stefanbrian2027 Stefan Brian

Num mundo sendo devastado há mais de dez anos por um vírus mortal chamado Vidra, nações ergueram muros para se isolar. A humanidade aprendeu a diminuir a força do vírus e a viver de uma forma diferente. O pequeno Ben, de dez anos, não acha achava nada estranho até o Vidra voltar de uma forma diferente afetando direta e indiretamente tudo que ele conhecia. Ben não sabe que ele será responsável por uma nova grande mudança e que o vírus não é a única coisa a ser temida naqueles tempos insanos.


Pós-apocalíptico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#guerra #política #xadrez #fanatismo #vírus #polarização
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Guerra Entre Medo e Fúria

Era um fim de tarde frio e ensolarado naquele agosto de dois mil e trinta e sete na cidade de Águas. Uma cidade com cerca de setecentos mil habitantes e considerada pequena em relação às grandes metrópoles do país, mas sendo a mais populosa daquela região. O dia transcorreu normalmente na central telefônica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da cidade, que recebeu mais um chamado no fim do dia.

_ Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, qual é a emergência? Disse a atendente.

_ Moça, tem um menino caído no chão aqui! Ele estava se debatendo e agora está inconsciente! Respondeu um homem aparentemente nervoso.

_ Senhor, não toque nele e peça pra ninguém mais tocá-lo também. Estou mandando uma ambulância agora.

A atendente não se preocupou além do normal e, através do localizador do telefone do homem que ligou, rastreou o endereço e repassou o pedido de emergência para uma equipe. Poucos minutos depois, uma jovem médica chamada Nicole, um enfermeiro chamado Maicon e o motorista da ambulância vestiram jalecos brancos e máscaras. Todos entraram na ambulância e saíram em direção ao local. Oito minutos depois, a equipe chegou e a aglomeração de pessoas indicava onde eles deveriam ir.

Ao descerem, Nicole, Maicon e o motorista perceberam duas aglomerações distintas de pessoas: uma em torno do menino deitado no chão frio daquela tarde de inverno e a outra, mais impressionante, em torno de um homem ajoelhado com pés e mãos amarrados. Seu rosto estava muito inchado e seus olhos roxos, consequência das agressões recentes que tinha sofrido. Ele estava realmente castigado.

_ Afastem-se, pessoal, deem espaço para a nossa equipe trabalhar. Disse Nicole que se aproximou e, logo, petrificou de susto assim que viu o menino.

Maicon também se assustou e falou a mesma coisa que Nicole havia apenas pensado, mas não teve coragem de dizer no momento em que viu o garoto.

_ Será que depois de tantos anos…

_ Não é hora nem local para discutirmos isso, Maicon. Interrompeu Nicole falando baixo. Vocês sabem que as recomendações vigentes no país determinam evitar contato com todos os que tem suspeita de Vidra. Continuou Nicole agora em tom alto e firme sabendo que aquela sigla não iria causar pânico descontrolado e sim atenção e cuidado nas pessoas próximas.

Todos se afastaram e a equipe finalmente conseguiu se aproximar. O menino estava imóvel, de olhos fechados, a testa molhada com seu próprio suor, seu rosto estava com uma cor azulada e os lábios roxos, mas ele parecia ainda estar quente, o que era um bom sinal. Ela tocou seu pescoço com luvas e sentiu sua fraca pulsação. Ele ainda estava vivo. O menino aparentava ter cerca de dez anos, vestia uma calça de abrigo estampado com o símbolo de uma das escolas da cidade, indicando que, provavelmente, ele estava voltando da escola para casa quando passou mal. Ao seu lado, estava sua mochila, cheia de adesivos colados, num deles tinha o desenho de um bloco de gelo com chifres sofrendo e derretendo sob o sol amarelo sorridente. A médica se fixou por uns segundos no adesivo se desconectando do mundo a sua volta até perceber o chamado de um dos homens da sua equipe.

_ Nicole? Nicole! Doutora Nicole!

_ Sim! Desculpa, Maicon, o que você disse?

_ Vamos aplicar soro no garoto?

_ Sim. Vamos colocá-lo no oxigênio e ir para o hospital. Por garantia, precisamos levar também todos os que tiveram contato com ele. Disse ela.

Colocaram o garoto na ambulância e, então, a médica se dirigiu novamente para a pequena multidão, que insistia em permanecer ali.

_ Imagino que o homem amarrado tocou no menino. Alguém mais tocou nele?

_ Não, só ele! Respondeu um homem apontando para o sujeito amarrado.

_ Isso mesmo, só ele tocou! Confirmou uma mulher com um semblante de irritação e preocupação.

_ Não, eu não toquei não! Negava veementemente o homem amarrado.

_ Cala a boca, alma azul! Gritou o mesmo homem que tinha apontado antes.

_ O senhor precisará vir conosco. Pediu Nicole com um tom calmo.

_ Por favor, moça, tenho dois filhos. Implorou o homem quase chorando.

_ Não exponham as vidas de nossos filhos e as nossas ao risco! Levem esse alma azul imundo daqui! Gritava outra mulher enfurecida entre tantos outros gritos raivosos.

Todos pediam praticamente a mesma coisa: que tirassem o tal “alma azul” dali imediatamente.

Os membros da equipe se olharam e a médica pediu pela última vez.

_ Por seus filhos, senhor. Você precisa vir com a gente pela sua segurança e pela dos demais. Se tentar resistir, vou ser obrigada a chamar a agência especial. Falou novamente a médica fazendo um apelo à sensatez do homem.

_ Não, por favor, não chame eles. Vou com vocês. Respondeu o homem que estava com uma jaqueta daquelas feitas para se usar dos dois lados.

A agência especial foi criada a partir de um gabinete de crise quando a humanidade entrou em colapso no final da década de vinte. Algumas pessoas tinham teorias conspiratórias sobre essa agência, mas, desde sua criação, nunca houveram problemas institucionais ou algo que retirasse sua credibilidade. A falta de provas fazia a maioria das pessoas acreditar que todas as teorias eram apenas grandes invenções fantasiosas fruto da cabeça de lunáticos.

_ Vou te desamarrar, mas não tente nada. Afinal, devemos evitar mais pânico e agressividade. Disse Nicole.

_ Com certeza, eu não farei nada. Respondeu ele.

_ Ótima escolha, assim não vamos exaltar mais os ânimos por aqui. Qual é o seu nome? Conversou ela enquanto o desamarrava usando luvas.

_ Me chamo Davi. Respondeu ele visivelmente cansado e nervoso.

_ Tudo bem, Davi. Sou Nicole, vou levar você para o hospital, mas antes você vai vestir uma roupa especial. Não precisa ter medo, é apenas um procedimento padrão.

_ Sei, o traje de isolamento. Disse Davi.

_ Exatamente, ficará tudo…

De repente, um homem entrou entre os dois e acertou um soco forte no rosto de Davi, que caiu na calçada enquanto seu último agressor fugia correndo com a própria camiseta enrolada na mão para não haver nenhum contato de pele entre os dois. Nicole, caída pra trás, assistiu chocada àquela cena bizarra, nunca tinha visto tamanha brutalidade até então em sua curta carreira de dois anos como médica. Ela lembrou do treinamento que recebeu para situações como esta e que deveria mostrar calma e firmeza para ter o controle da situação.

_ Se mais alguém tentar agredi-lo, vou chamar a agência especial e dizer que não sei quais de vocês tiveram contato com o menino, o que realmente é verdade. Se tentarem fugir, serão enquadrados como suspeitos por espalharem o Vidra, sem contar que é muito fácil identificar cada um aqui por conta das câmeras de vigilância que vocês sabem que eles têm por toda a cidade. Alguém mais vai tentar agredir este homem?

Todos ficaram quietos e imóveis.

_ Você consegue se levantar, Davi? Perguntou Nicole.

_ Sim, mas estou com muita dor.

_ Vou dar um medicamento contra dor para você se sentir melhor. Falou Nicole aplicando uma injeção no braço dele. Maicon, pode trazer o traje? Perguntou ela.

_ Ele já está aqui. Respondeu Maicon alcançando a vestimenta para a médica.

Nicole a pegou e entregou para Davi vestir. O traje de isolamento parecia de astronauta. Davi vestiu sem problemas. Logo depois, ele entrou na ambulância com Nicole e Maicon e se sentou ao lado do menino desacordado. O motorista arrancou com a ambulância enquanto todos dentro ouviam gritos como “exterminem o alma azul” e “derretam todos os azuis e almas azuis”. Todos ficaram sérios e calados. Nicole olhou para Davi e Maicon com uma expressão que misturava tristeza e falta de esperança.

_ Vocês acham que ele voltou? Perguntou Davi.

_ Há anos vivemos com medo esperando pelo dia em que tudo recomeçará. Se o dia chegou, a pergunta que temos que responder é: temos quanto tempo para agir até que o caos tome conta de tudo mais uma vez? Suspirou Nicole vendo através da janela a pequena multidão se dispersando a medida que a ambulância se afastava.

15 de Novembro de 2020 às 18:26 0 Denunciar Insira Seguir história
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