jades Jade Wu

Ezdra Royaldem quer desvendar os segredos a sua volta, principalmente os das mulheres em sua vida. Quem sua mãe infiltrou para seduzi-lo? Qual é a história por trás de Anaya Ulrich? Ele espera conseguir saber as respostas para essas perguntas, pegar um assassino e parar uma rebelião, de preferência até o fim do ano letivo. Anaya tem uma missão. Um assassino atrapalharia seus planos, por isso ele tem que ser eliminado. Porém, o quebra cabeça vai ficando cada vez mais complexo. O mundo cor de rosa em que ela pensou que a realeza vivesse fica cada vez mais sombrio. No topo de tudo, ela que é cercada por segredos, se vê cara a cara com um homem determinado a achar tudo aquilo que ela está escondendo. Tudo tem um potencial de destruí-los, desde as belas tiaras de pérolas até as facas mais mortais.


Fantasia Fantasia histórica Para maiores de 18 apenas.

#romance #Humor #mistério #assassinato #ficção #monarquia
6
2.8mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Toda semana
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo 1

Ezdra

Um novo ano se iniciou na Academia Real. Príncipes e princesas flertavam com jovens comuns por todo o salão de baile. Todos, exceto um príncipe. Ezdra Royaldem tinha um sorriso no rosto e maneiras perfeitas. Sua conversa era educada, mas sua mente estava muito longe dali.

Como um príncipe, festas desse tipo faziam parte do trabalho, mas hoje, ele não conseguia ser nada além de vagamente educado. Boatos diziam que uma nova facção rebelde estava armando contra o reino e mesmo não havendo provas, isso vem o deixando preocupado durante semanas.

A subida da diretora Barb Willows ao palco foi a desculpa perfeita para o mesmo fugir para próximo dos guardas. Ele já havia checado a segurança pelo menos três vezes hoje, mas não conseguiu evitar.

O chefe dos guardas lhe deu um revirar de olhos ao vê-lo se aproximando, mas abriu um sorriso mesmo assim.

— Vossa Alteza, estou lisonjeado que prefira a minha companhia a das belas damas aqui ou a dos seus pais.— ele fez uma mesura debochada.— Infelizmente, não estou disponível no momento, mas se o senhor insistir muito, deixo que me pague um jantar.

O bastardo abusado ainda lhe lançou uma piscadela. Ezdra tentou controlar a risada, mas não conseguiu. Ele tinha muito orgulho da relação que criou com os guardas do palácio. Eram mais que empregador e empregados, eram amigos, companheiros. Morreriam por ele e ele por eles.

— Pare de brincadeiras Cliff, como estão os guardas?— sua voz acabou soando mais dura do que pretendia, porém, ele sabia que Cliff não iria se ofender. Se havia alguém que compreendia suas preocupações sobre um possível ataque, era ele.

— Relaxe, homem!— ele deu uma batida amigável em seu braço.— Eu e os rapazes temos tudo sobre controle. Posso ser um velho, mas ainda posso derrotar um bando de arruaceiros com um braço nas costas. Aproveite a festa e tente encontrar alguém para se divertir antes de achar sua Destinada. Veja, sua mãe parece muito feliz em procurar uma mulher para você, mas sei o quanto é teimoso demais para aceitar alguém controlando sua vida, então é melhor fazer sua jogada antes dela.

Ao olhar na direção de sua mãe, Ezdra percebeu que o amigo estava certo. Sua mãe estava olhando cada garota que subia ao palco para se apresentar, como se analisasse cada defeito e qualidade e mentalmente os misturasse com os dele, para ver se elas e seu filho dariam boas crianças.

— Ok, companheiro, mas ao menor sinal de problemas...— o jovem príncipe não terminou a frase, sons vindos do lado de fora das grandes portas do salão de baile e uma queda de luz repentina no palco, o interromperam.

Os guardas se dividiram rapidamente assim como foram instruídos no início da noite. Metade se posicionou de modo a empurrar as famílias reais para longe da porta para protegê-los e a outra atravessou a multidão para ir ver a origem da confusão nas portas.

O príncipe chegou rapidamente à sua família e com alívio, constatou que estavam se encaminhando para longe da porta e para perto dos guardas posicionados nas paredes. A última coisa que ele precisava era que sua mãe puxasse uma katana e tentasse entrar no meio de uma possível batalha.

Ele estava prestes a seguir os guardas até as portas quando foi impedido por Cliff.

— Veja, não vou insultá-lo dizendo que deveria ficar para trás, afinal além de você ser meu superior, é meu amigo. Por isso, tome uma sugestão, fique atrás de mim. — ele falou de maneira incisiva e esperou até o rapaz lhe dar um aceno frustrado. Só então os dois começaram a ir até às portas.

A guarda se posicionou em frente às imensas portas brancas entalhadas, e como um, empurram elas. Não havia mais som nenhum do outro lado e quando as portas estavam completamente abertas, Ezdra viu o motivo.

Haviam corpos espalhados por todo o chão, alguns infelizmente, familiares. No meio de tudo isso, uma garota estava ajoelhada em frente a um deles, de costas para a porta.

Cliff devia ter chegado à mesma conclusão que Ezdra, pois em seguida gritou para ela.

— Levante-se lentamente, senhora. Precisamos fazer-lhe algumas perguntas. — sem nem mesmo precisar ordenar, os homens se aproximaram lentamente até cercarem a mulher.

Ela os ignorou.

Enquanto Ezdra a olhava ali, cercada pelos corpos de seus colegas, ele sentiu uma ira profunda começar a consumi-lo, porém não deixou-se ser cegado pela raiva. Ele precisava estar com a mente clara ou corria o risco de cometer um erro fatal. Lentamente, ele se aproximou até poder encostar a espada no pescoço dela.

— Levante-se agora, por ordem do seu futuro rei. — ele ordenou com uma voz dura e calma.

— Por ordem da futura salvadora deste homem, ajoelhe-se agora e me ajude a estancar o sangramento. — ela retrucou no mesmo tom calmo, sua voz puro gelo.

Olhos cinzas como metal líquido se chocaram com os dele. Ele tentou encontrar alguma pista em suas íris metálicas, mas não achou nada. Quando finalmente desviou o olhar e viu onde as mãos dela estavam, ele imediatamente largou a espada, não muito longe caso ele precisasse, e se ajoelhou ao seu lado.

Ezdra substituiu as mãos da estranha e começou a gritar ordens.

— Chamem um curandeiro, mantenham as pessoas no salão e não baixem a guarda. O resto de vocês, procurem entre os corpos por sobreviventes.

Seus soldados imediatamente começaram a se mover.

Ezdra deu uma rápida olhada ao redor, o que revelou uma dezena de corpos com trajes cinza escuros que ele nunca vira antes.

Parece que os boatos eram verdadeiros.

Para sua surpresa, a estranha não estava vestida nem como um guarda e nem como um rebelde. Ela trajava um longo vestido negro de baile que estava meio destruído, e em seus braços pálidos haviam pequenos cortes. Seu cabelo longo e ondulado de um tom escuro de ruivo se estendia atrás dela como uma capa.

Ela estava olhando atentamente para o que as mãos dele estavam fazendo no peito do soldado, como se para garantir que ele não estivesse fazendo algo errado.

Logo, um curandeiro finalmente chegou afastando Ezdra e a estranha do corpo do homem. Assim que suas mãos tocaram o local do ferimento, começaram a emanar um leve brilho branco que lentamente afastou o tom pálido de morte do rosto do homem ferido.

Assim que se certificou de que o soldado viveria, Ezdra imediatamente agarrou a mão da garota que havia se afastado um pouco e estava olhando para o corpo de um rebelde ali perto, e a guiou educadamente, mas de maneira firme, até uma porta lateral do corredor.

Ela olhou para ele com uma expressão que parecia estranhamente com aborrecimento e então para trás, onde Ezdra sabia que Cliff vinha em sua retaguarda. Sua expressão então se alterou, para...deboche?! Então abruptamente, bem na frente dos olhos descrentes de Ezdra, o deboche se tornou pavor.

Aconteceu tão rápido, que Ezdra não tinha certeza de ter visto realmente.

— Para onde você está me levando? — ela conseguiu até mesmo gaguejar.

— Você acabou de ser encontrada cercada de cadáveres de guardas e possíveis rebeldes nas portas de um baile onde as famílias reais de todo o mundo estavam tomando vinho. Digamos apenas que precisamos fazer algumas perguntas. — o príncipe tentou deixar o sarcasmo fora de seu tom de voz, mas pelo leve revirar de olhos prateados que ele viu pelo canto do olho, devia ter falhado.

Em silêncio, os três caminharam até a sala de descanso dos guardas. Ela olhou atentamente para tudo ao seu redor e então se sentou calmamente no sofá. Ela estava estranhamente tranquila, até mesmo assobiava.

Ezdra e Cliff trocaram olhares, suspeitas e curiosidade em cada um deles, respectivamente. O príncipe acenou, permitindo que o mais velho desse início ao interrogatório.

— Que tal começarmos com o básico? Qual é o seu nome? — o líder dos guardas se sentou ao lado dela e puxou um bloco de notas de aparência gasta e uma caneta.

— Anaya.

— Sobrenome?

— Ulrich.

Ezdra estava sentado a alguns metros, perto da mesa de café, analisando cada expressão do rosto da garota, mas ela parecia completamente desprovida de emoção.

— O que faz aqui, Anaya?

— Sou uma nova aluna. — a garota então levantou o braço onde via-se claramente um bracelete dourado sujo de sangue com o emblema da Academia. Então ela lhes lançou um sorriso auto depreciativo. — Essa situação toda não era exatamente como eu planejei que seria a minha primeira vinda ao palácio.

Cliff parecia sentir pena da garota, então Ezdra deu um passo à frente, sua espada surpreendentemente ainda em sua mão.

— Descreva exatamente o que você viu, Srta. Ulrich. — ela olhou fixamente para Ezdra e mais uma vez ele se surpreendeu com a falta de medo em seus olhos.

Isso o estava enervando.

— Eu estava caminhando até o salão de baile, quando ouvi gritos vindos de algum lugar que eu não soube identificar. Então corri na direção do salão onde eu imaginei que haveriam guardas para me ajudar. Quando cheguei às portas, vi várias pessoas caídas no chão e algumas lutando. Eu peguei minha faca, que havia sido um presente de uma amiga e esfaqueei a primeira pessoa de roupa cinza que eu encontrei. Sei que foi perigoso, mas ela estava atacando aquele homem que eu estava tentando salvar quando vocês me encontraram. O atacante caiu para o lado gemendo de dor e seus companheiros se voltaram para mim, eles estavam prestes a me atacar quando ouviram o som das grandes portas se abrindo. Então eles correram para fora pelas janelas, quebrando-as no processo. Foi como eu consegui esses cortes. — ela acenou distraidamente em direção aos cortes nos braços, o olhar vago como se revivendo as cenas. — Então eu me concentrei nos ferimentos do homem que eu estava tentando salvar e foi quando vocês chegaram.

Cliff, mais molenga do que Ezdra jamais o havia visto, estava dando batidinhas suaves na mão da jovem como se para consolá-la do grande trauma que sofrera.

Ezdra revirou os olhos para o seu mestre e amigo, então semicerrou-os em direção a garota.

— Por que chegou atrasada, Srta. Ulrich?

O rosto dela ficou imediatamente ruborizado.

— Tive problemas com o vestuário. Este vestido estava um pouco mais apertado do que eu imaginei, então tentei procurar por outra coisa, mas não encontrei nada, então tive que vir assim mesmo. — ela fez um gesto em direção ao seu traje e Ezdra rapidamente desviou o olhar, entendendo imediatamente a que se referia.

Os seios dela estavam quase saltando para fora do vestido que se agarrava a cada curva de seu corpo. Ezdra deu uma tossida discreta para disfarçar a surpresa.

Ele levantou os olhos até os da jovem e a viu lhe lançar um sorriso inocente. Imediatamente o mesmo reassumiu sua postura estoica.

— Acho que sua Alteza concorda com minha avaliação inicial sobre o vestido, sendo assim, acredito que entenderá minha necessidade de ir imediatamente até meu quarto para limpar esses cortes e trocar de roupas, certo? — ela abaixou a cabeça de maneira acanhada, mas Ezdra não acreditou completamente e ele não sabia muito bem o por que.

Não era só o fato de tê-la encontrado entre vários corpos, havia algo mais. Ezdra estava pronto para pedir-lhe que continuasse o interrogatório por mais alguns minutos quando Cliff se adiantou.

— Claro, não vejo mais razão para continuarmos o interrogatório agora, a Senhorita está ferida e tem o bracelete da Academia, uma peça que é impossível de ser retirada e só é dada a alunas. Quaisquer perguntas que surjam no futuro, podem ser feitas em outro momento.

Ezdra levantou uma sobrancelha para o amigo e Cliff acenou discretamente na direção do bloco de notas onde ele havia anotado tudo que disseram.

O príncipe podia sentir sua cabeça começar a latejar, como se a primeira semana na Academia já não fosse estressante o suficiente.

— Bom, cavalheiros, então até breve. — Anaya Ulrich acenou educadamente para eles com um pequeno sorriso em seu rosto, então deixou a sala.

Antes que Cliff pudesse dizer algo, Ezdra lhe deu uma ordem.

— Coloque alguém para segui-la, não vamos correr nenhum risco. Consiga também o depoimento do guarda que ela disse que salvou. — o chefe da guarda lhe deu um aceno e se retirou.

Ezdra podia sentir seu lado babaca querendo dar as caras, mas sinceramente, ele não conseguia achar forças o suficiente para se importar.

Sozinho na sala, Ezdra tentou relaxar. Seu corpo ainda estava tenso e pronto para uma batalha.

Todos os seus sentidos estavam alertas e só de pensar em quantos guardas podem ter morrido nesse ataque o estava deixando enjoado.

Esse ano letivo não começou bem.

Ele se preparou mentalmente para voltar ao salão, se não para passar a imagem de que estava tudo sob controle, ao menos para acalmar sua mãe que com certeza estava tendo uma crise de pânico ou pior ainda, escolhendo sua futura noiva.

Ezdra seguiu pelo jardim até chegar às portas que davam no salão de baile, para evitar passar por toda a tragédia. Já no salão, todos estavam dançando e comendo normalmente. Era como se ele tivesse voltado no tempo, exceto pelo detalhe de que os guardas ostentavam expressões mais alertas e sombrias.

Sua mãe se jogou nos seus braços assim que ele entrou. Após uma verificação de dez minutos feita pelo seu pai para confirmar que ele estava mesmo bem, com sua mãe revirando os olhos na sua direção por sobre a cabeça do marido, seu pai se acalmou.

Ele, seus pais e alguns professores de outras turmas se juntaram em uma conversa sobre a falta de luz no palco, sua mãe sussurra em seu ouvido sobre uma garota que ela achou para lhe apresentar. Tudo voltando lentamente ao tédio habitual.

Mas então, Ezdra paralisou ao perceber que na correria para verificar as portas, ninguém se dera ao trabalho de religar a luz e checar o palco.

Ele rapidamente pede licença e chama alguns guardas para subirem lá para verificar.

Pode ter sido um apagão comum ou uma distração para...

Cinco homens se dirigiram para o palco e entraram na coxia para achar o interruptor. Ezdra manteve os olhos fixos em seus homens o tempo todo, por isso só percebeu o que havia sido revelado pela luz, graças ao suspiro horrorizado de sua mãe.

Com um crescente horror, ele viu bem no centro do palco, uma garota vagamente familiar, sentada em uma cadeira com diversas facas saindo de seu peito formando o número um.

Exclamações chocadas saíram de toda a multidão, mas foram as palavras de sua mãe que roubaram sua atenção do assassinato macabro que acontecera bem debaixo do seu nariz.

— Isso é minha culpa.

19 de Janeiro de 2021 às 22:52 0 Denunciar Insira Seguir história
6
Continua… Novo capítulo Toda semana.

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~