alexisrodrigues Alexis Rodrigues

Agnes Winter, primeira mulher a se tornar uma Alquimista Federal em Amestris, leva uma vida relativamente normal após o fim da perturbadora Guerra Civil de Ishval. Trabalhando como médica cirurgiã no principal hospital da cidade Central, ela usa suas habilidades alquímicas para ajudar seus pacientes a se recuperarem da melhor forma possível, até que, ao final de mais um dia de trabalho, ela é surpreendida com a chegada de um antigo rosto conhecido: Basque Grand. Com o falecimento do General de Brigada Grand, o encarregado das investigações, o tenente Maes Hughes, é presenteado com a difícil missão de descobrir a identidade do assassino e fazer com que a justiça seja feita. Desesperado por ajuda, o tenente Hughes recorre aos conhecimentos da Alquimista Dourada a fim de encontrar o assassino que assombra Amestris. O que Agnes Winter não esperava, entretanto, era que tal assombração fizesse emergir suas dores mais profundas, há pouco tempo esquecidas.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Um

Quando pus meus pés para fora do carro e encarei a longa escadaria a minha frente, suspirei ao me lembrar do desgaste por tanto ter que percorrer o mesmo caminho. Mas pior de ter que subir a exaustiva escadaria novamente era sentir os olhares sobre mim, tanto curiosos quanto maldosos.

Eu costumava pensar que, se sobrevivesse ao inferno jamais seria reconhecida pelas pessoas comuns outra vez, mas minhas esperanças se provaram fúteis. Nada saíra como eu esperava em minha vida, exceto, talvez, o que dizia respeito aos meus estudos. Mas toda e qualquer alegria me havia sido tirada há muito tempo.

Naquela manhã, entretanto, senti uma faísca de esperança se acender em meu peito. O último dia de exames para aspirantes a alquimista federal finalmente chegara, e era o momento decisivo para aquela seleção anual. Eu ouvira falar de um rapaz em especial, e conseguir me responsabilizar por ele dentro do exército amestrino era tudo o que eu queria para garantir que tal mente brilhante não se perdesse nas mãos erradas.

– Major Winter! – ouvi uma voz me chamar pelas costas.

Era Lilian, a secretária do Führer, que sorrira amigavelmente, um dos poucos gestos gentis que me eram oferecidos naquele lugar. Seus cabelos castanhos haviam se eriçado devido a corrida que dera até me alcançar, ou ao menos era o que eu supunha. Ela rapidamente se recompusera e pigarreara nervosamente.

– O Führer está a sua espera. Por favor, me siga.

A sala do Führer. Quanto tempo havia se passado desde a última vez em que eu pisara ali? Lilian abriu a porta para que eu entrasse, batendo continência ao seu superior e então se retirando. Quando as pesadas portas de madeira se fecharam atrás de mim, eu desejei estar morta e apodrecendo na terra.

Como era de praxe, eu precisava bater continência. Quando minha mão tremulou em minha têmpora direita e meus pés se juntaram em uma batida oca, vi um largo sorriso se formar no rosto dele.

– Major Winter! Que bom que veio rapidamente – levantou-se de sua cadeira. – Por favor… – indicou uma das cadeiras em frente a sua mesa.

Obviamente não era um convite. Eu não estava na posição e nem no direito de negar fazer qualquer coisa. Tal como ele queria, sentei-me naquela cadeira, e não demorou muito para que meu desconforto começasse. Ele sabia exatamente quais fios deveria puxar para perturbar minha mente de marionete e usava tais artimanhas sempre que nos encontrávamos.

Um sorriso, uma ameaça velada…

– Eu creio que esteja interessada na tutoria daquele rapaz.

Sempre muito direto, sabia exatamente o que eu queria na Central. Não deveria ser difícil, com tantos olhos trabalhando para ele. Já não se dava ao trabalho de fazer teatro comigo.

– Sim, meu Führer.

– Espero que não tenha se esquecido de sua posição.

– Não, meu Führer.

– E tampouco do fato de que foi o Coronel Mustang que o trouxe até nós.

Ele estava me proibindo de tutelar o garoto. Tudo valia para que eu ficasse atrás de seu alquimista favorito. Engoli a seco minha própria raiva.

– Não, meu Führer, eu não me esqueci.

– É bom saber. Não seria sábio disputar aquele jovem com o Alquimista de Fogo – sorriu de canto. – Temos esperança em outros candidatos. Poderá tutelar qualquer outro que queira.

Exceto aquele menino, é claro, o talento mais precioso de todos naquele ano. O mais propenso a ser domado e moldado as vontades do exército.

– Como quiser, meu Führer – assenti. – Há mais alguma coisa que eu possa fazer pelo senhor?

Ele me encarara com seu único olho bom, de forma a fazer com que eu me arrependesse pela falsa cordialidade. Fora um movimento arriscado que eu me arrependera de fazer instantaneamente, além de ter me causado enorme desconforto pelo silêncio e o sorriso maldito naquele rosto.

– Você poderia me acompanhar para o grande salão, Major Winter?

Não era um convite.

– Sim, meu Führer, como desejar – forcei um sorriso.

Algo dentro de mim me dizia que eu não gostaria nada daquele pequeno trajeto até o salão de exames admissionais, mas não me restava escolha. Obriguei-me a ficar de pé e segui-lo pelos longos corredores do quartel-general da Central. Desta vez não haviam olhares em minha direção ou sussurros, apenas pessoas que se afastavam conforme passávamos, o braço dele entrelaçado ao meu em uma falsa demonstração de cuidado e apego, como se ele fosse capaz de se importar. Era, na verdade, para mostrar a todos a minha submissão.

Chegando ao nosso destino, que consistia de um grande salão com dois andares para que espectadores assistissem as demonstrações em segurança, fomos recebidos por vários membros do alto escalão. Entre eles, aquele que era menos que a sombra de uma serpente. Meu estômago revirou-se em desgosto e asco, mas eu não poderia jamais deixar meu nojo transparecer e deixá-los vencer.

– Ah, Coronel Mustang! – o Führer sorrira para ele enquanto se aproximava. – Faça companhia a Major Winter, sim? E sem desavenças! – tentara brincar, obrigando Mustang a rir.

– Sim, senhor! – batera continência.

Um verdadeiro cão do exército, obediente e feliz.

Asqueroso.

Apenas assenti enquanto o Führer se afastava, descendo os degraus para a área de testes, sendo seguido pelos demais membros presentes. Eu me perguntava o que seria dos mais novos tolos a tentar uma vaga naquele inferno, além do garoto ingênuo que claramente não sabia onde estava se metendo. Quem seria burro o suficiente para querer se tornar um alquimista federal depois de Ishval? Seria possível que nenhum deles tinha uma consciência minimamente humana a ponto de ignorar o fato de Ishval ter sido massacrada e destruída covardemente, visto que este jamais fora um país que entrava em confronto com outros e não tinha, na época, o menor preparo para a guerra? Eu estava, de fato, cercada de monstros?

– Major – a voz de Mustang saiu em um sussurro grave.

Ele era de fato ousado por tentar falar comigo. Fechei minhas mãos em punhos, tentando conter a raiva que percorria minha espinha como um arrepio.

– Como… Como a senhora tem estado?

Eu teria forças para lhe quebrar o maxilar? Tinha grandes chances de conseguir. Meus anos em Xing não me falhariam naquele momento se eu ousasse tentar.

– Imagino que as coisas tenham sido difíceis nesses últimos tempos.

O que um traidor como ele poderia saber de tempos difíceis?! Logo ele?!

– Olha, eu não sei o que aconteceu com você enquanto esteve presa… Mas acho que não vai querer sofrer as mesmas coisas de novo.

O que ele pensava que eu era? Uma criança?

– Não irrite o Bradley, por favor. Faça tudo o que ele disser.

– Moleque, com quem pensa que está falando?

Finalmente eu havia conseguido com que ele calasse a boca. Encarei seus olhos negros cheios de surpresa pelo meu gesto, os finos lábios entreabertos em surpresa.

– Conseguir subir no rank com matança é algo que qualquer militar consegue fazer – me aproximara dele, fazendo com que recuasse alguns passos.

Quando ele finalmente reagiria para rebater minhas palavras, ergui o indicador até sua boca, encarando-o bem de perto.

– Você não tem moral para me dirigir a palavra. Não suje meus ouvidos com sua voz imunda. Eu sei que o garoto ficará em suas mãos, então me poupe de suas explicações rasas. Manter essa sua boca fechada é sua melhor forma de bajulação.

Fui interrompida quando as portas do salão finalmente se abriram, permitindo que meu estresse se dissipasse lentamente enquanto eu me afastava de Mustang e me apoiava na sacada do segundo andar do salão. Ouvi um suspiro baixo. Alívio, talvez?

Era um garoto pequeno, aquele que entrara escoltado. Baixinho para os doze anos.

Queria perguntar a Mustang o que havia acontecido, mas King Bradley, que fizera questão de estar presente para ver o garoto com o próprio olho, estava fazendo as perguntas que eu queria.

– Um braço de metal?

– Ah, aconteceu durante a guerra civil.

Impossível. O que um garoto amestrino faria em meio à guerra? Era um infante na época, de certeza. A guerra civil não havia chegado a cidade dele com força.

Quando ele juntou as mãos, tal como em uma prece, e tocou o chão, retirando do mesmo uma longa lança, antigas especulações científicas inundaram minha mente.

Ele não estava fazendo uma Troca Equivalente. Tomara do chão o que queria e transformara em arma. Faltava-lhe um braço, e as chances de tê-lo perdido na guerra civil eram pequenas demais.

– Impressionante – Bradley deixou escapar, trazendo ao rosto de Edward um sorriso convencido. Fazia eu me lembrar de Mustang e isso embrulhara meu estômago.

Quando ele começou a correr na direção de Bradley, senti como se meu mundo inteiro estivesse ameaçado e um silencioso desespero se apossou de mim. Demorei alguns segundos para entender que o avanço de Edward era uma ameaça, e quando dei por mim, toquei o piso com a mão direita, fazendo com que a alquimia percorresse o lugar até encontrar Bradley e formar um paredão para protegê-lo.

Em poucos instantes, ouvi Edward bater contra o paredão, lento demais para prever meus movimentos, e Bradley soltou uma sonora gargalhada enquanto seus homens apontavam as armas para o garoto.

– Incrível, Alquimista Dourada! Seus reflexos continuam rápidos! – o führer se virou para me encarar.

Ele estava me testando?!

O garoto transformara o paredão em piso novamente, ainda que atordoado e com um filete de sangue escorrendo por entre a franja loura até seu maxilar. Estava claramente surpreso com meu gesto, encarando-me como se eu fosse a mais cruel pessoa no mundo. Bradley pediu-me que descesse até o salão, o que eu fiz enquanto encarava o indignado menino.

– Espere aí, você é uma alquimista? – Edward apontou para o meu rosto.

– Sim, meu rapaz – respondeu Bradley. – A única mulher alquimista na história do exército. Agnes Winter, a Alquimista Dourada!

– Eu pensei… Pensei que fosse um homem! – ele estreitou o olhar em desconfiança.

– Não sou um homem, e tire esse dedo da minha cara, menino – o encarei, estapeando seu indicador metálico para afastar o mesmo.

– Por que te chamam de Alquimista Dourada?

Eu poderia ter lhe dado uma resposta adequada, mas simplesmente não me era útil gastar saliva com um aspirante a alquimista federal que sequer ficaria sob minha tutela. Bati continência ao Führer, perguntando se ele precisaria de mim. Com sua negativa, desejei boa sorte ao garoto e me retirei, percebendo que Bradley estava, com alguma satisfação em sua voz, falando sobre meu passado brilhante como alquimista federal.

Definitivamente eu queria que aquele garoto fosse meu aprendiz, pois ao menos coragem ele tinha. Mas coragem não necessariamente significaria inteligência, e quando se tinha um homem como King Bradley no mais alto posto de comando do país, tais ações de tola coragem significavam a morte.

Naquela mesma manhã, todo e qualquer desejo de ter um aprendiz havia morrido em meu peito. Observar outros aspirantes em seus testes apenas me desestimulara, por não serem tão ousados quanto o garoto, e nem tão determinados. Provavelmente apenas queriam fundos para suas pesquisas, quaisquer que fossem. Em minha mente, memórias de tempos negros reforçavam meus medos do futuro. Garotos como Edward Elric eram facilmente explorados e manipulados pelo exército, que os fazia crer que suas ações eram as corretas. Bradley se aproveitava da fragilidade e devoção alheia tal como um parasita em carne nova.

Minha única esperança para Elric era a de que fosse diferente dos outros. Que sua coragem o guiasse, e que pensasse por conta própria, sem ter medo de se opor.

Minha esperança residia na possibilidade de que fosse mais esperto que eu.

16 de Dezembro de 2020 às 06:51 1 Denunciar Insira Seguir história
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Alexis! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Apesar de não conhecer, ainda, o anime eu consegui captar umas coisas no ar, haha. Por exemplo a rivalidade que todos tem por ela, isso talvez por ela ser uma mulher alquimista? Por ser a única no meio de tantos homens? Me pergunto se minha suposição está correta e se sim, porque tanto preconceito para com ela. Não é como se ela tivesse escolhido aquilo para ela, é? Enfim, são tantas perguntas que eu acredito que vou obter a resposta quando eu parar de procrastinar e ir assistir o anime, haha. Também me pergunto o porque o cara dono da porra toda, vulgo, Fuhrer, a detesta tanto ao ponto de fazer questão de que ela não consiga a gaurda do menino para tutoriar. Bom, a coesão e a estrutura do seu texto, como sempre, estão impecáveis. A narrativa está surpreendente e eu consegui me sentir parte da história. A sinopse está carregando consigo um ponto chave que eu acredito que traz uma premissa encantadora do que está por vir e quem já é mais familiarizado com o fandom deve estar doido para poder ler a história completa. Quanto aos personagens, eu me pergunto o que levou a tenente a ser presa, como foi citado em uma conversa e quais os motivos que a fazem acreditar que Mustang é um homem desprezível e o porque implora com gestos discretos para ter distância dele. Me pergunto se ela irá encontrar alguma maneira de se encontrar com o menino e tentar dissuadir ele a seguir pelo caminho certo ou se vai simplesmente receber uma nova missão de vida. Quanto à gramática, seu texto está muito bem escrito e acredito que já tenha falado alguma vez sobre como acho sua técnica de escrita incrível e bela. Desejo a você sucesso com a história e tudo de bom nessa jornada. Abraços.
February 02, 2021, 16:42
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