maahreis626 Mariana Reis

Por amor ela se contentou em ser um prêmio. Por amor ela se destruiu. E por amor ela arrancará sua cabeça. -*- Mirian nunca se permitiu sonhar alto, pois sempre soube de seu propósito: casar-se com o homem que desse o lance mais alto por sua mão e fazer o papel diante de todos de uma esposa feliz e contentada com o próprio ótimo relacionamento. Apesar de tudo, de saber seu lugar e dever, em uma tarde ela se permitiu sonhar mais alto e acreditar na possibilidade de felicidade quando conheceu Elliot Bering perambulando na agitada cidade de Anatar. Assim que seus lábios doces e quentes encontraram o seus pela primeira vez, em uma tarde razoavelmente fria de inverno, ela desejou algo mais. Mesmo que seus momentos com ele fossem como andar em nuvens fofas, a realidade a destruía, pouco a pouco a cada dia. Mas era possível aguentar, era possível respirar durante uma hora, mesmo quando a aliança foi posta em seu dedo de uma noite para outra. Naquele momento as coisas começaram a dar subitamente errado. Elliot não era mais um menino que suava para ter algo descente, era um assassino com a alma estilhaçada. Em um jantar para fechar parcerias importantes, ele apareceu a porta, armado com as espadas de seus guardas, vestido com o sangue deles. Em uma noite ela perdeu tudo, a família, o amor, a alma, a vida. O universo deu a ela mais uma chance para viver. Ela usará esse presente para vingar-se. 🥈melhor sinopse no concurso Lobos (2021)


Fantasia Para maiores de 18 apenas.

#assassinato #reinado #palácio #castelo #princesa #coroa #reinos #vampiro #romance #vingança #luto #morte
19
7.8mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Quartas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

1 | Baile

A entrada foi chamativa demais. Cada membro presente da corte havia parado para encarar a herdeira que brilhava como uma estrela ao descer as escadas de mármore do Palácio Castko. Eu mal respirava por conta do apertado corpete marfim.

“Ele te manterá firme diante da corte”. Dissera Lua, enquanto Neshimia dava pulinhos pelo vestido mais ousado que eu usava em tempos. “E é extremamente elegante.”

A rainha o escolheu por isso, pelas reações que arrancaria no último baile antes do casamento.

Encaro o homem ereto parado no patamar da escada. O cabelo negro alinhado de baixo da coroa prata, tão afiada quanto uma arma, parecia ter sido forjada para representar sua personalidade. A pele extremamente branca reluzia à luz dos enormes candelabros.

Ele não parecia respirar, não por nervosismo, mas por ter controle sobre cada parte do próprio corpo. Tinha certeza de que aqueles olhos escuros como pólvora analisavam até os suspiros da corte de Khalat.

Phillipe, meu noivo e futuro rei de Khalat.

O príncipe guia-me pelos últimos degraus antes de entrelaçar nossos braços. A pedra vermelho sangue do meu anel de noivado se destacava no terno cinza azulado do homem que me acompanha.

— Está deslumbrante Mirian — murmura, enquanto atravessamos a multidão com curtos sorrisos e apresentações. Eu tentava me concentrar no som dos violinos e do piano que tocavam ao fundo do salão, preenchendo o ambiente com seu som leve e lento que retumbava dentro de mim, como se o verão tivesse a própria melodia. Esse era o som que eu queria ouvir a noite toda, não os das pessoas cochichando sobre mim.

— Princesa? — pisquei uma vez para o homem parado a minha frente. Era o barão de Terak, a terra da família Bast, de Phillipe. Ele tinha os mesmos cabelos negros e espessos da família real, uma marca comum do país, mas apinhados de fios brancos. A pele cor de oliva era marcada de rugas. O barão Canne Willis me olhava confuso.

— Agradecemos por seus votos barão — disfere Phillipe, sem nenhuma emoção ao perceber que eu não prestava atenção na conversa dos dois. — Sentimos muito pela morte de Pennie.

Um aceno de cabeça é a única reação que recebemos do viúvo.

Ficamos mais meia hora conversando com os convidados, não ficávamos por mais de cinco minutos com cada um deles. Os diálogos de se resumiam a felicitações pelo noivado e piadas sem graça sobre o clima quente e húmido de Khalat, sempre vindas de pessoas com o status mais elevados na corte de Phillipe, qual davam pequenas e contidas risadas ao se identificar com os problemas sofridos pelos seus conhecidos.

— Nenhuma ameaça hoje? — sussurra cômico. Hoje é um dos únicos dias que eu não respondi as suas provocações ou o ofendi por sua simples presença, pelo que ela representava.

— Os reis nos aguardam. — digo simplesmente, de soslaio o vejo revirar os olhos, mas seguimos até nossos pais.

Os reis, de Khalat e Terak, estavam juntos e cercados de pessoas. Meu pai, Casttelian, gargalhava, inerte na conversa com o Lorde Cambrie, de Semore, minha mãe, Katrina, apenas sorria de vez em quando.

A rainha Janet, mãe de Phillipe, foi a primeira a notar nossa presença.

— Queridos! — Janet exclama, nos recebendo com dois beijos no rosto. Mãe e filho eram tudo menos parecidos, a rainha ostentava cabelos longos e encaracolados, da cor do pôr do sol, seus olhos brilhavam como duas safiras, a pele, ao contrário do filho e do marido emburrado, era rosada e transmitia vida.

Uma cria da primavera, a verdadeira princesa de Rosanery.

— Venha vocês — diz sorrindo, empolgada, a única pessoa realmente feliz com o noivado sem ser pelos benefícios políticos. Não sei como uma pessoa tão cativante acabou se casando com um rei frio e distante que é Phillipe I. — Chegou o momento da anunciação.

Ela entra no nosso meio, arrastando-nos para o palco montado ali a três noites.

Meu pai toma a frente e no mesmo momento todos presentes no salão se calam, prestando atenção no rei de cabelos dourados vestido do preto mais profundo.

— É um prazer recebê-los em Anatar — começou meu pai, ainda tomado pelo humor provocado pelas gargalhadas dadas com o Lorde Cambrie. — é de eximia importância para nós a presença de cada um no noivado da princesa Mirian Jean Ingels com o príncipe Phillipe Bast II.

“Durante muito tempo conversamos sobre está união hoje declarada, detalhes tediosos e desnecessários de esclarecer em um dia feliz como este. Mas hoje decreto que a guerra comercial entre Khalat e Terak está finalmente cessada e, em pouco tempo, nossos reinos serão apenas um!”

Palmas e vivas explodirão por todo salão, a corte local era muito mais agitada e animada do que a estrangeria, que estava mais preocupada em afastar o calor que parecia cola em suas peles. Menos de um minuto depois do fim do discurso o rei apoia a mão nas costas da rainha e se afasta da frente do palco, tomando seu lugar inicial no salão, todos nós seguimos atrás deles em sincronia, como em uma dança coreografada.

Casttelian Ingels me encarava inexpressivo com aqueles olhos negros, como um sinal silencioso para que eu e meu par fossemos até ele.

O brilhante cabelo dourado, amassado sob o peso da coroa adornada de rubis, era um destaque em todo seu visual sombrio.

Ele se direciona ao príncipe que me acompanhava.

— Espero que esteja sendo bem recebido Príncipe Phillipe — a voz profunda e irredutível não permitia desafios, não permitia que o contestasse. Minha mãe, ao seu lado, se remexia incessantemente no vestido carmesim, parecia nervosa, assombrada com alguma coisa.

— Sua corte está sendo muito complacente comigo Majestade — Se curva exageradamente. — como todas as vezes que me convida.

Reviro os olhos diante da falsidade de Phillipe, ele detestava meu pai, odiava o calor dessas terras e, todas as vezes que alguém da corte se aproximava ele os mandava embora rabugento. A simpatia e o sorriso bonito que exibia nos eventos, nos jantares, escondia a verdadeira cobra, que só via a coroa e as vantagens que ela lhe traria. A ideia de ter ficado noiva dele tinha me tirado o sono diversas noites este mês, passei altas horas da noite rezando que tudo não passasse de um pesadelo, mas o baile feito para nos apresentar foi como um balde de água fria, me trazendo de volta a realidade. Mas eu ainda tinha um fio de esperança, aquele pequena e tola faísca que o casamento demorasse para acontecer, que eu fosse ter mais tardes com Elliot, meus poucos momentos de liberdade.

Sabia exatamente o porquê minha mãe estava agitada.

— Que bom que está satisfeito. — Passo o peso do corpo entre uma perna e outra, tentando conter a agitação. As pedras do vestido marfim começaram a machucar a minha pele de tanto que o apertava. Meu noivo direciona um sorriso venenoso ao rei.

— Bom, nós e os reis de Terak tomamos uma decisão referente ao casamento de vocês. A data finalmente foi decidida, estamos muito ansiosos para a concretização...

— Quando será? — Foi a primeira coisa que saiu da minha boca desde que cheguei ali. Minha voz vacila diante do seu olhar pesado, mas não pude evitar, precisava saber quando aconteceria.

— Daqui dois dias. — O olhar da minha mãe cruza com o meu, penosos, com um tipo de culpa que nunca a vi sentir antes.

Ao meu lado Phillipe não conseguia conter o sorriso triunfante. Meu pai não desviou os olhos por um único segundo, esperando para ver como eu reagiria. Mas não ousei dizer uma única palavra, não tinha uma única palavra para se dizer, o único fio de esperança que eu me agarrei esse tempo todo, como uma oportunidade de encerrar tudo isso, acabou de se partir em mil pedaços irrecuperáveis.

Me desprendo do príncipe e, antes que eu partisse salão à dentro, observo minha mãe dar um único passo hesitante, como se fosse tentar falar comigo, mas desiste, então sigo em frente, indo até a pessoa que me ajuda a superar todas essas coisas. Lua.

Até um primeiro momento a jovem Lady não me nota, perdia entre risadinhas e jogadas de cabelo com o visconde Henry.

— Lua. — Chamo-a, com certa indelicadeza. Sabia que era egoísmo atrapalhar um momento dela para me ajudar com crises que daqui um ano possa ser que eu nem mais lembre, que não mais entenda o motivo de tamanha comoção. Mas naquele momento, se ela não me ajudasse, faria uma loucura.

Como se acompanhasse o turbilhão de coisas que passavam pela minha mete ela se vira, o vestido azul escuro, do mesmo tom de seu cabelo, acompanha o movimento graciosamente.

— Mirian! — me puxa para um abraço, passando meus cachos castanhos para trás dos ombros. — Eu vi o anúncio. — Murmura. — Ele já te informou a data?

Foi um soco no estômago. Dois dias, era isso, daqui dois dias eu realizaria o sonho de Lorde Cambrie, daqui dois dias meus princípios, minha dignidade, tudo seria jogado fora, trocado, por ouro e poder. Porque é isso que eu sou, um rosto bonito para ser vendido pelo lance mais alto.

Não pude evitar que as lágrimas se acumulassem.

— Mirian...

— Eu não quero falar sobre isso — me desvencilho e seus braços. — Afinal, do que importa as lágrimas?

Passo as mãos pelo rosto, tentando secá-las, me recompor. Tudo aquilo não adiantava nada, eu sabia, desde sempre, que teria que fazer isso.

— Vamos beber — concluo. — é isso que precisamos, muita bebida, álcool para esquecer os problemas. Como na adolescência.

— Mirian, não sei se...

— Lua por favor — imploro. — Preciso disso.

Ela amarra a cara mas segue meus passos frenéticos até a adega. Por um momento erámos adolescentes de novo, fugindo de reuniões, namorando escondido e invadindo adegas reais.

Enquanto as pessoas dançavam e tomavam taças de champanhe, nós tecnicamente furtamos duas garrafas de whisky e nos escondemos em uma sala daquele andar, uma das bibliotecas.

A sala, apesar de cercada de livros, era uma das menores do palácio, continha somente a história do nosso país, a história dos reis e rainhas que um dia andaram por esses corredores. No futuro minha história estaria gravada em um desses livros, meu quadro ao lado do deles.

— Um brinde — estendo uma das garrafas em direção a Lua. — Ao meu fracasso.

— Você não fracassou.

— Então à...

— Ao seu reinado.

O tilintar das duas garrafas ecoou e, finalmente, tomamos o primeiro gole.

A primeira dose desceu queimando pela garganta, me encolho diante da sensação, minha cara revirando em uma careta. Conforme as garrafas iam esvaziando, eu me sentia mais leve, solta e o líquido descia tão facilmente quanto água.

— Amanhã — Tomo outro gole. — Verei Elliot.

— Mais um plano de fuga Princesa? — Lua estava corada, mole, totalmente bêbada antes da meia noite.

— Preciso avisá-lo que daqui três dias serei esposa do Príncipe das neves. — Levanto-me, cambaleante. A sala gira ao meu redor, perdendo o foco, algo no meu estômago se revira.

Sem aviso prévio vou me esgueirando pelas paredes, pelas estantes, tentando chegar à porta.

Assim que consegui atravessá-la saio correndo pelo salão lotado, descalça no meio da multidão, atravessando os condes, duquesas e mercantes o mais rápido que conseguia. Um a um eles vão ficando para trás, sinto aquele gosto amargo subir até a garganta, coloco a mão na boca, me encolhendo.
Ainda estava na metade do salão.

Sinto o aperto ficar pior, pressiono mais a mão contra a boca, os anéis machucando meu rosto. A multidão estava me engolindo, não tinha mais espaço para respirar, as pessoas me cercavam de todos os lados, ficando cada vez mais próximas, pressionando mais e mais. Eu não conseguia mais respirar.

Antes que eu vomitasse no meio de todo mundo alguém agarra meu braço, o toque gelado me traz de volta ao mundo, me guiando para o fim do salão, para o banheiro. As pessoas se mantinham longe dali, juntando-se mais próximas aos Reis, a coroa.

Corro direto para a privada, sentindo meu estômago dolorido se contraindo enquanto jogava tudo o que eu comi para fora. Contorço o rosto diante do horrível gosto amargo que preenchia minha boca depois de vomitar.

Minhas pernas tremiam quando me levantei, minha pele estava amarela, pálida pelo mal estar, lavo meu rosto com a água gelada, tentando aliviar a sensação de calafrio, jogo nos pulsos e no pescoço. Suspiro exausta.

Saio a passos lentos do banheiro, tentando controlar a respiração. A pessoa que me ajudou a passar pela multidão já não estava mais lá quando saí, e não adiantaria procurá-la, não tinha visto seu rosto, não sabia seu nome nem mesmo como era sua voz.

Avisto Phillipe correndo até mim, agitado. Não, eu precisava ir para o meu quarto.

— Avise ao Rei que passei mal e retornei aos meus aposentos. — disse a um dos guardas que estava parado a porta do banheiro, provavelmente sabendo que sua futura rainha vomitava ali dentro. Ele assente em resposta.

Sozinha, me dirijo ao meu quarto na ala oeste, cada passo pesado, cansativo com meu estômago dolorido. Não me demoro com detalhes ao entrar no cômodo, o vestido é largado em um canto qualquer, e meu corpo, sem mais do que a lingerie, se perde na macies da enorme cama.

13 de Novembro de 2020 às 23:23 4 Denunciar Insira Seguir história
5
Leia o próximo capítulo 2 | Inconsequente

Comente algo

Publique!
Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Marlana! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Nada como o bom e velho casamento arranjado, coisas entre rixas de governos e os pais que não estão muito contentes com o que vai acontecer, mas sabem que precisa, em um contexto de cenário onde o imprevisto está para acontecer. Não consigo nem por em palavras o quanto essa sinopse já me pegou desprevenida e ao mesmo tempo me deixou ansiosa para saber o que estava por vir na vida da nossa querida Mirian. Bom, vamos lá. A coesão e a estrutura do seu texto, até aqui me parecem ótimas. A narrativa mostra uma história contada do ponto de vista da personagem, o que faz com que ao ler, a gente acabe compartilhando das suas emoções naquele exato momento, e isso acaba proporcionando um texto de altos e baixos, e cheios de emoções. Eu imagino que até o final iremos sofrer demais e acabar por compartilhar muitas outras coisas com ela. Quanto à estrutura, dado a sinopse e as tags que estão de informativos, e até mesmo a capa da história, a classificação etária foi modificada, para a história ficar de acordo com as regras comunitárias e não sofrer nem um tipo de denúncia. Me pergunto o que o futuro reserva para nossa querida protagonista e espero que no fundo ela não se arrependa daquilo que terá e será necessário fazer. Com certeza desejo acompanhar esse desenrolar. Quanto à gramática, existem em alguns diálogos a falta da virgula obrigatória em caso de vocativos, como por exemplo: “Está deslumbrante Mirian” em vez de “Está deslumbrante, Mirian”, “Espero que esteja sendo bem recebido Príncipe Phillipe” em vez de “Espero que esteja sendo bem recebido, Príncipe Phillipe”, “Sua corte está sendo muito complacente comigo Majestade” em vez de “Sua corta está sendo muito complacente comigo, Majestade”. Geralmente virgulas são um pouco chatas mesmo, mas existem nos blogs muitas dicas e esclarecimentos de como usar as virgulas obrigatórias, convido você a dar uma olhadinha e assim poder obter mais conhecimento para melhorar em muito mais as suas histórias. Outros tipos de apontamentos: “passavam pela minha mete! Em vez de “passavam pela minha mente”. No geral é uma história com uma premissa muito boa e diferente a tudo que estamos acostumados a ver. Acredito que ela ainda ira surpreender muito! Desejo a você sucesso e tudo de bom nessa jornada. Abraços.
May 24, 2021, 18:59

Aarvyk Caires Aarvyk Caires
Vimos muito, ao mesmo tempo vimos pouco. Gostei da escolha de nomes, como Neshimia, deu um toque único!
January 25, 2021, 03:00

~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 28 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas