scio-n- Scio N.

Como seria se monstros realmente existissem? Se existem, porque não dominaram o mundo como imperadores cruéis e super-humanos? As Crônicas das Criaturas da Noite tentam responder essas e outras perguntas. São histórias de capítulos curtos que contam os relatos de "criaturas da noite", ou qualquer tipo de monstro que goste mais de sair à noite. Esse é um conjunto desconexo de histórias reunidas de formas distintas e trazidas em primeira mão numa coletânea. O primeiro capítulo. a carta de uma jovem que foi resgatada.


Fantasia Fantasia negra Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Um Vigilante Noturno

08 de outubro de 2019


Eu estava andando pela rua quando nós fizemos contato. Caminhava como qualquer mulher jovem distraída e prestes a ser atropelada por um carro. O dano nunca me mataria, disso tenho certeza. Isso não impediu, no entanto, que o vigilante se sentisse em necessidade de ir ao meu resgate. Em uma fração de segundos eles se colocou entre mim e o caminhão, me segurou em seus braços e me levou para o mais longe possível. Fomos parar em um beco onde, ofegante, eu tentava me situar quanto a localização até então desconhecida.

— Você está bem? — Sua voz era genuinamente preocupada.

Estava bem perto de mim quando fez aquela pergunta. Não fosse os dois olhos vermelhos e brilhantes na minha frente, sua respiração teria delatado que ele estava próximo. Eu estava com medo e tentei fugir. Infelizmente, fiz isso entrando mais afundo no beco. Um grande erro meu, a propósito.

— Q-quem é você?

Tentei colocar minha bolsa entre mim e ele como quem teme pela vida faz ao encontrar uma criatura tão distinta. Ele apenas riu para mim e acompanhou com seus olhos meus movimentos desastrados.

— Está tudo bem agora. — Ele disse em um sorriso. — Eu te salvei.

Eu não estava em uma área particularmente requintada da cidade, então as luzes eram falhas e o beco onde eu estava era por pouco um breu completo. Foi quando os faróis de um carro passaram por perto que eu pude ter certeza de que aquele se tratava realmente de um tal de vigilante. Muito era dito sobre um herói local com grandes olhos vermelhos e brilhantes e que vestia um cachecol vermelho. Ninguém nunca seria capaz de olhar para seu rosto sob o olhar de seus olhos, era o que diziam, então o cachecol era sua assinatura.

Herói ou não, não se pode confiar muito nas aparências. Tentei me manter o mais distante possível ao menos por hora. Foi quando ele estendeu a mão e perguntou.

— Precisa de ajuda?

Enrubesci no mesmo instante. Meu olhar era surpreso e admirado. Tenho certeza disso. Não pretendo me esquecer de um olhar tão valioso quanto aquele. Ao ver minha expressão, o vigilante sorriu novamente e se pôs a a olhar para os arredores.

— Onde você mora? — Ele perguntou.

Olhava principalmente para a rua, onde outro carro passou numa velocidade novamente nada alarmante.

— N-não muito longe daqui. — Respondi um tanto hesitante. Soava como uma donzela que miraculosamente fora salva por um herói.

— Entendo. Mas o que faz por aqui tão tarde da noite?

Eu me levantei e andei vagarosamente até ele. Estava cada vez melhor em andar sem que os outros pudessem ouvir meus passos. Esta habilidade, por sua vez, se mostrava cada vez mais útil. Nem mesmo uma Criatura da Noite parecia capaz de me notar. Ele, por sua vez, não tirava seus olhos da rua. Estava com certeza ansioso ou com medo de ser surpreendido por algo ou alguém. Talvez esse fator tivesse me ajudado no momento.

— Estava na casa de uma amiga. — Respondi ainda em tom retraído.

Fiz questão de falar um pouco mais baixo. Se ele fosse um profissional certamente teria notado minha mudança de posição. Acho que por meio deste relatório posso dizer com certeza que aquele era o novato rebelde que estava fazendo balbúrdia no Norte do México. Seu assassinato deve ter se dado às duas horas e quarenta e três minutos segundo o fuso-horário do mesmo país. Saquei da minha bolsa uma faca e enfiei em sua garganta segundos antes que ele pudesse reagir. Me escondi no beco com o corpo no mesmo instante, mantendo a faca no lugar até que o Sol terminasse de se erguer o bastante para que sua luz impedisse que a ferida cicatrizasse.

No momento em que escrevo essa carta, estou tomando café na lanchonete mais próxima que encontrei. Deixei o corpo lá e aguardo futuro recolhimento. Espero, além de tudo, que me encarreguem de questões mais desafiadoras. Fazer controle de novatos é cada vez mais tedioso. Não tem graça se o alvo é inexperiente demais e não sabe se defender. Concluo, desta forma, que meu alvo foi identificado e executado com sucesso. Aguardo novo contato em breve.

16 de Fevereiro de 2021 às 17:44 0 Denunciar Insira Seguir história
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