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mercysstw Marci

Quando pequena, Violet Langdon passou pelo momento mais traumático de sua vida quando encontrou os cadáveres de seus pais na casa onde viviam. A partir desse dia, a garota entra em depressão profunda, chegando até a cogitar o suicídio. No entanto, desiste no último momento. Depois deste episódio, Violet passa por tratamentos e decide que ajudaria qualquer pessoa que estivesse passando por um momento difícil. Mal sabia ela que sua vida mudaria completamente após se mudar com a tia para uma cidade interiorana. Jake Hill era o típico excluído da escola, sempre perseguido pelos atletas e mal tratado pelos colegas. Contudo, tudo isso muda quando um estranho entra em sua casa exigindo o pagamento de uma dívida que sua mãe, uma viciada em drogas, havia feito. Depois disso, Jake passa por uma tremenda mudança a fim de proteger sua mãe. Uma história de gangues, brigas, amor, sensualidade e narrada sob dois pontos de vista, Pinky Promise vai prender você numa leitura leve e envolvente.


Romance Suspense romântico Para maiores de 18 apenas.

#ação #policial #drogas #brigas #gangues #escola #colégio #adolescente #highschool #crimes #258
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Capítulo 1

P.O.V Violet Langdon


30/07/2001


Eu observava o calendário com lágrimas nos olhos. Mas não eram lágrimas de tristeza, ao contrário, eu estava chorando de felicidade e de orgulho. Naquele exato dia, estava comemorando a marca de dois anos sem me automutilar. Eu ainda tinha as marcas dos cortes em meus braços pálidos e magros, mas olhá-las já não me causava dor, muito pelo contrário. Aqueles pequenos riscos haviam se tornado um troféu para mim, pois simbolizava que eu havia conseguido sobreviver aos dias nos quais jurava que já não aguentava mais viver.

A minha história começa no ano de 1985. Meus pais haviam acabado de se casar e já aguardavam ansiosos pela chegada de sua primeira e única filha. Quando eu nasci, a alegria que eles sentiam tomou proporções inimagináveis. Nossa pequena família vivia feliz numa grande casa no subúrbio de New York, mas nossa felicidade logo chegou ao seu fim.

Meu pai começou a sentir ciúmes doentios pela minha mãe e isso acabou por tornar a nossa vida, antes tranquila e harmoniosa, num verdadeiro inferno com brigas e agressões eram constantes. Houve uma época em que meus pais não podiam olhar um na cara do outro e eu, involuntariamente, ficava no meio do fogo cruzado.

Minha saúde mental ficou completamente abalada com toda aquela situação, mas eu senti minha sanidade chegar ao seu limite no dia 20 de abril de 1996, data na qual minha vida mudou por completo.

Eu havia acabado de chegar da escola após mais um dia tranquilo. Mas assim que abri a porta da frente, uma sensação estranha me invadiu. O silêncio que pairava sobre a casa não era normal e, para averiguar, comecei a andar pela casa chamando pela minha mãe. Procurei por ela em todo o andar de baixo, mas nem sinal.

Pensei que talvez ela pudesse estar no andar de cima, então subi as escadas. Fui até o quarto dela e, ao chegar, me deparei com a pior cena que eu poderia imaginar: Minha mãe estava caída ao chão, próxima à sua cama, deitada em uma poça de sangue e com dois tiros no peito.

Eu soltei um grito de pavor e comecei a gritar, implorando para que ela acordasse. Mas não adiantava mais, minha querida mãe tivera sua vida ceifada e não havia nada que eu pudesse fazer. Como se aquela cena já não fosse traumatizante o suficiente, do outro lado do quarto estava o corpo do meu pai, com um tiro na cabeça e com a arma na mão. Foi aí que eu entendi tudo o que havia acontecido: Meu pai havia matado a minha mãe e depois cometido suicídio.

Desde aquele dia, a minha vida virou de cabeça para baixo. A depressão tomou conta de mim e, a partir daí, comecei a me automutilar na esperança de aliviar a dor que eu sentia. Foram longos anos de cortes, lâminas, lágrimas e pesadelos. A cada dia que se passava, a vontade que eu sentia de morrer só aumentava. Mas por sorte, havia um anjo em minha vida.

Minha tia materna Mariah, uma mulher baixinha, gordinha, de rosto oval, cabelos curtos e lindos olhos verdes, ficou responsável por mim. Foi ela quem me ajudou em todos os momentos difíceis da minha vida. Minha tia me levou a psicólogos, psiquiatras, terapeutas, conversou comigo, nunca me julgou… Enfim, ela fez de tudo para me ajudar e foi graças a sua ajuda que eu consegui sobreviver àquele período tão conturbado e por isso lhe devo a minha eterna gratidão.

Devido à minha trágica experiência, eu sabia que a depressão não era brincadeira e que essa doença poderia facilmente destruir a vida de alguém. Por isso, fiz um juramento a mim mesma : Eu sempre ajudaria quem estivesse passando por um momento difícil e nunca abandonaria essa pessoa.

Larguei o calendário dentro de uma mala e continuei empacotando as coisas, pois eu e minha tia estávamos de mudança para Chelmsford, uma cidadezinha no interior do estado de Montana.

— Já terminou de arrumar as suas coisas, querida? — Minha tia entrou no meu quarto em passos lentos e delicados.

— Já sim, tia. — Disse ao fechar a última mala — Estou ansiosa para nos mudarmos.

— Eu também, querida. — Ela se sentou em minha cama — Não sabe o quanto eu estou feliz por haver recebido essa proposta de emprego.

— Eu imagino. — Me sentei ao seu lado — A senhora sempre quis trabalhar numa grande empresa.

— Só não entendo o porquê da senhora não querer morar na capital do estado, mas sim numa cidadezinha. — Completei.

— Estou cansada dessa correria de cidade grande. — Ela deu um suspiro cansado — Agora eu anseio pela vida tranquila que apenas uma cidade interiorana pode me propiciar.

— Eu entendo, tia. — Falei — Também gostaria de viver em uma cidade pacata.

A partir daí, engatamos uma conversa agradável sobre as nossas expectativas acerca da mudança. Depois fomos descansar, pois no dia seguinte, pegaríamos a estrada em direção a Montana. Onde daríamos início a uma nova vida.


P.O.V Jake Hill


As férias de verão já estavam próximas do fim, o que significava o início de mais um ano naquele inferno, vulgo Chelmsford High School.

Eu não estava com a mínima vontade de voltar para aquele lugar tão horrível e cheio de seres desprezíveis, muito pelo contrário. O meu desejo maior era nunca mais pôr os pés naquele ambiente tão grotesco chamado colégio.

Desde pequeno, eu nunca gostei de frequentar a escola e/ou socializar com outras pessoas, pois eu sempre soube que era diferente dos demais.

Eu sempre me senti estranho, como se não pertencesse a este mundo. É algo estranho e difícil de se explicar, mas quanto mais eu tentava me encaixar, mais eu sentia que aquele não era o meu lugar. Por isso acabei me afastando de todos, e foi a partir daí que o bullying começou.

Todos me olhavam torto e os poucos que se aproximavam de mim, só o faziam para me bater e/ou me xingar, tornando a escola o segundo pior lugar onde eu pudesse estar, pois o primeiro era a minha própria casa.

Meus pais nunca foram os melhores pais do mundo, aliás, não creio que eles devam ser chamados de "pais". Sarah, minha “mãe”, é uma viciada que engravidou aos 15 anos de Patrick, meu “pai”, um bandido de gangue. Eles se juntaram e acabaram morando juntos. E apesar de nunca haverem se dado bem, as coisas pioraram com o meu nascimento.

Eu nunca recebi qualquer demonstração de afeto por parte deles e a única atenção que me davam não era a das melhores. Sarah descontava em mim toda as suas frustrações, me dizendo coisas que nenhuma criança deveria ouvir e nem adiantava eu tentar me aproximar de Patrick para pedir o mínimo de consolo após ter sido verbalmente agredido por minha genitora, já que ele me usava como saco de pancada quase todos os dias. Em suma, eu nunca soube o significado da palavra "amor".

Cresci cheio de rancor, ódio, raiva e ressentimento. Nunca consegui aceitar o fato de que as outras pessoas tinham vidas perfeitas enquanto eu sobrevivia a algo que parecia seguir um roteiro escrito pelo próprio demônio.

— Onde é que está o meu pó, seu moleque estúpido? — Sarah entrou no chiqueiro que eu chamava de quarto.

— Qual pó, Sarah? — Questionei ao tirar os fones de ouvido, que tocavam uma música do primeiro álbum do Red Hot Chilli Peppers.

— Não se faça de desentendido, garoto. — Ela gritou enquanto vasculhava uma pilha de roupas jogadas ao chão, como se fosse um cão procurando por seu osso. Seus olhos estavam vidrados e suas mãos tremiam, o que denunciava o quanto seu organismo estava necessitando aquela substância tão nociva.

— Eu não peguei droga nenhuma — Falei ao colocar novamente os fones de ouvido — Me deixe em paz!

Sarah pareceu acreditar e saiu do meu quarto.

Era nítido que ela estava passando por mais uma crise de abstinência e eu me senti um tanto quanto culpado, pois eu realmente havia pego uns pino de cocaína que ela tinha comprado. Mas eu fazia aquilo por uma boa causa, pois por mais que não nos déssemos bem, eu odiava vê-la drogada.

Após alguns minutos curtindo aquele som proporcionado por minha banda favorita, eu peguei a cocaína, que estava escondida debaixo do meu travesseiro, alguns cigarros de maconha e coloquei tudo no bolso da calça de moletom que eu estava usando.

Me levantei da cama e decidi dar uma volta por aí, apenas para espairecer. Desci as escadas de madeira, que faziam um barulho irritante a cada passo que eu dava e, ao chegar na sala de estar, vi Sarah deitada no sofá rasgado próximo à janela, completamente drogada.

— Pena que não vi isso antes. — Pensei ao pegar um pino vazio de cocaína em minhas mãos.

Mas já era tarde. Ela já havia colocado mais um pouco daquele veneno em seu organismo e já não havia nada que eu pudesse fazer.

Assim que saí de casa, notei uma movimentação na casa em frente. Era uma nova família que estava se mudando.

Sei que o certo a se fazer seria me apresentar e oferecer ajuda, mas preferi ficar observando de longe.

Uma senhora baixinha, gordinha, de cabelos pretos e curtos tirava algumas caixas de dentro de um ford vermelho enquanto era ajudada por uma menina.

Fiquei extasiado ao ver aquela garota, que era, sem sombra de dúvidas, a mais bonita que eu já havia visto.

Ela era magrinha, tinha a pele clara, estatura mediana, usava uma calça jeans azul clara e um suéter de cashmere vermelho, tinha longos cabelos tingidos de rosa com leves ondulações nas pontas, e um rosto que, mesmo a uma distância considerável, pude perceber que era angelical.

— Ela não é para você. — Disse a minha voz interior — Alguém como ela nunca olharia para você. Não vê? Ela parece ser uma boa garota, e boas garotas não dão atenção a vagabundos inúteis como você.

Tinha razão. Ela nunca olharia para mim, nenhuma garota olharia.

Comecei a andar por aquela pacata rua enquanto sentia a suave brisa de fim de tarde balançar levemente os meus cabelos.

Após caminhar por aproximadamente meia hora, adentrei na floresta e cheguei no lugar que eu considerava ser o meu refúgio.

Era uma ponte de cerca de três metros de altura por onde passava uns trilhos de trem, desativados há oitenta anos. Por baixo dela, corria um rio no qual eu costumava mergulhar nas tardes de calor mais intenso.

Me sentei na mureta de proteção, já gasta devido ao tempo, e acendi um dos cigarros que eu havia trazido comigo.

Enquanto sentia a fumaça invadir as minhas vias respiratórias, eu pensava no ano escolar que se iniciaria dentro de alguns dias.

Naquele ano, eu gostaria de fazer diferente. Já não aguentava mais ser o saco de pancada daqueles atletas babacas e a chacota de todos. Então decidi que iria mudar radicalmente a minha personalidade.

— Nada vai ser como antes. — Pensei comigo mesmo ao jogar os pinos de cocaína que eu havia pego de Sarah nas turvas e escuras águas daquele rio.


P.O.V Violet Langdon


Após longos dias de estrada, chegamos ao nosso destino. Nossa nova casa era bem maior do que a antiga. Localizada em rua rua calma de um dos poucos bairros daquela cidade tão pequena, a casa possuía dois andares, uma sala ampla e bem iluminada, cozinha bem equipada, dois banheiros e quatro grandes quartos, dois deles sendo suítes, além de um sótão e um porão.

Apesar do cansaço, nós descarregamos o carro rapidamente e começamos a arrumação da casa. Mas, devido ao horário, nós resolvemos descansar a fim de recarregar as energias para encarar a faxina pesada no dia seguinte.

No outro dia, eu e minha tia acordamos cedo e começamos a arrumar a casa que, por sinal, estava uma completa bagunça.

Depois de horas de uma exaustiva faxina, a casa estava finalmente limpa e organizada. Minha tia havia trazido muitas coisas que serviram para fazer uma boa decoração e dar um ar de modernidade àquela residência construída no início do século.

Não demorou muito, já começamos a receber visitas. Algumas senhoras que moravam naquela rua bateram à porta oferecendo guloseimas e dando boas vindas. Apesar de estarmos cansadas demais para receber visitas, aquelas senhoras haviam vindo na hora certa, pois nem eu nem minha tia estávamos querendo cozinhar.

Enquanto ela recebia mais uma visita de uma senhora que trouxe uma torta de maçã (muito boa, por sinal), eu fiquei parada em frente à nossa casa, apenas observando o movimento da rua.

Uma casa me chamou atenção, a do vizinho da frente. Apesar de ter dois andares, não era tão grande como a nossa e estava completamente acabada. As paredes eram sujas e mal pintadas, as portas e janelas eram velhas e de uma madeira de péssima qualidade, e o jardim estava repleto de mato e lixo. Aquela casa dava a impressão de estar completamente abandonada, mas havia gente morando lá já que as luzes do andar de cima estavam ligadas.

Após alguns minutos sentindo o vento fresco que corria naquela rua, eu entrei em casa para descansar um pouco e me preparar para o primeiro dia de aula.

Acordei às seis da manhã, tomei um banho rápido e me vesti. Como eu nunca fui vaidosa, não fiz uma grande produção. Apenas escolhi uns jeans rasgados, uma blusa preta, uma jaqueta também preta com alguns spikes e um par de all stars clássicos.

Desci para tomar café e minha tia me olhou com espanto.

— Achei que você ia passar pelo menos um batonzinho, Violet. — Ela comentou antes mesmo de me dar bom dia.

— E para quê? — Falei ao me sentar — Nunca gostei de usar maquiagem.

— Pois se eu tivesse a sua idade, viveria arrumada. — Ela disse ao me servir uma panqueca — Você não sabe o quanto eu sinto falta da minha época de juventude.

— Mas a senhora ainda é jovem, tia! — Exclamei — Mal chegou nos cinquenta!

— E continuo bonita. — Comentou rindo.

— Lindíssima, tia. — Falei sorrindo ao observar seus olhos verdes por trás dos óculos — Logo a senhora vai arranjar um namorado.

— Deus te ouça, Violet. — Ela disse ao se levantar da mesa e começou a lavar a louça do café da manhã.

— Agora eu tenho que ir. — Me levantei da mesa — Não quero me atrasar no primeiro dia de aula.

— Boa sorte, querida.

Me despedi da minha tia e caminhei em direção a escola que, por sorte, ficava a algumas quadras da nossa casa. Após alguns minutos seguindo alguns adolescentes para saber onde exatamente ficava o colégio, eu cheguei.

A Chelmsford High School era como qualquer outra, sem grandes novidades. Possuía dezenas de salas, enormes corredores, área de educação física, refeitório, armários, atletas, líderes de torcidas, nerds, CDF's… Enfim, era uma típica escola americana.

Não demorou muito, o sinal tocou. Eu olhei rapidamente no meu quadro de horários e vi que a aula inaugural seria de literatura americana.

— Pelo menos não é matemática. — Comentei comigo mesma ao entrar na sala de aula, que era grande, bem decorada com quadros históricos, possuía as paredes pintadas de vermelho e muitas mesas, pois seríamos trinta alunos.

Assim que pus os pés na sala, uma menina negra, de estatura mediana, gorda, de olhos castanhos, usando um vestido amarelo estilo hippie e com um lindo black power se aproximou de mim.

— Olá! — Ela deu um sorriso simpático — Você é novata?

— Oi! — Retribui o sorriso — Sou sim.

— Então seja bem vinda à nossa escola! — Ela falou e seu entusiasmo era contagiante

— Obrigada! — Eu sorri.

— Qual o seu nome? — Questionou — O meu é Rachel Woods .

— Muito prazer, Rachel. — Falei — O meu é Violet Langdon.

— O prazer é meu, Violet! — Disse ela — Venha, vou te apresentar a algumas pessoas.

— Ok! — Me deixei levar por seu entusiasmo e a segui até o fundo da sala.

Rachel me apresentou a um grupo de pessoas que, aparentemente, eram legais e simpáticas: Scott Miller, capitão do time de futebol americano, loiro, alto, atlético, possuidor de grandes e profundos olhos azuis; Laura Clarck, líder do clube de jornalismo, uma garota branca, gorda, alta, com longos cabelos castanhos e olhos de mesma cor; Samara Lee, garota com traços orientais, magra, de estatura mediana, cabelos pretos e curtos; E Madison Parker, líder de torcida, loira, alta, de olhos castanhos, corpo escultural e uma pose meio metida.

Eu gostei bastante de todos eles e parece haver sido recíproco, pois ficamos conversando durante toda a aula (óbvio que nos momentos em que a professora não estava falando) sobre várias coisas para nos conhecermos melhor.

As aulas se passaram e eu fiquei o tempo todo com eles, até que chegou a hora do almoço.

— Você vem com a gente, Violet? — Samara questionou.

— Se vocês quiserem. — Falei ao me levantar da cadeira.

— Claro que queremos. — Disse Laura — Ninguém merece se sentar sozinho na hora do almoço.

— Ainda mais uma garota tão bonita quanto você, Violet. — Scott deu uma piscadinha para mim.

— Eu ainda estou aqui, ok? — Madison olhou para o namorado de maneira brava.

— Eu só estava brincando, amor. — Se justificou o loiro ao ajeitar o casaco vermelho do time que usava.

Fomos os seis para a cantina, que era um lugar amplo, bem arejado e com várias mesas. Enquanto esperava pela esquisita comida que estava sendo servida por uma senhora emburrada, eu olhava ao redor e me impressionou o fato das mesas estarem ocupadas por grupinhos muito bem delimitados. Parecia haver até algum tipo de hierarquia, pois os visivelmente populares estavam nas mesas maiores e mais ao centro, enquanto o restante estava nas áreas periféricas.

— Segregação socioespacial a gente vê por aqui. — Disse em voz baixa.

— O quê? — Samara me perguntou ao sentarmos numa das mesas do centro.

— Nada não. — Respondi — Só estava pensando alto.

— Ok. — Disse Rachel — Nos conte mais sobre você, Violet.

Comecei a contar mais de mim para Rachel, Samara e laura, pois Madison e Scott haviam ido almoçar na mesa dos atletas.

Eu falei mais sobre a minha antiga escola sobre as coisas que eu gostava de fazer no meu tempo livre, que era ler e realizar trabalhos voluntários. Evitei falar sobre a minha vida pessoal, pois a morte dos meus pais era algo que ainda me doía e eu não gostava de tocar nesse assunto.

Após uma hora de uma boa conversa agradável e de uma comida nem tão boa assim, eu e as meninas nos levantamos e saímos da cantina.

— Qual a aula de agora? — Laura perguntou e eu peguei meu quadro de horários enquanto passávamos por um corredor.

Antes que eu pudesse responder, presenciei uma cena nada nada agradável: Scott, a troco de nada, simplesmente empurrou um garoto que passava pelo corredor, fazendo-o o cair próximo a mim.

Além da atitude idiota de Scott, me impressionou o fato de que absolutamente todos os alunos ao redor acharam aquela situação engraçada, inclusive as garotas com as quias eu estava conversando.

Eu não achei a mínima graça, muito pelo contrário. Tive pena do garoto e decidi ajudá-lo a se levantar.

— Você está bem? — Questionei ao estender a minha mão para ajudá lo a se levantar e, por uns instantes eu olhei para ele e pude observar todas as feições de seu rosto.

Aquele garoto tinha a pele extremamente pálida, olheiras escuras em volta de deus olhos cinzas, nariz médio e bem talhado, boca vermelha e cabelos pretos que formavam pequenas ondas posicionadas delicadamente em sua testa.

— Estou. — Ele respondeu ao segurar a minha mão e se levantou — Obrigado.

Sem dizer mais nada, ele se afastou até sumir em meio aos outros alunos.

Aquele garoto de cabelos ondulados carregava uma tristeza profunda em seus olhos e isso me deu um aperto no peito, pois eu sempre fui aquela pessoa que se deixava contagiar pelos sentimentos dos demais. Ou seja, se uma pessoa estivesse feliz, eu ficaria feliz, mas se alguém estivesse triste, sua tristeza me contagiava.

— Esse garoto é mesmo um idiota. — Samara comentou.

— Hein? — Questionei confusa — Como assim?

—Ele pede pra ser zoado. — As palavras de Laura foram a gota d'água pra mim e já não suportei ficar calada.

— Como assim ele pede para ser zoado? — Exclamei irritada — Vocês acham isso bonito?

As três se entreolharam, abismadas com a minha atitude.

— Também não é para tanto, Volet. — Disse Rachel.

— É só brincadeira. — Completou Samara.

— Brincadeira? — Cruzei os braços — Não sei o que vocês consideram como brincadeira, mas isso está longe de ser uma.

— Não é para tanto, Violet. — Laura revirou os olhos — Esqueça isso.

— Esquecer uma cena de Bullying? Não mesmo. — Falei.

— Bullying? — Rachel riu — É só zoeira.

— Esqueçam isso. — Disse Laura — Vamos indo para a sala, pois já estamos atrasadas.

Mesmo contrariada, fui com elas até a sala onde teríamos aula de biologia.

Por mais que quisesse me concentrar na aula, eu não parava de pensar na cena de bullying que acabara de presenciar. O fato de todo mundo achar aquilo a coisa mais natural e engraçada do mundo era realmente preocupante, pois sinalizava que as agressões e intimidações naquela escola eram recorrentes.

Situações como aquela eram altamente reprováveis, além de altamente perigosas, pois destruíram o psicológico da vítima e, não obstante, ainda poderiam ter consequências catastróficas.

Ao término da aula, me despedi das minhas novas colegas e sem outra opção, voltei sozinha para casa.


P.O.V Jake Hill


Apesar de não ter nenhuma vontade de assistir às aulas, decidi ir logo para a sala a fim de evitar tomar um esporro logo no primeiro dia de aula.

Enquanto caminhava cabisbaixo pelo corredor lotado, vi a mesma garota que eu havia visto no dia anterior: A que acabara de se mudar para a casa em frente à minha.

Eu estava a uma distância não muito longe dela, o que me fez poder notar seus traços mais de perto. Seus olhos castanhos escuros levemente puxados tinham um brilho incrível, seu nariz pequeno e arrebitado juntamente com sua pequena boca vermelha e perfeitamente delineada lhe davam uma aparência extremamente fofa e o seu sorriso era tudo de mais puro e bonito que eu já havia visto.

Continuei andando e olhando disfarçadamente para ela, mas meus pensamentos foram interrompidos por um empurrão, seguido de uma queda violenta ao chão.

Scott Miller, o cara mais babaca e desprezível de toda a Chelmsford High School, já havia começado a me fazer suas típicas provocações. Senti meu sangue ferver ao ouvir as risadas de todos os que estavam em volta e, por alguns milésimos de segundos, pensei na possibilidade de acertar um soco na cara daquele imbecil. No entanto, mudei de ideia ao ver uma mão estendida em minha direção. Olhei para cima e meu coração acelerou quando a vi parada em frente a mim.

— Você está bem? — Ela me perguntou com a voz mais doce possível.

Eu fiquei quase que sem reação ao estar diante dela e, após alguns milissegundos de um transe inexplicável, eu segurei sua pequena e delicada mão, o que me causou uma sensação boa.

— Estou. — Respondi ao me levantar — Obrigado.

Minha timidez extrema falou mais alto, por isso acabei saindo daquele lugar sem dizer mais nada.

A novata ficou no corredor e eu saí apressadamente da escola, indo para a arquibancada do campo de futebol em seguida.

— Foda-se a aula. — Pensei ao me sentar num dos degraus da arquibancada, onde eu ficaria até o final do dia, e acendi um cigarro.

Enquanto fumava, pensava no que acabara de acontecer.

A atitude de Scott não era o alvo dos meus pensamentos, pois querendo ou não, eu já havia me acostumado a tudo aquilo. Os meus pensamentos estavam centrados na novata.

Meu coração ainda estava acelerado e uma sensação inexplicável havia me invadido. É algo estranho de se tentar explicar, mas aquela garota havia mexido comigo de um jeito que nunca alguém havia feito antes.

Eu não estava me reconhecendo. Em dezessete anos de vida, nunca havia me sentido daquela maneira. Nunca ninguém havia sido capaz de fazer o meu coração acelerar da mesma maneira que a novata acabara de fazer. Estar perto dela me trazia um sentimento completamente diferente de tudo o que eu já tinha experimentado nestas quase duas décadas de existência. Era algo diferente, como uma pequena brasa que logo se transformou num grande incêndio.



27 de Novembro de 2020 às 01:33 1 Denunciar Insira Seguir história
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 Silva Silva
Romance não é lá o meu gênero prefiro por conta de vários clichês mas você realmente dá mais camadas aos personagens, deixando tudo mais crível e natural. Pra mim é o ponto alto desse capítulo. Ah e a Violet tem um sobrenome e tanto, o autor Dan Brown gosta dele :v Bom, deixando a referência ao Robert Langdon de lado, a protagonista tem uma personalidade muito bem construída apesar dos traumas. Bom, parabéns. A leitura foi bastante agradável e isso é mérito da autora.
November 27, 2020, 02:34
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