eddy767 Eddy767

Alicia nega sua constituição, e decide abonar sua família em prol da liberdade. Mas, um flautista renegado, ira mostrar para ela o verdadeiro sentido da comunhão.


Romance Romance adulto jovem Todo o público.

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Primeira vida

Num belo dia de começo de outono, Alicia se encontrava presa em meio aos livros didáticos que a faculdade fornecera. Ali, seu mundo interno entrava em conflito com a possibilidade de um futuro promissor. A faculdade em direito foi um sonho despertado na adolescência, por leituras como: Morris West, Albert Camus e Arthur Conan Doyle. Morris, pela advocacia; Camus, busca do direito; Arthur, inteligência na investigação. A literatura mundial foi a base da sua formação como indivíduo, foi dali que tirou a percepção apurado do seu tempo. Escondida entre livros velhos e empoeirados, descobriu razões, emoções e possibilidades vindouras que marcaram uma geração passada. Se conectava com essas mentes, na busca de algo em comum; algo que a aproximasse da sua própria constituição; da vontade ambígua de realização.

Com a coluna vertebral levemente inclinada, sobre travesseiros nas costas, em cima de um colchão envelhecido pelo tempo, esquecido por seu antigo dono, ex-inquilino da casa, lia um livro de técnica legislativa de mil páginas. Era cinco e meia da manhã. O despertador tinha despertado ás quatro. As sete e meia, começava seu expediente no café. Fazia seis meses que trabalhava como garçonete naquele café considerado inóspito por muitos jovens no centro da cidade. Era sua fonte de renda definitiva para poder sobreviver como uma mulher desprendida de favores. A única despesa que não estava incluído no seu orçamento, por causa da indulgência do pai, era faculdade de advocacia.

Por volta das seis e meia, começa, de súbito, seus exercícios aeróbicos rotineiro. Era uma serie de abdominais, flexões e agachamentos, que contavam com uma intensidade alta, com objetivo de perda de calorias e ganho de massa muscular. Quando residia na casa do seu pai, a rotina se baseava na vontade do privilégio, tudo era feito em prol de uma conquista na condição de status.; tudo se resumia a uma horário restrito e o desejo superior de uma outra pessoa. A mãe, se perdera num mundo de ilusões, fomentado pela perspectiva de atingir o imaginável coletivo, imposto por um alicerce completamente equivocado. Já se fazia um ano que ela largara essa vida absorta, para tentar a sorte, sozinha, num mundo cruel e cheio de expectativas.

A série foi longa e árdua, seu corpo estava num transe hormonal, por um momento se sentiu livre e constante. Sem apego ou qualquer tipo de pensamento redutivo, apenas o momento de fadiga e transe pairava pelo ar. Na cozinha, preparou dois ovos cozidos, bacon e um copo de café com leite. Aquilo era o suficiente para manter seu corpo ativo até o horário do almoço. Indo ao café, preferiu as ruas e becos fechados, nada como caminhar no silêncio matinal, livre dos carros, motos e ciclistas inconvenientes. A brisa era serena, com movimentos irregulares de um típico dia de outono; as poucas arvores que encontrava no meio do caminho, estavam repletas de pássaros, de inúmeras cores, que se expressam livremente em cantos harmônicos e surreais. No café, foi recebida pelo seu Jorge, com um sorriso habitual de todas amanhãs. Ele era um homem idoso, que continha no rosto o vigor abstrato de uma pessoa jovem. Todos os dias, o ''bom dia'' vinha carregado com uma positividade voluntária. Homens como seu Jorge, estavam fadados ao bom-caráter, pelo motivo único que une todos homens: as cicatrizes de uma vida passada, te torna mais tolerante no futuro. Aquela homem estava carregado de compaixão; cada ato, cada gesto, vinha cercado pelo amor que só tempo pôde formar.

Silvia, estava preparando o café na máquina de capuccino. Ela tagarelava coisas superficiais com Cintia, que lavava os pratos e copos do seu lado. As duas aparentavam ser melhores amigas, sempre com conversas intermináveis que duravam uma manhã inteira. Por mais que ela tentasse se habituar aquele comportamento inapropriado e fora de ocasião, não podia, porque sua educação aristocrata não permitia tamanha audácia. Mesmo assim, o desdém praticado pelas duas contra Alicia era nítido, nem um bom dia olhando nos olhos eram capazes de dar. Sempre daquela forma esquiva e, se escondendo em mexericos. Alicia sabia que a mudança brusca de posição social não lhe permitiria uma adaptação comum. Tudo relacionado a convivência e comportamento, vinha atrelado com grandes mudanças, e cada ação praticada por ela iria definir seu sucesso ou fracasso. Afinal, a arte da convivência exige prudência e perspicácia. Qualquer coisa além disso, pode resultar numa chuva de emoções, características da falta de inteligência emocional.

-- Cintia, qual será o cardápio de salgados hoje ?? -- perguntou Alicia, querendo puxar conversa para escapar da monotonia habitual.

-- O mesmo de todos os dias. -- respondeu secamente, com olhar indiferente.

Silvia, expressou um leve sorriso de afirmação em direção de Cintia.

-- Só queria saber, se teria que ir para cozinha também.

-- Provavelmente, preciso de alguém para lavar os pratos e limpar a gordura do maquinário. -- seu rosto adquiria, aos poucos, um brilho maléfico de satisfação.

-- Por ora, continue servindo os velhos decrépitos do bairro. Depois te chamo para cozinha.

Alguma coisa dentro do interior de Alicia, dizia que ela não poderia aturar aquele tipo de humilhação sutil por muito tempo. As coisas não deveriam ser dessa forma. O mais engraçado dessa situação, que se prolongava, desde do primeiro momento em que foi admitida naquele café, era que a presença de Alicia, causava mais desconforto do que a sua própria fala. Por alguma razão, elas se sentia intimidadas pela postura e comportamento natural que Alicia descontraidamente expressava. A beleza vitoriana de Alicia, ia muito além de um aspecto considerado comum. Desde de criança vivia cercada de elogios, muitos deles, carregados de excesso de pompa. As pessoas influentes que vivam ao redor do seu pai, em busca de status a qualquer custo, faziam questão de pontuar aonde o coração mais sentia orgulho. Na infância, tudo não passava de sentimento de aceitação; com passar do tempo, percebeu, que um jogo mascarado fazia parte dessa aceitação. Por mais que as duas mulheres representassem um obstáculo de convivência, preferia aquela situação injusta a um sentimento ambíguo e premeditado.

-- Muito bem, quando precisar de min, não hesite em me chamar. Eu estarei sempre pronta a suas ordens. -- abriu um largo sorriso, com os dentes puramente brancos, intensificando uma beleza que aparentemente dormia.

As duas ficaram atónitas com a repentina mudança de persona e, por um momento, se sentiram inferiores aquela demonstração voluntária de graça solicita e profunda humildade. Suas intenções tinham surtido efeito, aquelas mulheres não estavam preparadas para a abnegação, foram pegas de surpresa, e a reação involuntária se desencadeio de forma automática.

As duas se olharam simultaneamente e, logo em seguida, abaixaram a cabeça em submissão. Alicia virou as costas e se dirigiu a uma mesa ocupada por jovem que acabara de chegar.


24 de Janeiro de 2021 às 14:06 0 Denunciar Insira Seguir história
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