g_barrenha Gabriel Barrenha

Uma infância vivida com alegria ao lado de sua melhor amiga, Elizabeth Neve, que logo viria a ser uma adolescência em que um mundo novo seria descoberto. Matemática, geografia, história, artes e até mesmo educação física, aulas comuns da vida de um adolescente em um ensino médio seriam substituídas por algo completamente fora do normal após o reaparecimento de Jack Neve, pai de Elizabeth, que por dois anos havia desaparecidos sem aviso prévio, trazendo a repentina notícia de que iriam para uma escola onde seres místicos são reais! Em seu primeiro ano em WallBright, Neri Hofirman descobrirá coisas novas sobre um mundo desconhecido do qual sua família faz parte a séculos, e tentará salvar a vida de sua melhor amiga de uma maldição inevitável!


Fantasia Todo o público.

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Uma Notícia Inesperada

Olá, meu nome é Neri Hofirman, atualmente sou o líder da família Hofirman e o responsável por proteger aquilo que os seres humanos chamariam de Mundo Mágico, ou Mundo Sobrenatural, um lugar cheio de magia, demônios, anjos, magos e criaturas que fazem parte da ficção que é existente somente em livros e filmes; um mundo onde até mesmo os contos de fadas e deuses mitológicos são reais.

Não pense você, que eu nasci e cresci nesse mundo cheio de maravilhas e coisas fora do comum; até o fim do ensino fundamental eu era apenas um garoto comum, com cabelos arrepiados e que usava óculos... Um garoto simples de quinze anos de uma cidadezinha no interior de um país de primeiro mundo... Pelo menos era o que eu pensava. Vamos que eu vou te contar a minha história.

Eu havia acabado de terminar o ensino fundamental em uma escola pública. Não fazia nem mesmo dois meses desde que eu havia completado os meus 15 anos de idade, teria sido o aniversário mais entediante da minha vida, se não fosse pela minha melhor amiga, Elizabeth Neve, uma garota extrovertida, da mesma idade que a minha que eu conhecia desde os meus 7 anos. Ela era diferente, não somente pelo seu jeito otimista e extrovertido de ser, mas principalmente pelos seus cabelos tão brancos quanto à neve, o que dava mais força ao seu sobrenome, e seus olhos mais azuis que as águas que são vistas no Caribe, ela parecia uma boneca de porcelana, com uma pele tão rosada quanto. Ela sempre estava comigo tentando deixar meu humor mais alegre e otimista, o que, na maioria das vezes, não dava certo.

Como eu dizia, se não fosse por ela meu aniversário de 15 anos teria sido o mais entediante da minha vida, ela me levou ao cinema, a uma lanchonete e de noite ainda fizemos uma maratona da minha saga de filmes favorita até às 5 da manhã, e como já estávamos de férias e não tínhamos aula, dormimos até mais tarde naquele dia.

Aí você me pergunta: "Onde a sua família esteve no seu aniversário?".

Para falar a verdade, eu não sei... Meus pais e minha irmã mais velha saíram um dia antes dizendo que "iriam resolver um problema que eles já deveriam ter resolvido há muito tempo" e só voltaram um dia depois do meu aniversário. A família da Elizabeth... Bom... sua mãe morreu assim que deu a luz a ela, o pai dela está sempre viajando a trabalho e só volta para casa duas vezes por ano, e seu irmão mais velho... Bem... Desde que ele completou os quinze anos, ele foi para uma escola que, aparentemente, só o permitia voltar para casa durante as férias. Faz cerca de cinco anos que ele estava lá, e só havia voltado para casa cerca de duas vezes apenas. E digamos que ele não gostava muito da Elizabeth, sempre que o via, ele estava a tratando como alguém "insignificante", sempre sendo frio e ignorante com ela (o que fazia eu me sentir mal por ela sempre que isso acontecia).

Tirando nossas famílias, só temos um ao outro, o que faz com que passemos o tempo todo juntos.

Como eu dizia antes, eu havia acabado de terminar o ensino fundamental, as férias de verão estavam quase acabando e Elizabeth estava animada como sempre.

Era dez de Fevereiro quando eu estava em minha casa, na sala de estar, tentando passar o meu tempo jogando videogame e Elizabeth tentava me convencer de que seria legal acampar no meio de uma floresta próxima a minha casa.

- Vaaaaai! Você tem que concordar comigo que esse cronograma que eu fiz é super legal! – ela disse sentada ao meu lado enquanto segurava três folhas de caderno onde ela havia escrito aquilo que ela chamou de "Cronograma de Férias".

- Elizabeth - eu disse enquanto pausava o jogo que estava jogando e olhava para ela - você sabe que sempre que tentamos fazer alguma coisa que já esteja programada, nunca dá certo...

- Tá! Eu sei ma-

- Nunca...

- Talv-

- Da...

- A gente po-

- Certo...

- E se-

- Nunca...

- Cala a boca e me escuta! - ela gritou enquanto se colocava de pé - Eu sinto que dessa vez vai dar certo!

- Você disse a mesma coisa nas últimas 5 vezes... - eu respondi com o maior "animo" que possuía naquele no momento.

- Por que você é sempre tão pessimista?! - ela disse desanimada enquanto se jogava no sofá ao meu lado.

Eu estava procurando uma resposta para a pergunta dela quando minha mãe entrou na sala, uma mulher de 35 anos de idade que era menor que eu, com cabelos negros tão lisos quanto os da Elizabeth, sua pele era branca e seus olhos tão escuros quanto seus cabelos. Eu me parecia com ela, no físico claro, pois ela era tão otimista quanto à própria Elizabeth.

- Vocês não estão brigando né? Sabem que eu não gosto disso - sim, minha mãe ficava chateada toda vez que eu e a Elizabeth brigávamos, talvez fosse porque ela sempre quis que nós dois ficássemos juntos (não apenas como amigos).

- Não mãe, não estamos brigando, só estava dizendo para a Eliza-

- Senhora Hofirman! - Elizabeth me interrompeu se colocando de pé - Tenta convencer o Neri que vai ser legal acampar!

- Seria bem legal - minha mãe disse concordando com ela.

- Isso! - ela disse abraçando a minha mãe, e por ser do mesmo tamanho que ela, isso não permitiu que a Elizabeth a levantasse (o que ela tentou fazer).

- Qual é mãe?! - eu falei me colocando de pé indignado - Acampar?! Sério?! O mato é cheio de mosquitos, insetos e... Aranhas... - desde pequeno, eu não gostava de aranhas, mas parece que quanto mais velho eu ficava, mais esse "desgosto" crescia, ao ponto de se tornar um pavor fora do normal (PS: não tenho orgulho disso!).

- Essa é a sua chance de perder esse medo de aranha - minha mãe me respondeu.

- Não é medo! - eu falei cruzando os braços - É só... Um desgosto...

- É, só um desgosto - disse Elizabeth contendo o riso.

Conhecia-a bem o suficiente para saber que ela havia se lembrado do dia que fomos a um parque e eu fiquei passando mal quando uma teia de aranha quase grudou no meu rosto.

- Você não presta sabia? - eu disse para ela.

- Aí - ela respondeu com um sorriso cínico no rosto - quase me importei com a sua opinião!

- Bom, já chega - minha mãe interrompeu - só vim avisar que o jantar está pronto, não me intrometer no relacionamento de vocês - ela disse saindo em direção à cozinha com um sorrindo.

- Mãe! - eu reclamei desconfortável.

- Relacionamento?! - disse Elizabeth enquanto seu rosto ficava vermelho, e ao perceber que eu havia olhado para ela, rapidamente ela se virou, ficando de costas para mim.

- Mãe! - minha irmã, Mary, gritou enquanto descia as escadas de madeira que davam para o andar térreo da casa. Minha irmã era sete anos mais velha, mas era do mesmo tamanho que eu, ao contrário de mim, que se parecia com a minha mãe, ela se parecia com o meu pai, com a pele negra e seus cabelos cacheados que chegavam a suas costas - o jantar já está pronto?!

- Sim - eu respondi.

- Pelo visto a mamãe já falou de vocês dois não é? - ela disse enquanto olhava para a Elizabeth, que tentava fingir estar tudo bem, mas continuava vermelha.

- Sim - Elizabeth respondeu sem graça - mas não foi nada de mais!

- Aham, claro - Mary riu - vamos lá, hora de jantar!

Estávamos todos reunidos à mesa quase terminando o jantar, meus pais, eu, minha irmã e a Elizabeth. Antes de conhecer a Elizabeth, a mesa de jantar tinha apenas 4 cadeiras, mas depois do primeiro dia que ela jantou lá, meus pais compraram uma mesa nova com 5 cadeiras, desde então, ela começou a almoçar e jantar em casa todos os dias. Já almocei na casa dela uma vez a seu pedido em uma das vezes que seu irmão havia voltado para a casa durante as férias, mas ele parecia não ter gostado nada da ideia.

Estava tudo indo bem, as conversas estavam sendo como sempre, bem humoradas e, algumas vezes, até mesmo chatas quando o meu pai falava sobre esportes ou política, ele era um homem negro e alto, com cabelos bem curtos e, se assim posso dizer, meio "forte".

- Amanhã o pai da Elizabeth virá trazer uma notícia para vocês dois - meu pai disse rapidamente.

Aquela frase fez com que qualquer outro assunto que estivesse sendo falado na mesa fosse trocado por um silêncio extremamente desconfortável. Houve uma troca de olhares entre mim e Elizabeth.

- Meu... Pai? - Elizabeth perguntou, ela parecia surpresa e ao mesmo tempo desnorteada com aquela frase como se houvesse acabado de acordar e estivesse tentando processar qualquer informação que ela recebesse.

- O pai dela?! - eu disse após quase ter me engasgado com um pedaço de carne que estava comendo - Faz mais de dois anos que ele não volta para casa! Achei até que ele tinha morrido... - não tinha me dado conta do que eu havia dito até a Mary me dar um chute por baixo da mesa e apontar com a cabeça o estado da Elizabeth - Ah... Quer dizer... Sobre o que ele quer conversar?

- Acho melhor deixar isso para ser falado amanhã quando ele chegar, não é? - Minha mãe interrompeu antes que algo mais fosse dito fora de hora (ela era muito boa nisso).

- Bom – Elizabeth disse em um tom que raramente ouvia saindo da sua boca - se ele... Vai vir, então... É melhor eu voltar para casa.

- Nem pensar nisso! - eu disse erguendo a voz, o que fez com que todos olhassem para mim, pude sentir meu rosto ficar vermelho de constrangimento.

- Neri tem razão - minha mãe disse, e, por estar sentada ao lado da Elizabeth, ela colocou uma das mãos sobre a cabeça dela - Você vai dormir aqui hoje, tá bom?

- Tá bom... - ela disse enquanto sorria de maneira desajeitada.

- De qualquer jeito ela teria que voltar para casa dela para pegar algumas roupas - minha irmã falou.

- Ela dorme tanto aqui que já falei para trazer algumas peças de roupa e deixar no meu guarda roupas - eu disse para Mary que começou a rir.

- Só falta vocês usarem um par de alianças de casamento, porque o mesmo guarda roupas vocês já usam!

- Pai! - eu reclamei - Olha a Mary!

- Fazer o que se é verdade - meu pai respondeu concordando com ela.

- Senhor Hofirman! - Gritou Elizabeth constrangida.

Já havíamos terminado de jantar, Elizabeth e eu estávamos em meu quarto, eu estava deitado no chão em um colchão, e ela na minha cama. Normalmente quando ela dormia em casa, minha mãe me fazia dormir no chão, ela dizia que era para eu ser o mais "cavalheiro" possível com a Elizabeth.

O quarto estava todo escuro, a não ser pela luz branca do luar que estava transpassando as cortinas da janela, o que fazia com que os cabelos da Elizabeth brilhassem.

- Neri? - Me chamou Elizabeth.

- Fala.

- O que você acha que o meu pai vai falar com a gente amanhã? - Seu tom de voz parecia preocupado, o que não me deixava muito feliz.

- Não faço a menor ideia... – respondi pensativo - Talvez seja com relação à escola onde vamos fazer o ensino médio quando as aulas voltarem...

- Mas... - ela fez uma pausa por um momento – E se nossos pais não nos deixarem na mesma escola?

- Você sabe que eles não vão fazer isso... - eu respondi, mas estava tão inseguro quanto ela com relação a este assunto.

- Aposto 10 reais que eles vão nos deixar em escolas diferentes! - ela disse se sentando na cama.

Elizabeth sempre teve a incrível capacidade de brincar até mesmo nos momentos sérios, o que me levou muitas vezes a brigar com ela, mas se isso estava fazendo ela se sentir melhor, eu preferiria entrar na brincadeira também.

- Nós dois sabemos que você é péssima em apostas – falei me sentando.

Isso era sério, enquanto eu tinha uma sorte fora do normal, Elizabeth tinha um azar fora do comum. A única vez que ela ganhou de mim em uma aposta, foi quando eu disse que ela não conseguiria tomar dois copos de milk-shake em menos de dois minutos; ela conseguiu, mas no dia seguinte, ela não saiu de casa, pois ficou com dor de barriga.

- Não sou não! - ela disse discordando de mim com os braços cruzados - Das últimas vezes você só ganhou de mim por pura sorte!

- Acho que você quis dizer todas às vezes, não é?

- Cala a boca - ela disse se deitando de costas para mim.

Um silêncio estranho havia tomado conta do quarto, a conhecia bem o suficiente para saber que estava chateada; "Ela está mesmo preocupada com isso?" pensei. Não sei por que estava surpreso, pois desde mais nova, ela se preocupava com coisas pequenas; por exemplo quando ela pisou na pata de um cachorro e ficou pedindo desculpas durante trinta minutos para ele. Comecei a escutar ela a fungar, ela estava chorando, detestava vê-la chorar, seu rosto ficava tão vermelho que parecia que todo o sangue do corpo dela estava circulando em seu rosto, e os seus olhos mudavam de um azul claro para um cinza como de uma nuvem em uma tempestade.

- Elizabeth - eu disse me colocando de joelhos aos pés da cama - você sabe que seu pai não vai nos separar...

Ela se virou para mim. Mesmo com o quarto escuro, pude ver o seu rosto vermelho, e pela primeira vez, eu vi seus olhos cinza brilhando, como se fosse fluorescente.

- Vai ficar tudo bem... - foi tudo que eu consegui dizer enquanto colocava minha mão em seu rosto.

Ela não me disse nada, mas o sorriso que ela me mostrou foi o suficiente; todas às vezes que ela sorria para mim eu me sentia diferente, me sentia bem, nunca disse isso para ela, mas eu amava vê-la sorrir.

- Uuuuuhhmm! - Pude ouvir um coro atrás de mim. Quando me virei, pude ver a porta entreaberta, com três pessoas nos olhando, meu pai, minha mãe e minha irmã.

- Ei! - eu gritei - Um pouco de privacidade seria bom!

Os três saíram correndo dando risadas, detestava quando eles faziam isso.

- Acho que é melhor a gente dormir - disse Elizabeth baixinho enquanto ria da situação.

- Concordo com você - eu disse no mesmo tom.

Já era manhã e nós dois havíamos sido acordados pela luz do Sol que entrava pela janela, uma leve brisa fazia com que a cortina se mexesse levemente. Nos colocamos de pé e fomos até a cozinha, onde minha mãe já estava terminando de preparar a refeição, um doce aroma de café havia tomado conta do ambiente, o que aumentava cada vez mais a minha fome.

A refeição havia sido bem divertida, com meu pai criticando os jogadores do seu time favorito que havia perdido um jogo de basquete dois dias atrás e com a Mary que (assim como em todas as manhãs) tentava repetidamente (e com várias falhas) fazer truques de mágicas, como a trágica tentativa de tentar descobrir qual carta meu pai havia pegado.

Estava tudo indo bem, até ouvirmos o som da campainha que ecoou pela casa, Elizabeth e eu nos entreolhamos pois já sabíamos o que viria em seguida.

- Eu atendo! - Disse Mary colocando sobre a mesa um baralho que ela usaria para, como ela mesma disse, "queimar e fazer reaparecer dentro da lava louças".

- Tudo vai ficar bem, certo? – Elizabeth perguntou baixinho enquanto segurava a manga da minha camiseta.

- Sim - eu respondi, mas pela primeira vez desde que a conheci, não sabia se conseguiria cumprir o que eu havia dito para ela.

Pude escutar o som da porta sendo aberta; não sabia dizer se o meu coração estava acelerado ou se havia parando de bater de vez.

- Olá senhor Neve! - falou Mary com uma voz tão gentil quanto a da Elizabeth - Estão todos na cozinha!

O tempo parecia estar mais devagar, talvez fosse apenas impressão minha, mas o ambiente da cozinha parecia ficar mais tenso conforme o senhor Neve se aproximava. Como eu havia dito antes quando recebemos a notícia de que ele viria para cá, já fazia mais de dois anos desde que ele não via a Elizabeth, foram dois anos sem voltar para a casa, dois anos no qual a Elizabeth ficou com o coração angustiado por não vê-lo.

Eu mal havia percebido, mas ele já estava na porta, Jack Neve, um homem tão alto quanto o meu pai, ele era totalmente o oposto da Elizabeth, com cabelos curtos e negros e seus olhos tão negros quanto. Seu olhar era frio, ele estava vestido como um empresário importante, com um terno preto e uma gravata vermelha.

- Olá Elizabeth... - ele disse com uma voz grave e fria.

Todos tinham ido para sala de estar, Elizabeth e eu estávamos sentados no sofá e os demais nas poltronas que ficam espalhadas pelo cômodo, eu percebi que estava tão preocupado com o assunto a ser conversado quanto a Elizabeth, que a essa altura, estava apertando o meu braço tão forte que pensei que teria que, amputá-lo por falta da circulação de sangue.

- Bom - começou o senhor Neve - creio que seja uma surpresa para vocês dois me verem aqui - ele disse enquanto olhava para mim e a Elizabeth.

- Você sumiu por dois anos... - ela disse sem nem mesmo olhar para ele.

- Eu sei - ele respondeu sem muito entusiasmo - mas você precisa entender que era tudo para deixar você segura.

- Segura?! - ela se colocou de pé, parecia desapontada e ao mesmo tempo muito, muito irritada – O meu irmão precisava de um pai para usar como exemplo e o senhor simplesmente desapareceu!

Ela estava mesmo irritada por que o pai não foi um pai próximo do irmão dela?!

Até hoje, eu tentava entender o porquê dela sempre tentar ser próxima do irmão mais velho, mas nunca havia entendido. Desde pequena, desde que a conheci, eu sempre a via sendo desprezada por ele, Meufrin, seu irmão mais velho, que dentro de cinco anos só a havia visto duas vezes, nunca demonstrou nenhum sentimento por ela, nunca demonstrou saudade; porém, mesmo assim, ela continuava a se importar com ele só pelo fato de o seu pai não ser próximo o suficiente?

- Elizabeth - disse meu pai de uma maneira tão séria que chegou a ser assustador – Existe algo que precisamos contar para vocês dois...

- Alex... Tem certeza disso? - minha mãe perguntou pro meu pai, ela parecia preocupada.

- O papai tem razão mãe - Mary se intrometeu na conversa - Mais cedo ou mais tarde eles iriam descobrir... E de qualquer forma, eles iriam para WallBright esse ano não é?

Aquele assunto estava me deixando confuso, Elizabeth me olhou e percebi que ela estava do mesmo jeito.

- Será que dá para vocês explicarem o que está acontecendo por favor? - eu pedi enquanto puxava Elizabeth, para ela se sentar.

O senhor Neve respirou fundo e se colocou de pé.

- Precisamos que vocês entendam algo... Nós não somos simples famílias.

- Sim, porque os nossos sobrenomes são os mais esquisitos que podem existir - eu respondi, mas ninguém que estava na sala pareceu gostar da piada, a não ser a Elizabeth, que tentou segurar uma risada.

- Você tem noção do peso que carregamos por causa dos nossos sobrenomes?! - ele me perguntou visivelmente alterado.

- Alex - minha mãe interrompeu.

- Tudo bem senhor Neve - ele disse se colocando de pé - Deixe que agora eu explique para eles.

Meu pai se aproximou de nós, se ajoelhou na nossa frente e seriamente ele disse:

- Crianças-

- Não somos mais crianças - eu interrompi, o que fez ele me olhar com um olhar estranho.

- Tudo bem... Jovens - ele disse.

- Melhor assim, obrigado!

- Chega um momento na vida de uma garota e de um garoto que o corpo começa mudar-

- Sinto em informar que o senhor está dando esta notícia tarde demais - falou Elizabeth cruzando os braços.

- Ele está dando a notícia errada na verdade... - Mary disse colocando a mão no rosto.

- Tá bom, era só para descontrair! - meu pai disse sem graça - Tudo bem... Vocês conhecem as histórias mitológicas, os contos de fadas e esse tipo de coisa que existe em livros e filmes, certo?

- Certo - respondemos ao mesmo tempo.

- Então... - ele fez uma pausa como se estivesse procurando as palavras certas - Estas coisas não fazem parte apenas da ficção... Esse mundo de magia e criaturas extraordinárias é real.

Pronto, estava decidido! Assim que aquela conversa acabasse, eu ligaria para um hospital psiquiátrico e pediria para vir buscar o meu pai em casa para interná-lo lá. Ele estava ficando doido de vez, achei que fosse coisa da idade mas ele me mostrou o contrário.

- Aham, claro, tudo isso é... Coisa de doido! - eu disse enquanto me colocava de pé e começava a andar pela sala de estar - Vocês simplesmente vem do nada, falam que monstros e magia existem e querem que nós dois acreditemos nisso?! Vocês só podem estar ficando louc-

Não havia dado tempo de completar a frase, pois quando me virei para eles, tudo que eu vi foi à mão da Mary vindo em minha direção. No momento em que ela encostou no meu rosto, um grande cansaço tomou conta de mim, depois disso, eu apenas senti o impacto do meu corpo contra o chão. Meu corpo estava pesado, o mundo a minha volta parecia estar em câmera lenta, minha visão estava embaçada, tudo que eu conseguia ouvir era a voz da Elizabeth, que parecia estar ficando desesperada, ela havia gritado o meu nome antes de tudo ficar em silêncio; e a última coisa que eu vi antes de tudo ficar escuro foi a Elizabeth caindo em minha frente desacordada.

6 de Janeiro de 2021 às 17:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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