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catzdirection Catarina Pereira

Há quem acredite no sobrenatural, e há quem diga que quem acredita nele, é louco. Assim era Richard Maynard, um jovem artista louco, capaz de arriscar a sua vida para provar que foi salvo pelo sobrenatural.



Ficção científica Todo o público. © Catarina Pereira

#ação #mentiras #mistério #ficção #sereias
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Por mim

Podes tentar convencer-te do contrário tanto quanto tu quiseres, mas a verdade é que TU te preocupas com as opiniões que os teus vizinhos, colegas, amigos ou familiares têm sobre ti. Caso contrário, não tentavas tão arduamente mudar as suas perspetivas sobre ti. Eu não sou diferente, estou neste momento a fazer a minha mala para regressar à minha terra natal onde tudo mudou.

- Richard, tens a certeza? - a voz da minha mãe soa trémula perto do meu ouvido. Ela sente a necessidade de ter os seus braços à volta do meu tronco como se isso fosse mudar a minha ideia.

As pessoas intitulam-me de louco. Porquê? Porque não queriam acreditar num mundo onde o sobrenatural existe. Como é que eu sei que é real? Vi com os meus próprios olhos há dez anos atrás.

Era o meu décimo quinto aniversário e não esperei que a minha vida tomasse um rumo completamente diferente daquele que havia traçado. Gostava de planear o meu futuro, e não previ que este pudesse ser alterado naquele dia, naquele local.

Como era a nossa tradição, todos os anos, no dia do meu aniversário a mãe fazia meia hora de carro para me levar até ao farol, onde eu gostava de desenhar. Todos os anos conseguia com que a minha criatividade fosse mais longe e fazia diferentes desenhos. No entanto, naquele ano eu fiz um desenho que vai além da criatividade. Eu fiz um desenho meticuloso daquilo que os meus olhos captaram.

Cada traço, cada pormenor, ficou registado no meu bloco. O verde brilhante da cauda que cobria metade do seu corpo. O laranja dos seus cabelos encharcados pela água do mar. O dourado dos seus olhos. Era uma espécie magnífica e no entanto, sobrevalorizada. Ninguém acreditava que algo tão belo fosse real.

Eu tinha quinze anos e ninguém acreditava em mim. Na escola riram-se, apontaram e fizeram pouco de mim. Foi uma questão de segundos até a alcunha o rapaz sereia se apegar a mim.

Onde quer que eu fosse, ouvia burburinhos. "Olha o rapaz sereia" diziam eles. Era humilhante, e completamente desnecessário. Eu sabia aquilo que os meus olhos tinham visto e não era uma espécie de ilusão que eu havia criado, como descreveu a minha psiquiatra. "Ele ficou assustado ao experienciar algo tão dramático. Talvez esta tenha sido uma forma de se proteger." O que é que sabem eles?

(flashback on)

- Mãe, olha! - aponto para a água, onde um enorme e nunca antes visto peixe capta a minha atenção. Mas no momento em que um relâmpago soa no céu, aquilo que outrora eu achei ser um animal da cabeça aos pés, era na verdade uma mistura.

O seu rosto era sem dúvida o de uma rapariga. Não havia qualquer tipo de confusão aí. Mas algo que eu não conseguia compreender, era a sua enorme barbatana. As sereias não existem.

- Uau. - murmuro, debruçando-me sobre as rochas. Estendo a minha mão numa tentativa de alcançá-la, mas ela parece estar tão longe.

- Richard, tem cuidado. - a minha mãe aproxima-se, fazendo com que ela se afastasse. Estremeço com o soar de mais um relâmpago e rapidamente me levanto, assustado. Não era uma grande fã de trovoada. - Talvez esteja na hora de irmos embora. - balanço a minha cabeça, olhando uma última vez para o mar.

E lá estava ela. Os seus olhos dourados brilhavam enquanto se focavam em mim. Olho para a minha mãe que caminha na direção do carro e volto a debruçar-me. Inexplicavelmente, o meu bloco cai do meu bolso e o que se segue parece acontecer demasiado rápido para eu perceber.

Quando dou conta, estou no mar, atrapalhado com a quantidade de água que entra nos meus pulmões. Ouço a voz da minha mãe gritar por mim mas não consigo responder. Começo a sufocar.

A última coisa que sinto são dois braços à volta da minha cintura, a puxar-me consigo para a superfície.

Quando acordo, vejo a minha mãe correr na minha direção. As lágrimas a escorrer pelas suas bochechas pálidas.

(flashback off)

- Eu preciso de fazer isto. Por mim. - e pelo rapaz de quinze anos cuja adolescência foi completamente interrompida pelo que se sucedeu no farol de Heceta.

6 de Dezembro de 2020 às 13:54 0 Denunciar Insira Seguir história
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