vatrushka Vatrushka

As filhas do rei Tritão tentam lidar com a chegada dos deuses Olimpianos em Atlântida - à convite de Poseidon, para um baile que durará três dias. As irmãs de Ariel se encontram em situações que nunca imaginariam - bem aqui, debaixo do mar. *Fanfic crossover de a Pequena Sereia x Mitologia Grega *Também postado nas minhas contas do Wattpad, Spirit e Nyah!


Fanfiction Desenhos animados Para maiores de 18 apenas.

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Aquata - Parte 1

Gostaria de estar na tranquilidade de meu quarto, mas estava ali.

Nosso avô, Poseidon, escolhera Atlântida para receber os festejos dos deuses do Olimpo daquele ano – o que comemoravam ao certo, não me importei o suficiente para ouvir. Consequentemente, receberíamos todos os grandes e pequenos deuses em nosso palácio. Infelizmente, por conta disto, a presença do rei Tritão e suas filhas como anfitriões era mais que requisitada.

Posicionei-me ao lado de minhas irmãs, a postos para recepcionar os convidados. Como sempre eu era a quarta na fila, por ter sido a quarta a nascer.

Era bom ser irmã do meio. Não ser sobrecarregada com as maiores responsabilidades da coroa, nem ser superprotegida como nossa caçula, Ariel. Geralmente sou esquecida em meu canto, talvez por não ser tão talentosa como Arista, engraçada como Andrina ou bela como Alana – mas gosto disto. Minha falta de destaque mantêm o meu sossego.

Na melhor das hipóteses, após breves cumprimentos e conversas vazias, eu conseguiria desaparecer discretamente e ninguém repararia a minha ausência.

Como podem observar, minhas expectativas eram baixas – gosto de mantê-las assim. Ao contrário de minha irmã Adella, que como sempre, encontrava-se histérica.

“Meus deuses!” Abanava-se ela, ao meu lado direito. Haviam drenado a água do interior do palácio para o evento, obrigando-nos a assumir a forma humana. “Acho que vou desmaiar!”

Revirei os olhos, cruzando os braços. “E o que há agora, Adella?”

“Como pode estar tão calma?!” Revoltou-se ela, batendo seu leque em meu braço. Mais um de seus eventuais ataques de nervos. “Os melhores deuses estarão aqui! Inclusive Apolo!”

Bufei, sarcástica. “Escondam os louros!” Provoquei, fingindo entusiasmo. Conhecendo a natureza de minha irmã como conhecia, já podia dizer quais eram suas intenções.

“Pobre Apolo. Não terá paz a noite inteira.” Murmurou Andrina, debochada. Tentamos segurar nossos risos, em vão.

“Parem de zombar de mim!” Afetou-se Adella, excessivamente maquiada para a ocasião.

Alana pegou o rosto de Adella, tentando limpar o excesso de pó com pouca delicadeza. Seus esforços mostraram-se em vão. “Não precisa de nós para isto.”

Ao meu lado esquerdo, Arista, minha irmã mais próxima, encarava o chão – absolutamente alheia à tudo. “Também deve estar ansiosa para conhecer Apolo.” Cutuquei, trazendo-a de volta à realidade. “Veremos ele tocar hoje! E, com sorte, ele a verá tocar também! É a sua chance de virar uma musa, Arista!”

Arista abriu um sorriso, estufando o peito. “É isto aí. Minha vida muda hoje!”

Aplaudi, aos pulinhos. “Go sister, go sister, go!”

Ela riu, ainda em sua postura segura de costume. “Sabe, a sua também poderia mudar hoje.” Ela me incentivou. “Fazer contatos com os olimpianos, sei lá. Se ao menos gostasse de conversar…”

“Se ao menos eu gostasse de pessoas…” Complementei. “Nada tema. Ficarei bem.”

Nosso pai nos chamou a atenção. Os primeiros convidados haviam chegado, precisávamos parecer civilizadas.

Em pouco tempo o salão estava preenchido por todos os deuses possíveis e imagináveis – os mais famosos e aqueles que jamais ouvira falar. A maioria nunca havia visto pessoalmente, e reconheci de longe suas auras intimidadoras. Julguei mais prudente observá-los de longe.

Ariel perguntava o que podia sobre mortais a qualquer um que conseguisse despender uma conversa de mais de 30 minutos – como eram, onde viviam, o que faziam. Honestamente, não entendo a obsessão de minha irmã com criaturas tão desinteressantes.

Arista estava belíssima – me atrevo a dizer que ela é a mais bonita de todas nós. Tocava jazz impecavelmente, acompanhada da banda. Saxofone era seu instrumento favorito, embora pudesse tocar basicamente qualquer coisa. Sebastião, com sua voz grave e potente, estava cantando ao seu lado.

Attina e Alana, as mais velhas e responsáveis, preocupavam-se junto de meu pai com a organização do evento. Andrina ria das situações ao seu redor, possivelmente sendo a única de nós a estar verdadeiramente descontraída.

E Adella, para variar, estava perseguindo Apolo. De longe, conseguia ver o desespero do deus do Sol para fugir dos braços pegajosos de minha irmã.

Observando bem, todos estavam ocupados.

Ocupados demais para perceberem se eu simplesmente voltasse para o quarto e fingisse nem existir…

“Minha linda Aquata!” Minha avó Anfitrite saudou-me, elegante como sempre. Abraçou-me com carinho, e eu retribuí, embora levemente frustrada por ter o meu plano de fuga interrompido. “Como cresceu! Muito me dói não poder acompanhá-las mais de perto!”

Eu sorri. “Está tudo bem, vovó. Você e vovô tem muito o que cuidar, tipo todo o oceano.” Não pude evitar de rir. “Entendemos. Embora também sentimos a sua falta…”

Ela sorriu com doçura, pegando em meu rosto. Pelo seu olhar, sabia que devia estar pensando na minha semelhança com minha mãe – embora fosse Ariel de longe a mais parecida.

Minha mãe era uma oceânide – segundo meu pai, a mais bela de todas. Havia sido nomeada Atena em homenagem à deusa da sabedoria, que por ironia do destino, estava a alguns metros à minha frente.

Não pude evitar de observar – como todos os presentes, imagino – Poseidon e Atena se evitando. A situação entre os dois se encontrava claramente constrangedora desde que tiveram um caso…

Que Eros me livre de me envolver com alguém como meu avô… Eu o amo, é claro. É apenas imprevisível demais. Em um dia, amaldiçoa uma deusa até sua oitava geração, no dia seguinte, envolve-se com ela.

É engraçado o quão diferente meu pai é de Poseidon. Parece que toda a falta de senso e maturidade do deus dos mares transbordou-se no filho… Talvez por Tritão ter puxado Anfitrite.

Com certeza por ter puxado Anfitrite.

“Aquata, meu bem… Não a vi conversando com os outros deuses. É uma raridade reuni-los aqui, como deve saber.” Foram as últimas palavras que ouvi de minha avó, quando aterrisei de meu desvaneio.

“Não tenho habilidade social nenhuma, vovó.” Disparei, aos risos nervosos. Por favor, por favor não insista.

“Oh, meu anjo, isto é algo que se adquire com o tempo.” Ela me pegou delicadamente pelo braço, ainda que contra a minha vontade. “Devo apresentá-la à Hera. Ou à Afrodite... Melhor Hera.”

Franzi o cenho, confusa. “Mas porquê…?”

Ela abriu um sorriso. “Ora, porquê. Para arranjarmos um pretendente para você.”

Travei, me esforçando para não engasgar. “Não seria mais prudente fazê-lo para Attina primeiro, vovó? É a herdeira…”

“Bom, ela está ocupada agora. Além de que o príncipe só tem olhos para ela, não tardará muito para que se acertem.” Devolveu-me Anfitrite. Ainda tenho duas irmãs mais velhas do que eu além de Attina para que torture antes de mim, sabe… Ela prosseguiu: “E sinto que minha ausência pode estar… Defasando minhas netas em alguns aspectos. Veja bem, quase todas estão adultas e nenhuma está casada! 7 princesas, lindas e dotadas como são! Não, não, isto é um insulto… Ajudarei no que puder, não se preocupe, meu anjo.”

Nada tema, vovó. Mais tranquila que já estou agora, impossível. Fingi calma e casualidade ao comentar: “Devo buscar Andrina? A vi por aqui há pouco.”

“Sim, sim.” Concordou ela, para meu alívio. “Vá buscá-la, apresentamos as duas de uma vez.”

Afastei-me, tentando parecer despreocupada. Assim que pudesse, me enfiaria entre as colunas e fugiria por alguns minutos – até que minha vó se distraísse e esquecesse da conversa.

Ao me virar (correndo) para a saída, esbarrei com uma pessoa. Para meu desespero, derrubou a taça de vinho que segurava. “Mil perdões!” Pedi, sem nem ao menos ter coragem de levantar o olhar. De todas as ocasiões possíveis para ser desajeitada, justo ali! Quem poderia ser? Hades? Hera? Zeus?!

A pessoa – pelo visto, um homem – suspirou de frustração. “E quem é você?” Indagou-me, levemente irritado. Talvez aquilo em sua voz fosse um tom de deboche.

“Aquata.” Respondi. Não sei se foi audível. Estava dedicando todas as minhas energias para não tremer de medo. “Perdão, senhor, posso limpar…”

“Olhe para mim quando fala comigo.” Insinuou ele, impaciente.

Merda. Peça-me parar fazer qualquer coisa, menos para olhar nos olhos diretamente. É intimidador.

Receosa e devagarosamente, levantei o olhar. Para meu infinito alívio, não era nenhuma das minhas piores hipóteses.

Mas para meu azar, também não consegui reconhecê-lo de cara. Seria Hefesto? Não, não… Bonito demais para ser Hefesto… Ares? Seu olhar não era tão terrível para ser o deus da guerra… Dionísio? Não, eu o havia visto conversar brevemente com Arista… Seu aroma de uva e sua postura debochada são inconfundíveis.

Inúmeras possibilidades se passaram pela minha cabeça. Quem demônios é este…? São muitos deuses para que eu possa decorar!

Foi quando percebi que estava o encarando por muito tempo. Merda!

Com um rápido gesto, puxei a água de uma fonte próxima a nós e passei pelo tecido de sua túnica – retirando a mancha de vinho facilmente.

Curvei-me e me apressei. “Mais uma vez, me perdoe.”

Dei as costas, mas ele insistiu. “Não me disse quem é você.”

Tenho certeza que já o disse sim. “Aquata. Sou a quarta filha do rei Tritão, neta de Poseidon e Anfitrite.”

Seus olhos âmbar brilharam, enquanto um sorriso debochado surgiu em seu rosto. “Oh. É por isto que está tão aguada.” Pelos deuses, que trocadilho ruim. “Com o último escândalo de sua família, deve estar envergonhada. Mas nada tema… Escândalos não são novidade no Olimpo. Confie em mim, conheço todos.”

Ele ergueu a sobrancelha, inclinando o corpo mais em minha direção. O olhar travesso, a inclinação para fofocas… Ah. Concluí. Hermes.

Como não havia pensado nele antes?

Não o imaginava desta forma. Jovem, forte, bonito, cabelos castanho-claros. Não estava com seu caduceu, e além disto, não vi asas em seus tornozelos.

Talvez só os usasse quando precisava.

Permaneci em silêncio. Talvez estivesse tentando arrancar alguma informação sobre minha família de mim.

Não iria funcionar.

“É uma pena…” Comentou. “Para Anfitrite, quero dizer. Uma mulher tão bela… Mas que pelo visto, não pôde segurar o marido na própria cama…”

Fechei o punho, em um raro ato de ousadia. “Não fale assim de minha avó.” Grunhi.

Ele parecia deleitar-se de minha revolta - como se quisesse me provocar. Respirei fundo. Está fazendo de propósito. Não cairei em seu joguinho. Decidi afastar-me.

Mas lógico, ele me seguiu. Entrelaçou meu braço ao seu, caminhando do meu lado como se íntimos fossem. “Muita gentileza a sua me convidar para conhecer o resto do palácio!” Exclamou, animado. Revirei os olhos.

“Não me recordo de tê-lo convidado.” Retribuí, arisca.

“Mas eu me recordo de ter sido insultado por uma certa princesa marinha, que me recebeu com um banho de vinho.” Ele tocou o dedo em meu nariz. “Me deve uma.”

Bufei.

Aquela seria uma longa noite.

7 de Dezembro de 2020 às 21:22 0 Denunciar Insira Seguir história
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