chrissykellerink Chrissy Keller

Decidi fazer uma nova versão de "A noiva do Drácula", que também publicarei no meu blog oficial e também em outros sites. Conforme passar o tempo, farei uma capa melhor (ou pedir para que façam para mim) e também editarei melhor essa sinopse. Atenção: a nova versão de "A noiva do Drácula" será publicada 1 vez ao mês (todos os quartos domingos do mês).


Romance Chick-lit Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#romance #sobrenatural #amor #vampiro #ficção
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Presença

Em um bairro simples, mas tranquilo, morava uma bela moça e a sua madrinha — o nome da jovem era Luana. Luana não havia convivido com os seus pais biológicos e morou desde muito pequena com Dolores, que havia sido amiga dos pais dela. Ambas se apoiavam e se ajudavam, a relação que elas tinham também era de mútua amizade e respeito. Para Luana, Dolores era como sua mãe e uma de suas melhores amigas. Dolores não havia tido filhos e Luana era a sua única família. No entanto, após anos de cuidados e sacrifícios que Dolores tivera de fazer em relação à afilhada, a sua saúde não estava muito boa e, por isso, dependia de Luana para sustentar a casa e comprar os remédios que precisava. Luana tinha vinte e dois anos de idade e trabalhava numa editora da cidade junto de seus amigos; não era o melhor emprego do mundo, mas era o que ela tinha no momento e o inicio de sua independência financeira. Antes de começar a trabalhar, ela almejava muito tambem ter a sua independência pessoal, mas havia mudado de ideia, não só por perceber que as coisas não eram assim tão fácil, mas também porque Dolores precisava dela e era a única família que lhe restara.


Luana era muito bonita: cabelos castanhos e ondulados que batiam abaixo do peito, olhos castanho-claro beirando ao mel, belo sorriso... Mas, infelizmente, ela não tinha tempo para namoro. Tivera alguns caras no passado com quem se envolveu, mas nada muito sério. Mesmo aos vinte e dois anos de idade, não podia pensar em namorar quando precisava cuidar da madrinha.


Em seu quarto, Luana estava procurando entre as suas coisas alguma roupa para ir trabalhar.


— Madrinha!


Após um breve instante, Dolores veio ao seu quarto.


— O que foi, minha filha?


— A senhora viu a minha calça jeans? Aquela que tem o desenho de uma flor aqui? — Luana apontou na altura da coxa.


— Não vi — Dolores respondeu. — Mas você não vai vestir aquela outra calça? A que tem um tecido fino.


— Calça social? Eu coloquei pra lavar, madrinha.


— Todas?


— Sim.


— E o chefe, deixa entrar de calça jeans?


Luana sorriu.


— Lá é uma empresa pequena, dinda. Não tem muitos dessas exigências, não.


— Ah, sim...


Luana abriu uma gaveta de seu guarda-roupa e puxou uma calça jeans qualquer.


— Pronto. Esta serve — ela disse com não tanto agrado.


— Bom, já que você já achou uma calça, eu vou voltar para a minha novela. — Dolores disse indo para a sala. — E vê se arruma este quarto!


Luana vestiu a calça, olhando ao redor do quarto. Realmente estava uma bagunça; livros no chão, roupas na cama — até mesmo em cima do abajur ao lado. Ela tinha que dar um jeitinho naquilo... mas depois de voltar do trabalho, porque agora estava atrasada.


Alguns minutos depois de ter se arrumado, Luana foi até sua madrinha que estava sentada no sofá assistindo TV, e lhe deu um beijo no topo da cabeça.


— Já vou indo, madrinha — disse carinhosamente.


— Ah, minha filha, não tem como você pedir para o seu chefe para te colocar no turno da manhã? Ainda acho um perigo você voltar tarde da noite.


— Mas eu já fiz amizade com algumas pessoas lá, o David também trabalha nesse turno.


— David?


Luana sorriu e acariciou o cabelo loiro e curto da madrinha.


— Sim. Não se preocupe.


— Fale pelo menos para ele te trazer — Dolores sugeriu.


— Ele, quem? — Luana estranhou a pergunta.


— O David.


— Madrinha, não dá. — Luana suspirou incomodada. — A casa dele fica distante da nossa. Vai ficar difícil para ele.


— Mas ele é homem, sabe se virar.


— Não invente, madrinha. Já vou — Luana disse tentando mudar de assunto.


— Está bem. Mas tenha cuidado.


— Terei — Luana respondeu e andou até a porta.


— E não se esqueça dos remédios!


Luana destrancou a porta e pegou as suas chaves.


— Está bem. Tchau, madrinha. Te amo!


— Também te amo! — Dolores disse após Luana ter saído e tornou a ver a novela.


°•♤•°

— Olá, Luana — Fred, um dos seus amigos e um dos funcionários, a puxou para um abraço caloroso.


— Oi, Fred. — Ela sorriu para o amigo, correspondendo ao gesto carinhoso. — E o chefe?


— Está morgado lá dentro. — Ele apontou com o polegar para a sala de trás.


Fred, Jéssica, Nina, David e Luana eram os únicos funcionários que trabalhavam naquela pequena editora na cidade, também eram os seus únicos amigos. Sempre que podiam, eles juntavam uns trocados para lancharem, passearem e aproveitarem o dia juntos. Eram muito achegados e confidentes, contavam tudo um para o outro. Apenas David era um pouco diferente.


— E então, vamos para a praia nesse final de semana? — Fred sugeriu.


— Vamos, claro — Luana respondeu, não muito convicta.


— O que foi? — Fred perguntou, preocupado, percebendo sua hesitação.


— A minha madrinha...


— Ah, leva ela também, amiga — Jéssica apareceu atrás de Luana, vindo de outro espaço da empresa.


Fred e Jéssica. Dois de seus melhores amigos eram, secretamente, loucos um pelo outro. Fred, com sua pele dourada e seus cabelos castanho-claros atraía os holofotes, mas era louco mesmo por Jéssica, também com a pele dourada e cabelos cor de mel. Era bonito ver o que sentiam um pelo outro. Luana queria, na verdade, dar uma de "cupido" e juntar eles dois. Fred era inteligente e simpático, um verdadeiro gentleman; Jéssica era a mais agitada do grupo de amigos, mas tinha um bom coração. Nina era uma menina-mulher muito sonhadora e carismática, tinha cabelo liso e castanho-escuro até o pescoço; Luana a admirava muito por sua inteligência.


— Oi, Luana!— Nina a cumprimentou indo em direção aos amigos com um copo de água na mão.


— Oi, Nina. Vai para a praia também? — Luana perguntou.


— Praia? — Nina indagou sem entender. — Que praia?


— Esse final de semana. Quer ir com a gente? — Fred perguntou para Nina.


— Vou ver se poderei ir — Nina respondeu e tomou um gole de água.


— Ah, parem, por favor! É no final de semana, gente — Jéssica reclamou.


Luana deu uma olhada em volta da empresa. Estava faltando alguém...

E, naquele mesmo momento, apareceu David. Ele estava como sempre: blusa social com dois botões de cima desabotoados, calça social, sapato engraxado... todo de preto.


Luana o conhecia há muito tempo, desde que tinha dezesseis anos, e até então, ficava acanhada quando o via. David era lindo: cabelos escuros na altura do queixo e com poucas mechas caindo sobre a fronte, pele bem alva e olhos azuis safira — um homem que chamava a atenção. Mas ela não tinha coragem de dizer a ele, e nem aos outros, claro. Quando sua madrinha mencionou sobre David levá-la até em casa, Luana teve que se desdobrar para fugir do assunto. Afinal, David queria mesmo levá-la até em casa, mas ela sempre inventava algum subterfúgio para ir sozinha. Tinha medo dele.

— Boa tarde, pessoal — David cumprimentou os colegas de trabalho e fitou Luana.


Luana olhou bem para ele e percebeu um brilho estranho em seus olhos azuis.Ela realmentetinha medo dele. A forma como ele a olhava, a forma como sorria... parecia ser de pura malícia. Parecia até mesmo que ele queria a sua alma. Mas, não era apenas medo. Ela sentia também algo por ele. Desejo, talvez? Afinal de contas, David era tão lindo que a deixava sem ar.


— Luana — O chefe a chamou da porta do escritório, despertando-a de seus devaneios.


Fred, Nina e Jéssica rapidamente voltaram às suas mesas.


— Sim, senhor. — Luana desviou seu olhar de David para seu chefe: um homem de meia idade e nem um pouco atraente comparado a Fred e David.


— Venha aqui em minha sala, por favor.

— Sim, claro.


— O que será que ele vai mandar você fazer agora? — David perguntou, olhando-a de soslaio.


Luana sentiu-se paralisar por um breve momento. Será que ele não conseguia olhar para ela sem aquele brilho malicioso no olhar?


— Não sei — Luana gaguejou, observando a beleza daquele homem, sem nem ao menos se importar se os seus outros amigos estavam por perto.


— Qualquer coisa, você me fale.


— Ah... sim. — Luana saiu da presença dos colegas e foi até a sala de seu chefe.


°•♤•°

Linda...


Linda. Maravilhosa. Uma deusa. Era isso e muito mais o que Luana era para David.


Ele era louco por ela. Tão louco que bastava olhar para ela e sentir o ar lhe faltar nos pulmões.


Há algum tempo, desde que a conheceu, ele sentia atração por Luana. E mesmo agora, aos vinte e dois anos, seus sentimentos por ela não tinham amenizado. Ao contrário; só haviam aumentado ainda mais.


A forma como ela andava, como falava, como sorria...


David sorriu maliciosamente.


Ela era uma deusa linda. Sua deusa de cabelos levemente cacheados.


Ele tinha que tê-la para ele. E só para ele! Não suportava a ideia de que ela fosse pertencer a outro homem. Não... Ela tinha de ser dele. E aí... quando ela lhe pertencesse... contaria o seu maior segredo.


— David — alguém o chamou: Fred.


— Sim. — David desviou a sua atenção da sala do chefe e fitou o colega.


— Vamos trabalhar — Fred disse já sentado em sua mesa como Jéssica e Nina.


— Ah... — David compreendeu, ainda perdido em pensamentos. — Sim.


°•♤•°

Instantes depois, Luana apareceu com uma pilha de manuscritos e praticamente os jogou na mesa detão pesados que estavam.


— Nossa. — David avaliou a torre de papéis. — Então, era para isso que ele estava te chamando? Para poder te escravizar?


Luana deu-lhe um sorriso tranquilizador.

— Não... Ele não está me escravizando. — Ela ajeitou as folhas. — É até uma forma de me distrair.


— Do quê? — David perguntou interessado. Ele percebeu ela corar.Por que ela estava corando?


— Das coisas — Luana respondeu de modo evasivo.


— Ah... sim.


Luana sentou-se em sua cadeira e começou a trabalhar no computador.


As unhas dela não eram pequenas, nem mesmo muito grandes, eram bem cuidadas e perfeitas. Não... ela era toda linda, David pensou observando todos os detalhes dela.


Ela tinha de saber. Ela tinha de saber dos sentimentos que ele tinha por ela, e... mais outra coisa. E então, David tomou uma decisão: iria chamá-la para sair. Desse jeito, poderiam ficar a sós, e aí, ele poderia contar-lhe tudo.


— Luana — David a chamou. Luana olhou para ele.


— Sim? — ela perguntou ainda absorta em sua tarefa.


— Você quer sair comigo?


Luana parou o que estava fazendo no mesmo instante e o fitou.


— O quê?


Por quê ela arregalou os olhos? Ele era algum tipo de aberração?Bem... de fato, não havia uma resposta adequada em relação àquela pergunta silenciosa.


— Sair comigo — David repetiu calmamente, ainda a fitando. — Você quer?


Nossa, ela estava pálida. Até mais que ele.

— Que dia? — Luana perguntou com a voz um pouco embargada.


— Hoje. — Ele percebeu ela hesitar. — O que houve?


— É que hoje eu vou ter que comprar os remédios da minha madrinha — Luana respondeu com a voz fina e suave, porém um pouco reprimida.


— E o que isso impede? — Ela estava hesitando de novo.


— É que eu... — Luana gaguejou, desviando o olhar do dele. — Eu vou ter que passar num lugar primeiro...


— Que lugar? — David perguntou sem rodeios. Por que parecia que ela estava fugindo dele?Aliás, como sempre.


— No posto — ela respondeu de imediato. — Eu vou ter que pegar algumas outras receitas médicas, e... — Luana o fitou hesitante, e voltou a desviar o olhar. — Talvez eu demore... desculpe.


David a encarou intensamente.


Só que nós podíamos conversar enquanto o maldito médico demora!, ele pensou aborrecido.


Mais uma vez, ela estava fugindo dele. Mas por quê ela sempre fugia dele? David não sabia, mas também não podia obrigá-la a fazer nada.


— Tudo bem. Outro dia, então. — David contraiu a mandíbula, contrariado.


Ele teria de dar-se por vencido mais uma vez. Luana esboçou aquele sorriso insípido de sempre e voltou a atenção ao trabalho.


Será que ela não percebia que ele odiava aquele sorriso? Amava tudo nela, mas odiava aquele sorriso falso. Gostava mais quando ela sorria como sempre, tão linda ao ponto de fazê-lo suspirar como um bobo apaixonado. Exatamente como no retrato...


Mas David tinha outro plano, num outro dia falaria com ela. Aquilo não iria ficar assim. Não mesmo.

24 de Janeiro de 2021 às 18:01 0 Denunciar Insira Seguir história
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