summerthundercloud Lucas W.L.

Maldito foi o homem que confiou no homem, sua danação assegurada, porém, diante de muitas questões e perseverança, uma nova chance foi concedida.


Ação Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#sobrenatural #medieval #vingança #ação #combate
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Prólogo

— O Criador vos abençoa e vos protege.

Foi isso que disse o Gran Patrius em frente ao púlpito, seus braços estendidos aos céus, sua voz gentil, porém estranhamente imponente e poderosa erguendo-se a cada palavra, ecoando repetidamente por cada quina e parede da imensa catedral.

— Seu comando me foi revelado em visão é a ordem é tão clara quanto a luz do grande astro do dia. Retornem a origem! Conquistem! Teus pecados hão de ser absolvidos e tua luta lhes trará grandes bençãos em seu retorno e no último descanso.

O silêncio reinava no ambiente. Ainda que quinhentos homens vestidos em armaduras e armados com espadas, escudos e outras tantas peças de poderio bélico, estivessem ajoelhados, tintilar algum podia ser ouvido, nem sequer o mais mísero fôlego saía de suas narinas, pois tamanha era a importância e imponência do homem a frente destes guerreiros, suas palavras como os sons das trombetas que prenunciariam o último dos dias e as terríveis tribulações.

— Vão!

O homem vestido em um largo traje carmesim com linhas prateadas comandou, seu rosto pálido e emaciado enrubescendo por alguns momentos com o aparente esforço de projetar sua voz tão longe.

— Sigam a santa ordem! Cumpram seu sagrado propósito valorosos guerreiros! Conquistem a todo custo, pois ainda que venham a morrer, apenas o descanso da eterna salvação os aguarda.

Seus gestos eram selvagens, frenéticos e suas feições cadavéricas. Seus olhos um tanto afundados em seu crânio magérrimo pareciam brilhar com o arder das labaredas e sombras da própria danação. Sim, aquele olhar alimentava a chama violenta dos ali presentes, inspirando-os com a justiça do criador que ameaçava inflamar o aço brilhante que lhes cobria os corpos.

— E não temam, bravos combatentes, não temam vos digo!

Prosseguiu, saliva voando de sua boca ressecada, reluzindo nas luzes que transpassavam os vitrais coloridos enquanto sua voz outrora gentil soava ensandecida, como se possessa pelos desejos do grande inimigo.

— Pois os obstáculos que encontraram em seu caminho são agentes do primeiro dos renegados, não escolhidos como vós! São menos que vós, menos que o mais rele animal ou verme que povoa as entranhas da terra! Não tenham piedade pois estes não terão vida que se ceifar, sua morte não gerará pecado, sua dor não trará nada além de alegria aos olhos do criador! Não tenham pena destas aberrações sem alma!

Esta foi a promessa feita pelo santo pai, guia e líder de toda nossa imensa e poderosa religião enquanto suas roupas, alumiadas pelas muitas cores das artes da catedral. Nossa causa era uma empreitada monumental, algo que nunca havia sido feito e que, se bem sucedida, traria o domínio de nossa fé para sua origem que a muito havia sido usurpada pelas bestas desalmadas.

Cinquenta mil homens trajados em vestes abençoadas pessoalmente pelo Gran Patrius, armados em aço dos pés à cabeça, dez mil deles carregados por fortes cavalos treinados para o combate. Cinco mil milhas a percorrer, quinze territórios para atravessar e, se o criador nos abençoasse, conseguir mais braços e suprimentos para nossa tão grandiosa missão.

Lanças, espadas, arcos, balistas, catapultas, a força que compúnhamos estava pronta e motivada para marchar á danação se fosse necessário, a missão tinha de ser cumprida a todo custo. Nenhum esforço seria poupado, seja aço, carne ou ossos, tudo seria usado para conquistar a santa terra.

O quão tolos fomos nós. A palavra de um homem com sua fervorosa guiou tantas vidas a destruição. Tantos companheiros, tantos amigos, fera ou gente, tantos inocentes, todos dizimados pela ganância de uns tantos líderes e seus planos obscuros. E para que? O que conseguimos nós após tanto sacrifício? Nada.

Milhares de vidas destroçadas apenas nos números de nossos companheiros, jogadas no moedor que é o combate como ovelhas para o abate. As montarias tiveram um pouco mais de sorte pois algumas ainda escaparam, nada significativo no grande esquema das coisas, mas, ainda assim, vidas poupadas de um sofrimento desnecessário.

Agora que estou aqui, ardendo por minha estupidez e crueldade, acorrentado ao sofrimento eterno e calor interminável, chamas e grilhões corroendo cada fibra do meu ser, percebo a futilidade de nossos atos. Com apenas um comando, algumas palavras de encorajamento e a benção do Gran Patrius, marchamos para a morte e o pecado como bons soldados, sem nada que fosse em nossas mentes exceto a crença cega e descabida nas palavras de nossa religião.

Temo pelos parvos que ainda creem nas palavras do maldito que nos colocou todos aqui. Se a danação que me encontro ainda me permitisse as lágrimas, choraria por aqueles que desconhecem o preço da ignorância em que vivem, de seus néscios pecados e daquilo que os aguarda no fim de suas vidas miseráveis sob os comandos do homem vil que nos enviou a este lugar.

Uns podem argumentar que nós, condenados as chamas e dor, tivemos e fizemos nossas escolhas, que ignorância não era uma desculpa para as atrocidades que cometemos, e para estes que não viram nossa guerra, apenas digo que concordo, mas não aceito.

Concordo que nossas escolhas atrozes nos condenaram. Que, se pensássemos um pouco mais, talvez evitaríamos tanto sofrimento antes do eterno que ainda estava por vir. Contudo, não aceito. Não aceito que digam isso de suas vidas confortáveis onde a segurança lhes abençoa e a mente livre das pragas que tivemos de lutar a cada dia lhes reconforta e lhes aumenta o ego com sua sabedoria.

Para vocês apenas digo que cada vida tem seu tempo, seus problemas, sua época para enfrentar. Cada era tem seu destino e o nosso, presos na escuridão de nossa ignorância, desesperados por uma mísera vela de esperança que nos alumiasse o caminho, era errar e estar condenados, sem qualquer chance de sermos salvos.

Mas, até mesmo na treva mais profunda onde lamentam os perdidos em gritos sem lágrimas e toda a esperança se esvai, a providência do criador ainda há de brilhar.

6 de Janeiro de 2021 às 02:09 0 Denunciar Insira Seguir história
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