biana Biana Vendramini

A hora morta trata-se do momento em que portais para o outro mundo são abertos e espíritos e entidades exercem uma influência maior sobre a terra, fazendo dessa a chance perfeita para atormentar as pobres almas deste plano com terríveis pesadelos ou até mesmo suas próprias presenças sombrias. E se nessas várias visitas que você recebe durante a madrugada os espíritos e entidades que lhe observam contarem histórias do outro mundo em seus delicados ouvidos? Aquele horrível pesadelo que tem e lhe faz acordar de madrugada exatamente entre as 3:00 e 3:59 da manhã podem ser eles sibilando ao pé do seu ouvido... 🔸Este projeto se tratará de uma coletânea de contos originais de minha autoria, porém alguns serão baseados em lendas urbanas e creepypastas, outros em experiências e fatos reais e outros totalmente criados. 🔸Plágio é crime! Não copie, crie!


Horror Histórias de fantasmas Para maiores de 18 apenas.

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O Corpo Rastejante

O sonho de Miguel e Lucrécia sempre foi morarem na paz do campo com sua filha de doze anos, Dulce. Por sorte a família Hernandez conseguira arrematar a tão almejada casa de campo para qual mudaram-se recentemente em um leilão de imóveis virtual. Porém, estranhos acontecimentos na casa começaram a atormenta-los, principalmente a pequena garota. Até que em um dia qualquer, a família simplesmente desapareceu sem deixar quaisquer rastros. O vizinho mais próximo ficava a alguns quilômetros de distância e o mesmo relatou a polícia que nada viu ou ouviu nos últimos dias que pudesse alegar como suspeito em relação a família. Ninguém saberia de fato constatar como nem quando se sucedeu o desaparecimento dos Hernandez se não fosse pelo diário da pequena Dulce, cujas páginas continham os relatos do dia a dia de sua rotina na casa...



05/01

Querido diário,

Não estou muito animada para me mudar, não queria deixar meus amigos daqui. Mas meu pai disse que a casa que ele comprou é grande, tem muito espaço para eu brincar com o Pepito e que farei novos amigos na minha nova escola.


10/01

Querido diário,

Viemos para a nova casa hoje. Meu pai tinha razão, é enorme e o Pepito pode correr para lá e para cá o quanto quiser no jardim. Brincamos a tarde toda. Mas acho que só conhecerei pessoas novas na escola quando as férias terminarem porque o vizinho fica bem longe...

O Pepito ficou agindo estranho quando voltamos para dentro de casa. Meu pai estava arrumando as coisas no sótão e ele ficou rosnando e latindo em direção a portinhola do sótão até minha mãe colocar ele para fora.


12/01

Querido diário,

Noite passada trouxe o Pepito para dormir comigo no meu quarto já que ele estava estranho durante o dia, mas o pestinha me acordou de madrugada rosnando sem motivo em direção ao teto. Só que em seguida comecei a ouvir barulhos estranhos vindos do sótão como se tivesse algo rastejando pelo chão. O Pepito se assustou com os ruídos e fugiu do quarto. Aquilo foi muito estranho... Será que tem algum animal preso no sótão?


13/01

Querido diário,

Falei para meus pais sobre o tal barulho e meu pai foi até o sótão verificar, mas me disse que se tinha algum animal preso provavelmente conseguiu sair de lá de alguma forma porque não encontrou nada.

Não sei o que está acontecendo com o Pepito, mas por alguma razão ele não quer mais ficar dentro de casa. Toda vez que o colocamos para dentro ele foge para fora. Acho que ficou assustado com o barulho da noite passada... Minha mãe disse que vai levar ele no veterinário para verificar se está tudo bem.


14/01

Querido diário,

O barulho voltou e parece que está mais alto... E o que é mais estranho é que só ocorre de madrugada e parece que está bem em cima do meu quarto. Resolvi acordar meus pais para que ouvissem com os próprios ouvidos, mas quando saíram do quarto deles que ficava no final do corredor, o ruído tinha parado. Disseram que poderia ser algum outro animal ou que eu poderia ter tido um pesadelo e falaram para eu voltar a dormir. Mas eu sei o que ouvi... Não foi a primeira vez.

O barulho não voltou depois que meus pais retornaram para o quarto deles, mas estou acordada escrevendo porque não consigo dormir... Amanhã quando meu pai estiver no trabalho e minha mãe levar o Pepito no veterinário eu mesma vou até o sótão para ver se tem algo lá.


15/01

Querido diário,

Mesmo não querendo fui até o sótão durante a tarde. Eu precisava descobrir o que está acontecendo, mas não encontrei nada lá além de caixas e mais caixas. E marcas no chão... Marcas parecendo que algo havia sido arrastado. Comecei a seguir as tais marcas, mas de repente comecei ouvir aquele barulho de novo. Não consegui ficar lá, saí do porão correndo e me esborrachei no chão quando tropecei na escada. Caí de cara e por muita sorte não quebrei o nariz, mas fiquei com um baita de um galo roxo no lado esquerdo da testa.

Quando minha mãe voltou do veterinário com o Pepito como de costume ela quase surtou quando viu meu machucado e quis saber o que aconteceu. E foi o que eu fiz... Contei para ela que fui até o sótão porque achava que tinha algo lá. Pedi para que subisse comigo para que pudesse mostrar as marcas. Quando chegamos ao sótão não havia mais marca alguma, era como se nunca tivesse existido. E o barulho? Nenhum. Nunca esteve tão silencioso... Claro que vendo aquilo e o que me aconteceu minha mãe achou que eu estava querendo chamar atenção ou fazendo algum tipo de birra e me proibiu de subir lá de novo. Quando meu pai chegou do trabalho minha mãe contou o que tinha acontecido e fui proibida de ir até o sótão de novo por ele também.

Quanto ao Pepito, segundo o veterinário está tudo bem com ele fisicamente. Somente está muito estressado... E eu sei o porquê. Mas ninguém acredita em mim... Meus pais devem estar começando a achar que estou fincando louca... Mas enfim, o veterinário receitou um calmante para ele.


20/01

Querido diário,

Os barulhos pararam, já tem alguns dias que não ouço mais nada. Acho que finalmente as coisas voltaram ao normal e eu vou conseguir voltar a dormir tranquila. Inclusive o Pepito está melhor do que nunca, já não tem mais medo de ficar dentro de casa.


26/01

Querido diário,

Os ruídos voltaram... E o Pepito voltou a fugir para fora. Eu estou com medo...


27/01

Querido diário,

Consegui convencer meus pais a me trocarem de quarto. Inventei uma desculpa porque eles não iam acreditar na verdade. Mas aquele som de corpo rastejando parecia me perseguir de qualquer jeito. Não estou mais conseguindo dormir direito e estou com um pressentimento de que alguma coisa terrível vai acontecer...


29/01

Querido diário,

O Pepito sumiu! Noite passada estava chovendo muito então não tinha como ele dormir lá fora. Minha mãe trouxe ele para dentro e deu o tal do calmante que ele teve que voltar a tomar. Ele ficou dormindo na sala. Hoje de manhã ele simplesmente desapareceu... Eu e meu pai procuramos por todo o jardim, mas não havia nenhum sinal dele. Meu pai disse que o Pepito provavelmente fugiu, mas eu não acho que foi isso... Eu queria dizer para meus pais que sei o que aconteceu, mesmo que eu não tenha visto com meus próprios olhos algo me dizia que foi... Aquela coisa que rasteja no sótão... Mas claro que não acreditariam em mim, iriam achar que estou ficando mais louca do que já pensam ou até acharem que fui eu quem sumiu com o Pepito. Eu nunca estive com tanto medo na minha vida... Eu só quero ir embora dessa casa. É só isso que eu quero...


31/01

Querido diário,

Meus pais finalmente perceberam o tal ruído, mas só porque meu pai estava tendo insônia esses dias. Ele foi até o sótão de madrugada enquanto eu ficava vigiando a entrada. Meu pai demorou tanto para voltar que eu achei que havia acontecido alguma coisa. Mas como sempre, ele não encontrou nada... E voltamos a estaca zero. Pelo menos agora eles sabem que não estou louca. Mas eles insistem em ficar aqui nessa casa, me passou pela cabeça em fugir... Mas como eu poderia? Não conseguiria deixar meus pais aqui com seja lá o que for.


03/02

Querido diário,

Já faz uma semana que o Pepito desapareceu. Meus pais falaram para eu não perder a esperança. Mas como não perder se eu sei que ele não vai voltar mais? Aquela coisa pegou o meu cachorro! Eu falei para meus pais que foi aquilo que rasteja no sótão, mas como meu pai até hoje nunca encontrou nada é claro que mais uma vez eles não acreditaram em mim... Acho que eu preciso ficar menos tempo aqui em casa. Não vejo a hora de as aulas começarem...


05/02

Querido diário,

Mesmo com a porta trancada eu não consigo mais dormir de tanto medo... Eu vi... Eu vi aquela coisa madrugada passada... Eu ouvi os ruídos no sótão se distanciarem do meu quarto. Então ouvi a portinhola do sótão se abrir. Naquele momento eu não sei como, mas a minha curiosidade foi maior do que meu medo. Destranquei a porta e abri. Aquela criatura rastejante e sombria estava olhando para mim do final do corredor com aqueles olhos vermelho sangue que mesmo na escuridão brilhavam intensamente para mim como se quisessem desesperadamente meu sangue... E foi num piscar de olhos, aquela coisa rastejou até mim tão rápido que quase não tive tempo de bater a porta. Depois disso eu só ouvi a porta sendo forçada e eu só consegui gritar desesperadamente pedindo por socorro. Foi quando eu ouvi as vozes dos meus pais do lado de fora e eu gritei para que eles fugissem porque o corpo rastejante estava aí fora pegaria eles. Mas me disseram que não tinha nada e que eu poderia abrir a porta.

Eu disse para eles que não queria ficar mais nessa casa, insisti que o Pepito não tinha fugido, que foi aquela coisa que tinha pego ele. E que se não fôssemos embora nós poderíamos ser os próximos. Óbvio que achavam que eu tinha enlouquecido ainda mais. Minha mãe disse que eu provavelmente estava passando por algum tipo de trauma por termos nos mudado e eu ter deixado minhas amizades para trás e que me levaria ao psicólogo na próxima semana. Será que é isso mesmo? Será que tudo isso é coisa da minha cabeça? Não, não é! Eu sei o que eu ouvi e o que eu vi. Não tem como esquecer aqueles olhos vermelhos olhando dentro da minha alma da forma mais sombria. Além do mais o Pepito sumiu! Ou melhor, aquela coisa pegou ele! Como o desaparecimento do Pepito poderia ser coisa da minha cabeça? Eu estou com tanto medo e não sei mais o que fazer...

Pelo menos meus pais me deixaram dormir com eles por enquanto..."



Este foi o último registro feito no diário da pequena Dulce.

Após mais de um mês sem contato com os Hernandez, alguns dos familiares foram até o imóvel no entanto nada encontraram. A casa estava completamente deserta, inóspita... Sem qualquer vestígio da família. A polícia fora acionada. Ao ser feita uma minuciosa investigação sobre o passado da casa, as autoridades descobriram que não era a primeira vez que uma família havia desaparecido misteriosamente. Entraram em contato com a imobiliária que colocou a casa no leilão e o que lhes informaram foi inexplicavelmente perturbador. A imobiliária havia colocado a casa para arremate, pois antes apenas alugavam o imóvel e os inquilinos deixavam de pagar o aluguel repentinamente, sumiam e ninguém nunca mais ouvira falar dos mesmos. Fora assim durante os últimos anos até os Hernandez comprá-la.

Foi expedido um mandado de interdição do imóvel, porém isso não durou por muito já que o diário de uma garotinha com imaginação fértil não representava prova suficiente para se chegar a uma conclusão lógica. O caso teve de ser fechado como inconclusivo por falta de provas para determinar uma causa e um culpado e encaminhado para o arquivo morto da delegacia da cidade. A casa acabou nas mãos de outra imobiliária que a colocou a venda novamente pronto para receber uma nova família.

22 de Novembro de 2020 às 03:20 5 Denunciar Insira Seguir história
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Biana! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Olha, eu, particularmente, adoro um terror! E achei seu conto bem criativo. Eu não consigo aceitar de forma alguma que, sempre, o primeiro de todos a sumir, é o au-au, pobrezinho! Acredito que essas pragas das 3h da manhã devem ser amantes de animaizinhos, não é possível. Pelo menos é a única explicação lógica da qual eu consigo pensar. Quanto à ideia de explicar como as coisas foram acontecendo pelo ponto de vista de um diário de uma criança, foi uma ideia genial! Todos e qualquer pessoa nesse mundo, sabe que crianças são os seres mais puros e os que menos mentem, porém, infelizmente é difícil acreditar nisso em uma situação igual a qual eles estavam. Quem diria que realmente é verdade que existe um ser rastejante ali, só porque foi o que uma criança disse, não é?! Bom, a coesão e a estrutura do texto estão ótimas! Eu gostei bastante da narrativa escolhida para contar essa história. Me senti como se alguém tivesse contando, única e exclusivamente, para mim. Foi uma experiencia incrível. Quanto aos personagens, por ser um conta que não é muito focado em contar mais sobre eles e sim sobre o terror que assola o lugar, não da para entender muito sobre suas aparências ou estilos e personalidades. Apesar disso, consegui entender que são uma família unida, isso porque mostra a preocupação da mãe com a menina, quando diz que vai leva-la num psicólogo e tudo mais. E achei isso um ponto muito interessante apresentado neles. Quanto à gramatica, seu texto está muito bem escrito e apesar de ser uma história que foi feita para causar horror e medo nas pessoas, eu fiquei bem feliz pela experiencia de poder lê-la. Contraditório, não é?! No geral é realmente um ótimo texto, parabéns pelo projeto. Desejo a você sucesso e tudo de bom! Abraços.
November 28, 2020, 21:09

  • Biana Vendramini Biana Vendramini
    Obrigada pelo maravilhoso comentário. ♥️♥️♥️ É muito bom ver que a história supriu as expectativas esperadas 😊 December 09, 2020, 12:51
Thays Diniz Thays Diniz
Conto perfeito, prende atenção e mantém a tenção esperada de um boa história de terror.
November 23, 2020, 01:28

  • Biana Vendramini Biana Vendramini
    Tu não sabe o quanto eu fico feliz em saber que minha história supriu as expectativas :D Quando eu escrevi eu nem achei que ficou tão bom assim. November 23, 2020, 01:39
~

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