manasses-abreu1613412480 Manasses Abreu

Viaje ao ENCONTRO COM O DESCONHECIDO nesta surpreendente aventura com direito a uma épica batalha onde a humanidade se vê perante um novo e inteligente povo. Mergulhe neste conto!


Conto Todo o público.

#desconhecido #abissal #conto #ficção #sci-fi #scifi
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ENCONTRO COM O DESCONHECIDO

— Isso é um sinal dos fins dos tempos! Ele voltará! Arrependam-se enquanto há tempo!

Não suportava esse tipo de fala. Era um ser de ação e de ciência. Como poderia crer em promessas vazias de alguém que, depois de morto, retornaria depois de milênios? Tolerava aquela fala apenas por sair da boca de seu pai, a quem respeitava e amava.

— Papai, não sei se é isso. Pode ser um fenômeno natural. Há tantas coisas que não compreendemos ainda. Não podemos simplesmente dizer que, se não entendemos direito algo é a vontade divina ou o Seu retorno.

— Você trabalha lá no alto. Esses fenômenos estranhos e inexplicáveis estão ficando cada vez mais comuns! Dizem que essas luzes estão até mesmo raptando os nossos próprios cidadãos. Isso já é uma questão de segurança pública, talvez até de segurança nacional.

— Sim, nisso o senhor tem razão. Creio que já estejam investigando esses sumiços.

Mal terminou de falar e algo brilhou no seu bolso. Levantou-se e despediu-se do seu pai, dando-lhe um beijo em sua cabeça.

— Tenho que ir. Te amo e se cuida, está bem? — saiu em disparada.

— Te amo, volta inteiro, meu filho...

No caminho ao trabalho, ficou apreensivo, encarando as luzes que contrastavam com aquela escuridão abissal, pois até então nunca tivera recebido um alerta vermelho antes.

Ao entrar na sala de reunião, as instruções eram simples. Um objeto não identificado (ONI) estava atuando naquela região. Relatos falavam de luzes fortes e de possíveis raptos. Havia a possibilidade de vários ONIs estarem atuando naquele momento. Estavam mobilizando todo o efetivo disponível para averiguarem aquela situação.

— Procedam com cuidado. Apenas acompanhem. Mas, se virem alguma atividade hostil, podem responder com fogo. Se necessário, abatam, mas procedam com cautela. Não sabemos ainda do que se trata.

Entrou no seu veículo, ligou o radar e seguiu as coordenadas confirmadas pelo controle. Saiu à toda velocidade junto com o seu esquadrão de cinco unidades.

Após algum tempo, algo inusitado apareceu no visor. Algo estranho, metálico e vítreo, estava coletando amostras de solo e da vida silvestre da região. Ele e seu esquadrão estavam gravando tudo à distância. De repente, de dentro de uma das moradias, saiu um curioso. De supetão, saiu das costas daquela coisa algo semelhante a uma garra e rapidamente pegou o indivíduo, trazendo-o para uma cavidade que se abriu e se fechou rapidamente.

— Senhor, o que foi isso que acabamos de presenciar!?, câmbio — disparou Alfa.

— Isso foi um rapto, se isso não for uma atividade hostil, não sei mais o que seria! câmbio — complementou Bravo.

— Alfa, Bravo, vou comunicar ao Comando e pedir instruções! — Charlie estava nervoso, mas tentava se manter o mais racional possível.

— Ele está fugindo, vou segui-lo. Ele está subindo muito rápido. Não sei se os veículos aguentarão a queda de pressão — Delta falou — vou tentar mantê-lo travado no radar o máximo possível. Caso liberem o ataque, será só disparar. Câmbio.

— Vou contigo, Delta. Te darei cobertura. Câmbio — Ecktor se prontificou.

— Alfa, Bravo e eu iremos fazer a segurança do perímetro, talvez outros apareçam. Foram reportados vários objetos semelhantes a esse na região.

O controle autorizou que usassem as armas, mas que tentassem resgatar aquele que foi raptado.

Delta e Ecktor disparam suas armas contra o ONI antes que ele subisse demais. Funcionou. O ONI estava descendo. Um dos disparos abriu o seu casco.

Contudo, Charlie tremeu quando viu cerca de uma dezena de ONIs menores se aproximando, além de um borrão no radar que o deixou assustado. Seria um erro, um sinal distorcido, ou existiria realmente algo daquele tamanho todo!?

A comunicação com o Comando fora cortada. Charlie ordenou o ataque àquele enxame de ONIs. Se suas armas afetaram o ONI maior, com certeza iria funcionar contra os menores. A prioridade era abater apenas o suficiente para saírem dali. Depois, a equipe de solo iria cuidar da bagunça do que fosse cair ali.

Uma coisa é o que se faz no simulador. Outra é o que acontece na vida real. Aquele enxame ia perdendo força, com os ONIs caindo um a um. Todavia, já era visível aquela enorme estrutura em forma de charuto se aproximar cada vez mais. Aquilo deveria ter centenas de metros.

No noticiário, todos observavam aquele espetáculo no alto, as luzes e explosões como aquelas não eram vistas há décadas. Grupos diziam que aquilo era o Evento de Anunciação do Seu Retorno. Cthulhu teria retornado para restaurar seu reino. Vários abissais* festejavam o acontecimento, enquanto os líderes do governo eram enviados para profundos bunkers.

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Luzes de alerta piscavam na cabine de comando do gigantesco submarino OHIO 18. A tripulação estava atenta às informações que vinham da tela do sonar e do projetor holográfico 3d. Era a primeira vez que eles se deparavam com aquele tipo de ameaça. O primeiro-tenente Jonhson avisou ao capitão:

— Capitão Mills, estão atacando os drones de pesquisa! O Submarino ALVIN** foi alvejado por algo que veio da Zona Abissal depois de ter coletados dados da nova espécie que estão estudando. Parece que essa espécie está usando veículos submarinos e nos atacando!

— Precisamos garantir a segurança dos pesquisadores. Tenho que dizer que, a princípio, não entendi a razão da Marinha enviar o nosso submarino Classe Ohio*** para escoltar uma expedição científica em águas internacionais na Fossa das Marianas****, mas agora vejo que eles já sabiam de algo — após um breve silêncio, ele continuou — lancem os torpedos, precisamos resgatar os cientistas!

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Dentro do submarino ALVIN, Marc e Nicole, pesquisadores experientes em expedições ao fundo do mar reagiam de formas completamente diferentes com aquele bizarro show pirotécnico que os cercava naquela região recém desbrava da Fossa das Marianas. Aquilo parecia não ter fim, sempre encontravam algo mais profundo, sempre descobriam uma espécie nova. Dizem que conhecemos mais sobre o espaço do que sabemos sobre o que há sob os nossos mares.

Marc olhava sem acreditar no cenário surreal que via pelo vidro do submersível. O que era a princípio apenas uma nova espécie abissal estranhamente semelhante a um híbrido de humanos e axolote com olhos desproporcionais e o corpo coberto de escamas, nadadeiras e espinhos que mais pareciam uma armadura biológica, agora seria sua provável causa da morte.

Nicole prendeu seus longos cabelos pretos com a primeira caneta que viu na sua frente, abaixou-se e pegou uma pequena caixa de ferramentas. Com a boca, pegou mais algum material de reparo imediato. Suas narinas largas a ajudavam a respirar melhor mesmo com a boca tampada. Ela saiu agilmente, tal qual uma viúva-negra pela pequena escotilha que dava acesso à área estrutural do submersível para reparar os vazamentos. Gritava com Marc para que ele voltasse a realidade, em vão. Parecia que Marc tinha aceitado o seu destino, hipnotizado, e estava aproveitando o fim de camarote.

“Esses seres usavam não somente algumas ferramentas conforme os primeiros espécimes coletados, mas são capazes de usar veículos e armas que competem em complexidade e poder de fogo com os nossos.” Marc estava totalmente absorto em seus pensamentos, admirando aquele mundo novo.

Nicole se arrastava por entre os canos, cabos e peças hidráulicas do pequeno submarino. Já estava sem ar, pois os tanques de oxigênios foram acertados pelos abissais. Ela fechou os vazamentos que pode e tentou liberar o conteúdo do compartimento de coleta pelo painel central, mas sem sucesso. Era o jeito ir na junta hidráulica e fazer o procedimento manualmente. Quem sabe aquilo ajudaria a fazer o submarino emergir?

Marc acordou depois que os torpedos do Ohio foram lançados, aniquilando as forças inimigas. Os impactos próximos fizeram o pequeno ALVIN girar em seu próprio eixo, virando-o de ponta cabeça.

O corpo de um daqueles seres foi arremessado contra a janela principal, criando uma rachadura na janela devido a um espinho da bioarmadura daquele ser fazendo com que ele ficasse grudado ao submarino.

Nicole gritava, pois tinha ficado presa na estrutura do submersível quando houve a rotação inesperada. Aquele ser, mesmo preso à janela, estava consciente e dava poderosas pancadas no vitral, tentado se livrar daquilo.

Marc precisava sair daquele transe. Se saísse dali e fosse ajudar Nicole, aquele ser poderia romper a janela de vidro e inundar tudo. Caso tentasse usar o braço robótico para tentar tirar aquele monstro, aquilo poderia custar a vida de Nicole, que gritava cada vez mais desesperada, era nítida a dor que sua voz carregava. Com tudo de ponta-cabeça, seria muito difícil operar o braço robótico, isso é, se ele ainda estiver funcionando.

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Charlie estava desesperado. Não bastasse ter conseguido ejetar do seu veículo a tempo, ter presenciado a morte dos seus companheiros frente aquele monstro titânico que cuspia torpedos, agora um espinho da sua bioarmadura tinha sido fincada na parte vítrea daquilo, fazendo com que ele ficasse grudado naquele ONI. Nisso, ele percebeu que aquilo também era um veículo, que havia um ser branco, magro, de olhos minúsculos e alguns pelos no topo de uma pequena cabeça e vários pelos vermelhos que cobriam algo semelhante a uma boca. Era óbvio que aquele ser patético necessitaria de algo maior e mais poderoso para protegê-lo.

Para piorar a situação, aquele ser titânico se aproximava cada vez mais. Os restos dos veículos e dos ONIs menores afundavam lentamente. Ele sentia que a pressão extremamente baixa dali o estava afetando. Precisava se soltar daquilo antes que aquela pinça macabra o alcançasse.

Ele percebeu que só bater no vidro não seria o suficiente. Ele era grande em relação ao ONI. Assim, ele decidiu se balançar e desestabilizar o ONI, que afundava lentamente.

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No projetor holográfico 3d, a bordo do OHIO 18, começou a mostrar e a piscar uma linha vermelha limítrofe a alguns metros abaixo da posição do submarino, a qual não poderiam cruzar devido as limitações técnicas de pressão e capacidade dos motores. Um bip agudo e alto ecoava pela cabine de comando:

— Capitão Mills, perdemos contato com o ALVIN, mas seus sensores apontam que Marc e Nicole ainda estão vivos. Alguém está manuseando o braço robótico, mas o submersível continua afundando. Logo estará numa profundidade tão grande que não poderemos segui-lo. O que devemos fazer?

— Lance o veículo de emergência. Vamos usá-lo para rebocar de volta o ALVIN até uma profundidade em que possamos fazer os reparos. Talvez consigamos até mesmo levá-los à superfície. Mas precisaremos garantir a segurança da área.

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Nicole se contorcia de dor, enquanto o submersível chacoalhava de um lado para o outro. Estava com a perna presa entre os cabos. Faltava muito pouco para ela alcançar a alavanca manual e liberar todo o conteúdo coletado.

Na cabine, Marc tentava a todo custo manusear o braço robótico, mas aquele ser era mais forte do que imaginava, fazendo tudo ir de um lado para o outro, ferindo-o a cada vez que era arremessado para o lado oposto.

Num desses chacoalhões, a mão de Nicole esbarrou na alavanca, liberando tudo o que estava coletado no compartimento de carga. Aos poucos, ALVIN começou a subir novamente.

Luzes que lembravam os primeiros veículos agressores estavam se aproximando, para o desespero de Marc. Eles não iriam sobreviver a outro ataque daqueles. E, sem os drones de pesquisa, eles iriam concentrar todo o seu ataque neles. Era o fim.

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Charlie estava quase desmaiando, a pressão era muito baixa, fazendo-o perder força. Ele percebeu que o outro Abissal que fora abduzido fora liberado, inconsciente. Olhou ao redor e viu algo saindo do ventre daquele monstro titânico.

Debateu-se mais um pouco. Ao olhar para baixo, viu que outro esquadrão fora enviado. Com sorte ele também seria resgatado.

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O Veículo de Resgate (VR) se aproximava do ALVIN. Contudo, o veículo de resgate era feito para saídas rápidas para cima, e não o contrário, o que afetava seu correto funcionamento e manuseio. Assim, houve uma colisão oblíqua entre o VR e o ALVIN pela frente, expulsando o Abissal, que ficou inconsciente e foi tragado lentamente pelas profundezas do oceano, deixando o espinho e parte da bioarmadura presos na janela, evitando que a água entrasse. Contudo, o vidro ficou todo trincado, e poderia se romper ao menor distúrbio.

Marc ficou feliz em ao ver que o VR conseguiu agarrar o submersível e começara a rebocá-lo. Os gritos e dor, já mais baixos e cansados de Nicole, o fez se lembrar da sua companheira e ir em sua busca.

Quando Nicole viu a barba ruiva de Marc por entre a tubulações, agradeceu a Deus por ter sido encontrada e o xingou de tudo menos de santo.

Eles coletaram as ferramentas que estavam espalhadas e foram reforçar o que podiam da janela de observação.

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Charlie foi salvo por seus companheiros e internado no centro de recuperação. Seu resgate foi comemorado como o retorno do Abissal que foi mais alto e o único que viu a face de Cthulhu. Até hoje todos esperam que ele acorde e conte tudo o que ele presenciou.

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* Os abissais são uma raça anfíbia que serve primariamente a Cthulhu, fonte: ABISSAIS, Humanóides Branquiáticos - Chamado de Cthulhu - 6ª Edição.

**ALVIN (DSV-2) é um submersível tripulado de investigação do oceano profundo, propriedade da Marinha dos Estados Unidos.

*** Até hoje, são os maiores submarinos construídos nos EUA, com 170 metros de comprimento. Foram produzidos 18 deles.

**** A Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos, atingindo uma profundidade de 10.984 metros. Localiza-se no oceano Pacífico.

16 de Fevereiro de 2021 às 21:12 0 Denunciar Insira Seguir história
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Manasses Abreu Contos de terror, suspense e ficção científica. #terror #historiasdeterror #suspense #contos #scifi #contoscurtos

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