daniela-toledo1609796696 Daniela Toledo

Disseram-me que meu despertar traria poder. Eu não almejo aquilo que os deuses me prometeram, meu espírito clama por liberdade. -- Esta é uma história que tenho desenvolvido há muito, muito, muito tempo, inclusive seus personagens. Sua primeira versão chegou a ser concluída nos idos anos de 2011-2012, mas, ainda imatura na escrita, não me dei por satisfeita. Desde então, tenho estudado literatura, mitologias, lendas, Idade Média, história, filosofia, psicologia e outras diversas coisas para então poder escrever de forma satisfatória. Esta não é apenas uma história em que o fantástico reina, quero aqui, muitas vezes extremados através da metáfora do fantástico, buscar os dramas verdadeiramente humanos, por isso tamanha a minha preocupação com o conhecimento antes de escrevê-la. Ainda assim, os fãs de fantasia e aventura poderão se deleitar com as aventuras aqui descritas, permeadas por batalhas, guerras, criaturas sombrias, romances, lendas e mitologias. O título da história e a sinopse são provisórios, não estou exatamente satisfeita com eles, mas, no momento, não tenho nada melhor para adicionar (verdade seja dita, é muito difícil resumir uma história em algumas palavras ou no título. Eu, particularmente, sou péssima com isso). A capa é uma arte do personagem Rikko feita pela artista Anna Helme, que foi aqui postada sem fins lucrativos. A arte completa pode ser vista aqui (https://www.deviantart.com/annahelme/art/Rikko-858753094). Há também uma arte da personagem Valquíria feita pela artista Ib Gomes (https://64.media.tumblr.com/2864f4e155dae80a3dcdf11ab0cb30bc/tumblr_phvzemDTBC1txtr1vo1_640.png)


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Prólogo


Um céu impreciso pairava no ar como se nada fosse, tingindo de negro um mundo irreconhecível. Havia também um universo retorcido em dor na forma de uma miríade de flechas cravadas na carne. E era ali, entre lábios mudos e lamúrias esquecidas, que os espíritos de gelo caminhavam sobre a terra, reivindicando o preço cobrado pelo avaro toque da morte. A quietude então viria selar os portões do Abismo e apagar, por fim, as linhas na história daquela breve vida. Mas a morte se conteve por um momento impiedoso, um fragmento de misericórdia, deixando-lhe um resquício de existência.

O tempo se arrastava como areias levadas pela tempestade, ou talvez corresse com a pressa de uma lufada; já não era possível distinguir. Olhos, ainda entreabertos, buscaram um último e tênue veio de esperança e encontraram um fio prateado que se abria em um riso sádico. Resplandecia a lua, pálida, agora a navegar entre chamas, fumaça e penumbras, guiando-o até um fim que se desaguava em um começo, uma fina e frágil encruzilhada entre morte e vida.

Batalhas ainda eram travadas nas profundezas do âmago; brados emudecidos insinuavam-se aos ouvidos, carregavam consigo uma lembrança há muito perdida. Olhos se fechariam para aquela noite, mas certamente se abririam uma vez mais para os dias idos, um passado desconhecido que se estendia ao presente e guardava em si uma verdade. O sofrimento ardia nas entranhas, na minúcia do ser, a morte tirara-lhe tudo, exceto a vida e os abismos da própria alma. Restava-lhe, pois, um universo que se abria em páginas cuidadosamente viradas, preenchidas por sons, ruídos, vibrações, lamentações e risos. Um clamor, uma melodia, incerta, imprecisa, vasta e decidida a abarcá-lo num mundo que, naquele momento, passou novamente a reconhecer.

A lua ainda sorria irônica, como se conspirasse tamanho destino, ecos trazidos pelo vento rugiam a sina. E então um suspiro, eterno enquanto durasse, fê-lo despertar mais uma vez para o mundo.

Nem tudo se confina ao silêncio.

4 de Janeiro de 2021 às 22:29 0 Denunciar Insira Seguir história
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