serenityelian Serenity Elian

Hinata e Shino sempre estavam em busca de novos desafios profissionais; sendo biologistas renomados, receberam um convite para irem até a Amazônia e estudar sua fauna e flora. Ao chegar lá, eles se deparam com as histórias locais, lendas e mitos, que acreditavam não passar disso. Até aquele fatídico dia.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#one-shot #DesafioFolclórico #HinaShino #ShinoHina #ImpérioAllhina
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Capítulo Único

Campus de Biologia, Universidade de Konoha


Aburame Shino e Hinata, sua esposa, biólogos, mestres em Botânica, renomados pesquisadores e professores de uma das mais prestigiadas universidades japonesas, receberam um convite para palestrar na Universidade Federal da Amazônia; e também para passarem uns dias para conhecerem não apenas o local, mas terem acesso a fauna e flora da cidade.

Era uma oportunidade de ouro.

— Finalmente estamos chegando! — Hinata disse animada, mesmo após longas horas de voo.

— Queria muito ter essa sua animação — Shino admitiu enquanto se espreguiçava e sentia algumas partes estalarem. Quase quarenta e oito horas de viagem. — Um bom banho e algumas horas de um sono decente, é isso que eu quero.

Ela possuía uma empolgação quase infantil para novos lugares e possíveis aventuras a deixavam eufórica. Dizia que eram aqueles pequenos prazeres, somados a sua paixão pela profissão que faziam a vida valer a pena ser vivida.

Por ser a primeira vez deles em terras tupiniquins, não imaginavam que o calor fosse tão grande, apesar de Manaus estar cercada pela Floresta Amazônica. Precisaram puxar as mangas de suas blusas. Foram recepcionados pela chefe do departamento de Biologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a Doutora Carolina Souza.

— Bem-vindos ao Brasil, espero que a viagem tenha sido agradável — cumprimentou-os em inglês, claro que se precisasse, chamaria um intérprete de japonês.

— Apesar de longa, foi tranquilo — Aburame respondeu com a voz um pouco cansada.

O trajeto do aeroporto até o hotel foi relativamente rápido. A diferença de fuso horário era considerável, treze horas a frente no Japão, precisavam descansar, claro que depois de um bom banho relaxante.

Depois do descanso, resolveram passear pela cidade, turistar. Apesar de constantemente viajarem, tiveram pouquíssimas oportunidades de realmente conhecerem os locais para onde iam. Estavam no Brasil, mais precisamente no estado do Amazonas, era uma chance de ouro, não poderiam deixar passar assim.

— O que está achando? — Shino perguntou a sua companheira.

— Adorando! — Hinata respondeu, fascinada com tudo o que viam pelo caminho. Comprou algumas lembrancinhas para alguns amigos e para a família. — Será que vamos conseguir passear pela Floresta Amazônica?

— Acredito que sim, vamos falar com a Carolina sobre isso — respondeu enquanto olhava algumas pinturas expostas na rua. — Que acha de levarmos algumas dessas para casa?

A jovem de olhos perolados mirou as pinturas. Eram exóticas, bom, para os estrangeiros, claro. Havia pinturas de criaturas que pareciam ter pulado da imaginação do pintor. Um golfinho rosa, um menino com os pés virados para trás, uma mula sem cabeça, um outro com uma perna faltando e a que mais chamou a atenção do casal: Uma enorme cobra com olhos que lembravam faróis.

— Gostei dessa da cobra — ela comentou e, mesmo com a barreira da língua, conseguiu comprar. — Vamos perguntar a Carolina sobre os folclores locais. O Brasil deve ser cheio deles.

O Aburame apenas sorriu. O passeio durou parte do dia, não poderiam se cansar muito, pois no dia seguinte teriam a palestra e ainda precisavam revisar tudo e se preparar também.


Dois Dias Depois

A palestra foi um sucesso, a língua não foi uma barreira, haviam intérpretes junto a eles e assim conseguiram sanar várias dúvidas dos alunos e outros presentes no evento. Depois, ficou marcado que a chefe do departamento de biologia os levaria em um passeio mais íntimo pela cidade e outras regiões.

— Ah, não vamos conseguir ver tudo em um dia — a bióloga explicou. — Mas não se preocupem, temos a semana toda pra isso.

— Muito bom! — eles disseram em uníssono.

O passeio começou pelo centro histórico de Manaus, a jovem mostrou outros pontos que o casal sozinho não encontrou. Seguiram para o Mercado Municipal, o Teatro Amazonas, Palácio do Rio Negro, Centro Cultural dos Povos da Amazônia. Dias agitados, produtivos até, pois no meio do passeio conheceram o chamado Bosque da Ciência.

— Ah, meu lugar preferido — Carolina disse, animada. — Podemos interromper o nosso passeio para que possam olhar com calma, fotografar, anotar.

— Isso seria fantástico! — Hinata exclamou e bateu palminhas, empolgada. — Podemos jantar depois que sairmos daqui.

— Ótima ideia, já sei onde levar vocês! — A moça comentou sobre restaurantes com comidas típicas da região.

Andaram por todo o local, fazendo anotações, tirando fotos, analisando e conversando. Passou tão rápido que quando deram por si, já estava na hora do jantar. Deram um pulo rápido no hotel para tomarem um banho e trocarem de roupa.

Escolheram um restaurante bem típico da região, Carolina pediu um prato tradicional do local para experimentarem. Enquanto esperavam pela comida, conversavam amenidades e foi quando Hinata mostrou a fotografia da pintura que compraram em um passeio que fizeram no dia seguinte à chegada no país.

— A Cobra Grande é um folclore que tem algumas variações dependendo de onde você está. Aqui no Amazonas, Pará — começou a explicar —, bom, diz o folclore…

“Também conhecida como Boiúna, Norato ou Cobra Honorato, é um réptil gigantesco que habita as profundezas de rios ou dos lagos.

Seus olhos são luminosos e assustam aqueles que cruzam seu caminho.

A lenda mais comum é a daqui, da Amazônia, uma índia de uma das tribos engravidou da cobra boiúna e deu à luz a duas crianças gêmeas, que também tinham aparência de cobra. Tinham os nomes de Honorato (ou Norato) e Maria Caninana.

A diferença entre suas personalidades era evidente.

Honorato era bom, de bom coração, visitava sua mãe sempre, enquanto sua irmã… Guardava um grande rancor e nunca foi visitá-la.

Por causa de sua personalidade e temperamento, Caninana afugentava as pessoas, animais, afundava embarcações, criava o caos e o terror.

Cansado do comportamento da irmã, Norato decidiu matá-la para pôr um fim naquela situação trágica.”

— Essa é a lenda — terminou de contar. — É um dos muitos folclores brasileiros, vocês devem ter visto pinturas do Boto Cor-de-Rosa, Saci Pererê, Curupira e outros.

— Pode nos contar sobre as outras lendas? — Hinata pediu.

O assunto do jantar se resumiu aos folclores de ambos os países. E também marcaram de ir visitar alguma tribo indígina antes de partirem naquele fim de semana.


Três dias antes da viagem de volta

Shino e Hinata acordaram bem cedo, arrumaram uma pequena muda de roupa, como o passeio seria longe e longo, acharam melhor assim. Encontraram com Carolina no saguão do hotel e rumaram para seu destino.

Nem mesmo em sonhos, seriam capazes de imaginar um cenário como o do Rio Negro, a floresta, o cheiro do local, tudo uma completa novidade. Claro que a floresta era um show à parte no passeio, a riqueza do verde, a densidade, tudo os encantavam. Havia o pessoal da UFAM que realizava pesquisas antropológicas no local, todos conheciam Carolina e se davam muito bem. Mostraram todo o lugar, inclusive, onde não poderiam ir e eles alertaram sobre as cobras venenosas, e por conta disso, para terem cuidado.

— Não se importam se passarmos a noite aqui, né? — Hinata perguntou a Shino e Carolina. — Quero ver essa dança que eles tanto falam.

— Claro! — ela concordou.

O casal Aburame tirou mais fotos, fez anotações e participaram de alguns rituais. Um dia agitado, atípico, mas longe do fim.

Por alguma razão, Hinata estava insone, olhou para o lado, Shino dormia tranquilamente, aliás, dificilmente o esposo tinha problemas para dormir. Levantou com todo cuidado, colocou um casaco e foi caminhar, quem sabe se cansando mais um pouco conseguiria dormir.

Não percebeu que se afastou da tribo, distraída, com os pensamentos longe.. Quando deu por si, realmente estava afastada e, pelo som, chegava perto da água. Percebeu duas luzes brilhantes, achou estranho, não sabia que mais alguém estava acordado, pena que não poderia conversar por conta da barreira linguística.

Chegou mais perto, movida por sua curiosidade, sem perceber o perigo que a cercava. As luzes foram se aproximando da superfície. Parou no segundo que percebeu. Grandes, bem luminosos olhos, como na lenda, apesar da parca iluminação, enxergava o quão gigantesco aparentava ser o réptil. Sentiu as pernas bambas, teria ela forças para correr se preciso? Mas folclores eram apenas folclores, não é?, ela pensou. Deu um passo para trás instintivamente. Hinata prendeu a respiração sem perceber diante do sibilar característico das cobras. O que era aquele monstro que saía da água? Não poderia ser a tal Cobra Grande, era apenas um folclore, uma lenda e nada mais! Acabou por encostar no tronco de uma árvore próxima de onde estava, aterrorizada com o avanço daquele monstro de olhos brilhantes.

— Bo-Bo-Boiuna? — indagou mesmo que fosse inútil. — Nã-não é po-possível…

O sibilar ficou mais alto, mais amedrontador. Ela nada pôde fazer senão gritar a plenos pulmões, na esperança que alguém a ouvisse — que Shino ouvisse.

Irrompendo na noite, o grito de Hinata chegou aos ouvidos do marido, que acordou assustado. Ainda sonolento, olhou para o lado e não a viu. Desengonçado, pegou uma blusa e saiu a procura da esposa. A escuridão não ajudava nada, como ela saiu daquele jeito no escuro?

Forçou um pouco mais a visão, conseguiu ver um caminho e seguiu. A floresta estava estranhamente silenciosa. Isso não era bom. Sentia o ambiente um pouco carregado, como se algo fosse acontecer.

— Hinata! — gritou por ela. — Hinata, cadê você? Hinata!

Ouviu um choramingo, como uma súplica, avançou um pouco mais pela floresta, escutou um som característico de ondas na água e um sibilar. Droga! Havia uma cobra por perto. Andando cautelosamente, enxergou dois orbes brilhantes, algo assustador. Fantasmagórico.

— Hinata… — chamou uma última vez.

— Shino! — ela gritou por ele. — Shi…

A cobra grande ameaçou avançar, foi sua única chance de correr, caiu nos braços do marido.

— Hina… — Desviou o olhar da esposa para a cobra. — Mas o que é isso?

— Bo-boiuna… — respondeu assustada.

Tentando se lembrar das palavras de Carolina sobre a lenda da Boiúna, a forma como poderia afastar a cobra, ofertando leite ao monstro, mas não tinha, só poderia usar pedras e torcer para acertar a cabeça da cobra o suficiente para machucá-la. Devagar e sem tirar os olhos do monstro, abaixou-se, tateou o chão na busca de uma pedra grande o suficiente que afugentasse aquele ser.

— Hinata, quando eu mandar, você corre de volta para a tribo, sem olhar para trás. — ele ditou, não daria espaço para os questionamentos dela.

Conseguiu achar uma, de tamanho razoável. Deveria servir. Tacou no monstro, o sibilar pareceu mais agressivo, procurou por outra e atirou sem pensar duas vezes. Procurando mais uma e mais outra.

— Hinata, corre! — mandou. — E não olhe para trás!

Ela correu, não sabia de onde vinha força para isso. Não gostava do fato de ter deixado seu marido para trás. Sentia medo por ele, de perdê-lo. Uma cobra daquele tamanho poderia facilmente matá-los e devorá-los. Não conseguia dizer como encontrou o caminho de volta para a tribo, ninguém mais estava acordado. Apenas seu cônjuge a escutou.

Parou onde estava, olhou por onde veio, na esperança de ver o marido logo atrás de si. Esperou e esperou. Os segundos pareciam séculos, respirar era doloroso, sentia os pulmões arderem. Olhava para os lados, atenta a qualquer som, barulho, o que fosse. Só queria o marido de volta e a salvo.

Um barulho nos arbustos próximos veio. Hinata mais uma vez prendeu a respiração, Shino apareceu, um pouco arranhado e desgrenhado, talvez pelo sono.

— SHINO! — correu na direção dele, assustada.

— Não sei como, mas o monstro foi embora — Ele a abraçou apertado. — Vamos voltar para a tenda onde estávamos, amanhã vamos embora.

Atentos, o casal voltou para a tenda onde estavam dormindo. Assustados com o encontro com a criatura folclórica. Deitaram, na tentativa de conseguirem voltar a dormir.

O dia seguinte chegou, Hinata foi acordada por Shino. Arrumaram-se, encontraram com Carolina, alegando que já era hora de ir embora, de voltarem para o Japão. A jovem concordou em voltar para a cidade. Levariam com eles não apenas os bons momentos, como a palestra, mas também o encontro com uma lenda local: a Boiúna. Ali descobriram que lendas podiam ser reais.

FIM

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Notas da Autora: Essa fanfic foi a minha primeira como autora do Império Allhina, infelizmente eles não tem perfil aqui, o que é uma pena, pois o Inkspired tem se mostrado uma plataforma bacana e fácil de usar!

Espero que tenham gostado, nos vemos por aí! Bejios!


25 de Janeiro de 2021 às 23:13 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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