-cezareduardo Eduardo Cezar

Em um reino muito distante há muito tempo, existia um príncipe que vivia amargurado. Bem, pelo menos era que seus súditos achavam. Filipe era imortal e por isso escondia sua verdadeira forma escondendo-se no castelo, mas saindo às noites disfarçado de Lorde. Ao lado de seu fiel escudeiro, O príncipe Filipe e Arthur vão descobrir o poder da amizade e a força do amor verdadeiro tem em uma busca pelo fim da maldição do príncipe.


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Dalencária e o Príncipe Amargurado

Antes do mundo ser como nós o conhecemos, as coisas eram um pouco diferentes. Reinos existiam aqui e acolá e neles haviam castelos, reis, rainhas, príncipes e princesas. A história que agora se segue é de um reino chamado Dalencária onde existia um príncipe que vivia amargurado e triste em seu castelo.

Os boatos que corriam sobre o Príncipe Amargurado era de que ele havia caído em uma maldição há muitos anos atrás que o fizeram imortal para ver aqueles que amava padecer ao tempo enquanto ele viveria para ficar sozinho até o crepúsculo do mundo. Pelo menos era isso que a ele foi dito por um sacerdote muitos anos antes...

— Ah, deixa de besteira, Pati. Que mentira. Isso é só lenda urbana. O príncipe não é imortal — interrompeu Arthur — e pra que esse drama todo "A história que segue e blablabla"? — o jovem imitava a maneira como Patrícia havia gesticulado ao contar sua história para ele.

— Como você é estraga prazeres, Arthur. Você que perguntou sobre o príncipe Filipe.

— Eu só queria saber como ele é antes de vir viver aqui até sei lá quando. Mas já vi que você anda lendo muita história infantil ultimamente, pior do que as mentiras que eu tenho que ouvir na taverna.

Arthur era o novo alfaiate do castelo e iria morar ali para trabalhar sob as ordens do príncipe Filipe. Na cozinha, conversava com Patrícia, a cozinheira e sua prima de segundo grau. Arthur tinha acabado de terminar seu tempo como aprendiz de alfaiataria e foi logo chamado para trabalhar no castelo compondo os trajes do príncipe. Chegara ali logo cedo pela manhã com uma carta de recomendação de seu agora antigo mestre.

— Isso não é uma história de criança, Arthur. Eu trabalho aqui há pouco tempo, mas a Dona Gláucia é a funcionária mais velha daqui e disse que o príncipe não envelhece!

— Ele é um príncipe, Pati. Gente dessa estirpe demora pra ficar velho com tanta regalia.

Existia uma lenda, de fato, a respeito da imortalidade do príncipe, já que ele nunca parecia envelhecer. Os cidadãos mais antigos do reino dizem nunca ter visto uma ruga sequer no rosto jovial do príncipe, mas ele não fazia muitas aparições em público desde a morte de seus pais, cinquenta anos atrás. Para de falar a verdade, ninguém poderia afirmar ter visto o príncipe de fato depois da morte do rei e da rainha. Os porta retratos que eram exigidos com a face do príncipe sempre o retratavam com as mesmas feições joviais. Alguns diziam que ele não gostaria de envelhecer.

De fato, os próprios funcionários do castelo dificilmente enxergavam o rosto do príncipe, que andava sempre envolto em uma capa e deixava suas ordens em um quadro ou com a governanta, que nunca falava mais do que o necessário.

— E essa mania de não ser visto? Como eu vou fazer roupas para alguém que eu não posso ver?

Antes que Patrícia pudesse responder, Gláucia apareceu na porta da cozinha. A governanta era menos idosa do que Arthur pensou que seria pelas descrições de sua prima, mas a longevidade que a mulher apresentava era incontestável. Por trás do semblante severo e dos olhos de Águia, uma voz calma e lúcida se fez presente:

— Venha comigo, meu garoto. Devo lhe passar algumas instruções antes de você falar com o príncipe Filipe.

Gláucia conduziu Arthur por um corredor que passava por diversos salões, cada um exigia uma decoração completamente diferente da anterior. As janelas do lado direito do corredor davam para o jardim que ficava no centro do castelo, no qual havia uma imponente fonte. Ao final do corredor e atrás de uma porta, subiram uma escada em espiral que parecia não ter mais fim. Alcançaram uma saleta no topo da escada e ali Gláucia passou as instruções:

— O príncipe é uma pessoa muito reservada e não gosta de intimidades com ninguém. Mas o cargo de alfaiataria exige uma proximidade maior do que os outros e por isso você deve sempre se lembrar de três coisas: a primeira, nunca olhe diretamente para seu rosto; em segundo lugar, jamais faça qualquer comentário a respeito da aparência do príncipe e, por último, nunca conte a ninguém o que ouvir aqui ou o que por ventura acabe conversando com o príncipe. Não preciso dizer que qualquer descumprimento do que acabei de falar tem como punição a morte, não é mesmo?

— Não precisa, não, senhora.

— Muito bem, meu rapaz. O príncipe aguarda por você.

Atrás da pesada porta, havia o quarto do príncipe. Era enorme e em todas as paredes havia livros e mais livros desorganizados. As janelas eram grandes e havia uma sacada perto da cama do príncipe. De costas para Arthur, Filipe admirava a vista da janela. Era um homem alto e forte e sua presença causava sentimentos variados em Arthur. Inesperadamente, Filipe virou-se para o jovem alfaiate e olhou diretamente em seus olhos.

— Então, o que acha?

Já sentia a vida deixar o corpo quando respondeu num ímpeto.

— Extremamente lindo, vossa majestade.

11 de Fevereiro de 2021 às 18:39 0 Denunciar Insira Seguir história
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Conheça o autor

Eduardo Cezar Acadêmico do curso de Letras da UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul). Amante da literatura brasileira, principalmente a contemporânea, grande fã de Harry Potter, Jogos Vorazes e Senhor dos Anéis.

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