à Ele como criar vida.

Em sua primeira tentativa Ele decidiu usar luz ao invés de carne e assim nasceram os anjos. Essa foi a primeira raça inteligente criada. A divindade chamada Lúcifer apreciou aquela criatura e pediu para que seu amigo o ensinasse a magia da vida. Como eram bons amigos Ele decidiu ensina-lo. Porém, para que seus brinquedos não se misturarem, Ele pediu à Lúcifer para não usar luz em sua criação. O deus concordou e decidiu utilizar justamente o elemento contrário, usando as sombras para criar os primeiros demônios.

As duas raças conviviam bem entre as criaturas gigantes que dominavam Pangeia. Não havia conflitos entre os dois grupos e as duas divindades apreciavam observar as vidas de suas criações, sem nunca se intrometer nelas.

Vivendo ali existiam duas crianças, Zaniel um pequeno anjo e Salpsan filho de um dos príncipes demoníacos. Os dois brincavam todos os dias como irmãos, se divertindo com as feras reptilianas.

Em um dia muito mais quente que o normal as duas crianças decidiram voar até um lago para nadarem. Elas só não sabiam que ali vivia uma criatura perigosa. Um grande réptil que se incomodou com a presença dos pequeninos. Enquanto nadavam o monstro deixou as profundezas para abocanhar o braço de Salpsan. As duas crianças não tinham poder suficiente para enfrentar aquela monstruosidade, principalmente com um deles ferido.

Com muito esforço Zaniel conseguiu carregar seu amigo até a margem. Os dois caminharam exaustos até a vila dos anjos. O chefe da tribo, Fanuel, levou a dupla para sua cabana afim de cura-los. Ele rapidamente restaurou as forças de Zaniel com uma magia simples de cura. Já Salpsan precisaria de muito mais cuidado. Fanuel desenhou um círculo de cura ao redor da criança e invocou a luz divina da cura.

“Talvez ele tenha sorte e apenas perca o braço.” Pensou o chefe.

O ritual começou tranquilo, as feridas passaram a brilhar como deveria ser. No entanto Salpsan passou a agonizar no chão, todo seu corpo se contorcia enquanto o garoto gritava de dor. As trevas em seu corpo tentavam escapar, alguma coisa estava errada. Fanuel parou de imediato o ritual, mas de nada adiantou. A criança gritava em agonia enquanto usava suas garras para rasgar a própria pele, cada nova ferida aberta por ele brilhava intensamente.

Pela primeira vez veio na mente de Fanuel que talvez não devesse usar magia da luz em um ser sombrio. O pobre garoto já não tinha mais salvação.

—Por favor, chefe — disse Zaniel ajoelhado ao lado de seu amigo. — Faça isso parar. Ele está sofrendo.

—Já não há mais nada para se fazer — respondeu o chefe.

Zaniel se deitou sobre seu amigo, o pequeno demônio arranhou sua pele, abrindo grandes cortes nela, porém ele não soltou. Não existia chance de ele permitir que seu amigo sofresse sozinho. Fanuel tentou afastá-los, porém o anjo se agarrou ao seu amigo, ele não se soltaria. Em seus braços o pequeno demônio começou a perder sua forma. Logo seu corpo inteiro se tornou uma simples mancha negra no chão.

O anjo chorou como ninguém nunca antes.


∆∆∆


Fanuel atravessou o portão da cidade dos demônios, ao seu lado estava Zaniel carregando um vaso de ouro. Alguns dos seres das trevas estranharam a presença do chefe da tribo vizinha e o olharam tentando entender o porquê de ele estar ali. A dupla foi diretamente ao palácio dos sete príncipes e solicitou uma reunião com o príncipe Satã, sendo informados que ele estava em reunião no momento, seria preciso aguardar.

Enquanto aguardavam na sala do trono Fanuel se aproximou do garoto com o vaso e pôs a mão sobre seu ombro.

—Sei que está sendo difícil — disse ele para Zaniel. — Mas você não tem que se culpar, não havia como saber.

Zaniel o encarou com olhos vazios, ele já não parecia mais uma criança, apenas uma casca.

—Chefe, o senhor já perdeu alguém? — O anjo negou com a cabeça. — Então por favor, não pense que sabe como é ver alguém que ama agonizar até se desfazer.

O chefe retirou sua mão do garoto e se calou. Não era o momento certo.

O príncipe Satã entrou na sala seguido pelos príncipes Belfegor e Azazel. Os três esbanjavam nobreza e poder. Satã se sentou no trono maior ao centro dos outros, Belfegor e Azazel sentaram-se cada um em uma da pontas.

—O que traz você, Fanuel, líder dos anjos, até nossa humilde cidade? — perguntou Satã. — Espero que sejam boas novas.

—Temo que não, príncipe — respondeu o chefe. — Príncipe Belfegor, o preguiçoso, príncipe Azazel, o furioso e ao senhor, príncipe Satã, o orgulhoso, primeira cria de Lúcifer, venho lhes trazer uma péssima notícia.

Zaniel se aproximou de Satã e entregou o vaso que segurava para ele, ajoelhando-se em frente ao príncipe.

—Sabe que isso não se faz necessário, pequeno — disse Satã acariciando os longos cabelos da criança. — Você já faz parte da família.

O garoto permaneceu ajoelhado em silêncio sem encara-lo.

—Seu filho, Salpsan — continuou Fanuel, — foi ferido por uma criatura enquanto ele e Zaniel nadavam.

A expressão de Satã logo se transformou, toda nobreza em seu rosto se tornou preocupação.

—Zaniel conseguiu levá-lo até nossa tribo, porém, quando tentei cura-lo... — Fanuel pensou bem nas palavras. — Eu usei magia angelical para tentar curar suas feridas, no entanto a luz teve um efeito contrário em seu corpo e ele acabou... Seu filho não resistiu.

A escuridão dominou todo o salão, Satã estava desolado. Ele se ergueu, sua aura sombria se tornou visível, sua presença era esmagadora. Fanuel pensou em desviar seu olhar, porém ele sabia que isso poderia ser fatal.

Azazel se levantou e saltou contra Fanuel, porém Satã se pôs entre os dois.

—Este homem não tem culpa do que aconteceu — disse ele. — Ele cometeu um engano, tudo isso não passou de um acidente.

—Você ainda pagará pelo que fez — ameaçou Azazel.

—Mas isso não será pelas mãos de um demônio — respondeu Satã e então se virou para Fanuel. — Peço desculpas por Azazel, ele tinha muita estima pelo meu filho. Se era apenas isso, devo pedir para que nos deixe, eu gostaria de prestar algumas homenagens a Salpsan.

—Eu entendo — respondeu Fanuel. — Peço licença aos príncipes.

Todos os sete príncipes foram reunidos naquela noite, Zaniel era o único ali não pertencente a realeza. Os pais do pequeno anjo preferiram não comparecer. Eles não sentiam ser próximos o bastante da família para isso.

Ali, entre os seus, o orgulhoso Satã chorou.

Após horas velando os restos de Salpsan, os príncipes foram para a sala de reuniões, convidando Zaniel para se juntar a eles. Os sete precisavam decidir o que seria feito em relação a Fanuel. O chefe dos anjos deveria ser punido pelo que fez? Ou ele realmente não havia feito mais do que qualquer outro faria tentando ajudar o filho de Satã?

Belzebu, Mamon e Azazel acreditavam que o anjo deveria ser punido. Já Asmodeus, Leviatã e Belfegor acreditavam que Fanuel havia agido com boas intenções e tudo não passou de um triste incidente. Só Satã sabia quais seriam as consequências caso tentassem cobrar o chefe da tribo dos anjos e, acima de tudo, ele não acreditava que Fanuel tivesse tido a intenção de ferir seu filho.

Então foi decidido que a paz continuaria, mesmo sob a contestação de Azazel, o demônio até mesmo acusou Satã de não amar tanto seu filho por não querer vingança. Porém nem mesmo as palavras do príncipe furioso pareciam afetar o senhor do orgulho. Nada parecia poder abala-lo após a perda do filho.

Zaniel nada disse durante a reunião ele apenas observava parecendo distante desse mundo, o garoto estava perdido em sua própria tristeza.

Naquela noite o garoto insistiu em voltar sozinho para casa, mesmo com todos os demônios dizendo que ele não deveria fazer isso, a noite era perigosa e ele já teve sorte sobrevivendo ao ataque de uma fera naquele dia. O garoto, porém, não deu ouvidos, ele queria ficar sozinho naquele momento.


∆∆∆


Fanuel rezava com a luz do amanhecer o iluminando através da janela de sua cabana. Ele sentia que fazer isso o aproximava com Deus. Neste dia o chefe da tribo pedia perdão pelo sofrimento que havia trazido a Salpsan e sua família. Ele não sabia se seria perdoado, porém já se sentia melhor em relação a isso.

Um forte vento abriu a porta derrubando vários objetos de seu altar. Fanuel levantou-se e fechou a porta.

—Já se arrependeu do seu pecado, Fanuel? — perguntou uma voz atrás do chefe.

—Acho falta de respeito entrar na casa de alguém sem bater — respondeu o chefe ainda sem se virar. — Não esperava isso de você.

—Isso não responde a minha pergunta. Você se arrependeu pelo pecado que cometeu contra Salpsan?

O chefe permaneceu em silêncio por alguns segundos, então se virou para encarar seu acusador.

—Me arrependo. Mais do que qualquer coisa nessa vida — respondeu ele por fim.

—Satã talvez acredite que isso seja suficiente, porém eu não — disse o acusador. — Você deve pagar por seu pecado de forma equivalente.

—E você veio aqui para me julgar?

—Bem, meu nome me deu esse direito — respondeu ele.

—Acho que você está subestimando o poder do chefe da tribo dos anjos. Eu fui escolhido pelo próprio Deus criador para liderar.

O acusador sacou uma espada brilhante coberta com símbolos. Aquela era uma arma usada para matar as bestas gigantes e nem mesmo Fanuel sabia se ela poderia ferir um anjo e preferia continuar sem saber.

—Não precisamos fazer. Vamos fingir que essa situação não aconteceu — disse o chefe. — Pode ir embora agora.

Uma pequena bola de fogo atravessou a porta, passando muito próximo da orelha de Fanuel e chamuscando seu cabelo. O anjo se surpreendeu com aquele ataque.

—Agora não posso simplesmente te deixar ir. — O chefe criou um chicote luminoso. — Você precisa aprender sobre respeito.

Antes que Fanuel pudesse mover o braço para atacar a espada atravessou seu peito, seu carrasco era mais rápido do que poderia imaginar. No início não houve dor, era apenas um objeto atravessando a luz do seu corpo. No entanto um brilho logo começou dominando levemente a lâmina. A luz intensificou-se e, em poucos segundos se tornou uma chama. Fanuel tentou se afastar, porém a espada parecia estar presa ao seu corpo. O fogo prateado começou a cobri-lo. Embora as chamas não o ferissem ele sentia sua vida esvaindo de seu corpo, como se elas queimassem a sua essência diretamente.

Não houve gritos ou agonia na morte do chefe, ele apenas caiu quando o fogo transformou sua vida em cinzas.

Seu juiz encarava o corpo caído sem sentir prazer ou felicidade. Ele não buscava sentir-se melhor, apenas queria fazer o que acreditava ser justo.


∆∆∆


Algum tempo após o amanhecer os pais de Zaniel estavam muito preocupados. O garoto não havia voltado da homenagem ao amigo. O casal acreditava que a criança poderia ter passado a noite no palácio dos sete príncipes. Antes que seu pai, Anael, saísse da aldeia para ir até a cidade alguém foi chama-lo dizendo que Fanuel estava ferido e parecia não responder.

Chegando na cabana o pai de Zaniel encontrou uma multidão. Alguns deixavam a morada do chefe com lágrimas nos olhos, parecia ser algo realmente sério.

O anjo entrou para ver a situação. Lá dentro estava o corpo caído de Fanuel, extremamente seco com seu rosto sem brilho e marcado como a casca de uma árvore. Anael cobriu sua boca, nunca havia visto tamanho horror, somente quando matava uma das feras reptilianas.

—Ouvi dizer que o príncipe Azazel ameaçou Fanuel no palácio, quando ele foi dar a notícia da perda do filho de Satã — disse um dos anjos fora da cabana.

—Meu filho está no palácio — falou Anael desesperado. — Se eles fizeram isso com Fanuel, podem querer feri-lo também, se já não o fizeram.


∆∆∆


Satã estava em seu trono ouvindo um de seus subordinados. Ele narrava ao príncipe os problemas que dos cidadãos, decidindo quais poderiam ser resolvidos de imediato. Mesmo dando seu máximo o demônio acabava perdendo a concentração em certos momentos, seus pensamentos insistiam em voltar ao seu filho, embora ele fizesse de tudo para afastar aquela dor consumindo sua mente.

Azazel foi o primeiro que percebeu a gritaria do lado de fora. O príncipe se levantou de repente, atraindo a atenção de Satã. Seu subordinado parou de falar de imediato.

Azazel caminhou até a sacada que dava visão para toda cidade. Se aproximando do palácio havia um grupo de anjos, todos gritando e balançando ferramentas de caça. O que eles iriam querer ali?

—Satã, Asmodeus, acho que precisam ver isso — disse o príncipe da fúria.

Os dois se aproximaram.

—O que você fez, Azazel? — perguntou o príncipe do orgulho.

—Nem pense nisso — respondeu o príncipe irritado. — Passei a noite com Leviatã, Asmodeus e meus subordinados planejando a construção da ponte ao norte.

Asmodeus confirmou. Então por que seria aquela confusão? Talvez algo houvesse acontecido com Zaniel.

Satã correu até a frente do palácio, chegando antes mesmo da turba furiosa. Liderando o grupo ele reconheceu Anael, pai de Zaniel. Ele pediu a Lúcifer que nada tivesse acontecido com o pequeno.

—Satã! Onde está meu filho? — questionou o anjo furioso.

Ao se aproximar do príncipe o anjo encarou-o diretamente sem se curvar, aquilo era um total descaso a sua posição e, embora Satã entendesse seu desespero, aquilo desagradou o demônio.

—Ele se foi durante a noite — respondeu Satã imponente. — Não sei dele desde então, ele já deveria estar em casa.

Asmodeus e Azazel se aproximaram. Nesse momento o clima piorou. Todos começaram a gritar sem que nada pudesse ser entendido. Tudo aquilo começou a irritar o príncipe do orgulho, aquele não era um bom momento. Satã libertou toda o poder de sua presença, fazendo todos se calarem e um dos anjos desmaiar.

—Esse não é um momento para me irritar — gritou ele fora de si. — Falem logo o que querem.

Ainda abalados com sua presença os anjos levaram alguns segundos para se recuperarem. Quando finalmente voltaram a si Anael tomou a frente, dizendo o que era preciso.

—Fanuel foi encontrado ferido em sua cabana hoje pela manhã. Ele disse, no dia anterior, que o príncipe Azazel havia tentado ataca-lo.

O tom de Anael diminui, ele já não conseguia encarar os demônios diretamente. O anjo voltava ao seu lugar na hierarquia.

—O príncipe realmente ameaçou Fanuel — explicou Satã, — porém ele estava de cabeça quente e não pensou em seus atos. Além de tudo, Azazel passou toda noite em reunião.

Murmúrios desconfiados correram pelo grupo.

—É o que você diz! — gritou um dos anjos.

—Se eu tivesse atacado o chefe de vocês, não sobraria pedaços suficientes para saberem que era ele — respondeu Azazel irritado.

Aquilo não ajudou na situação. Os anjos voltaram a se irritar falando todos ao mesmo tempo, até que as palavras de um se destacaram entre elas.

—Sabia que esses seres das trevas não prestavam.

Não foi possível saber quem havia dito aquilo, porém era impossível se negar que fora falado. Satã sempre soube que os anjos se sentiam superiores por serem feitos de luz, igualmente aos deuses. Porém até aquele dia eles nunca haviam dito isso.

Era esse o problema, eles não se importavam em provar a culpa de Azazel. Eles sequer queriam ouvi-los. Os demônios eram diferentes deles e isso já era o suficiente para culpa-los.

—Então esse é o problema? — questionou Satã furioso. — Acreditam que apenas por sermos feitos das sombras somos inferiores?

—Esse não é o ponto — respondeu Anael enquanto os outros se silenciaram. — Tudo que quero saber é onde está meu filho... E que o culpado por atacar Fanuel seja punido.

—Já disse que Zaniel se foi durante a noite. Também falei que Azazel estava em reunião durante a noite toda e estamos juntos por toda manhã resolvendo assuntos importantes. Se não tem prova alguma de que ele feriu o chefe de sua tribo, por favor se retirem.

—Ele tentou atacar Fanuel antes e você mesmo poderia querer seu mal por ele ter ferido seu filho! — acusou um dos anjos.

—Já chega disso! — rosnou Satã se virando. — Se vieram aqui para nos fazer acusações sem cabimento vão embora. Acabei de perder meu filho e tenho tarefas mais importantes do que ouvir asneiras.

Antes que o príncipe atravessasse a entrada por completo uma pedra foi atirada em suas costas, atingindo seu colete que mais parecia um peitoral de armadura feito com couro. O ataque não o machucou, mesmo que atingisse seu corpo apenas iria atravessá-lo, porém o significado daquele ato era muito maior. Satã virou-se para o grupo. Tudo em um quilômetro de distância se tornou breu, a presença do príncipe se tornou avassaladora, todos ali presente foram paralisados.

—Meu filho acabou de me deixar! — gritou ele enfurecido. — Eu estou pior do que jamais imaginei estar e vocês entram na minha cidade, me acusam do desaparecimento de uma criança que amo como meu filho. Acusam um dos meus de atacar seu povo sem prova alguma. E quando peço que saíam me atacam pelas costas, como a uma besta sendo caçada. Não é mais um pedido, se não deixarem esta cidade de imediato, nunca mais irão deixar.

Quando a presença de Satã baixou todos ficaram temporariamente atordoados, ele voltou para dentro do palácio, não queria mais continuar com aquilo.

Assim que se sentou em seu trono o subordinado do príncipe voltou a narrar os problemas do povo.

O príncipe se manteve tão absorto em seus pensamentos que mal ouviu as coisas ao seu redor. Tudo parecia tranquilo, até os tremores começarem. A cidade toda parecia estremecer. Satã correu para sacada, lá em baixo ele pode ver que o grupo permanecia no mesmo lugar. Os anjos brilhavam fortemente demonstrando suas presenças enquanto Asmodeus e Azazel enegreciam o clima tentando igualmente ameaça-los.

O príncipe do orgulho correu para frente do palácio, porém chegou somente quando o pior já estava acontecendo. Azazel e Anael se enfrentavam ferozmente. Embora o príncipe fosse extremamente poderoso, Anael estava acostumado a enfrentar as feras gigantes como um dos caçadores de sua tribo e enfrentava Azazel de igual. Logo outros dois anjos de uniram a luta, seguidos por Asmodeus, que não permitiria ferirem seu companheiro.

A destruição causada pela luta era imensa, aquilo entristecia Satã, seus cidadãos estavam desesperados sem entender o que acontecia. Aquilo precisava acabar.

O príncipe do orgulho abriu suas asas negras como a noite e voou para se pôr entre a luta. Mesmo libertando sua presença ao máximo, não foi o bastante para para-los. O grupo continuou disparando magias indiscriminadamente em meio a cidade.

Anael se afastou e ergueu sua mão, aquele seria um grande ataque. Asmodeus estendeu as duas mãos para frente. Os dois formaram bolas de fogo com mais de um metro, uma de chama negras e a outra branca como o sol.

Aquilo só poderia terminar em desgraça para o povo da cidade. Satã colocou-se entre os dois, erguendo as mãos na tentativa de parar os ataques. O ataque de Azazel foi muito fácil de segurar e desvia-lo para os céus, abrindo um buraco em meio às nuvens. No entanto as chamas de Anael começaram a queimar sua mão assim que entraram em contato com o demônio.

Então aquela era a dor que seu filho sentiu? Não. Deveria ter sido algo muito pior para desfazer seu corpo. Embora a magia de Anael fosse poderosa ele não possuía força para ferir gravemente o príncipe que logo dispersou sua magia.

—Cansei de tudo isso — disse Satã com seu braço ainda em chamas. — Isso acaba agora.

Ele ergueu sua mão, formando uma esfera sombria de tamanho colossal que logo se expandiu encobrindo todos que ali lutavam. Tudo ao redor começou a estremecer.

Anael disparou uma lança luminosa contra o demônio antes que este pudesse completar sua magia. A arma do anjo atravessou o ombro de Satã, fazendo todas as trevas criadas por ele desaparecerem. O grupo já não estava mais na cidade e sim diante de seus portões. O príncipe não planejava ataca-los, mas sim acabar com aquele combate os levando para outro lugar.

Todo o corpo de Satã começou a ser coberto por chamas brancas, Anael realmente conseguiu feri-lo desta vez. O anjo tentou se aproximar do príncipe, porém Asmodeus impediu que fizesse isso. Eles haviam ido longe demais, cada um deveria seguir seu caminho.

Satã foi levado às pressas para o palácio. Foram necessários todos os príncipes para apagar as chamas angelicais. O príncipe perdeu a consciência durante esse processo e não era esperado que despertasse tão cedo.

Os príncipes reuniram-se mais uma vez para decidir o que seria feito sobre a destruição da cidade e em relação aos anjos.

A maioria acabou por decidir que as coisas não poderiam permanecer daquela forma, era preciso que eles pagassem por seus atos. Ao amanhecer seguinte os demônios exigiriam a cabeça dos responsáveis.

∆∆∆

Na tribo dos anjos uma multidão se reunia, exigindo justiça pela perda de Fanuel e o desaparecimento do jovem Zaniel. Na manhã seguinte um grupo ainda maior voltaria para exigir a vida do responsável.

∆∆∆

Semanas depois, quando Satã finalmente despertou, um combate extremo já havia se iniciado entre as duas raças, tudo que ele podia fazer era dar o seu máximo para manter seu povo seguro.

∆∆∆

Zaniel nunca retornou para sua tribo.

11 de Março de 2021 às 21:28 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo O selo

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 2 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas