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ventosdeinverno William de Assis

O Jovem Nuri Parker tem mais do que apenas os olhos conseguem ver. Além da beleza fora do comum que sempre atrai a atenção dos garotos para si, o jovem Nuri tem uma pequena conexão com o oceano que trará a guerra dos oceanos para seu mundo. Arthur Yuna é o último príncipe sobrevivente dos conhecidos atlantes, um adolescente comum aos olhos dos outros, um atleta promissor, um bom rapaz apesar das brincadeiras inusitadas para chamar atenção de todos ao redor; como último herdeiro, é ele quem precisa dar o fim a essa guerra custe o que custar, mas como encerrar a carnificina quando o motivo de paz é o garoto pelo qual tem se apaixonado dia após o outro. Amor e ódio são o menor de seus problemas! Tem algo ainda mais perigoso nos oceanos.


Romance Romance adulto jovem Todo o público.

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🔱01🔱

Eu havia prometido entrar em contato caso alguma coisa estranha acabasse acontecendo comigo, mas como contar aos meus pais que me afoguei dois dias depois de chegar ao acampamento de verão do colégio? Eu sabia que estava errado quando aceitei aquela apossa idiota, mas no momento, ela pareceu uma boa ideia para chamar a atenção de Artur.

Já havia nadado boa parte do percurso no lago durante nossa hora livre quando minhas pernas simplesmente pararam de funcionar e eu afundei.

Bata as pernas, volte a superfície! Ordenei em pensamentos enquanto meu corpo afundava pesadamente sem responder meus movimentos. A ordem dada pelo meu cérebro deu um pequeno choque entre meus músculos fazendo parecer como se estivesse dando uma pequena convulsão em baixo d’água, provocando uma dor ainda maior quando algumas plantas e até um pouco de lixo enroscaram em meu corpo. Vi algumas bolhas de ar subirem naquela imensidão verde. O brilho da luz tentava cortar a imensidão escura do lago, mas os corpos passando de um lado ao outro impediam que isso acontecesse. Apesar das algas, tentei mover meu braço para cima tentado chamar atenção de alguém lá em cima, mas ninguém pareceu perceber que eu estava ali.

Grite! Pensei assustado. Todos quando aprendemos a nadar escutamos varias vezes que se um dia estivéssemos afogando não deveríamos entrar em pânico, mas a teoria sempre foi diferente da prática, mesmo que naquele momento eu conseguisse escutar meu velho professor de natação gritando em meu ouvido.

— Você está com medo? Nós viemos do mar e vamos voltar para lá. Infantaria, avante!

Claro que suas piadas eram para nos manter motivados a bater as pernas e não afundar, mas agora elas não pareciam nem um pouco estranhas.

Estávamos eufóricos por finalmente entrar na água depois de dois dias acampando nas montanhas ao redor do acampamento, mas não consegui deixar de pensar que eu deveria ter ficado na areia com Sofia e Jéssika. Elas sempre me advertiram que tentar chamar atenção demais me colocaria em perigo, mas dessa vez eu queria chamar atenção, por isso aceitei participar de uma corrida, por causa dele, do Artur, o bonitinho da escola que recentemente tinha terminado com a namorada gostosa depois dela trai-lo com o melhor amigo da faculdade do irmão e não se consegue impressionar alguém como Artur sem ser ao menos ousado ou ter um par de seios grandes, o que no meu caso eu não tinha nenhum dos dois, mas lá de cima, nas montanhas Chionne, quando ele gritou para que fizéssemos uma corrida assim que voltássemos ao acampamento Yancei, impressiona-lo me pareceu uma excelente ideia.

Eu conseguia vê-lo de onde estava, um borrão moreno por causa do sol, com shorts vermelho, parado ali, rindo com os garotos que diferente de mim, conseguiram completar uma simples corrida até a outra margem do lago. Acho que não chamei atenção o suficiente quando tentei ser ousado mais cedo.

Esse dia tinha começado bem cansativo. Para começar, diretor Scott inventou em cima da hora no primeiro dia do acampamento que deveríamos acampar fora das instalações do colégio durante a primeira noite no penhasco de Chionne, uma grande montanha que circundava o acampamento Yancei e servia para dividir os limites entre nós e a academia Mercury. Assim que voltamos, depois de duas manhãs e uma noite, estávamos eufóricos e eu, estava disposto a fazer qualquer coisa para chamar atenção de Artur, incluindo, entrar no meio de uma conversa sobre apostas.

— Posso entrar nessa também? — lembro de ter perguntado a eles, tirando minha blusa e entrando ao lado de Chandler e Sofia.

— Sabe nadar pequeno Nuri? — perguntou Artur, me chamando por meu apelido, simplesmente por eu nunca ter ultrapassado meus 1,67 de altura. — Não quero ter que mergulhar para salvar ninguém.

— Fiz natação durante sete anos, acho que dou conta de nadar de uma ponta a outra do lago — respondi sorrindo. — Qual a aposta que estão fazendo?

Chandler riu colocando os braços ao redor de Artur e mesmo que ele tenha ficado aparentemente incomodado com todo aquele contato não fez questão de tira-lo dali. Pelo contrário, ele riu mostrando uma nota de cem dólares e jogando na areia molhada escondido de todos os professores que deveriam nos impedir de fazer esse tipo de coisa durante as férias de verão.

— Cem dólares, está dentro ou fora? — perguntou Chandler sorrindo.

Nunca gostei muito dele, talvez pelo fato dele ter me feito um cuecão no sétimo ano, ou talvez pelo simples motivo dele ter dito a todos na escola que me viu beijando um garoto nas arquibancadas do time de futebol depois de uma vitória contra os pavões da costa leste. O problema era que nunca foi mentira e eu não fiz nenhuma questão de esconder isso deles quando toda a história veio à tona no fórum secreto dos estudantes com algumas fotos minhas e do meu coleguinha depois de tudo aquilo.

Ao menos meus pais não tinham visto, mas Shawn, meu irmão mais velho tinha visto e mesmo que ele fingisse não saber, alguns meninos misteriosamente tinham aparecido com o olho inchado e um nariz quebrado e Chandler não era uma exceção.

— Só cem dólares? Estou dentro. — respondi.

Era um dos meus maiores erros e isso não era novidade nenhuma para mim.

— Nuri, tem certeza? — perguntou Sofia. — Nem eu vou entrar nessa.

— Vai dar tudo certo! — respondi a ela. — Vou conseguir uma graninha para nós.

— Certo então, meninos não façam nada contra meu amigo ou vou quebrar o nariz de todos vocês. Entendeu Chandler!

Artur riu ao lado dele porque qualquer um que irritasse Sofia descobria rápido que doze troféus de ouro, estampados no armário da escola pertenciam a uma única pessoa com todas as suas vitórias no grupo jiu-jítsu.

— Entendido loirinha! — respondeu Chandler. — Então pequeno Nuri, vai ficar bem nisso aqui?

— Sim — menti.

— Então vamos nessa — concluiu Artur olhando para mim.

Seus olhos era num azul tão claro que qualquer um poderia se perder ali se ele assim permitisse, mas hoje, ele os escondia atrás de um óculos escuro e calculei que culpa disso era por causa do forte sol que nos fazia cozinhar mesmo dentro d‘água fria. Ele continuou olhando para mim e o sorriso que tinha em seu rosto antes, voltou como se se fosse difícil de mantê-lo escondido por muito tempo.

Eu me perguntei se já tinha me apaixonado à primeira vista por alguém como tinha sido com Artur aos doze anos, quando o vi se apresentar na peça da escola por ordem da senhorita Cortês e a promessa de uma vaga no time de futebol. E a resposta obviamente era não, porque isso significava que diferente de outros garotos que beijei por pura insistência deles mesmos ao longo do tempo, com Artur era como uma fantasia, onde eu me apaixonava pelo menino perfeito à primeira vista.

Exatamente como um romance shakespeariano.

Ele desviou o olhar de mim e naquele momento, por um segundo senti saudades de tê-lo olhando somente para mim.

— As regras são bem simples, não importa o estilo que você nade, tudo o que precisa fazer é ir de uma ponta do lago e voltar. Garotos do time de natação começam dez segundos depois de todo mundo e todos estão proibidos de atrapalhar o colega ao lado. O primeiro a voltar conquista os quinhentos dólares da aposta — explicou Chandler sorrindo. Provavelmente ele ganharia, pratica três esportes diferentes, é capitão do time de futebol e um perfeito idiota, mas é amigo de Artur. — Alguma pergunta?

Todos negaram. Chandler jogou seus cem dólares no chão como se fossem nada, eu por outro lado precisei pegar cem dólares emprestado com Jéssika para cobrir minha oferta naquela aposta para que meus pais não notassem a ausência de cem dólares da minha conta para a faculdade.

— Vou ser seu Juiz e claro aquele que fica com o dinheiro — disse Artur. — Alguém precisa fazer alguma coisa antes?

— É, o Nuri precisa voltar ao lado das amigas e desistir dessa aposta porque ele não tem a menor condição de ganhar de alguém como nós — disse Noah. — Ele é pequeno, não pratica esportes e está tentando ganhar de quatro atletas, dois deles sendo do time de natação.

— Está preocupado demais com ele, vai dar tudo certo — disse Chandler.

— Ele está aqui porque quer, ninguém é obrigado a nada — respondeu Ícaro, melhor amigo de Noah, além de ser o Co capitão do time de natação. — Tem certeza disso?

— Comecem logo isso! — respondi.

Balançamos a cabeça de leve.

— Muito bem! — disse Artur, separando-se um pouco mais do grupo. — Comecem!

E pulamos.

Pisquei várias vezes sentindo a pressão da água me jogando para cima enquanto batia minhas pernas para seguir na frente de todos. Lembro do barulho quando os atletas da natação se juntaram a nós e não importava o quanto eu me esforçasse para estar na frente, ou simplesmente ao lado deles, em poucos minutos eu já era o último.

Eu já havia nadado boa parte lago quando minhas pernas simplesmente pararam de funcionar e eu afundei.

Mesmo com a água escura por todos os lados, eu conseguia enxergar tudo lá em cima. O sol parecia ainda mais forte do que quando entramos, outros garotos repetiam nossa aposta nadando de uma ponta outra. Será que a essa altura Jéssika ou Sofia tinham notado que eu sumi?

Hora de respirar Nuri! Pensei comigo mesmo enquanto meus olhos se fechavam. Respire garoto! Respire!

Estava ficando escuro, as últimas bolhas saiam de mim.

Mais um minuto, pensei por fim. O escuro dominou minha visão, parecia que aos poucos eu estava me perdendo dentro de uma névoa e agora era tarde demais porque tudo o que consegui pensar era que devia ser uma droga estar morto.

2 de Dezembro de 2020 às 03:42 0 Denunciar Insira Seguir história
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