oak Rodrigo Carvalho

No santuário com a guerra anunciada, uma menina corre ao encontro de alguém importante em sua cidade natal. Ela quer um abraço e sentir que é capaz de fazer o que é preciso. [AVISO IMPORTANTE] Essa história usa o universo de Saint Seiya (Cavaleiro dos Zodíaco), criado por Masami Kurumada. Apesar disso, os demais personagens são de autoria própria.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas. © Masami Kurumada

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De Coração Amável e Bruto

Chrítinos ficava há vinte ou trinta minutos de caminhada das muralhas do sagrado santuário de Atena. A cidade, como Rodório, nasceu para auxiliar os trabalhadores que não vivam dentro do reduto dos santos cavaleiros de Atena a estarem próximo de seu local de trabalho. Portanto, aquele caminho era muito utilizado, tanto por guardas, quanto para trabalhadores e até por alguns residentes do santuário que quando estavam de folga iam até o lugar para tentar relaxar um pouco.


O terreno que separava os dois lugares bem distintos, era composto por muitas rochas , algumas árvores frutíferas bem comuns por ali e, um morro escarpado como toda a geografia local possuía. Era um ótimo lugar para se comer algo, quando não se podia parar em nenhum dos dois assentamentos.


Não fazia nem uma hora que o sol havia nascido trazendo a brisa matinal direto do mar através dos vales que ligavam ambas as regiões, quando os primeiros transeuntes começaram a cruzar o lugar. Eram guardas da muralha que estavam trocando de turno - era comum alguns deles voltarem para as cidades, para suas casas, e não ficarem nos alojamentos padrões do santuário. Junto deles os primeiros trabalhadores, carregando caixas com frutas, levando animais e as ânforas de vinho.


Entre eles, porém, caminhava uma garota. Ela era pequena em comparação a um guarda, que treinava arduamente para atingir seu potencial físico e poder exercer plenamente seus deveres quando fosse necessário. Vestia uma túnica branca e curta e caminhava com os pés descalços, um detalhe que poderia passar despercebido para alguns, mas era curioso para alguns, afinal aquela caminhar por ali machucaria o pé de qualquer pessoa, treinada ou não. A garota pegava uma fruta aqui, um pouco de água ali, e caminhava interagindo com todos. O cinturão que carregava na cintura era apenas uma ferramenta para sua túnica não voar e a deixando pelada, mas estava tão mal colocado que denotava uma de duas coisas; ou ela não sabia o que estava fazendo quando o pos ou, estava muito apressada e sequer tomou seu café da manhã no santuário.


“Faz algum tempo que não a vejo aqui jovem, é bom que venha nos visitar mais, certo?” Uma senhora que conduzia alguns bodes falou entre risadas ao ver a menina passando em todos os cantos pegando algo para comer, que respondeu com um aceno de cabeça e uma piscada que inspirava verdade.


Quase no limite entre a passagem e a cidade o cheiro de pão atingiu suas narinas com força. Aquilo despertou um sorriso genuíno em seu rosto e a fez acelerar os passos até chegar ao seu destino. Aquele lugar não era mais o seu lar, mas estava pra sempre marcado em seu coração. Mesmo que agora sua casa fosse dentro do santuário, ela nunca ia esquecer os anos que viveu ali junto de tantas pessoas importantes para sua vida e seu crescimento como um ser humano melhor. E era por esse motivo que havia se apressado tanto que esqueceu de se alimentar ou se arrumar como deveria. Seus cabelos castanhos curtos balançavam enquanto corria na direção daquela pessoa que a movia tão entusiasmadamente naquela direção, seu avô.


As pessoas na rua por muitas vezes nem a reconheciam, ou se isso acontecia, lembravam dela numa versão antiga, da menina, da garota, e não da mulher que havia se tornado. Mas recebiam risadas, sorrisos e palavras doces, dela que se empenhava em chegar o mais rápido que fosse possível ali, dentro da cidade, no lugar que desejava.


Estava próxima a ágora local quando parou na frente de uma casa modesta. Ao seu lado havia algumas pessoas esperando o pão fresco ficar pronto já naquele horário. Elas a observaram como quem dizia que não poderia furar a fila, mas quando ela bateu a porta e chamou pelo ‘avô’ todos a reconheceram. A garota não notou o que fizeram pois a porta abriu e ela foi recebida por um senhor vestindo um avental e com um sorriso enorme no rosto.


“A quanto tempo não te vejo minha querida!” O idoso falou abrindo os braços e sendo fortemente abraçado e erguido do chão. Ela não falava, mas aquilo era sua forma de dizer que sentia saudades dele, que o amava e que não via a hora de voltar ali para fazer aquilo. O senhor, depois de ter sido posto no chão e pedir calma para a neta, que se desculpou animadamente, pediu que os clientes esperassem, pois a primeira fornada já estava quase pronta.


Conversaram por quase uma hora, tempo suficiente para o senhor assar alguns pães doces para ela que, segundo ele, ainda os comia como quando era uma menininha esfomeada. A garota não nega em momento nenhum aquela afirmação, estar ali fazia-a sorrir o tempo todo. A fazia bem.


No entanto, a pergunta que ela não queria ouvir, mas sabia que chegaria foi feita pelo avô: “Então é verdade o que estão falando por aí? Haverá guerra?” Aquela informação não era secreta, mas não deveria chegar tão rapidamente às cidades quanto parecia que chegou. Em meio as mordidas nos pães doces, ela respirou fundo e mudou sua expressão totalmente, ficando séria - mas ainda comendo a guloseima “Sim, eles.. digo, nós.. estamos nos preparando. Em partes, foi por isso que vim aqui hoje..”.


O idoso a interrompeu antecipando sua próxima fala, “Não se preocupe, Hélias te preparou para ser capaz de enfrentar isso. E nós sempre vamos te apoiar, não importa que seus pais já tenham partido junto de sua avó, sempre vamos te apoiar e acreditar em você”. O treino que recebeu por anos foi duro e doloroso, mas há certas coisas que não te preparam para o momento em que acontecem, essa fala de seu avô era uma delas. As lágrimas de seus olhos começaram a sair sem que ela sequer percebesse “E se você quer algo para te motivar, eu tenho um estoque enorme de pães doces ali, entre outras coisas, ele será todo seu quando isso acabar!” Ele falou tocando em seu nariz, um gesto que remetia a sua infância, quando ela sai brincar com ele pelos campos mas se negava a fazer algo por medo ou birra.


Mas.. tenho medo de falhar vovô” Falou enquanto tentava esconder o rosto com uma das mãos, mostrando uma vergonha que nem ela mesmo sabia que tinha “Medo de perder você, de não conseguir proteger ninguém.. de só causar mais confusão” Chorando ao ponto de engasgar a garota parecia tirar um peso de suas costas, até sua postura mudava com aquelas palavras, pois antes ereta, firme e imponente agora estava curva, encolhida e trêmula.


O senhor pegou em sua mão livre e a levou até o seu rosto, fazendo-a tocar nele “Você não precisa ter medo de perder, minha pequena, eu sempre estarei aqui, seja como estou agora, seja no teu coração” Aquelas palavras faziam o coração da garota doer, sentia que ele se partia. Mais uma vez, todo aquele treinamento não a preparou para isso. Perder alguém sempre era doloroso e ela já tinha perdido tantas pessoas até lá, que seu avô não podia partir. Não devia partir. Ela, tinha para si, que não poderia viver sem ele.


“Mas.. se eu falhar, se eu perder o controle? Se acontecer novamente o que aconteceu anos atrás? Eu não vou suportar, vovô, não vou suportar se eu colocar você e as outras pessoas em risco, não vou.. não vou” Com o choro copioso e entre soluços a garota chegava seu rosto até a mão do avô e se apoiava nele.


“Dentro do meu coração eu sei que você não falhará. Hélias confiou o futuro a você, quando você o derrotou” Aquelas palavras vindo de seu avô a tocaram mais uma vez. As mágoas que Hélias havia causado na garota eram profundas e era difícil para ela lidar com elas “Ele confiou em você, pois sabia que você era mais poderosa que ele, em poder, quanto em amar. Ele viu em você todo o amor que era preciso para isso, para amar aqueles que você conhece, e aqueles que não. Amor suficiente para amar Atena e amar seus inimigos. Um amor que ele não era capaz de ter e por isso não era capaz de sacrificar o que fosse necessário para levar a paz e a justiça, na forma desse amor, para todos” Em meio a um abraço, como quando ela era apenas uma garotinha e não ocupava o posto que hoje ocupa ouviu a última lição de seu avô “Use essa confiança, use esse amor e, ninguém nunca, me ouça Neola, ninguém nunca vai vencê-la".


A terra tremeu logo após os dois se afastarem daquele abraço que foi tão curto, mas tão longo. Ele a observou enquanto limpava as lágrimas que já paravam de verter seus olhos. Ela, por sua vez, não demonstrava mais aquela tristeza que momentos antes estava estampada na sua alma e corpo. O tremor se repetiu e os dois cruzaram os olhos uma última vez.


Ela levantou-se da poltrona onde estava com seu avô. A aura dourada oculta até aquele momento a cercava e iluminava o cômodo obscurecido pela penumbra natural de lugares sem iluminação interna. “Mostre sua força para quem se opor a você” Foram as últimas palavras que a garota ouviu de seu avô, pois logo em seguida partiu pela porta na direção do epicentro daquele tremor.


Na ponta norte de Chrítinos quatro homens bem distintos vestindo armaduras atacavam tudo o que encontravam no caminho. Claramente haviam dois tipos deles, pois um vestia uma armadura alaranjada com vários detalhes em dourado enquanto os demais, que carregavam armas, vestiam armaduras com tons azulados, uma diferente da outra.


Em meio a prédios destruídos e corpos espalhados, um dos guerreiros armados fala com o outro, seu superior: "Mestre, nenhum cavaleiro vai aparecer? Escondemos nossos cosmos até agora para fazer uma boa surpresa.. e ninguém veio?”.


A figura que se distinguia do guerreiro fixou seus olhos em algo que os outros não eram capazes de ver, mas ele sim. “Está aqui, se preparem”.


A garota surgiu na frente dos invasores um segundo depois das palavras serem ditas. E tão rápido chegou foi atacada pelos três que eram enormes quando comparados em tamanho a ela. Cada picareta pesada foi repelida por uma forma invisível para aqueles olhos despreparados para perceberem o que, ou contra quem, estava lidando.


“Quem é você, mulher?” Perguntava o líder do esquadrão enquanto novos golpes eram desferidos por seus subordinados sem que houvesse nenhuma mudança no resultado dos ataques.


Franzindo o cenho e construindo uma expressão severa em seu rosto que até aquele momento era apenas sério sua cosmo energia dourada explode em vivacidade arremessando as armas dos guerreiros, eles mesmo para longe assim como destruindo o solo e os prédios, já vazios, ao seu redor “Sou a assassina e herdeira de Hélias, o antigo santo cavaleiro de Touro, sou Neola, mas todos me chamam apenas de A BRUTA!”.


O feixe de luz dourado vinha do céu e tão rápido quanto a luz ligou a segunda morada zodiacal até a mulher que trajou a sagrada armadura de Touro em um instante. O mesmo instante onde criou uma enorme explosão a sua volta destruindo tudo ali, solo, casas, árvores e corpos, incluindo os três soldados que estavam perto demais ainda se recuperando do ataque anterior.


A explosão é poderosa e concentrada, mas o estrondo é sentido até nas doze casas, dentro do santuário. Naquele momento, todos sabiam que definitivamente, a guerra havia começado.


O líder do grupo saltou rapidamente para esquivar do ataque em área que despedaçou seus subordinados. Pensava não ser possível alguém reunir tanta cosmo energia num período tão curto de tempo como acabava de ver. Se perguntou se deveria estar ali, se o plano traçado por seus superiores era o ideal - mas já era tarde demais. Ele via a mulher, de pé num único pilar de rocha que sobrou em meio a cratera que criou, tomando sua postura de combate e baixando a máscara da armadura de Touro, ocultando seu rosto, deixando sua feminilidade de lado, tornando-se apenas uma força da natureza, descontrolada, violenta e brutal.


“Prepara-se, General, pois está será sua última luta”


...Fim

9 de Janeiro de 2021 às 01:12 0 Denunciar Insira Seguir história
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Rodrigo Carvalho Gosto de escrever, ** *** ******* ***, por enquanto é só isso.

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