serenityelian Serenity Elian

O massacre de seu clã por suas próprias mãos, a culpa o consumia diariamente. Pesadelos eram seus fiéis companheiros. Deixou a Akatsuki com a mesma facilidade que deixou a Vila Oculta da Folha de Konoha. Ainda que tudo estivesse esclarecido, seus sentimentos não mudavam. Seus dias estavam sempre chuvosos aos seus olhos, até a chegada dela em sua vida.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#ImperioAllhina #AmigoSecretoImperioAllhina #HinaIta #itahina
Conto
1
367 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo Único

Acordou como todos os dias, sem vontade de nada. Mais dia menos dia, não fazia diferença. Seu clã foi massacrado por sua pessoa, o irmão caçula o desprezava — não tirava a razão dele — ainda que tivessem voltado a morar no Distrito Uchiha, mal se viam ou se falavam. Com o aval da Quinta Hokage, Senju Tsunade, reconstruiria o local que viveu seu clã e voltaria as atividades ANBU, a pedido pessoal feito pela própria.

Levantou, fez sua higiene matinal, passou pelo quarto do irmão, que estava vazio e foi preparar seu café para por fim colocar a mão na massa. Cada canto da mansão principal era uma lembrança de um passado feliz com sua família. Às vezes culpava o pai por tudo, por aquele plano idiota, se não fosse por isso, todos estariam vivos, Sasuke não o odiaria, lamentar agora não adiantaria de nada, o que estava feito estava feito.

— Culpar meu pai não vai mudar o que eu fiz — disse a si mesmo enquanto preparava algo para comer, um ovo, uma torrada e suco.

Comeu relativamente rápido, não havia mais sentido em demorar com a refeição, sozinho a mesa, era chato. Lavou tudo e foi para o lado de fora ver por onde começaria naquele dia. Andou pelo terreno, a varanda onde costumava dormir ele e o irmão, começaria por ali. Procurou pelos materiais e percebeu que faltavam alguns, suspirou irritado, como não percebeu antes? Merda! Pensou. Deu a volta, calçou o sapato e saiu em direção a loja de materiais de construção.

Durante o trajeto até o estabelecimento, evitou contato visual com as pessoas, ouvindo os comentários maldosos sobre sua pessoa, porém não se importava nem um pouco, nenhum deles entenderia o quanto seu sacrifício pesava em seus ombros, como se odiava por ter o sangue de todo seu clã em suas mãos. Entrou no local, procurando o que precisava, acabou por distrair-se e esbarrou em alguém.

— Me desculpe, não o vi. — A voz era melodiosa, agradável aos ouvidos e a dona, educada.

— Eu que peço desculpas, me distrai — disse, finalmente olhando para a mulher. Por alguns segundos esqueceu como respirar. A reconhecia da guerra contra Madara e Obito. Aqueles olhos perolados eram marca registrada do Clã Hyuuga, o olhar neles era gentil, doce, cativante. Se não estava enganado, aquela era Hinata, primogênita de Hiashi, o atual chefe do clã.

— Não foi nada. — O sorriso amável. Lembrou de sua atuação na guerra, aquela diante de si não era qualquer uma, o que tinha em doçura, tinha garra e determinação, com certeza seria uma grande líder para os seus um dia. — Desculpe, você é Itachi, não é?

— Sim, e você é Hinata, estou certo? — perguntou.

— Sim — respondeu. — Reconstruindo o Distrito?

— É, um pouco óbvio, não é?

Ela apenas ofereceu um sorriso. Alguém em toda aquela vila o estava tratando como uma pessoa normal, só que não sentia que merecia isso, não depois de tudo. Talvez a culpa jamais o abandonasse, se entrenhasse bem no fundo de sua alma e o atormentasse pelo resto de seus dias.

— Só um pouco — respondeu. — Fazendo tudo sozinho?

Itachi a olhou por alguns instantes, em seu peito um mix estranho de sentimentos, não conseguia definir o que era. A fama de doce e gentil de Hinata era verdadeira, pois estava o tratando como uma pessoa normal, quase como velhos conhecidos, queria sorrir, de verdade, mas outra vez o peso do passado o esmagou, o impedindo.

— Desculpe, não quis ser intrometida… — Hinata se desculpou, achando que havia se excedido.

— Não, não foi — tentou reconfortá-la, mas fracassou. — Sim, estou reconstruíndo o Distrito sozinho.

— Sasuke…

— Sequer me olha. — Confessou, não soube dizer como ou porque sentia-se tão confortável conversando com alguém que sabia apenas o nome e o clã ao qual pertencia.

— Isso não é certo… — ela ficou triste em saber disso. — Vocês são família, precisam ficar unidos.

Ele a olhou e desviou o olhar, incomodado, não pelo que ela disse, mas por saber que seria quase impossível eles voltarem a ser uma família. O peso em seus ombros só piorava e por mais agradável que fosse conversar com a herdeira Hyuuga, não desejava estender mais o assunto.

— É a vida — comentou. — Desculpe, preciso ir. — Saiu antes que pudesse a moça dizer mais alguma coisa, andou como um raio pela loja, pegando o que faltava e encomendando o que não havia na hora para levar.

Regressou ao distrito com o peito pesado, não entendia como aquela mulher mexeu tanto consigo. Nem mesmo Izumi causou aquele efeito. O que estava acontecendo?

— Estou louco, é isso! — Exclamou .

Achou melhor voltar ao conserto da mansão principal, assim esqueceria ou ao menos tentaria, aquele encontro com a herdeira Hyuuga.

(...)

Hinata voltava para a casa com a sensação de que passara do limite conversando com Itachi, pois ele saiu correndo. Sentiu-se mal por isso, assim que tivesse uma oportunidade se desculparia com ele, ou se tivesse um pouco de coragem, iria até o Distrito Uchiha.

Distraída como estava, não ouviu Hanabi, sua irmã caçula chamando por sua pessoa.

— Terra para Hinata — estalou os dedos na frente do rosto da mais velha. — Acorda, mulher.

— Hana, o que foi? — perguntou.

— Estou te chamando há uns dez minutos e não me respondia… — respondeu.

— O que aconteceu? — indagou a mais velha.

— Pai está em reunião com o Conselho, achei um boa sair um pouco — comentou como quem não queria nada, mas Hinata conhecia sua irmã como a palma da mão.

— Tá bem, vamos almoçar fora — respondeu. — Depois direto para a casa, não quero dar motivos para o pai falar qualquer coisa.

Ela amava o pai, mas não significava que iria passar a vida abaixando a cabeça a cada crítica do genitor. Resolveu ouvir os conselhos das amigas e buscar sua auto aprovação, depender apenas de si mesma e mais ninguém. E foi uma das melhores coisas que fez por si mesma, ganhou confiança que nem sabia que era capaz de ter. Não a tornou apenas uma ninja melhor, como também uma pessoa, uma mulher melhor.

— Vamos no restaurante novo que abriu essa semana? — Hanabi perguntou com os olhinhos de um filhote.

— O que eu não faço por você? — Hinata sorriu. Realmente não havia nada naquele mundo que ela não faria por sua irmã.

Caminharam conversando amenidades, comentou com a caçula do encontro com Itachi, e como esperado, ela fez uma carinha sapeca e indagou:

— Ele é tão bonitão quanto falam?

A primogênita de Hiashi não conseguiu fazer outra coisa que rir, típico da irmã, esse tipo de pergunta.

— Sim, ele é — respondeu.

— Mais que o Naruto? — fez outra pergunta.

O questionamento dela a pegou de surpresa, não havia pensado nisso até então. E fazendo uma comparação entre eles, sim, Itachi Uchiha era mais bonito que Naruto Uzumaki. Mas ao contrário de sua antiga paixão, o homem de olhos ônix era uma completa incógnita.

— Sim — comentou. — Também é muito educado.

— Toda a Vila comenta horrores dele — Hanabi falou.

— As pessoas daqui tratavam Naruto como monstro até a Quarta Guerra Ninja, então… — suspirou indignada. — Não se pode considerar o que se fala por aí.

A Hyuuga mais nova percebeu o incômodo da outra com o assunto. Já ouviu que se dependessem do povo da Vila, estariam ferradas para não dizer outra coisa. Hiashi poderia ter seus defeitos, mas era pai delas e cuidava delas, ainda que a sua maneira peculiar.

— Tem razão, mas me conta mais do Itachi!!!

Não tinha muito o que contar além do que já disse. Só não comentou nada sobre procurá-lo para pedir desculpas por ter sido tão intrometida.

(...)

Dias se passaram desde o esbarrão com a Hyuuga e a mente de Itachi não parava de lembrar da gentileza, da doçura, dos olhos perfilados, da boca rosada e carnuda dela. Reparou nela mais do que pensava conscientemente. Consertar a casa não era mais distração suficiente.

Tentou mais uma vez reatar seus laços com Sasuke, novamente ele foi sumariamente rejeitado. A voz de Hinata veio em sua mente, proferindo novamente: Vocês são família, precisam ficar unidos. Desejava que fossem família de novo, sentia falta de seu irmão caçula, mas só o tempo diria o que aconteceria.

— Ela jogou um feitiço em mim… — resmungou enquanto guardava as ferramentas, daria os consertos do dia por encerrado. — Vou treinar…

Caminhava para seu quarto quando ouviu aquela voz, aquela melodia. Era o que? Sétima vez que ela vinha ali? O que ela queria?

— Eu sei que está aí, Itachi! — Hinata usou o byakugan para confirmar que ele se esquivava dela. Decidiu para uma tática mais ofensiva.

Ele xingou a habilidade do clã dela. Suspirou resignado, melhor descobrir o que ela queria.

— Hinata — ele a chamou do alto do muro.

Ela deu um pulo para trás pelo susto.

— Eu… — gaguejou e se xingou mentalmente, prometeu a si mesma que controlaria seu nervosismo.

— Você? — perguntou movido pela curiosidade.

— Me desculpe pelo o que aconteceu na loja… — ela disse olhando para o chão, com as bochechas vermelhas, estava com vergonha.

O Uchiha a olhou confuso, a moça a sua frente nada fez que o ofendesse ou o chateasse, muito pelo contrário, o surpreendeu. Desceu do muro parou perto dela, a olhava atentamente. Notou o brilho no olhar dela, alegre, sutil, amoroso, a pele dela parecia ser de seda, sentiu uma vontade de tocar para tirar a prova, se perguntou qual deveria ser o gosto dos lábios dela, se era de morango ou de alguma outra fruta vermelha. O calor gostoso que emanava junto a aura tranquila, pacífica, sentia o penetrando pelos poros da pele. Claro que como homem, reparou no corpo dela. A roupa de ninja ajudava bastante, as pernas dela, torneadas, perfeitas ao seus olhos, a cintura muito bem desenhada, obviamente não tinha como não reparar nos seios, eram generosos, sua boca salivou e um pensamento pervertido cruzou sua mente, os braços igualmente torneados, as mãos finas, delicadas como ela. Hinata era um quadro perfeito que ganhou vida, cheia de graça, beleza e atitude. Quem não a conhecesse diria que era frágil, a pessoa estaria enganada.

— Pelo o que está se desculpando? — indagou assim que saiu de seus devaneios.

— Eu fui intrometida… — disse sem graça.

— Não, não foi — respirou fundo sem que ela percebesse, o cheiro do perfume de jasmim invadiu suas narinas. — Está tudo bem, de verdade.

Ela sentiu as bochechas ainda mais quentes, deveria estar vermelha igual a um tomate. Sentiu-se boba, ele relevou a intromissão, mas ficou feliz que daquela vez não a ignorou como vinha fazendo das outras vezes.

— Então… — ela começou, mas parou. O que diria? Havia algo? — Vou deixar você em paz… Ainda deve ter muito trabalho, não é?

— Cabeça vazia, ofício do diabo — comentou.

— É verdade — riu. — Quer ajuda? — perguntou sem pensar duas vezes.

Aquilo o pegou de surpresa. Sentiu o coração falhar uma batida. Não, ela estava apenas sendo educada, gentil. Talvez fosse melhor recusar educadamente, não queria que ela ficasse mal falada por estar perto dele. Ser Uchiha hoje em Konoha era sinônimo de traidor.

— Não é necessário, Hinata — começou. — Deve ter outras coisas para fazer, ocupações com seu clã. — falou.

Ficou sem jeito diante da recusa dele, mas de onde vinha? Não o conhecia direito, então por que ficou triste? Naquele momento, estar com ele era agradável, acertou ao não dar ouvidos às línguas ferinas da Vila. Queria descobrir mais sobre ele, decifrar o enigma que era Itachi Uchiha.

— Na verdade, Hanabi será a líder do clã — contou. — Abri mão da posição em favor dela, minha irmã vai ser melhor líder que eu.

— Talvez sim, talvez não — falou. — Mas com sua ajuda e apoio, é mais provável que sim.

Hinata sorriu, de orelha a orelha, os olhos a acompanhavam. Sentia um orgulho tão grande da irmã. Hanabi era maluquinha, agitada, um pouco sem filtro, mas com o coração tão grande quanto o dela, com um garra tão grande, estava certa que surpreenderia a todos.

— Meu coração diz que sim. — Sentia tanta facilidade em conversar com ele.

Por alguns instantes o mundo ao redor deles parecia não existir, apenas eles dois. No entanto, como tudo que era bom tinha que acabar, algumas pessoas passaram pela rua, fazendo comentários maldosos sobre ele e agora sobre Hinata.

— Hinata… Melhor ir para casa — a voz com um tom amargurado chamou a atenção dela. — Pode ficar mal falada se continuar aqui comigo.

— Pro inferno com esse bando de gente fofoqueira… — ela se irritou, o que o surpreendeu. — Já fui tida como monstro por causa do byakugan, Naruto foi de rejeitado a herói, não se pode confiar tanto assim nos moradores…

— Hina… — Foi interrompido.

— Não me importo com o que digam, ninguém nos conhece de verdade, então, pro diabo com boatos.

Pela primeira vez em tantos anos, Itachi sorriu verdadeiramente. Ela tinha a cabeça no lugar, não se deixava levar por qualquer coisa, nem qualquer um.

— Quer entrar? — perguntou.

— Não quero incomodar…

— Não será nenhum incômodo — falou. — Acho que tem chá em casa.

(...)

Há três meses Hinata Hyuuga frequentava o Distrito Uchiha, auxiliando na reforma. Quando não estavam trabalhando nos detalhes ou no jardim, treinavam. Itachi insistiu, assim ela não sairia de forma. Também se tornaram próximos, amigos.

— Trouxe dango — Hinata disse enquanto pegava o bento .

Os olhos dele brilharam, era o seu preferido e ela lembrou. Comeram em um silêncio confortável, aprenderam aos poucos a lerem um ao outro, palavras eram quase desnecessárias entre eles.

— Estão uma delícia. — Não pôde não elogiá-la, sabia o quanto a jovem de olhos perolados gostava de cozinhar.

— Fico feliz que tenha gostado — disse depois de engolir o último que havia no bento.

Itachi sentiu um sentimento quente preencher seu peito, não conseguia dizer com certeza se era felicidade ou se estava grato pela companhia e amizade de Hinata. Apenas era certo de que gostava da presença dela, era agradável, tranquilizante, apaziguava seu coração atormentado.

— Vou cuidar do jardim hoje a tarde, se importa? — ela perguntou.

— Não, pode fazer à sua maneira — respondeu, se lembrando de como ele era quando a mãe cuidava.

Já passava da metade da tarde quando o tempo começou a mudar, anunciando a chegada de uma tempestade, Hinata prestou atenção na mudança para não ser pega de surpresa, só que a natureza faz como acha melhor, e a chuva caiu pesada sobre Konoha. Hyuuga ficou encharcada e o pior, não se lembrou de levar uma muda de roupa.

— Pelo Sábio dos Seis Caminhos… — entrou pela porta da cozinha. — Por que sempre comigo?

— Uou — Itachi disse quando a viu entrar. — Use o banheiro, tome banho, antes que pegue um resfriado!

Ela aceitou a sugestão sem pestanejar e correu para o banheiro, tirou a roupa molhada e entrou debaixo do chuveiro de água quente. Enquanto se banhava, sua mente viajou para o Uchiha mais velho, em como se davam bem, a conversa era boa, fluida, quando ficavam em silêncio não era estranho, parecia que eram amigos a vida toda. Itachi era introspectivo, mas não no sentido de ser grosseiro ou frio sem coração, mas por tudo que já passou na vida. Aquela era a forma como ele se protegia, era sua armadura e ela, Hinata, aos poucos penetrava, conhecendo o homem. Algo que ela notou, foi que esqueceu completamente Naruto, e pensar nele agora, não doía, pensava nele com carinho, mas de um amigo, não mais aquela paixão que a acompanhou durante anos.

Desligou o chuveiro, se secou, enrolou a toalha no corpo e então se tocou que não pegou uma muda de roupa com o dono da casa, bom, teria que ir como estava atrás dele, abriu a porta do banheiro e deu de cara logo com Itachi. Sentiu seu rosto ficar quente, assim como o dele, e para tornar a situação ainda mais embaraçosa, Hinata fez um movimento que causou a queda da toalha de seu corpo. Foi impossível não passar os olhos por aquele corpo, sentiu o próprio dar sinal de vida, sentiu desejo pela mulher a sua frente, só um cego não veria o quão bela ela é.

— A… A… A roupa — ele teve dificuldades em falar. — Aqui.

Se abaixou para pegar a toalha e cobrir o corpo, inteiramente vermelha. Pegou a roupa oferecida e se trancou no banheiro. O coração batia frenético no peito, como se fosse saltar fora.

Itachi continuou parado do outro lado da porta, processando a cena que acabou de ver. Sentindo o desejo correr por suas veias, era oficial, ele queria Hinata, em seus braços, em sua cama. Mas não queria magoá-la, não era justo. E não queria perder a amiga. Suspirou, melhor sair dali, dar espaço a ela, rumou para a cozinha preparar algo quente, com a chuva a temperatura caiu drasticamente e não dava sinais que passaria logo. Não deixaria que Hinata saísse naquela tempestade e se perguntou onde o irmão estaria.

— Itachi… — A voz dela o tirou dos pensamentos.

— Você não vai sair nessa chuva para sua casa — disse de forma que não deixasse espaço para qualquer discussão.

— Mas… — Ela fez um biquinho que ele achou adorável quando se virou para ela.

— Vai ficar doente — voltou sua atenção ao que fazia no fogão. — Chá? Ou chocolate quente?

— Chocolate quente, por favor — respondeu, sentou-se à mesa para fazer companhia a ele. — Obrigada pela roupa.

— Não poderia deixá-la nua nesse frio — comentou tentando soar normal, evitando que sua mente voltasse para a cena dela como veio ao mundo. Se concentrou no chocolate quente que fazia, colocou na xícara e entregou para ela.

— Essa chuva não vai passar tão cedo… — Ela olhava para fora através da janela.

Ficaram olhando a chuva cair lá fora, um ao lado do outro, sentindo o calor de seus corpos. Itachi esbarrou nela propositalmente, apenas para ficar mais perto.

— Pode dormir no meu quarto, eu fico no dos meus pais ou no do Sasuke — disse.

— Eu posso dormir em outro canto, não quero tirar ninguém do próprio — Hinata ficou realmente sem graça. — É sério, se tiver um outro lugar, eu posso…

— Não é problema algum, acho até difícil meu irmão voltar hoje… — comentou triste.

Os dois entraram em um pequeno embate sobre onde quem dormiria aonde, e por fim Hinata se deu por vencida e aceitou a sugestão de seu anfitrião. Ele ajeitou o quarto para que ela ficasse confortável, Colocou um futon bem macio para ela, estava terminando de arrumá-lo quando a moça entrou um pouco distraída, tropeçou no lençol e caiu em cima dele.

Podiam sentir a respiração um do outro, Hinata tentou se levantar, não logrando êxito, Itachi fazia uma força sobre humana para não deixar o desejo por ela ficar evidente. A vendo tão de perto, os olhos eram ainda mais bonitos, as bochechas coradas davam mais graça a ela. Os lábios, tão próximos e não beijá-los era um crime inafiançável. Mudou de posição, ficando por cima, a Hyuuga estava um tomate de tão vermelha, riu.

— I-Itachi — A forma como seu nome soava na voz dela era incrivelmente sensual ao seus ouvidos.

Não queria falar, apenas beijá-la e foi o que fez, começou suave, a pequena tensão no corpo dela foi mais pela surpresa e aos poucos cedeu. Ah, o sabor daqueles lábios, tão doces, macios, aprofundou o beijo, correspondido em igual intensidade.

Separaram-se pela falta de ar, se levantou um pouco, dando espaço para ela respirar, até mesmo ele se acalmar, passou as mãos nervosamente pelo cabelo, não queria fazer nada que ela não quisesse.

— Hina… — Foi silenciado por um beijo dela.

— Eu também gosto de você, Itachi Uchiha — disse em um sussurro.

— Não quero te forçar a nada, não se sinta pressionada — ele disse a ajeitando em seu colo.

— Eu… — a timidez resolveu assumir, uma péssima hora. — Eu nunca…

— Tudo bem, vamos no seu tempo — disse.

Ela o beijou ávida, ter seus sentimentos correspondidos era a melhor sensação do mundo, não queria sair dos braços dele nunca mais. As coisas começaram a esquentar mais e mais, ele tirou a blusa que usava para o deleite da moça em seu colo que mordeu o lábio inferior admirando o físico dele. Criou coragem e tirou a própria blusa, revelando que não usava nada por debaixo da blusa. Itachi sentiu a boca salivar, como queria prová-los.

Logo os dois estavam sem roupa alguma, o Uchiha beijava cada centímetro da pele de Hinata, devagar, ouvindo os gemidos dela, se deliciando com eles. Chegou a feminilidade dela e a saboreou. Ela não conseguia explicar, apenas que estava gostando das sensações que provocava em seu corpo, cada célula de seu corpo eletrificada por aquele homem. Quando alcançou o ápice viu fogos de artifício, relaxando o corpo aos poucos, em seguida, um sorriso brotou em seus lábios.

— Que delícia — disse.

— Quer continuar? — perguntou.

— Quero.

Ele se posicionou e gentilmente a penetrou, a sentindo, atento as reações dela, esperou que se acostumasse com seu tamanho, a beijou outra vez.

— Continua. — Ela deu o aval.

A estocava, aos poucos a expressão dela de dor deu lugar a de prazer, puro e simples. Aumentava a força gradativamente para não machucá-la. Os gemidos deles preenchendo o quarto. Ela o arranhava nas costas com a mesma intensidade das estocadas.

— Assim — ela disse entre os gemidos.

Se apossou do pescoço dela, distribuindo vários beijos, o prazer que corria por seus corpos os fazia delirar e querer mais. Gozaram juntos pouco depois. Hinata nunca imaginou sua primeira vez, mas estava feliz que foi com Itachi, para ela, foi especial.

Ficaram deitados, juntos, curtindo aquele momento gostoso, entre carinhos e carícias, tranquilos e satisfeitos, por enquanto.

(...)

Logo a notícia de que Hinata Hyuuga estava com Itachi Uchiha se espalhou por toda Vila, até mesmo Tsunade parou o que fazia para se inteirar da notícia, ficou feliz por eles, nem todos tinham a chance de ficar com os que amavam.

Hiashi Hyuuga no começo se mostrou resistente ao relacionamento da filha, mas acabou cedendo quando viu o quão feliz ela estava. E além do mais, ela não deixou em nenhum momento que interferisse em seus deveres para com o clã.

O casal raramente fazia aparições públicas, Hinata não queria que hostilizassem mais o namorado do que já faziam. Ninguém entenderia o sacrifício dele, a dor e a culpa que ele sentia. Tudo o que ela queria para ele era a felicidade, uma luz no meio da escuridão que ainda habitava em sua alma e coração. Por isso preferiam a privacidade do Distrito, nunca iam incomodar lá.

— É o lado ruim da vida pacífica, o tédio — Itachi disse dando os toques finais na mansão. — Falta do que fazer…

— Ou de uma Vila pra cuidar — comentou. — Enfim acabamos!

Se afastaram um pouco para contemplarem o trabalho de meses. O local foi restaurado a sua glória de outrora, ressurgindo das cinzas. Satisfeitos fruto do trabalho, resolveram aproveitar perto do lago que tinha dentro da propriedade.

Comiam um lanche preparado por… Hanabi. Nos dias finais da reforma, a caçula de Hiashi brotou como quem não queria nada, acabou ajudando nos toques finais. Hinata sabia que a irmã não se aguentou de curiosidade em saber como era o relacionamento deles.

— Sua irmã é um barato — ele comentou.

— Hana é sim — riu. — Sapeca que só ela, mas não há nada no mundo…

— Que não faria por ela.

— Sim!

Itachi quando estava com a namorada, deixava sua armadura, conseguia ser ele mesmo, sorria, ria, até piada fazia. Nunca, depois de tudo que passou imaginou que encontraria alguém que o amasse tão verdadeiramente como Hinata o amava, nunca pensou que encontraria a luz de sua vida.





Nota da Autora: Essa fanfic foi escrita para um Amigo Secreto promovido pelo Império Allhina no final do ano passado, como presente de natal entre as autoras do projeto. Eu tirei a Eyerelix, fiquei muito feliz, porque ela é uma autora que admiro muito, escreve histórias fantásticas.

Espero que tenham gostado!

25 de Janeiro de 2021 às 22:32 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~