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lualua_ Lua Silva

Vingança, realeza e romance. De uma aldeia isolada ao poderoso castelo do Rei tirano. A vida de Maya Allen muda drasticamente após a morte suspeita de seu pai. Na busca por respostas seu caminho cruzará com o do novo Comandante, o aclamado e admirado Lobo, o melhor e mais famoso cavaleiro do reino, temido e respeitado por todos, mas não por nossa guerreira que vê nele um potencial culpado. A sede de justiça de Maya incomoda os poderosos e a colocará numa jornada de muitos perigos, desafios e descobertas que mudarão seu destino e suas concepções. Instagram da história: @guerreirabook (Link no perfil)


Romance Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#romance #coroa #trono #comandante #plebéia #reino #realeza #monarquia #tirano #rei #rainha #medieval
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Capítulo I

ㅡ Onde está minha pequena guerreira? ㅡ A voz ecoou pela casa.

Levantei da cama num pulo. Os pés descalços se chocando contra a madeira gélida e velha, corri em sua direção, me embolando na descida dos degraus, mas mantendo equilíbrio suficiente para ficar de pé.
Estava com tanta saudade dele que meu coração parecia querer explodir de alegria só em saber que iria vê-lo depois de tantos dias.

Pulei em seus braços quando finalmente o alcancei na sala de nossa casa.

ㅡ Olha só, o braço já está bom! ㅡ Ele me levantou e me girou no ar, analisando o braço que eu havia machucado ao saltar de uma árvore de mal jeito.

ㅡ Sim, pai! Já estou pronta para outra ㅡ entrelacei meus braços ao redor de seu pescoço e ele soltou uma risada.

ㅡ Nada de outra mocinha, você já acumula machucados demais para uma garota de treze anos ㅡ minha mãe entrou na sala falando no seu tom sério típico e depositou uma bandeja com água na mesa de canto.

ㅡ Mary, deixe a menina se divertir, você tem que entender que sua filha é uma guerreira ㅡ meu pai me colocou no chão e pegou uma caixa grande que estava junto de suas bolsas jogadas próximo a porta.

ㅡ Isso mesmo! Mãe, eu vou ser uma grande guerreira um dia, a senhora vai ver.

ㅡ Richard, não me diga que é mais um presente perigoso?! ㅡ Ela dirigiu um olhar de reprovação para a caixa nas mãos do meu pai.

ㅡ Pelo contrário, esse presente vai livrá-la do perigo ㅡ ele ergueu a caixa em minha direção e eu a peguei sem hesitar, a abrindo quase que com desespero.

ㅡ Uma espada... de verdade! ㅡ Encarei boquiaberta o metal brilhante no interior da caixa. A coloquei em cima do nosso sofá e continuei a vasculhá-la virando a espada em todas as direções.

Minha coleção de espadas não era grande, haviam algumas de madeira e outras de metal, porém menores que as normais. Essa era a primeira vez em que tocava numa espada como aquela.

Meu pai nunca deixou que pusesse as mãos na dele, por mais que tentasse quando ele não estava olhando, ele dizia que um dia eu teria minha própria espada, quando estivesse pronta para isso.

ㅡ Eu estou pronta? ㅡ Desgrudei meu olhar da espada e olhei em seus olhos escuros.

ㅡ Sim, querida, você está! Está pronta para começar a treinar com muito cuidado, eu vou lhe ensinar tudo, com muita calma ㅡ ele sorriu. ㅡ Também está pronta para usar isso, minha mais nova aprendiz ㅡ ele tirou do bolso um colar prata com a cabeça de um lobo esculpida e o colocou em meu pescoço.

ㅡ Vou fazer o juramento? ㅡ Dei pulos de alegria.

ㅡ Vai sim. Igualzinho ao do Matthew ㅡ ele disse fazendo minha mãe balançar a cabeça preocupada.

Aquilo significava muito para mim. Meu pai era um grande guerreiro e Capitão do exército de Riron, nosso reino no extremo norte do continente governado pelo tirano, o Rei Albert, conhecido por suas punições cruéis, seus tributos exorbitantes e seu grande tesouro.

ㅡ Obrigada, pai ㅡ peguei minha espada e a abracei. Linda, poderosa, pesada e quase do meu tamanho.

ㅡ Muito cuidado, Maya, por favor, tenha muito cuidado, não quero ver você machucada novamente, está me ouvindo? ㅡ minha mãe pegou a espada de minhas mãos com uma expressão preocupada pairando em seu rosto e a guardou na caixa.

Ela era extremamente protetora e não entendia muito bem minha vontade de ser uma guerreira, o sonho dela era me ver casada com um bom homem e construindo minha própria família.

ㅡ Vamos jantar, vou chamar a Rose ㅡ ela disse pondo a caixa também em cima da mesinha da sala.

ㅡ Maya, estava dormindo sem jantar? ㅡ Ele me olhou confuso e bebeu um gole de sua água.

ㅡ Estava cansada ㅡ me expliquei e mostrei as palmas de minhas mãos para ele.

Calos e mais calos, mexer com plantações não era nada fácil. Mas era o necessário para nos sustentar. Vivíamos numa pequena fazenda numa aldeia isolada do reino, lá era mais seguro, segundo meu pai, e as colheitas e os animais ajudavam a termos uma vida melhor. O Rei era extremamente miserável nos pagamentos, até mesmo para o meu pai e outros líderes do exército e não havia o que fazer quanto a isso.
Meu pai se desdobrava entre estar no castelo em seu trabalho e conosco sempre que possível, essa era a nossa vida e eu era grata por cada segundo que passava ao seu lado.

ㅡ Tivemos um longo dia de trabalho hoje, deixei Maya descansar um pouco antes do jantar... volto num instante ㅡ minha mãe disse se dirigindo a porta e então se foi.

Segui para a mesa com o meu pai, minutos depois ela voltou com Rose, seu marido Izaac e seu filho Matthew. Eles eram nossos vizinhos na fazenda, meu pai os abrigou quando eles fugiram do seu antigo reino por conta de uma guerra, desde então eles trabalhavam nas nossas terras junto conosco.

ㅡ Você não vai acreditar no que o meu pai me deu ㅡ falei empolgada para Matthew. Ele havia se sentado ao meu lado na mesa enquanto nossas mães colocavam os pratos.

ㅡ Um arco e flecha? ㅡ Ele arregalou seus olhos verdes.

Matthew era meu melhor e único amigo, não me lembro de nenhum momento da minha vida em que ele não estivesse por perto, ele era um irmão para mim. Um irmão por vezes chato e briguento, mas ainda assim, meu irmão.

ㅡ Não! Ganhei um arco e flecha ano passado, você se esqueceu? Foi uma espada, uma espada de verdade, grande e pesada, muito pesada. E o colar também ㅡ ergui o colar que estava por dentro da minha blusa na frente do rosto dele.

ㅡ Uau, incrível! Podemos treinar juntos agora ㅡ Matthew já tinha uma espada, meu pai havia lhe dado dois anos atrás quando ele completou treze anos. Assim como um colar de lobo igual ao meu e o juramento de aprendiz.

ㅡ Sim, vamos ser ótimos guerreiros! ㅡ Completei e Matthew sorriu.

ㅡ Crianças silêncio. Vamos fazer uma oração antes de comer ㅡ meu pai chamou nossa atenção e então prestamos atenção em cada palavra proferida por ele.

Após o jantar nos sentamos no lado de fora da casa, ao redor da fogueira, o papai costumava fazer isso em dias importantes, com certeza algo de diferente estava acontecendo.

ㅡ Richard, está na hora de contar ㅡ ouvi quando minha mãe cochichou para meu pai.

Olhei para ele curiosa, meu corpo gelou e não foi pelo frio.

ㅡ Meus queridos, hoje pela manhã recebi o honroso convite para assumir o posto de Comandante do exército de Riron, após nosso antigo Comandante ficar impossibilitado de cumprir suas funções por causa de uma doença. Vim aqui hoje especialmente para dar-lhes a notícia.

Meu pai... Comandante. Fiquei estática absorvendo aquela notícia, era o sonho dele com toda certeza.

ㅡ Senhor Richard, isso é incrível! ㅡ Rose disse animada.

ㅡ Parabéns, pai, fico muito feliz pelo senhor ㅡ o abracei.

ㅡ Parabéns, tio Richard, o senhor será um ótimo Comandante! O melhor de Riron! ㅡ Matthew também o abraçou.

ㅡ Com certeza será, felicidades meu amigo ㅡ Izaac cumprimentou meu pai.

ㅡ Obrigado a todos, mas agora eu tenho uma notícia não tão boa. Com o aumento das responsabilidades, serei ainda mais cobrado e passarei mais tempo no castelo e minha ausência aqui ocorrerá por mais tempo. Prometo que irei fazer o possível para estar aqui, o máximo que puder, jamais deixarei minha família ㅡ meu pai disse me abraçando mais uma vez.

ㅡ Vou sentir sua falta, pai ㅡ o abracei mais uma vez e ele afagou meu cabelo.

ㅡ Eu também, minha guerreira, eu também...

Estava feliz pela conquista dele mas sabia que as coisas não seriam mais as mesmas.

Depois da notícia os adultos ficaram conversando, eu e Matthew fomos treinar com nossas espadas de madeira, meu pai não deixou pegarmos as espadas de verdade antes que eu passasse por um treinamento particular com ele.

ㅡ Você está muito ruim hoje ㅡ Matthew riu quando me desarmou facilmente.

ㅡ Não consigo me concentrar ㅡ caminhei até minha espada, a peguei e sentei no chão coberto por capim.

ㅡ Por causa da notícia? ㅡ Matthew sentou-se ao meu lado.

ㅡ Sim...

ㅡ Achei que estivesse feliz ㅡ ele me olhou confuso.

ㅡ E estou... mas também estou triste. Papai vai ficar distante por mais tempo, talvez nem volte mais por meses...

ㅡ Maya ㅡ ele me interrompeu e me encarou. ㅡ Seu pai não vai abandonar vocês, tenho certeza que ele não ficará distante por tanto tempo, tio Richard não faria isso... e se isso acontecer, tenha certeza que não é culpa dele. Tudo dará certo, você tem a todos nós aqui, não esqueça disso.

ㅡ Tudo bem... você tem razão ㅡ expirei e encarei a minha família se levantando de onde estavam ao redor da fogueira.

ㅡ É, eu tenho.

ㅡ Está na hora de dormir, crianças ㅡ minha mãe falou e acenou para que fôssemos até ela.

ㅡ Até amanhã, Matt ㅡ me despedi dele e entrei em casa com meus pais.

Ao amanhecer meu pai arrumou suas coisas e partiu para o palácio. Nas semanas seguintes ele aparecia com frequência em casa. Aproveitamos cada segundo para treinar luta com e sem espadas e o arco e flecha, Matthew também participava do treinamento, ele era muito bom, tão bom quanto eu... talvez um pouco melhor.

Depois de mais algumas semanas longe, meu pai havia voltado. Seus cabelos grisalhos estavam maiores e uma expressão de cansaço habitava em seu rosto.

ㅡ Minha Maya, como você está crescendo depressa! ㅡ Ele me abraçou.

ㅡ Vamos treinar, vou chamar o Matt.

ㅡ Menina, deixe seu pai descansar um pouco ㅡ minha mãe disse após beijar meu pai.

ㅡ Não se preocupe meu amor, eu tenho que treinar essa garota.

Depois de algumas horas treinando estava exausta. Eu, Matt e meu pai resolvemos descansar um pouco, então nos sentamos no gramado da frente de nossas casas.

ㅡ Maya, tenho pena do seu futuro marido ㅡ Matt disse rindo enquanto analisava minha espada.

ㅡ Eu não vou me casar ㅡ falei decidida.

Não tinha nenhum outro plano para minha vida além de ser uma guerreira ou uma comandante. Não queria acabar presa numa casa lavando e cozinhando, eu admirava tudo que mulheres como minha mãe e Rose faziam, mas sentia que aquela vida não era o que eu desejava.

ㅡ Não acha que está muito cedo para decidir isso, minha filha? ㅡ Ele me olhou surpreso.

ㅡ Talvez, pai ㅡ dei de ombros, eu poderia mudar de opinião um dia, apesar de achar isso algo muito difícil de acontecer.

ㅡ Mas o Matthew está certo, seu marido terá que ser um guerreiro também ㅡ ele deu uma risada.

ㅡ E saber domar feras ㅡ Matthew disse após uma risada.

ㅡ Cala a boca, Matt ㅡ dei um empurrão nele e baguncei seus longos cabelos castanhos claros.

ㅡ Não estou mentindo, tio Richard concorda comigo ㅡ ele se esquivou de minhas mãos e correu.

ㅡ Não adianta correr! ㅡ O segui e consegui o derrubar na grama, continuando meu ataque aos seus cabelos.

No dia seguinte, meu pai foi embora novamente e as semanas e os meses se passaram como de costume: treinos, plantação e aulas particulares que minha mãe dava a mim e a Matt desde pequenos. Ela queria que soubéssemos escrever e ler bem, assim como meu avô havia lhe ensinado quando ela tinha nossa idade. Infelizmente, não cheguei a conhecer meus avós, nem os maternos, nem os paternos. Meus pais e a família de Matthew eram tudo o que eu tinha.

As visitas de meu pai ficavam cada vez mais curtas conforme o tempo passava, o Rei o enchia de afazeres e obrigações. Mesmo assim, ele nunca perdia a alegria de poder comandar o exército, ele amava o que fazia.

No aniversário de dezesseis anos do Matthew, meu pai deu um jeito de vir até nossa casa e participar de uma singela comemoração. Enquanto ajudava minha mãe a arrumar a cozinha percebi que meu pai estava conversando com Rose e Izaac, Matthew estava com uma expressão extremamente feliz e eu extremamente curiosa.

ㅡ Maya, eu vou ser um soldado! ㅡ Matthew gritou me abraçando e me levantando assim que entrei na sala.

ㅡ Nossa, meu Deus! Mas como?!

ㅡ O Rei pediu que eu selecionasse novos aspirantes a soldados, filha, na idade do Matthew. Como sempre foi o sonho dele não vi porquê não o convidá-lo.

ㅡ Parabéns! Estou muito feliz por você ㅡ o abracei novamente.

ㅡ Obrigada, Maya, vou aprender muitas coisas novas para treinarmos sempre que pudermos.

ㅡ Claro que vai, você vai se sair muito bem ㅡ tentei segurar o choro.

ㅡ Ah não... não chora ㅡ Matthew secou minhas lágrimas com os polegares.

ㅡ É só que... é que eu vou sentir sua falta, muito.

ㅡ Eu sei que vai ㅡ ele riu ㅡ eu também vou. Mas virei aqui sempre, não é um adeus, é um até logo.

ㅡ Tudo bem ㅡ engoli o choro e o abracei novamente.

Eu sabia que não o veria mais como antes, os dois homens da minha vida estavam seguindo seus sonhos, eu sentiria a falta de Matt assim como sentia a do meu pai.

Depois de mais algumas horas de conversa fomos nos recolher. Me preparei para dormir já sabendo que não iria conseguir descansar nem por um segundo aquela noite.

ㅡ Minha guerreira, sei que você vai sentir a falta dele, mas ele está trilhando seu próprio caminho ㅡ meu pai falou ao me ver encolhida na cama.

ㅡ Eu sei pai, queria tanto ser um menino agora e poder ir com vocês ㅡ engoli o choro.

ㅡ Não pense assim meu amor.

ㅡ Eu também queria trilhar meu próprio caminho.

ㅡ Maya, as coisas vão acontecer quando tiverem que acontecer, corra atrás dos seus sonhos sim, mas não se preocupe tanto com isso. Viva o presente ㅡ ele disse alisando meu cabelo preto e longo, idêntico ao da minha mãe e eu assenti. ㅡ A propósito, seu cabelo fica muito bonito sem estar preso naquelas tranças, menina.

ㅡ Obrigada pai, mas cabelo solto e espadas não são uma combinação muito boa.

ㅡ Tem razão, boa noite. Acorde cedo para se despedir do Matthew. Eu te amo ㅡ ele saiu do quarto em seguida apagando as velas que iluminavam o ambiente.

ㅡ Também te amo.

Após o café da manhã Matt partiu com meu pai, tentei segurar o choro mais uma vez, mas falhei. Rose estava tão emocionada quanto eu, e Izaac orgulhoso de seu filho.

Os meses se passaram tediosos, agora eu tinha que treinar sozinha. Matt e meu pai costumavam nos visitar no máximo duas vezes no mês e traziam mantimentos consigo, um inverno rigoroso assolava nossa aldeia há tempos e as plantações quase não produziam nada.

Estávamos passando por maus bocados, sem a ajuda do meu pai com certeza passaríamos fome.

Na última visita deles Matt estava completando dois anos de treinamento, ele já era um soldado muito competente, estava com dezoito anos e não era mais um menino, ele era um homem preparado para seguir sua vida.

Sua competência era tamanha que foi convocado para uma expedição exploratória em terras distantes, por tempo indeterminado, sua última visita foi na verdade uma despedida.

ㅡ Seja forte e corajoso! Estou orgulhosa de você, ainda vamos comandar um exército juntos, você vai ver. Eu te amo, Matthew, você é o melhor irmão e melhor amigo que eu poderia ter!

ㅡ Eu também te amo, pirralha, nós seremos grandes comandantes um dia ㅡ ele me abraçou. ㅡ Nos encontraremos em breve...

ㅡ Já sei, isso não é um adeus, mas sim um até logo.

ㅡ Isso mesmo! ㅡ Ele beijou minha testa e se despediu mais uma vez dos pais.

O "até logo" de Matthew se estendeu mês após mês, e ano após ano. E o sétimo ano após sua partida chegou. Sonhava todos os dias com nosso reencontro, em ver como ele estava, mal podia esperar para ouvir suas histórias de aventuras nas novas terras.

Era meu aniversário de vinte e três anos e como de costume minha mãe preparou um jantar especial, não tão farto quanto no passado, mas ainda sim especial. O clima frio e seco ainda permanecia em nossa aldeia e reino, as plantações continuavam cada vez mais improdutivas e as dificuldades aumentavam.

Rose e Izaac já estavam a mesa, assim como minha mãe, mas eu me recusei a comer até que meu pai chegasse. Ele viria, tinha certeza, ele nunca faltou um aniversário sequer meu.

Caminhei de um lado para o outro na porta de casa aguardando sua chegada, imaginei como seria legal se Matt também pudesse vir, afastei meus pensamentos e foquei na estrada de terra que se estendia da porta de nossa casa até o horizonte rodeado de árvores imensas.

Era ele.

ㅡ Meu pai chegou! ㅡ Gritei entrando em casa e saindo na mesma rapidez. ㅡ Eu sabia que o senhor viria ㅡ pulei em cima dele quando o mesmo desceu do cavalo.

ㅡ Meu Deus! Você está pesada ㅡ ele disse após me levantar.

ㅡ Não sou mais uma criança ㅡ segurei em sua mão e o puxei até dentro de casa.

O jantar foi alegre e por algumas horas eu senti como se tudo estivesse bem novamente, como se meu pai sempre estivesse ali conosco e como se Matt fosse chegar a qualquer instante.

Rose e Izaac se despediram e voltaram a sua casa depois que tínhamos arrumado tudo sozinhos, para deixarmos meus pais conversarem a sós por um tempo.

A comida de minha mãe era perfeita. Ela tinha um dom impressionante para cozinhar, dom esse que eu com certeza não tinha herdado, a genética me passou apenas o dom da luta e domínio de armas que vinha do meu pai, e eu estava satisfeita com isso.

ㅡ Então querida, eu e seu pai queríamos falar sobre um assunto importante com você ㅡ minha mãe falou sentando-se ao meu lado no sofá velho de nossa sala.

Eu já até podia prever o assunto que deixava minha mãe tão preocupada a ponto de querer fazer uma reunião de família para discutir sobre.

ㅡ Todas as moças na sua idade já estão se casando ou ao menos procurando pretendentes, Maya, você precisa arranjar um noivo querida, formar sua família ㅡ ela falava calmamente. ㅡ Seu pai conhece muitos partidos bons no palácio e arredores e se você quiser poderíamos tentar conhecê-los aos poucos, o que acha?

ㅡ Não! Claro que não, eu não quero conhecer ninguém, eu não quero que vocês saiam por aí tentando achar um bom partido, eu não preciso de nenhum partido. Por favor, mãe, eu não quero me casar agora, e se um dia quiser, eu mesma vou escolher meu marido.

ㅡ E se o Matthew voltasse? ㅡ Ela questionou fazendo meu pai arregalar os olhos em surpresa.

ㅡ Mãe! O Matt é como um irmão para mim. Um irmão! Irmãos não se casam, por favor nunca mais pense nisto, é nojento. Com licença, esse assunto já se encerrou para mim ㅡ subi as escadas fulminando de raiva, aquele assunto me tirava do sério mais do que qualquer coisa.

ㅡ Maya, volte aqui! Ainda não terminamos a conversa! ㅡ Minha mãe gritava enquanto a risada divertida do meu pai ecoava pela casa.

ㅡ Querida ㅡ ouvi a voz do meu pai na porta do meu quarto, retirei o travesseiro que cobria minha cabeça e o encarei.

ㅡ Papai, eu não vou me casar com nenhum nobre velho ou filho de nobre idiota. Por favor.

ㅡ Claro que não vai, você merece alguém com uma força, inteligência e honestidade tão grandiosas como as suas ㅡ ele sentou-se ao meu lado. ㅡ Minha guerreira, sua mãe só está preocupada com seu futuro, a criação dela faz ela pensar que um casamento é o ideal, eu sei que isso não é sua vontade no momento. Mas não quero que você descarte totalmente a possibilidade de ter uma família. Sabe por que eu sou feliz, Maya? Não por ser o Comandante do exército de Riron, mas por ser pai de uma garota brilhante e corajosa como você, por ser esposo de uma mulher forte e doce como sua mãe, por ter amigos verdadeiros como Rose, Izaac e Matt. Vocês são minha família. Maya, vocês são minha vida, eu amo o meu trabalho mas nada nunca vai ser maior e me fazer mais feliz do que ter vocês. E quando você encontrar o homem que te fará feliz, não esqueça que as pessoas que amamos são mais importantes que cargos e honras, pense nisso. Boa noite, eu te amo ㅡ ele disse beijando minha testa.

ㅡ Eu também te amo.

Ele tinha razão. A família era o que mais importava e se um dia eu conhecesse alguém capaz de despertar essa vontade em mim, a minha família seria minha prioridade assim como nós éramos para meu pai.

Na manhã seguinte me desculpei com minha mãe, mas ainda recusando a ideia de conhecer pretendentes, não queria virar prisioneira de ninguém, me unir e dividir minha vida sem sentimentos, por pura necessidade. Isso, jamais. Se fosse meu destino me casar com alguém, ele surgiria na minha vida sem precisar de apresentações ou indicações.

Meu pai partiu após o almoço e prometeu voltar no último dia do mês com mais mantimentos e nenhum pretendente.

Os dias se passaram lentamente, frios e tediosos.

Naquela manhã eu estava inquieta, ia da janela para a porta a cada dois minutos, o meu pai deveria ter chegado na noite anterior. O sol já havia nascido e nada dele, meu coração estava apertado e eu senti que algo ruim havia acontecido.

ㅡ Maya, você não dormiu? ㅡ Minha mãe apareceu preocupada na sala.

ㅡ Não mãe, eu estou tão angustiada.

ㅡ Querida, você precisa descansar ㅡ ela disse colocando a mão em minha bochecha.

ㅡ Eu sei, mas não consigo, não enquanto o papai não chegar ㅡ faziam dez anos que meu pai era o Comandante e eu ainda não havia me acostumado com essa distância entre nós.

Me sentei numa cadeira da sala, eu só queria vê-lo entrar por aquela porta.

Fiquei lá por horas e a minha angústia só crescia, minha mãe tentava me manter calma, mas eu sabia que ela não estava nem um pouco tranquila como tentava transparecer.

Após longas horas de espera, ouvi sons de cavalos seguidos de uma batida na madeira. Meu coração estava batendo tão rápido que eu sentia como se ele fosse sair pela boca a qualquer instante.

Levantei num pulo e abri a porta, um homem não muito velho acompanhado de alguns soldados estava parado bem na minha frente.

ㅡ Boa tarde senhorita, você deve ser Maya, a filha do Comandante Richard ㅡ ele disse num tom sério.

Eu assenti com a cabeça desesperada, não conseguia pronunciar nenhuma palavra, já imaginava o que ele iria falar.

ㅡ Sou o Conselheiro John, grande amigo do seu pai ㅡ meu pai havia falado algumas vezes dele. ㅡ Venho a mando do Rei Albert para informar-lhe de um fatídico acontecimento no palácio. Tivemos uma espécie de tentativa de invasão de rebeldes, o Comandante Richard combateu bravamente e impediu que males maiores fossem causados, mas infelizmente ele foi atingido num golpe covarde e não resistiu.

Encarei o homem a minha frente paralisada.

"Não resistiu". As palavras ecoaram em minha mente, como marteladas na cabeça, como golpes de machado em meu interior. Meu corpo gelou e ferveu ao mesmo tempo, meu coração pareceu parar como se quando leva um soco no estômago, minha mão escorregou pela madeira da porta e então eu desabei.

ㅡ Não! Não! Não! ㅡ Bati com as mãos abertas na madeira molhada por lágrimas. Gritei até sentir minha voz se esvair.

Não sei quanto tempo fiquei daquele jeito. Meu corpo não tinha forças para me erguer, tudo havia se ido, com ele. Com a vida dele.

Minha visão ficou embaçada e meu coração palpitava como se tivesse sido atingido por uma adaga centenas de vezes, com certeza a dor de uma perfuração seria bem menor do quê a que eu sentia naquele momento.

17 de Outubro de 2020 às 17:00 4 Denunciar Insira Seguir história
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J.A Siqueira J.A Siqueira
Oh adoreeei ❤❤❤
October 22, 2020, 21:59

  • Lua Silva Lua Silva
    Aaaaaaa fico feliz que tenha gostado! OBRIGADA!!!!😍😍❤❤ October 22, 2020, 23:16
  • J.A Siqueira J.A Siqueira
    kkkkk Só não li tudo pois estou ocupada, mais amei :3 October 22, 2020, 23:18
  • Lua Silva Lua Silva
    Aa entendo kkkkk ❤ October 22, 2020, 23:53
~

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