lara-one Lara One

ESPECIAL DE NATAL ADVERTÊNCIA: Evite ler em locais públicos para não se passar por louco rindo sozinho. STORY LINE: Elas são bonitinhas e fofinhas. Vieram de outro planeta e têm um apetite voraz... Por carne. Um Arquivo X trash pra Mulder nenhum botar defeito, numa fic especial de natal, recheada de humor e sacanagem, sem uva passa, sem família Scully e... Será que a ruiva aguenta passar um natal diferente com os Krycek? Bom, este é outro Arquivo X...


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

#natal #comédia #krycek #scully #mulder #arquivo-x #x-files
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Parte 1


Boas festas aos leitores!!! (vídeo)


Snowball's - Bolas de Neve do Inferno


📷



INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Proximidades de Jasper - Alberta - Canadá - 2:38 AM

[Som: Edvard Grieg - Hall Of The Mountain King]

Seis graus negativos.

Céu estrelado.

A floresta coberta de neve, pesando os galhos dos pinheiros. As montanhas ao fundo.

Silêncio completo, quebrado apenas pelo chirrio da coruja no pinheiro fazendo o seu "uhh uhh".

Um meteorito rasga o céu, desaparecendo atrás dos pinheiros.

Um clarão surge atrás das árvores.

A coruja assustada, gira a cabeça. Faz seu "uhh uhh".

Close nas diversas bolas de neve pequenas que passam rolando por baixo do pinheiro onde está a coruja.

Silêncio completo.

Uma das bolas de neve passa, com manchas de sangue e algumas penas da coruja. As outras seguem rolando, revelando serem muitas.

Ouvimos risadinhas e vozes ininteligíveis.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


Highway 93 A - Alberta - Canadá - 1:11 PM

Krycek, usando gorro e roupas de inverno, dirige o carro, prestando atenção na estrada. Rasputin na caixa de transporte, choramingando, no banco do carona. Dimi atrás, na cadeirinha, com um gorro e roupas de inverno, segurando um paninho estampado com ratinhos. Barbara ao lado de Dimi, mantendo a neném nos braços, enroladinha na manta.

BARBARA: -Acho que o Rasputin precisa fazer xixi.

KRYCEK: - Ele está chorando porque não quer ficar preso. Esse truque é o mesmo de sempre. Você para o carro, o leva pra sair e ele só quer brincadeira. Tá frio demais aí fora pra brincar.

BARBARA: - (OLHANDO PRA FILHA) "Toisinha" linda e cheirosinha da mamãe! Svetlana, a minha ratinha branquelinha! Já está passeando de carro? É o seu primeiro natal, meu amor.

Dimi faz beiço, olhando enciumado pra Barbara. Krycek olha pelo retrovisor. Barbara tira a manta do rosto da menina, que dorme. Ela tem poucos cabelos, quase ruivos, aparecendo por baixo do gorro. Beicinho vermelho e pele branca feito neve. De luvinhas e roupas quentes.

BARBARA: - Quem tinha cabelo ruivo no clã dos Krycek, Ratoncito? Porque na minha família eu desconheço. E sou inocente, não conheço nenhum ruivo e a Scully é mulher!

KRYCEK: - E o Mulder continua folgando na minha cabeça por causa disso, dizendo que a Scully engravidou você. Eu sei que minha avó paterna era meio loura com ruiva. Meu pai nasceu quase louro, depois o cabelo ficou castanho. E eu pensando que teria uma Barbarazinha bronzeada falando hispânico.

BARBARA: -A culpa é somente sua! Ô genética pegajosa! Tudo bem, o próximo vai puxar a mãe.

Krycek arregala os olhos, incrédulo.

KRYCEK: - Tá brincando, né? Dois tá ótimo. Um casal.

BARBARA: - (RINDO) Não quer desempatar?

KRYCEK: - Isso é sério? Barbara, eu não acho que...

BARBARA: -(RINDO) Não. Só pra ver a sua reação. A fábrica fechou aqui.

KRYCEK: - É? Cuidado. Acidentes acontecem...

BARBARA: - Não vão acontecer. Nem em sonhos! (OLHA PRA DIMI) Dimi, quer mamadeira, filho? Hum? Solta esse paninho. Agora pegou a mania de "naninha", não larga essa coisa!

KRYCEK: - Deixa o menino ser feliz, Barbara. Se ele gosta do paninho dele, deixa quieto, né Dimi?

Barbara entrega a mamadeira, Dimi joga no chão, emburrado. Barbara desiste. Abre a blusa e começa a dar de mamar pra neném. Dimi num beiço.

BARBARA: - Dimitri não teste a minha paciência! Eu não vou pegar a mamadeira do chão! Você já jogou um monte de vezes me fazendo de palhaça!

Dimi começa a chorar. Krycek olha pelo retrovisor.

BARBARA: - Ele agora não quer mais mamadeira, quer voltar a mamar. O ciúme pegou feio mesmo!

KRYCEK: - Entendeu a função do paninho? Mulder me disse que o paninho é um objeto de transição, é normal e saudável. Não é mania, é pra deixar que com o tempo ele largará o paninho. As crianças tendem a se apegar a algum objeto que traz segurança e amor na ausência dos pais. E ele tá se sentindo em segundo plano por causa da irmã.

BARBARA: - Mas eu amo os dois da mesma maneira! Dimi, para de chorar, meu amor. A mamãe ama você também, meu Ratinho lindo! Não sabe o quanto eu desejei você! Não faz isso com a mama...

KRYCEK: - Barbara, é normal, certo? Dimi está com ciúmes, era filho único, agora tem que disputar a sua atenção. Vou parar o carro. Você resolve o problema com a Lana e eu resolvo com o Dimi.

Krycek dá sinal de luz e para no acostamento.

KRYCEK: - Manda uma mensagem pra Scully. Diga pra eles nos encontrarem no próximo posto de gasolina.

Corte.


Mulder dirige o carro. Usa gorro, cachecol, casaco. Passa pelo carro de Krycek parado no acostamento.

MULDER: - Será que o Rato precisa de ajuda? Algum problema com o carro?

Scully lendo a mensagem no celular e ajeitando o gorro na cabeça.

SCULLY: - Problemas com bebês.Vamos parar no próximo posto de gasolina.

MULDER: - Não me surpreendo. Ruivas causam problemas desde que nascem.

Scully belisca Mulder.

MULDER: - Au! (DEBOCHADO) Não posso falar mal da sua filha? Eu sempre avisei o Rato, não deixa a Scully sozinha com a Barbara. A Scully é perigosa. Olha no que deu! Como você conseguiu a façanha de engravidar sua amiga? Vai me trocar por ela? Vai pagar pensão pelo estrago que causou?

SCULLY: - Mulder não teste a minha paciência!

No banco de trás, Victoria olhando atenta para a paisagem, Bryan pulando na cadeirinha e Cookie dormindo. As crianças vestidas com roupas pesadas de inverno.

MULDER: - Aposto que aqueles dois vão enlouquecer sem uma babá. Imagina se nossos anjinhos tivessem apenas dois anos de diferença entre eles? Seria o apocalipse!

SCULLY: - Eu sempre quis ser mãe, mas preciso admitir que a teoria é maravilhosa e a prática é outra realidade. Tem seus prós e contras.

MULDER: - Dois é um bom número.

Mulder olha pelo retrovisor, Bryan dando tapas em Victoria que devolve tapinhas nele.

MULDER: -(SÉRIO) Sabe por que dois filhos é um bom número? Porque tenho duas mãos para agarrar e separar os dois encrenqueiros que já estão se pegando aí atrás! Se tivesse três filhos, um escaparia de levar cascudo na orelha!

Os dois param. Scully segura o riso e coloca um fone do celular no ouvido.

VICTORIA: - Ele começou!

BRYAN: - Rah!

MULDER: - Ele começou e eu vou terminar. Se não se comportarem, vou enterrar os dois na neve!

SCULLY: - ... Adorava essa banda. A-Ha. O vocalista era um gato.

MULDER: - (DEBOCHADO) Gostava de gatos e casou com uma raposa.

SCULLY: - Não vai ouvir o que quer, Mulder. Desista.

MULDER: - Eu sei que sou lindo. E faço tudo por você. Até passar o natal no Canadá.

SCULLY: - Nem venha com essa, Mulder. Sabe que eu sempre passo as festas de final de ano com minha família. Eu só topei por você. E já estou começando a pensar se não deveria ter desistido porque você já me colocou em encrenca em outro natal. Eu não esqueci da casa assombrada.

VICTORIA: - O papai fez você passar o natal com ele numa casa assombrada?

MULDER: - Não é bem assim. Nem tinha nós. Havia Mulder e Scully e você ficou porque quis.

SCULLY: - Fiquei com receio de você se meter em encrenca, Mulder. Como sempre.

MULDER: - Acredita nisso, Pinguinho?

VICTORIA: - (RINDO) Nah! Ela ficou porque queria ficar perto de você.

MULDER: - (SORRI) Viu? Até a nossa filha sabe que você era maluca por mim.

SCULLY: - Ainda sou maluca, porque depois de tanto tempo ainda embarco nas suas maluquices!

MULDER: - Minha não. Foi convite do Rato. Podia ter dito não e ido passar o natal com o Bill. Sozinha, porque eu não estou com saco pra Bill esse ano.

VICTORIA: - Nem eu pra aturar o Matthew.

BRYAN: - Baian não tamém!

Scully vira-se pra trás, olhando incrédula pro filho.

MULDER: - Viu? Nem o moleque aguenta!

SCULLY: - Ok, já entendi. É uma conspiração entre pai e filhos. Só não se esqueçam que vocês optaram por isso e Victoria não vai ter festa de aniversário.

MULDER: - Por que não? Nós fizemos a festa, não é Pinguinho?

VICTORIA: - Bolo, pizza e refrigerante, filmes legais, uma manta e um sofá. Adorei!

SCULLY: - Parece uma velha!

VICTORIA: - Nah! Eu não gosto de muita agitação.

SCULLY: - Meu Deus, antissocial igual ao pai!

VICTORIA: - Eu não sou antissocial, mas eu gosto de sossego também.

SCULLY: - E o que uma menina de oito anos quer com sossego?

VICTORIA: - Eu gosto. Não posso ser diferente?

MULDER: - (DEBOCHADO) Já não é diferente o bastante?

VICTORIA: - Então? Qual é o problema ser diferente mais um pouquinho?

BRYAN: - Coquinho!

VICTORIA: - (SORRI) É, mais um "coquinho"?

SCULLY: - Mulder, tem um posto logo ali. Você espera o Krycek, eu vou descer e levar o Cookie pra fazer as necessidades dele.


Posto de Gasolina - 1:57 PM

Mulder abastece o carro, ouvindo a rádio local.

RÁDIO (OFF): - ... As músicas que foram sucesso e que você só escuta aqui na sua Jasper FM, 93.4. Eu, Drew Hanson, fico com vocês até às seis da tarde, relembrando as melhores de todas as décadas.

Mulder coloca a mangueira de volta na bomba. Escora-se no carro, esfregando as mãos com frio.

RÁDIO (OFF): - O tempo em Jasper ainda está quente, nesse momento o termômetro aqui marca dois graus e diminuindo, quando chegar no negativo os canadenses começam a pensar se estamos ou não no inverno.

Mulder dá um sorriso.

RÁDIO (OFF): -Previsão de nevasca ainda esta tarde, aviso aos motoristas que estão transitando para as compras de natal. Não esqueçam de comprar o meu presente!Agora vamos as notícias locais. Alguns turistas e moradores próximos ao Parque Nacional de Jasper relataram a queda de um meteorito, perto das Montanhas Rochosas. Eu acredito que Papai Noel deixou cair alguma bomba do trenó, direcionada a quem não se comportou bem esse ano, como o pessoal da prefeitura da cidade. Pena que o bom velhinho errou o alvo.

Mulder segura o riso.

RÁDIO (OFF): - Quando eu era criança, quem se comportava mal ganhava carvão. Acho que Papai Noel, nesses tempos de crise, cortou o produtor de carvão para diminuir os custos de transporte e resolveu transformar os maus meninos em carvão mesmo. Eu não sei. O que sei é que o estrondo foi tão alto que tremeu o copo de água com a dentadura da tia Alice e fez o tio Clarence sair de cuecas, num frio de menos seis graus, com a espingarda na mão. Tio Clarence congelou, mas ficou feliz porque fazia muito tempo que o velho não ficava duro. Ruim foi convencê-lo a se esquentar na lareira.

Mulder abaixa a cabeça rindo.

RÁDIO (OFF): - Quanta besteira! Em homenagem ao natal, ao meteorito e a dureza do tio Clarence... David Bowie, Starman...

[Som: David Bowie - Starman]

RÁDIO (OFF): - 93.4 FM, Rádio Jasper no topo do Canadá. Fique comigo até as seis da tarde... Aqui o natal é mais divertido...

Mulder se embala com a música, cantarolando baixinho. Victoria se aproxima com um copo de café.

VICTORIA: - Mamãe mandou pra você se esquentar. Não vai entrar? Tá muito frio aqui fora!

MULDER: - Diz pra sua mãe se apressar. Ainda temos um bom caminho pela frente e tem previsão de nevasca. Avisa o Tio Tchek.

Victoria volta correndo pra lanchonete.


2:35 PM

O carro de Mulder e Krycek parados no acostamento da rodovia. A neve caindo. Krycek irritado, de braços cruzados, recostado no carro. Mulder ao lado dele, comendo um pacote de sementes de girassol. Vez ou outra, Krycek espia a filha dormindo dentro do carro.

KRYCEK: - Porcaria. Um monte de vodca no carro e não posso beber porque estou dirigindo.

MULDER: - Deixa a nanica dirigir.

KRYCEK: - E se a Lana tiver fome? Hum? Para de novo e troca de lugar? Mais atraso!

MULDER: - (DEBOCHADO)Ah você deu uma engordada! Pode enganar a (ESPIRRA PRONUNCIANDO SVETLANA) com seus peitos!

Krycek olha maldoso pra ele.

KRYCEK: -E você tá em boa forma, né Mulder? Quando nasce essa criança na sua barriga? Eu não vou assumir e nem pagar pensão pra "Maria Ratôsa".

Mulder faz cara de pânico.

MULDER: -Sem graça você! Se eu contar que naquela primeira parada da loja de artesanato local... Eu flagrei a Scully comprando decorações natalinas. Isso que ela já trouxe uma caixa no carro.

KRYCEK: - Acredito. Barbara comprou também. Agora pensa: Adivinha quem vai ter que cortar um pinheiro?

MULDER: - (DEBOCHADO)Problema só seu. Sou judeu, não comemoro natal.

KRYCEK: - Tudo bem. Eu deixo pra você cortar a lenha pra lareira.

Mulder faz careta pra ele.

MULDER: - Desse jeito vamos chegar ao chalé no ano novo.

KRYCEK: - Se eu tiver que parar a cada paisagem bonita pra tirar fotos... Por que mulher quando viaja adora fazer paradinhas no caminho?

MULDER: - Não sei. Nós homens escolhemos um destino e só paramos quando chegamos nele. Aceita?

Mulder oferece sementes.

KRYCEK: - Me dá uma, quero ver o que tem de especial nessa coisa que você nunca para de comer.

Krycek pega uma e coloca na boca. Mexe a cabeça, de um lado pra outro, degustando.

KRYCEK: - É, até que isso é bom. Tem vitamina E e não engorda.

MULDER: - (DEBOCHADO) Engorda. Veja a minha barriga. Isso é culpa das sementes de girassol, a cerveja é inocente.

Krycek pega um punhado e coloca na boca.

MULDER: - Pensei que as crianças incomodariam, querendo parar pra comer, ir ao banheiro... Até os cachorros incomodariam! Mas nunca pensei que as nanicas iriam querer parar toda hora pra fazer fotos. Aposto que vão postar em redes sociais.

KRYCEK: - Aposto mais ainda. Scully e Barbara vão ficar horas no computador colocando cada foto numa moldura bonitinha. Tem vezes que tenho vontade de sumir com a câmera da Barbara, só não faço porque ela precisa pro trabalho. Se você visse a quantidade de pendrives com fotos que ela tem, enche uma caixa de sapatos. Eu não sei como ela encontra o que precisa.

MULDER: - Scully entrou nessa mania com o celular. Leva aquele smartphone até pro banheiro. Eu só fico torcendo pra cair no vaso sanitário. Eu sou mau.

Os dois começam a rir. Krycek vai checar as rodas dos carros.

MULDER: - Acha que vamos encontrar neve na estrada?

KRYCEK: - Não aqui, mas na estrada de acesso ao chalé é bem provável que tenhamos de parar e colocar as correntes.

MULDER: - Lá vem elas. Vamos combinar, não pararemos mais ou nunca chegaremos!


Chalé - Proximidades de Jasper - Alberta - Canadá - 3:44 PM

Scully e Barbara boquiabertas, paradas na frente do imenso chalé, com varandas e janelas panorâmicas de vidro.

SCULLY: - É maior e mais bonito que a minha casa!

BARBARA: - Eu pensei que fosse um chalé! Isso é uma mansão no meio do nada!

Krycek passa por elas com a chave da casa.

KRYCEK: - Aos amigos, o melhor.

Krycek vai até a porta. Mulder passa por Scully com as malas e cochicha no ouvido dela.

MULDER: - (DEBOCHADO) Mentira. Ele alugou uma casa grande pra não escutar você gritando nas "sessões de exorcismo".

Scully fulmina Mulder com os olhos.

SCULLY: - Você vai ver exorcismo quando eu acertar uma vassourada na sua cabeça, Mulder!

Barbara olha pra trás. Rasputin correndo feliz pela neve, atrás das crianças. Dimi tenta correr e cai, dando risada. Rasputin o puxa pelas calças. Bryan tenta correr e atirar neve em Victoria, mas ela foge.

BARBARA: - Mais tarde a gente faz uma guerra de bolas de neve. Nós contra eles.

SCULLY: - Ótima ideia! Vale acertar as bolas dele?

Dimi sai correndo pra perto dos pinheiros. Cai novamente. Rasputin vem correndo. Para. Fixa o olhar em alguma coisa. Se deita em cima de Dimi e começa a rosnar para o pinheiro, bravo. A bola de neve rola um pouco pra perto de Dimi. Rasputin se levanta, latindo ameaçador. Alterna os latidos com empurrões em Dimi com o focinho. Depois de se coloca novamente em cima de Dimi e late enlouquecido. Cookie desce correndo do carro e começa a latir junto.

BARBARA: - Rasputin!!! Ele tá protegendo o Dimi de alguma coisa.

SCULLY: - O que será que eles viram?

As duas correm até Dimi. Barbara o pega no colo. Rasputin late pra ela e corre até a bola de neve, anda em volta, fareja, late e rosna. Cookie late desesperado.

SCULLY: - Cookie, chega!

BARBARA: - Rasputin, é uma bola de neve! Vem, vamos! Ela não vai pegar o Dimi. Vem!!! Cachorro bobo.

SCULLY: -Pelo menos eles cuidam das crianças.

BARBARA: -Dia desses eu estava na frente da casa com o Dimi quando o carteiro se aproximou dele pra dar oi e o Rasputin quase atacou. Agora tenho que cuidar quem se aproxima do Dimi. Acha que são ciúmes?

SCULLY: - Não, é cuidado mesmo. Cookie vigia Victoria até hoje! E mesmo o Bryan querendo pegá-lo, e você sabe os carinhos estúpidos do Bryan... O Cookie fica ao longe só de olho no malandrinho. Acredita que se Bryan apronta alguma o Cookie vem me avisar?

BARBARA: - (RINDO) Sério?

SCULLY: - (RINDO) Sério. Se ele entra correndo e latindo eu já sei que Bryan tá aprontando ou se meteu em encrenca. Até o latido é diferente. Pra minha sorte, eu tenho um cachorro fofoqueiro. Ele fazia a mesma coisa quando Victoria era pequena.

BARBARA: - Rasputin não é de latir, só quando Alex chega, aí fica louco e me acorda. Ele escuta a picape do Alex de longe e já começa a surtar perto da porta, chorando e latindo. Isso é bom, assim dá tempo do amante fugir pela janela.

As duas riem.


4:12 PM

Caixas sobre a mesa da cozinha. Barbara alcança as compras e Scully guarda nos armários.

SCULLY: - Hoje cai bem uma sopa. O que você acha?

BARBARA: - Verdade. Adoro o frio, adoro a neve e adoro sopa!

SCULLY: - Fugimos da neve da Virgínia e acabamos aqui... Amei esse lugar!

BARBARA: - As pessoas dizem que a primavera é romântica. Eu acho que é o inverno. Uma lareira, vinho, uma música romântica e o traste amado do seu lado, dizendo coisas bonitas no seu ouvido.

SCULLY: - Hum... Estamos apaixonadas...

BARBARA: - Eu tô é na secura mesmo, Scully! Doida pra tirar o couro daquele rato!Svetlana já fez dois meses... Agora me sinto inteira de novo.

SCULLY: - Eu acho que vou esfolar aquela raposa carente. Deixa as crianças dormirem que a coisa vai pegar fogo.

BARBARA: - Viu que tem uma hidro lá fora e em todos os banheiros das suítes?

SCULLY: - Sabe quem é o dono desse lugar? Essa casa é enorme! Quatro suítes, quatro quartos... Sala de jogos no porão...

Krycek entra na cozinha trazendo outra caixa e colocando sobre a mesa.

KRYCEK: - Dona. A proprietária é uma mulher.

BARBARA: - Ah! Mulher? Alguma ex?E ela emprestou a casa assim pra você? De graça?

Scully segura o riso.

KRYCEK: - Beth é uma senhora de 75 anos. (SACANA) Malyshka, pra proporcionar um natal bem frio pra você é lógico que terei de fazer algum sacrifício, mas eu sempre curti mulheres mais experientes, não sou preconceituoso...

BARBARA: - Ela é rica pelo jeito. Vamos fazer assim, Ratoncito: Você se agarra na coroa e vamos ter grana o suficiente para nunca mais trabalhar. Não sou ciumenta, mas encape seu bichinho!

Krycek olha debochado.

KRYCEK: - Beth Stewart, socialite da Virgínia. Ela foi casada com um comissário de polícia, já falecido, morto numa emboscada. É a maior contribuinte dos fundos para as famílias de policiais mortos em serviço. E como é viúva de policial, Beth aluga por uma pechincha o chalé dela para policiais e o dinheiro também vai para os fundos, ela não precisa.

SCULLY: - Eu conheço Beth Stewart. Ela é cliente do Girassol & Canela. Ellen sempre faz o bufê dos chás beneficentes dela. Cuidado, Barbara. Ela não parece ter 75 anos não. Lógico que se nota que faz procedimentos estéticos, de fato é uma mulher bonita, atraente e...

KRYCEK: - Lésbica.

As duas olham pra ele.

KRYCEK: - É o que comentam pelos cantos. Depois que o marido morreu, uma amiga médica foi morar com ela na mansão. Segundo os fofoqueiros é mais que amiga, estão juntas há 20 anos.

BARBARA: - Depois jornalista que é fofoqueiro. Policiais são bem piores!

KRYCEK: - Só estou falando o que comentam na delegacia. Só que Norris me confidenciou que ela já deu em cima dele, então...

Mulder entra na cozinha, coloca outra caixa sobre a mesa.

MULDER: -Quem deu em cima de quem? Quem pegou quem? Qual é a fofoca quente na cozinha?

SCULLY: - Pior que mulher fofoqueira, é homem fofoqueiro.

MULDER: - Eu não sou fofoqueiro, apenas comentarista. Então? Quem comeu quem?

Barbara solta uma gargalhada.

KRYCEK: - Ninguém comeu ninguém, Mulder! Eu só estava dizendo que a dona desse chalé já deu em cima do Norris.

MULDER: - O delegado? Uh! Bom, o estilo dele Eufrazino Puxa-Briga, com aquele bigodão... Só falta o chapéu. Vai ver a mulherada adora homem de bigode... Exceto você com aquele bigodinho safado de gigolô...

Scully começa a rir.

BARBARA: - Concordo! Mandei ele tirar aquilo da cara. Eu disse pra deixar um cavanhaque charmoso, mas ele deixou só o bigode. Mais um pouco e eu o mandava pra zona da luz vermelha arrumar dinheiro pra nós com as vadias!

KRYCEK: - Ok, ok, chega vocês dois! Eu já desisti do bigode!

MULDER: - (DEBOCHADO)Barbara, uma vez o seu marido tinha sumido de cena e depois de um tempo apareceu com um cabelinho safado, de soldado, máquina um... Ridículo! Acho que soquei tanto esse desgranha nem foi porque éramos inimigos, mas porque me indignei com tanto mau gosto!

KRYCEK: - E você barbudo? Ahn? Você barbudo parece um terrorista israelense!

SCULLY: - Concordo!!!

KRYCEK: - E estou pegando leve por causa das garotas, porque na verdade, você com esse nariz enorme e barbudo, fica com cara de genitália masculina!

Scully e Barbara se reviram de rir.

MULDER: -(DEBOCHADO) Sério? Então você deve adorar, amorzinho! Ou prefere depilado?

KRYCEK: - Sai fora, Mulder! Nem cabeludo, nem depilado!

MULDER: -E com depilação de coração? (SEGURA O RISO) Poxa, uma depilação de coração é prova de amor...

Scully e Barbara começam a rir novamente.

KRYCEK: - (RINDO) Mulder, vai ver se eu tô lá fora enterrado na neve! Me deixa quieto, larga do meu pé! Vai implicar com a Scully!

MULDER: - Ô Scully, que tal uma depilação em forma de coração?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Sério, Mulder? Pensei em fazer em formato de disco voador!

Barbara se recosta na pia, rindo alto.

KRYCEK: - Scully, não vai funcionar. Ele vai ficar só olhando a noite toda, inventando teoria e dizendo que a verdade está lá fora!

MULDER: - E do que a dona Ratazana tá rindo? Aposto que já pensou em fazer depilação em formato de queijo!

KRYCEK: - Mulder, não dá ideia, você não conhece a louca...

MULDER: - Teve uma época que era moda o bigodinho do Hitler...

Os quatro começam a rir sem parar. Barbara começa a se abanar com o pano de prato.

BARBARA: - Mulder, para! Já tô sem ar, seu bagaceiro! Para!!!

MULDER: -(RINDO) Ok... Bom, essa foi a última caixa. Vocês duas trouxeram comida para o inverno inteiro!

SCULLY: - Alex falou que o mercado aqui ficava longe, só na cidade.

KRYCEK: - E fica. Melhor mais que menos. E temos crianças, elas precisam diversificar a alimentação.

SCULLY: - Mulder, que tal você e o Alex arrumarem um pinheiro? Hum?

Mulder e Krycek se entreolham.

KRYCEK: - Eu disse, não disse?

SCULLY: - Natal sem árvore não tem graça, Mulder. Pelas crianças. Victoria gosta. Bryan e Dimi agora que estão entendendo a coisa do Papai Noel... É tão engraçadinho.

MULDER: - Rato, você viveu na Sibéria. Sabe pegar num machado.

KRYCEK: - Pra quê machado? Existe serra elétrica. Deve ter na cabana de ferramentas.

MULDER: - Você corta. Eu sei que anda louco pra pegar numa tora.

Barbara solta uma gargalhada.

SCULLY: - Mulder!!!

KRYCEK: - Deixa, Scully. Eu vou levar o Mulder comigo pra floresta e vou mostrar a tora pra ele.

Mulder faz cara de nojo.

BARBARA: - E tragam lenha pra lareira. Os dois vão pegar nas toras hoje. Eu quero casa quentinha com lareira. Ou não terão jantar.

SCULLY: - É. Sem jantar. E vamos fazer uma sopa maravilhosa.

KRYCEK: - Vamos, Mulder. Eu me vendo por uma sopa.

MULDER: - Sopa? Desde quando sopa é comida? Só na Rússia mesmo!

SCULLY: - Faço sanduíches também, Mulder.

MULDER: - Ok, por sanduíches eu me vendo. Vamos, Rato, antes que escureça. Vamos escolher um pinheiro e trazer, assim as duas tem entretenimento pro resto da noite e podemos aproveitar a mesa de sinuca.

Os dois saem da cozinha. Barbara abre uma caixa e arregala os olhos. Tira um champanhe.

BARBARA: - Você trouxe isso?

SCULLY: - Eu não.

BARBARA: - Eu pensando que estávamos mal intencionadas, mas acho que aqueles dois estão bem espirituosos. E não é espírito natalino não... Hum... Champanhe, vinhos, vodca, uísque... Querem nos embebedar!

SCULLY: - Somos moças de família, Barbara, casadas com dois sem-vergonhas. O Mulder vive fazendo piadinhas de conotação sexual, desde que o conheço!

BARBARA: - Alex já se acostumou. Antes ficava com as bochechas vermelhas, agora nem liga mais e até revida. Você viu!

Scully olha pela janela.

SCULLY: - Lá vão eles. Victoria e Rasputin atrás. Cadê o Cookie?

BARBARA: - O vi deitado no sofá. Ele tá velhinho né? Não curte muita brincadeira. Eu vou amamentar a Svetlana e dar uma olhada se os nossos anjinhos estão dormindo ainda.

SCULLY: - Vai, eu termino por aqui.


4:35 PM

Mulder e Krycek caminham pela neve, observando os pinheiros. Mulder leva a espingarda no ombro e Krycek leva o machado. Rasputin correndo na frente, fazendo festa na neve. Victoria, num casaco vermelho e gorro vermelho, está se divertindo com o cachorro.

MULDER: - Acho que seu cachorro está se sentindo em casa.

KRYCEK: - Neve para um husky é como vodca pra um russo. Viu que tem um trenó na cabana? Vou fazer o Rasputin justificar sua genética e puxar as crianças.

MULDER: - Victoria nem vai adorar. Que tal esse pinheiro, Rato?

Os dois param na frente do pinheiro.

KRYCEK: - É, acho que serve. Bom tamanho pra carregar.

Mulder vê Victoria ao longe, se atirando na neve e Rasputin a puxando pelas calças.

MULDER: -(GRITA) Victoria!!! Não se afaste da gente!!!

VICTORIA: - (GRITA) Tá, papai!!!

Krycek tira um frasco de bebida de dentro do casaco. Mulder olha pra ele. Krycek toma um gole. Depois passa o braço nos lábios, num suspiro de alento.

KRYCEK: - Nada como uma boa vodca pra esquentar.

Krycek oferece pra Mulder, que pega o frasco e toma um gole.

MULDER: -Spasiba. Vou devagar nesse negócio, vodca pega fácil e me faz virar boiola.

KRYCEK: - (RINDO) E rum? Aquele rum que o Tonhão trouxe até hoje me deixa bêbado só de lembrar... Fica de olhos abertos, Mulder, tem lobos nessa região. E sai daí porque vai cair em cima de você.

Mulder se afasta, de olhos atentos em Victoria. Krycek tira as luvas, esfrega as mãos e começa a cortar o pinheiro. Mulder recua e pisa em cima de alguma coisa. Krycek corta o pinheiro. Mulder ergue o pé olhando a meleca vermelha. O pinheiro cai. Krycek coloca o machado no ombro.

KRYCEK: - Feito. As nanicas já tem árvore de natal...

Mulder se agacha atento na meleca. Krycek olha pra ele.

KRYCEK: - O que é isso?

MULDER: - Não sei... Parece sangue, mas é viscoso...

A neve começa a cair. Krycek leva a mão ao lado e puxa o facão sob o casaco. Se agacha e revira a substância com o facão.

KRYCEK: - Esquisito... Tem penas... Fragmento de ossos...

MULDER: - Parece que acertaram um pássaro com uma calibre 12. Estouraram o bicho!

KRYCEK: - Bom saber que tem caçadores na região, mas isso não me parece um pato... Com tantos alces e caribús por aqui, por que caçar pássaros?

MULDER: - É natal, Rato. Um pato assado cai bem.

Os dois se levantam.

MULDER: - (GRITA) Victoria, vamos! Tá nevando demais e sua mãe vai ficar furiosa se você adoecer!

KRYCEK: - E Victoria adoece?

MULDER: - Nunca. Só de saudades.

Victoria vem correndo, segurando um graveto na mão e Rasputin vem atrás dela.

VICTORIA: - Tio Tchek, eu ensinei um truque pro Rasputin, quer ver?

KRYCEK: - (SORRI) Claro, Victoria.

Victoria atira o graveto que cai longe. Rasputin vai buscar e volta com o graveto na boca, deixando aos pés de Victoria.

KRYCEK: - (SURPRESO) Nossa! Como você consegue ensinar esse teimoso a fazer o que você quer?

VICTORIA: - Eu falo com ele.

KRYCEK: - Eu também falo, mas ele nunca escuta!

VICTORIA: - Com a mente, tio Tchek.

Krycek e Mulder se entreolham.

MULDER: - É, Rato. Não estamos nesse nível.

Os dois riem. Mulder ajeita o rifle no ombro. Krycek puxa o pinheiro. Eles voltam pela trilha.

KRYCEK: - Eu faço os primeiros metros, depois você.

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu não! Você cortou essa coisa, carregue sozinho!

VICTORIA: - Bem coisa da mamãe mesmo!

MULDER: - Ela disse que você gosta.

VICTORIA: - Eu não gosto, só não digo nada porque ela adora natal. Eu gosto da véspera porque é meu aniversário.

MULDER: - E o Papai Noel? Hum? Olha que ele escuta e não vai trazer presentes.

VICTORIA: - O Papai Noel tá ficando velhinho e barrigudo, não consegue nem ajudar o tio Tchek a carregar um pinheiro!

Krycek começa a rir.

MULDER: - (INCRÉDULO) Desde quando você sabe que...

VICTORIA: - Desde que aprendi a ler, antes eu só desconfiava porque não tinha lógica essa história de vocês. Primeiro: Como um velho gordo pode passar por uma chaminé? Como ele sobe no telhado, se não leva escadas? Caso subisse, como as pessoas concordariam com esse absurdo? Qualquer um chamaria os bombeiros, é um perigo um idoso subir num telhado!

Krycek e Mulder param, olhando pra ela. Krycek segura o riso, Mulder surpreso.

VICTORIA: - Segundo: Renas não podem voar. Nem trenó. E como um velhinho vai saber o nome e endereço de todas as crianças do mundo e ainda vai entregar presentes pra todas elas numa noite só? Que sejam 12 horas de entregas, nem a melhor companhia aérea conseguiria cobrir o planeta inteiro em 12 horas parando de casa em casa.

Mulder incrédulo.

VICTORIA: - Terceiro. Jesus não nasceu em dezembro, porque não fecha com os acontecimentos descritos na Bíblia. Nessa época faz frio em Belém, não teriam pastores no campo e eles morreriam congelados num estábulo. A igreja católica se apropriou do dia 25 de dezembro para comemorar o natal, pegando o mesmo dia de festas pagãs conhecidas, algumas comemorando o solstício de inverno e outras que penduravam crânios nos galhos dos pinheiros e alguém teve a ideia de criar a árvore de natal para enganar os cristãos colocando bolas ao invés de crânios.Pinheiros não são árvores nativas de Israel e seu uso foi popularizado pela realeza inglesa da rainha que tem o meu nome.

Mulder boquiaberto, quase em choque.

VICTORIA: - Sabia que o mito do Papai Noel vem de São Nicolau, pois ele jogava moedas nas chaminés das pessoas pobres? Papai Noel tinha roupa verde igual a de um lenhador, com sua barba gigante, mas aí certo refrigerante pegou a imagem dele e colocou roupa vermelha e branca, de acordo com o slogan da marca e a imagem dele ficou assim pra sempre... Vem Rasputin!!!

Victoria sai correndo na frente deles e Rasputin atrás dela.

MULDER: - (BOQUIABERTO) ...

KRYCEK: - É Mulder. Livros são conhecimento, por isso antigamente a igreja e hoje muitos governos não querem que o povo leia, pois o conhecimento desbanca a mentira. Meu pai já dizia: Alexander, leia bons livros. O conhecimento é a melhor arma.

MULDER: - E eu achando que ela... Acreditava em Papai Noel.

Mulder começa a rir.

KRYCEK: - Eu já sabia que não.

MULDER: - (INCRÉDULO) E como você sabia?

KRYCEK: - Ela me disse anos atrás.

MULDER: - E por que ela contaria pra você e não pra mim? E você, por que não me contou?

KRYCEK: - Victoria pediu segredo. Não queria estragar a alegria de vocês, fazendo coisas pra ela acreditar...

MULDER: - (SORRI) Essa menina me surpreende... Não queria estragar a nossa alegria... Eu nunca concordei com isso, sabe? Sempre quis dizer a verdade, Scully que adora essas coisas de natal... Pra mim é uma data consumista, completamente o oposto do que pregam.

KRYCEK: - Concordo com você, Mulder. Também não sei se é correto ensinar essas tradições para os meus filhos, mas... Eu fico pensando que eles vão ver os outros seguindo e talvez fiquem frustrados... Essas decisões são as piores coisas na vida de um pai. Manter uma mentira engraçadinha ou contar a verdade de vez.


5:13 PM

Mulder e Krycek terminam de fixar o pinheiro na sala. Scully observa.

MULDER: - Pronto, Scully. Seu pinheiro!

SCULLY: - Pronto nada.

Scully aponta pra uma caixa.

SCULLY: - Quero o pinheiro cheio de luzinhas.

Mulder dá um tapa na testa. Krycek segura o riso.

KRYCEK: - Eu vi uma escada lá atrás.

Corte.


Na sala, Mulder na escada passando os pisca-piscas no pinheiro. Krycek ajuda a desembaraçar e alcançar.

MULDER: - Au! Quase enfiei esse galho no olho!

KRYCEK: - Cuidado aí, Mulder.

MULDER: - (IRRITADO) Fala sério se isso não é frescura demais pra um só dia no ano!

KRYCEK: - Ainda bem que é apenas um só dia ao ano.

MULDER: - Vai morrer se ficar sem pinheiro e pisca-pisca? Pra quê essa idiotice toda? Trabalho de maluco, monta isso tudo pra desmontar depois. Coisa de gente que não tem o que fazer.

KRYCEK: - (RINDO) É pelas crianças, Mulder.

MULDER: - Sei. Victoria não gosta de natal, Bryan e Dimi nem sabem o que é! Svetlana dorme o dia todo. Aposto que eles se divertiriam mais correndo lá fora e atirando bolas de neve um no outro. Quem vai ficar sentado aqui olhando pra essa coisa piscando?

KRYCEK: - São tradições. Alguns curtem e outros não.

MULDER: - É, mas por que quem não curte é obrigado a se envolver nessa tradição pelos que curtem? Onde está a droga do respeito? Meu natal ideal é ficar de cuecas jogado no sofá, comendo pizza e assistindo filme. Não inclui pisca-pisca. Seja sincero, você curte?

KRYCEK: - Eu curto. Curto ver você aí pendurado e louco da vida, reclamando feito um velho! Esse natal está sendo muito divertido!

MULDER: - (DEBOCHADO) Ho ho ho.

KRYCEK: - A Barbara nunca fez árvore de natal lá em casa. E se ela inventar de fazer árvore, não conte comigo. Posso até colocar pisca-pisca se quiser, mas do lado de fora da casa.

MULDER: - Você vai ver, Rato. Você diz que não vai fazer, mas acaba fazendo pelos filhos. Eu que não sei porque fico fazendo pela Scully.

KRYCEK: - Pra evitar beiço e greve de sexo?

MULDER: - Fala sério, por que somos idiotas? No fundo fazemos as vontades delas só por causa de sexo! Por alguns minutos de prazer perdemos horas em inutilidades! Homem é bicho burro mesmo!

KRYCEK: - Fala só por você.

MULDER: - (DEBOCHADO) Nem vem, ô Ratoncito, que você também é outro vendido. Se faz aí de durão, machão e sério, mas basta a cubana dar uma rebolada e você derrete mais que sorvete no verão!Eu só acho que podíamos estar caminhando na neve, atirando bolas um no outro, rindo e bebendo, curtindo uma lareira, mas não. Ela quer pinheiro, pisca-pisca e biscoitos de gengibre. E a vida passa. E isso me irrita nela! Parece que se não cumprir a tradição das coisas à risca, o mundo inteiro vai desabar! Fica louca com tanta coisa pra fazer, que não precisava se parasse pra refletir. Depois reclama que não sou romântico! Eu quero romantismo, ela quer convenções sociais! Fora que você me salvou de ter que passar natal na casa do cunhado, com sorriso de paisagem, esquentando a barriga na churrasqueira!

KRYCEK: - Quando a gente casa nunca analisa essas coisas. Você sabia que ela era assim e não ia desistir dela apenas porque Scully curte essas coisas normais. Certo?

MULDER: - Claro que não iria desistir dela. Eu sou louco por aquela mulher! Eu beijo o chão que ela pisa!

KRYCEK: - Então cala a boca, Mulder. E faz as vontades dela!

MULDER: - A Barbara é assim? Fica torrando o seu saco com tradições?

KRYCEK: - Já viu minha casa decorada pra natal ou páscoa? Ela não se liga nessas coisas, nem em aniversários, com exceção do esforço que ela faz no aniversário do Dimi, pelo Dimi. Pra ser sincero, por que acha que convidei vocês pra passarem o natal com a gente? Pra ver se vocês nos animam, porque tanto eu quanto a Barbara ficamos deprimidos nessa época do ano. Ela fica triste por não estar com a família, eu triste por lembrar que não tenho família e acabamos ficando na cama, comendo qualquer coisa e assistindo filme abraçados, um consolando o outro.

MULDER: - Rato sortudo! Casei com a mulher errada!

KRYCEK: -Quer trocar?

MULDER: - Quer um soco? Opior vem depois: o suéter de natal. Uma coisa verde com vermelho, renas sorridentes e estrelinhas douradas. E eu posando pra foto, queimando minha fama de estranho!

KRYCEK: - (RINDO) Suéter? Pelo que ouvi você vai usar roupa de Papai Noel, "Estranho".

Mulder entra em pânico.

KRYCEK: - Relaxa, Mulder, você tá muito estressado! Como você mesmo disse é uma vez ao ano. Para de reclamar e ache graça da situação. Vai ser divertido. Estamos entre amigos, vamos fazer um natal diferente. E quando acabar, a gente leva essa droga de pinheiro pra rua, toca fogo e dança em volta bebendo todas!Tost!

MULDER: - Tost? Com torrada?

KRYCEK: - Um brinde, Mulder. Tost é brinde em russo! Torrado vai ficar é o pinheiro!


6:00 PM

[Som:Bobby Helms - Jingle Bell Rock]

Scully enfeita o pinheiro na sala. Victoria a ajuda. Barbara alcança os enfeites tirando das caixas.

SCULLY: - Nossa, tá ficando lindo!

BARBARA: - Tá mesmo! Ai, tem um Papai Noel tão fofinho aqui. Quer pendurar?

SCULLY: - Claro! Quer pendurá-lo, Docinho?

VICTORIA: - Nah! Pode pendurar.

Svetlana chora. Victoria solta rapidamente uma bolinha e corre pra perto do cesto sobre o sofá.

VICTORIA: - Posso cuidar dela, tia Barbie?

BARBARA: - Pode, mas acho que agora é comigo. Ou você consegue dar de mamar pra ela?

Victoria ri.

VICTORIA: - Nah! Eu não tenho peitos ainda!

Barbara pega a filha enrolada na manta e senta-se no sofá.

BARBARA: - Você adora crianças né? Vai ser uma ótima mãe.

VICTORIA: - Nah! Tô fora! Não quero filhos.

Scully ri. Barbara começa a amamentar a nenê. Victoria senta-se ao lado, observando.

VICTORIA: - Ela tá com os olhos bem arregalados!

BARBARA: - Está curiosa. Casa diferente. Movimentação. Deve estar pensando "minha amiga Victoria está aqui".

Victoria sorri.

VICTORIA: - Ela tem olhos azuis tão lindos.

BARBARA: - Acho que vão mudar, não tem olhos azuis na família. Não que eu saiba.

SCULLY: - É, não que você saiba, mas o pai dela é russo. Vai saber se não tem um gene de olho azul que despertou? Assim como os cabelos ruivos?

VICTORIA: - Nossa, ela tá olhando pra mim, mas não para de mamar. Tá com fome!

BARBARA: - (RINDO) Esganada feito a mãedela. Quem passou fome foi o Dimi, tadinho. Eu me esquecia da hora de amamentar. Tinha que colocar alarme no celular. Ratoncito ficava doido, me ligava da delegacia pra perguntar!

SCULLY: - O primeiro sempre sofre mais, a gente não tem experiência. Eu quase afoguei a Victoria no primeiro banho.

VICTORIA: - Sério mamãe?

SCULLY: - Sério. Sua mãe aqui cheia de cuidados, crendo que você ficaria quietinha e de repente você se mexeu tão rápido que resvalou do meu braço. Ainda bem que fui ágil e você nem chegou a engolir água.

VICTORIA: - Tia Barbie, eu posso desembrulhar a Svetlana? Eu adoro ver o bebê inteirinho!

BARBARA: - (SORRI) Pode, me ajuda aqui.

VICTORIA: - Mamãe, olha o tamanho do pé dela! Como ela é pequenina!!! Parece uma boneca! Tia Barbie, sabe o vestido que você comprou de natal pra ela? Vamos colocar depois e tirar fotos? Ela fica linda de vermelho.

Scully se aproxima e senta-se no sofá, olhando pra bebê. Pega no pezinho dela, afagando.

SCULLY: - Sério, Barbara. Se eu sair com sua filha na rua vão achar que eu sou a mãe dela e que você a mãe da Victoria!

BARBARA: - Surreal, né?

SCULLY: - Eu era assim quando bebê, branca e de poucos cabelos ruivos e olhos azuis. Como pode?

BARBARA: - (RINDO) Vai ver porque você ficou muito perto de mim na gravidez. Contaminou minha filha!

SCULLY: - Oh pezinho pequenino, coisa gostosa de pegar. (SORRI) Ela tem cócegas!

BARBARA: - (SORRI)Tem. Essa não vai dormir com o Alex mexendo no pé dela.

VICTORIA: - Eu era pequenina assim?

SCULLY: - Claro que era... Ai que saudade!

Victoria se levanta e senta no colo de Scully. Se abraça no pescoço dela. Scully sorri, envolvendo a filha nos braços. Barbara olha pra elas num sorriso.

VICTORIA: - Tia Barbie, você também queria uma menina? Minha mãe sempre quis.

SCULLY: - (BEIJA VICTORIA) Verdade. Sempre quis a minha menininha. Meu sonho era uma menininha a carinha do pai dela.

BARBARA: -Eu achava que era outro menino, mas sim, eu queria uma menina. Só pensei que não viria, aí me consolei e então veio a surpresa.

SCULLY: - Ela é linda. Tão pequenina. Parece você quando nasceu, Victoria. Não tinha quase nada de cabelos.

VICTORIA: - Ela parece que usa batom, a boca bem vermelhinha. É a Branca de Neve!

BARBARA: - Pois então, se a sua mãe não tivesse feito o parto, eu ia processar o hospital por troca de bebês! Já estava achando que o Ratoncito ia olhar esquisito pra mim. Somos morenos e nasce essa quase ruiva?

SCULLY: -Barbara deixa de ser doida! O cabelo dela vai escurecer com o tempo. Os bebês vão mudando. (DEBOCHADA) E de acordo com o Mulder, Svetlana é a nossa filha e puxou a mim. E eu sou famosa por acertar o tiro e fazer meninas.

As duas começam a rir.

VICTORIA: - Tia Barbie, porque você deu o nome pra ela de Svetlana?

BARBARA: - Porque Svetlana significa luz, iluminada, brilhante, abençoada.

VICTORIA: - Legal! Combina com ela!

SCULLY: - Vamos terminar a árvore? Hum? Mamãe ainda vai preparar o jantar com a tia Barbie. Aí você cuida da Svetlana pra nós.

VICTORIA: - Não vai mesmo ter um bolo no meu aniversário?

SCULLY: - Acho que não, Docinho. Só vamos comemorar o natal mesmo. A sua madrinha ia fazer um bolo pra você, mas estamos longe de casa.

Scully segura o riso e pisca o olho pra Barbara.

SCULLY: - Filha, por que não vai ver o que seu pai está aprontando com o tio Tchek e se eles estão cuidando dos meninos? Hum?

Victoria sai da sala, triste e cabisbaixa.

BARBARA: - Ai, tadinha, Scully! Eu sei que é surpresa, mas viu a carinha de tristeza que ela fez?

SCULLY: - Vou terminar essa árvore, vamos fazer a sopa, encher a barriga de todos e depois colocar maridos e filhos na cama. A cozinha nos espera.

BARBARA: - E espera mesmo. Amanhã a gente podia fazer os biscoitos de gengibre. Eu quero ver como você faz a massa. Eu nunca fiz, essas coisas não são tradicionais na minha terra, mas eu adoro.

SCULLY: - Eu comprei também candy canes, aquelas bengalinhas doces de hortelã, vamos fazer os biscoitos de gengibre... Estou esquecendo alguma coisa?

BARBARA: - A sobremesa. Você prometeu fazer uma sobremesa pro almoço do natal. Eu me encarrego da comida.

SCULLY: - Você é testemunha da minha agitação nos natais. É o aniversário da Victoria dia 24, ceia à noite, é o almoço de natal dia 25. No aniversário dela o dia está dedicado totalmente pra ela, eu nunca vou pra cozinha fazer coisas pro natal. Já faço tudo junto e antecipado e a mamãe sempre me ajuda. É muita coisa pra uma mulher sozinha dar conta!

Krycek entra na sala.

KRYCEK: - O Mulder tá ensinando sinuca pro Dimi e o Bryan. O Dimi adorou as bolinhas e o Bryan o taco. Não preciso dizer que Dimi levou uma tacada na cabeça e o Bryan uma bolada.

SCULLY: - (EM PÂNICO) Ai meu Deus!

KRYCEK: - Calma, Scully. Não se machucaram. Só deu choradeira, beiço e cara feia. Agora ficaram de mal um com o outro. Mulder tá lá apaziguando as feras.

BARBARA: - E eu pensando que a guerra havia acabado!

SCULLY: - Como gostam de se provocar. Isso deve ser genético!

KRYCEK: - (RINDO)Ah, vocês se estressam demais! É coisa de moleque, garotos disputam sempre, mesmo sendo amigos. É brincadeira entre eles.

BARBARA: - Brincadeira besta! Homem é homem, desde cedo só pensam em socar, atirar, brigar e em todo o tipo de violência. Eu vou tirar essa mania do Dimi.

KRYCEK: - Mas ele só se defendeu! Isso é bom. É assim que eles aprendem pra vida. Pior se ele não reagisse. Eu não reagia quando era criança. Isso não faz bem. Dimi precisa aprender a se defender.

SCULLY: - É, mas o Bryan é estúpido. E eu vou tirar rapidinho o gênio William Scully dele!

KRYCEK: - (RINDO) William Scully pai ou filho? Mulder implica tanto com o cunhado que agora o filho tá virando uma cópia? Isso é castigo!

SCULLY: - (RINDO) Ambos, porque Bill é o meu pai escrito! Deus! Mulder se estressa com o Bryan de uma maneira... Acho que acabei essa árvore. Vou pra cozinha fazer a sopa.

KRYCEK: - Eu faço a sopa. Pode ficar aí com a Barbara decorando a casa pro natal. Só me dá o menu que você quer e eu me viro.

BARBARA: - É Ratoncito, dá uma força porque a Scully tá bem tensa com tanta coisa pra fazer. Ainda temos o bolo da Victoria, os biscoitos pra ceia e a ceia!

KRYCEK: - Meninas, meninas... Eu trouxe vocês pra cá pra relaxarem e curtirem a semana do natal, as férias do inverno e não pra ficarem estressadas na cozinha. Eu faço o jantar hoje e amanhã eu pego o carro e busco um bolo pra Victoria. Vamos jantar juntos, beber um vinho, relaxar e conversar. Sem pressão. É como um dia qualquer, igual temos que cozinhar. Só isso.

SCULLY: - Pelo menos alguém me deixa mais calma...

BARBARA: - Não se iluda, Scully. Ele tá todo assim fofo querendo me livrar da cozinha hoje à noite porque está pensando que se eu me prender na cozinha ele não vai ter diversão na cama.

Scully solta uma risada alta. Krycek sorri com o canto da boca, dissimulado.

KRYCEK: - Você me deve essa, Barbara. Anotei mentalmente.


7:39 PM

Mulder termina de colocar a louça na pia. Barbara ajeita a mesa.

KRYCEK: - Por que vocês não deixam a cozinha comigo e com a Barbara e vão pra sala abrir outro vinho?

SCULLY: - Não se importam?

KRYCEK: - Não. A dupla aqui é rápida.

Scully sorri e pega o vinho. Vai pra sala com Mulder. Krycek começa a lavar a louça. Barbara pega o pano de prato.

BARBARA: - Quer conversar alguma coisa, amor?

KRYCEK: -Amanhã é aniversário da Victoria, certo? Eu sei que a Scully vai fazer festinha surpresa. Eu vou cedo buscar um bolo.

BARBARA: - Alex, é véspera de natal. E se não encontrar? Esse é o meu medo. É melhor a Scully e eu encararmos essa. Imagina se a menina fica sem um bolinho? Tadinha!

KRYCEK: -Nunca! Pode faltar bolo no aniversário de qualquer um, menos da Victoria. Eu tive uma ideia.

Barbara olha pela janela. Uma bola de neve passa rapidamente. Barbara esfrega os olhos.

BARBARA: - Credo, estou vendo coisas! Juro que vi uma bola de neve correndo.

KRYCEK: - Ah, certo! Isso se chama cansaço.

Mulder entra na cozinha.

MULDER: - Scully e eu já estamos na metade da garrafa. O que fazem aí?

KRYCEK: - Mulder, amanhã é aniversário da sua filha. Estou com medo de não encontrar um bolo nesse fim de mundo.

MULDER: - Scully disse que ia fazer.

KRYCEK: - Scully está cansada, Mulder. E não é de decorar casa pra natal. Vamos fazer o seguinte: Você enrola a Victoria até ela dormir, enquanto eu fico com as garotas fazendo o bolo.

MULDER: - Ah sim, e eu não vou ajudar no bolo da minha filha? Vamos fazer assim, vou colocar Victoria pra dormir cedo. Vou dizer que queremos conversar entre adultos e ela não vai sair do quarto a noite toda. E a gente faz o bolo.

KRYCEK: - Meu Deus! Mulder na cozinha! Chamo os bombeiros?

Mulder faz careta pra Krycek.

BARBARA: - Vou colocar o Dimi na cama, dizer pra Scully fazer o Bryan dormir e tomamos nosso vinho fazendo bagunça e bolo na cozinha. O trabalho é mais rápido quando nos divertimos.


9:30 PM

Scully coloca duas formas no forno. Barbara no fogão, mexendo a panela. Krycek abrindo embalagens. Taças de vinho sobre a mesa, uma garrafa aberta. Mulder escorado na pia passando o dedo no resto da massa de bolo dentro da tigela. Krycek se aproxima, Mulder afasta a tigela. Krycek ameaça tentando colocar o dedo na tigela.

MULDER: - Não! É meu!

KRYCEK: - Deixa eu provar!

MULDER: - (LAMBENDO O DEDO/ PROVOCANDO)Não tem nada pra você aqui! Sai fora!

KRYCEK: - Eu ajudei a bater a massa!

MULDER: -Você não bate em nada, só bate... Deixa pra lá, tem damas no recinto. Se você bateu a massa, eu ajudei! Eu quebrei os ovos!

KRYCEK: - Deve ter doído, mas o problema é só seu, não quero nem saber do estado dos seus ovos!

MULDER: - Como ele anda engraçadinho!

BARBARA: - Crianças, se comportem!

Mulder passa a língua na tigela. Depois olha debochado. Krycek sorri maldoso com o canto da boca e enfia o dedo na tigela, depois levando à boca.

KRYCEK: - Eu não tenho nojo de baba de raposa. Agora advinha aonde eu enfiei o dedo?

Scully e Barbara riem. Mulder olha com nojo pra tigela e coloca na pia. Vai lavar a louça.

MULDER: - Rato folgado! Estragou o meu apetite!

SCULLY: - Mulder, lava o facão que eu preciso cortar os morangos.

BARBARA: - Espero que Victoria não apareça na cozinha. Você disse que estávamos conversando entre adultos?

MULDER: -É. Pelo menos a espertinha obedece. Ela nunca vai sair do quarto. Quando custa a dormir fica ouvindo música ou lendo.

BARBARA: - Você tem sorte que Victoria é obediente. Vamos fazer o bolo surpresa mais lindo e gostoso do mundo pra ela...

SCULLY: - Minha filha merece. Ela nem está contando que vai ter festinha.

BARBARA: - Scully, acho que esse recheio já está no ponto.

Scully pega a colher e prova.

SCULLY: - Perfeito! Mulder, preciso da tigela da batedeira.

MULDER: - Saindo uma tigela limpinha... Bem limpinha.

Krycek ri. Scully pega a tigela da mão de Mulder e seca com o pano.

SCULLY: - Barbara, como faz aquele glacê gostoso que você fez para o bolo do Dimi?

BARBARA: - Claras, açúcar e água. Você bate as claras em neve e faz uma calda com água e açúcar. Quando a calda está no ponto de fio, você vai jogando nas claras e batendo com a batedeira. Eu faço e já ensino pra você. Ratoncito, pega um pacote de açúcar aí.

MULDER: - Como suja coisa pra fazer um bolo de aniversário.Acabei a louça.

BARBARA: - Não se preocupe, Mulder. Vai ter mais pra lavar.

KRYCEK: - Seu açúcar, Malyshka. Ou prefere o seu doce russo aqui?

Os dois trocam um beijo. Mulder olha debochado. Scully ri.

MULDER: - Era o que me faltava, Rato açucarado! Isso causa diabetes!

SCULLY: - Olha o meloso Mulder falando!

MULDER: - Eu não sou meloso. Eu sou mel puro!

SCULLY: - Abelhas, Mulder?

MULDER: - Nada de abelhas, Scully. Só o seu abelhudo aqui.

Os dois trocam um beijo. Krycek pisca o olho pra Barbara.

KRYCEK: - A inveja é dose! Mulder, você foi admitido na cozinha como auxiliar. Pode ajudar na ceia de natal.

MULDER: - O peru é com você. Eu não vou tocar no seu peru!

SCULLY: - (RINDO) Pronto, começou o segundo round!

KRYCEK: - Qual o problema com o meu peru? Pensei que você fosse chegado num peru.

MULDER: - Ah não, amorzinho! Eu não tenho a fama não, ela é só sua. O chegado num peru é você!

BARBARA: - Meninos, parem de brigar. O Alex cuida do peru e o Mulder da rabanada.

Scully solta uma gargalhada.

BARBARA: - Mulder, meu marido adora comer rabanada.

MULDER: - Então ele que coma a sua rabanada, a minha não é comestível!

KRYCEK: - E eu lá quero a sua rabanada? Tá maluco?

MULDER: - Eu pendurando pisca-pisca e o Rato lá embaixo pegando nas bolas do pinheiro.

BARBARA: - Sério, Ratoncito? Você estava pegando nas bolas?

KRYCEK: - Pronto! Agora deu corda pra quem adora me enforcar!

SCULLY: - (RINDO) Pior que não são do pinheiro. Comprei com o dinheiro do Mulder, então são as bolas do Mulder.

Eles riem. Krycek acena negativamente com a cabeça.

KRYCEK: - Eu mereço! Colei chicletes no banco da igreja!

MULDER: -O Rato pegou nas minhas bolas e você admite que comprou bolas com o meu dinheiro?

SCULLY: - Agradeça, ou eu teria colocado as suas como decoração.

Krycek começa a rir.

MULDER: - Melhor parar com as piadas ou vai começar as gracinhas sobre o saco do Papai Noel.

SCULLY: - Ah não! Eu tenho tantas pra contar!

MULDER: -Scully, sua menina má... Bom, agora é assar o bolo e decorar. Vocês dão conta disso? Porque eu acho que vou lá fora cortar lenha.

KRYCEK: - Nesse frio abaixo de zero? Essa eu quero ver! Scully, você trouxe o kit médico porque Mulder quer bancar o lenhador.

MULDER: - Ah Ratinho, vamos lá fora.

KRYCEK: - Duas vezes num só dia? Você quer pegar em toras de novo? Fala sério, Mulder! Você adora um tronco!

MULDER: - Vem comigo, vou mostrar o tronco pra você.

KRYCEK: - Sai fora, Mulder! Vai mostrar o tronco pra Scully!

MULDER: - Scully, quer ver o tronco comigo?

SCULLY: - (RINDO) Eu não quero saber de tronco a essa hora!

BARBARA: - (RINDO) Mas Scully, essa é a hora boa de pegar no tronco!

MULDER: - Garotas, vocês já viram um rato enterrado na neve, esperneando pra sair?

KRYCEK: - Acho que elas vão ver é uma raposa com o focinho enterrado na neve e o traseiro pra cima!

Os dois vestem as parkas. Scully e Barbara rindo. Mulder abre a porta.

MULDER: - (DEBOCHADO) Primeiro as damas.

KRYCEK: - Então vai você!

MULDER: - Você!

KRYCEK: - Você! Quer que eu empurre, ahn?

Os dois começam a se empurrar, rindo, tentando ver quem sai primeiro. Scully pega uma faca e corta morangos.

MULDER: - Oh, você passou da linha da porta, "dama".

KRYCEK: - Passei nada! Você quem passou!

MULDER: - Sai, Rato, sai!

KRYCEK: - Cai fora de uma vez Mulder!

Barbara e Scully se entreolham.

BARBARA: - (RINDO)Até amanhecer pode ser que eles tenham saído pra cortar lenha...

SCULLY: - (APONTA A FACA) Saiam os dois ao mesmo tempo ou minha árvore vai ganhar mais dois pares de bolas!

Os dois tentam sair juntos e se entalam. Ficam de empurrão. Mulder dá um tapa na nuca de Krycek, que se segura no marco da porta e leva a perna atrás do joelho de Mulder, que acaba indo pra frente.

KRYCEK: - Perdeu, "dama".

MULDER: - Isso foi golpe baixo!

KRYCEK: - E tinha regras?

SCULLY: - Olha as bolinhas de natal! Meu facão tá bem afiadinho!

Os dois fecham a porta e saem correndo.


10:31 PM

Mulder e Krycek de gorros, luvas e casacos. Mulder com as mãos nos bolsos, mexendo o corpo, com frio. Krycek tira as luvas e puxa o machado cravado no tronco de árvore. Ergue e acerta o machado na lenha, partindo em duas.

KRYCEK: - Devo estar maluco cortando lenha nesse frio de lascar!

MULDER: - Para de reclamar!

KRYCEK: - Ah, sou eu quem reclama? E você que ficou reclamando do pinheiro?

MULDER: - O pinheiro é inútil, a lenha serve pra lareira. Ou não está com más intenções hoje? Porque eu estou completamente mal intencionado!

KRYCEK: - Ao contrário do que você pensa, Mulder, eu vivo com essas más intenções na cabeça!

MULDER: - Ah malandro! Entregou o jogo! E eu é que levo a fama de tarado!

KRYCEK: - Agora saquei a sua intenção de cortar lenha nesse frio, só que isso não é garantia de sexo.

MULDER: - Você não tem tática, Rato. Troco minhas táticas por aulas de dança.

KRYCEK: - Minha casa virou o Bolshoi por acaso?

MULDER: - Não sei, mas se você aparecer vestido de frufru cor de rosa todo saltitante...

Mulder coloca outra tora de madeira sobre o tronco. Krycek ajeita o gorro. Desce o machado, partindo em duas.

KRYCEK: - Deixa sua cabeça aí.

MULDER: - Como você é engraçadinho. Me dá esse machado, eu corto melhor que você!

KRYCEK: - Corta nada! Quero ver!

Mulder tira as luvas e pega o machado. Krycek coloca a tora de madeira. Mulder desce o machado que fica enfiado na tora. Mulder segura a tora com o pé, tenta puxar e não consegue tirar o machado. Krycek começa a rir.

KRYCEK: - Quero ver se tivermos mesmo que fugir pro meio da floresta. Pobre da Scully depender de você! Me dá esse machado aqui!

MULDER: - Sou um sujeito da cidade.

KRYCEK: - E eu sou caipira por acaso? Crio galinhas?

Krycek segura a tora com o pé e puxa o machado fora. Mulder olha pra ele com deboche.

MULDER: - Admita, você tinha uma boa criação de galinhas!

KRYCEK: - É, eu tinha e você morria de inveja!

MULDER: - Aí arrumou uma franguinha dez anos mais nova e se aposentou do galinheiro!

KRYCEK: - (RINDO) Mulder, para! Você não presta mesmo! Coloca outra tora aqui. Mais uma e...

[Som de uivo de lobo em agonia]

Mulder faz uma cara angustiada.

MULDER: - Armadilha?

KRYCEK: -Posso admitir que quando a fome bate no meio do Alasca ou da Sibéria... Eu já tive que matar um animal pra comer. Mas num lugar desses com mercado? No meio da civilização? Isso é cruel!

MULDER: - Eternamente entramos na questão cultural das pessoas. Alguns não dispensam carne de caça. Tem tráfico disso, sabia?

KRYCEK: - Claro que tem! Todo dia a alfândega pega gente trazendo carne de caça clandestina. Um dia pediram o incinerador da delegacia. Tinha até carne de macaco! Me diz, tem necessidade de comer macaco com um supermercado cheio de carnes na esquina? E pagam caro, acredite.

MULDER: - O ser humano é uma merda mesmo.

Mulder coloca outra tora. Krycek desce o machado.

MULDER: - Você notou que não vimos nenhum animal desde que chegamos?

KRYCEK: - Os caçadores, Mulder. Os animais são espertos, eles fogem quando pressentem predadores na área.

MULDER: - Queria mostrar algum animal selvagem pra Victoria... Enquanto ainda restam. Talvez algum dia só existam em fotos. Nem quero pensar nisso.

KRYCEK: - Podemos dar um passeio mais longe. Talvez perto das montanhas. Tem cabras selvagens. Ela vai adorar. Vou ajeitar o trenó amanhã cedo. Você trouxe sapatos de neve e seus esquis?

Krycek apoia o machado no ombro.

MULDER: - Claro! Acha que não vou me divertir?

KRYCEK: - Barbara quer aprender a esquiar. Vamos ter diversão vendo a nanica enterrar o traseiro na neve. Eu trouxe dois tacos de hóquei, se tiver a fim, tem um lago congelado mais adiante.

MULDER: - Quer jogar hóquei comigo?

KRYCEK: - Eu adoro hóquei e não tenho parceiro. Me deve essa pelas partidas de basebol que tive de ir com você! Ah, já vou avisar. Comprei de natal pro Dimi e pro Bryan roupas e acessórios de Hóquei. Quero ensinar os moleques a jogarem hóquei desde cedo. E comprei duas pranchas de snowboard. Eles vão adorar os presentes!

MULDER: - O fato de ser padrinho do meu filho não dá a você o direito de envolvê-lo em seus esportes favoritos. Bryan vai jogar basquete e basebol.

KRYCEK: - Não tem emoção nisso, Mulder. É seu filho, mas eu conheço o meu afilhado, ok? Ele é danado, inquieto e maluco por ação. A adrenalina corre nas veias do Irlandês. Ele nunca vai gostar desses seus jogos patéticos.

MULDER: - Ok, você ensina seus jogos na neve para os garotos. E quando for verão e eles estiverem entediados, eu ensino jogos que podem jogar o ano todo. Feito?

KRYCEK: -Conhece futebol? Futebol decente, não essa porcaria que vocês americanos chamam de football. Pois eu vou ensinar aos dois o que jogar no verão. Vão aprender a driblar a bola e fazer embaixadinhas com os olhos fechados!

MULDER: - Isso é coisa pra russo. Americanos gostam de football. Avançar jardas, desviar dos adversários... Isso é emoção. Essa coisa de correr com bola no pé é sem graça.

KRYCEK: - Aposta quanto que eles vão preferir os meus esportes?

Os dois trocam um aperto de mão.

MULDER: - Vai levar mais alguns anos pra descobrirmos, mas apostas aceitas. Três caixas de cerveja bock alemã legítima. E aposto que o meu afilhado Elvis vai adorar os meus esportes também! Tenho certeza que vou bater na porta da sua casa e o Dimi já vai sair correndo, doido pra ir ao estádio comer cachorro-quente e xingar o batedor!

KRYCEK: - Feito!

Krycek acerta o machado no tronco.

KRYCEK: - Pronto, Mulder. Vamos levar a lenha, tá frio demais aqui fora! Já garantimos a lareira. O resto é tática.

MULDER: - Viu o que eu falei sobre a burrice dos homens? Os dois idiotas aqui se lascando no frio por causa de sexo! E o pior de tudo é que só contam com a sorte!

KRYCEK: - Por que acha que castrei o meu cachorro?

Os dois riem.


(Continua...)


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12 de Janeiro de 2021 às 13:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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