sophialoren Sophia Loren

26 de abril de 1986 não seria mais um dia qualquer. Foi um dia que o mundo parou. Onde vidas se interromperam com a brisa de um vento, com a explosão de um reator. O que as personificações sentiram? | Betagem por SakuraAngeli |


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#Chernóbyl #tragédia #drama #hetalia
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Capítulo Único — A Rosa Radioativa

Dia 26 de abril de 1986 era uma data que iria mudar o mundo inteiro. Mas começou como um dia qualquer para Belarus que foi visitar sua irmã mais velha, Ucrânia, em um pequeno chalé localizado em uma vilazinha qualquer no país da mais velha. Sua irmã adorava ficar perto da natureza e sempre que podia ia ao chalé. E Belarus, quando desejava um pouco de paz, ia junto com a irmã.

Nada no mundo podia prepará-las para o que estava para vir. Ás uma hora e vinte e três minutos da noite, o mundo em que ambas conheciam ruiu com as explosões do quarto reator de Tchernóbil. Claro que a principio elas não sabiam o que tinha ocorrido ao certo.

Belarus somente sabia que tinha acordado com um grito animalesco, quase inumano. Rapidamente correu até o quarto da irmã e se assustou ao ver Ucrânia largada no chão do pequeno quarto completamente retorcida. Era como se fosse um animal sendo torturado, despedaçado. Nunca tinha visto nada parecido.

Perguntava-se o que tinha acontecido. O que tinha acontecido na Ucrânia? Será que haviam atacado o pequeno país de sua irmã?

Sestra! — gritou Belarus ao sair de seu torpor e ir correndo até a irmã.

— Não se aproxime! — Ucrânia rugiu em meio à dor. Belarus simplesmente não se acanhou com a ordem de sua irmã. Seu medo era perdê-la por completo. Ela não merecia morrer.

— O que aconteceu? Tem algo que eu possa fazer? — perguntou a albina, apoiando o rosto da irmã em suas pernas com um pouco de luta, pois ela se mexia tentando sair de perto da mais nova.

Ucrânia não queria que sua irmãzinha ficasse doente. Algo muito tóxico tinha sido lançado ao ambiente. Seu ambiente, seu país. Belarus deveria se manter a salvo. Longe do que quer que fosse. Que pena, ela estava terrivelmente enganada, já que o segundo lugar mais afetado pelo acidente de Tchernóbil foi Belarus.

— Por favor, me deixe aqui... — a mais velha chorou angustiada.

— Não mesmo! Não vou te deixar sozinha! — Belarus afirmou, preocupada.

Ucrânia sentia seu corpo pegar fogo, como se ele fosse se lidiquificar de dentro para fora. Sentia-se tóxica. E o pior, sentia seu povo sofrer; e que iriam sofrer ainda mais. Sua visão se embaçou e vomitou sangue. Não, Ucrânia sabia que não iria morrer. Não ainda. E por fim, perdeu completamente a consciência.

Ao ver sua irmã desmaiada, Belarus entrou em completo pânico. Precisava chamar ajuda e seu irmão! Mas como? Não tinha nem eletricidade no chalé!

Lembrou-se de que tinha um velho carro na garagem. Se conseguisse levar sua irmã até lá e dirigisse até onde tinha ajuda... Isso resolveria o problema?... Pelo menos, poderia ligar para Rússia.

Com toda sua força, apoiou o corpo pesado de sua irmã no seu e se arrastou até o portal do quarto. E quando menos esperou, sentiu uma vertigem a dominar. O ar queimava seus pulmões. E ela caiu com tudo com o corpo servindo de colchão para Ucrânia. Belarus ainda não sentia dores no corpo. No momento era só o ar que queimava, como se algo quisesse cruzar sua fronteira, mas que iria demorar um pouco para chegar.

Algo radioativo.

Elas acordaram dias depois. Melhor dizendo, Belarus acordou dias depois. Estava em um quarto de hospital, no qual dividia com sua irmã que estava completamente apagada.

Ao longe escutava os murmúrios que desafiavam o barulho das máquinas e, dentre eles, um chamou sua atenção.

— Elas agora são pura radiação. Não há muita coisa que possamos fazer. Nem para elas, assim como para as cidades atingidas. Sempre irão conviver com a radiação. Sempre portarão radiação. — disse um cientista do governo russo atrás da porta. Belarus o viu pela janela ao lado de seu irmão mais velho. — Meu conselho é não chegar mais perto dessas coisas radioativas. Elas não são suas irmãs. Não mais.

As feições de Rússia eram claras para Belarus. Ele se irritou com a última afirmação.

— Elas são minhas irmãs! — agarrou o colarinho do homem que era um pouco menor do que a personificação do país russo. — Elas não são objetos! São pessoas, personificação de seus respectivos países! Trate de pelo menos tentar deixá-las melhor. Entendo que nunca mais vão ficar cem por cento boas, mas quero que tenham uma vida o mais confortável possível. Se for o caso, mande-as para o melhor hospital de Moscou — Bateu o pé no porcelanato branco do hospital — Vou tentar entender o que realmente aconteceu. — e saiu com passadas duras, sem nem mesmo ouvir o que o médico tinha a dizer.

Belarus sorriu tristemente. Seu corpo estava todo dolorido. Em sua pele sentia o quanto seu povo estava afetado. Como será que estavam sendo tratados?

×

Rússia não podia acreditar no que tinha ouvido. Na verdade, não conseguia compreender o que estava acontecendo. Tinha acordado com o movimento do pessoal do governo e com as altas ordens de Gorbachev soando pelas paredes. O que tinha escutado foi “acidente em Pripyat”, fazendo-o se levantar as pressas, preocupado com sua irmã mais velha.

Mas se assustou ao chegar ao chalé e encontrar Belarus desmaiada junto da Ucrânia.

Em largos passos foi até ao soldado que o acompanhava no hospital.

— Vamos para Pripyat agora mesmo — Rússia ordenou, fazendo o subordinado arregalar os olhos.

— Senhor, Gorbachev pede seu retorno imediato a Moscou-

— Não vou voltar a Moscou até entender o que aconteceu com minhas irmãs! — grunhiu fazendo o soldado se encolher de medo — Vou para Pripyat agora mesmo!

— Mas... Senhor... é melhor não ir aquele-

Rússia arrancou as chaves do carro do bolso do soldado pau mandado, sem muita paciência.

— Não me interessa! Minhas irmãs estão sofrendo por radiação e nem sei ao certo o que aconteceu! — rugiu — Mande Gorbachev ir *@ — xingou o presidente. Bastava de ordens daquele cara que não falava nada com ele. — Não importa se eu fique doente, vou saber o que aconteceu!

×

Em questão de dias, toda a Europa registrou índices de radiação. A China e o Japão também. O mundo se despedaçava.

Milhares de pessoas foram mobilizadas para liquidar os resíduos radioativos, matar todos os animais e insetos — detalhe: todos sem nenhuma proteção. Nunca revelaram a eles a gravidade do problema. Muitos morreram dias depois; e o governo logo depois construiu um “abrigo” para o reator não espalhar ainda mais radiação.

Sem falar de todas as pessoas das cidades afetadas pela radiação que morreram pelos dias que se seguiram. Pelos anos que seguiram.

A ignorância sobre o assunto na população e a tentativa de abafar tudo pela União Soviética, fez tudo ser mais doloroso para Belarus e Ucrânia. Julgaram as arraias miúdas pela tragédia.

Muito tempo depois, com Belarus e Ucrânia já em Moscou, contaram o mínimo que aconteceu, chocando ambas as garotas. Ucrânia ficou inconsolável. Ela é que mais sofria por causa das grandes dores. Mal se mexia.

Belarus recebeu a notícia um pouco fria, mas por dentro era só um caco. Um caco radioativo.

Rússia não aparecia mais e ambas as irmãs suspeitaram que o governo soviético o trancou em algum lugar. Para não revelasse tudo ao mundo.

×

Belarus foi acordado aos poucos, com uma bela voz estrangeira cantando lindamente, puxando-a de volta para aquela realidade. Jamais pensou depois de toda aquela dor, angustia e sofrimento, que poderia escutar uma canção tão bonita... E ao mesmo tempo, muito triste.

Quem poderia estar cantando? Não era seu irmão, tinha plena certeza disso.

— Pensem nas crianças — o rapaz voltou novamente para o início da música — Mudas telepáticas; Pensem nas meninas; Cegas inexatas; Pensem nas mulheres... — ele deu uma pausa suspirando. Era como se a pessoa estivesse sofrendo juntamente a ela e sua irmã — Rotas alteradas; Pensem nas feridas; Como rosas cálidas; Mas, oh, não se esqueçam; Da rosa da rosa; Da rosa de Hiroshima; A rosa hereditária; A rosa radioativa; Estúpida e inválida; A rosa com cirrose; A anti-rosa atômica; Sem cor sem perfume; Sem rosa, sem nada*.

Belarus chorou ao abrir seus olhos. O mundo tinha se esquecido das bombas atômicas. De suas consequências. Deveriam ter tratado a radiação mais a sério, mas não, eles seguiram irresponsavelmente.

E Tchernóbil aconteceu. Levando consigo as cidades da Ucrânia e Bielorrússia, onde foram mais afetados.

— Senhor Japão — sussurrou apática, escondendo o rosto com as mãos.

Os olhos do asiático se voltaram para ela.

— Belarus-san. — afirmou com um sorriso amarelo. Pela gravidade da situação nem iria perguntar se estava tudo bem.

— Não deveria estar aqui. Estamos em quarentena — Belarus apontou para a irmã, Ucrânia, dopada na cama hospitalar ao lado. — Pode acabar ficando doente.

Japão negou.

— Já sou radioativo. E eu não tenho medo. — disse como se pedisse um café da manhã.

Hiroshima e Nagasaki. Claro.

— O que faz aqui? Creio que não veio somente para cantar e me deixar um pouco mais triste. O seu governo sabe que está aqui?

Japão colocou o indicador entre os lábios.

— Não, não sabem. Pensei que pudéssemos nos apoiar, já que sofremos com radiação.

Belarus cruzou os braços fechando a cara.

— Quer comparar o nível trágico que foi agora com o seu?

— Não. Não dá para comparar isso. É impossível. Mas podemos nos apoiar, dar forças para enfrentarmos o dia a dia.

Ela suspirou.

— Sim, entendo. — e mais lágrimas silenciosas caíram de seus olhos.

— Obrigada por vir, Japão — uma voz frágil sussurrou ao lado. Ucrânia tinha acordado. — É muito bom ter o apoio de todos vocês, os outros países.

E ele somente sorriu em resposta.

×

Nota: *Música de Ney Matogrosso, Rosa de Hiroshima.


15 de Outubro de 2020 às 11:27 4 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Sophia Loren Só uma garota que gosta de escrever.

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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. A verdade é que eu nem sei o que dizer sobre essa história. Ela é linda, com certeza linda, mas ela é tão triste e tocante que é uma mistura de tristeza com amor, raiva e ódio, sabe? Eu fiquei muito tocada pela história dos irmãos, você fez tudo tão carinhosamente que eu ainda estou em estado de topor, é estranho porque quando eu vi que era uma fanfic eu fiquei preocupada em não entender nada do que você estava querendo dizer, mas apesar de não ter conhecimento sobre nada da base que você usou para ter a inspiração, eu sinti que havia tomado uma surra com essa história. Bom, a coesão e a estrutura do texto estão maravilhosas. A narrativa está surpreendentemente linda e eu me peguei envolvida de uma forma muito intima com a sua história. Quanto à sinopse ela está bem simples mas cheia de mistérios e me instigou a descobrir todas as palavras que estavam por trás daquela pequena introdução. Eu também gostei muito do cenário que você deu, apesar de não ter sido muito coisa pra ser explorado nesse capítulo pequeno, você deu alguns detalhes que deixou fácil para a imaginação e isso foi muito bom. Quanto aos personagens, é difícil dizer sobre já que eu não conheço o contexto e tudo mais. Porém eu achei maravilhosa a ligação que você colocou entre os irmãos e até mesmo com o Japão, a história foi simples e não entrou em detalhes sobre os personagens, mas ela foi tão forte que pra mim não foi algo ruim não conhecê-los. Quanto à gramática, seu texto está muito bem escrito! Foi uma leitura muito agradável e que me deixou completamente sem estruturas. Desejo a você sucesso como escritora e tudo de bom sempre. Abraços.
October 25, 2020, 18:22

  • Sophia Loren Sophia Loren
    Olá! Tudo ótimo! E ficou ainda melhor com o seu comentário gigante! Me emocionei! Minhas fics não tem tanto público, então não sei se o que faço é bom ou ruim. Mas não é um problema tão grande já que adoro escrever. Seu review me deixou muito feliz mesmo! Devo dizer que adoro esse sistema de verificação daqui e por ter pessoas tão gentis a gastar um tempinho lendo, comentando e até corrigindo erros de português. Me mudar para cá foi tudo de bom. Enfim, voltando kkk Escrevi essa fanfic com muito carinho. Sei que não tem muito dado, pois tive medo de acabar saindo algo errado. Peguei o meu livro de Tchernóbil e vi o básico que poderia usar. Tem algumas partes que me basei em relatos dos indivíduos que contam no livro. A parte "Elas não são mais suas irmãs e sim são objetos radioativos" foi que um médico disse a mulher de um dos bombeiros que apagaram o incêndio da usina. Fiquei muito espantada, um espanto pequeno o que aconteceu depois foram coisas muito mais terríveis. Ainda bem que consegui passar tanto sentimento. É gratificante saber disso! A fanfic é sobre o mangá e animê Hetalia. Nele temos as personificações dos países. Ucrânia, Belarus e Rússia são irmãos. Como o mangá e animê é mais voltado para comédia, resolvi desenvolver um pouco o relacionamento desses irmãos. Adoro fazer isso. Geralmente eu tento escrever fanfics que dê para todos lerem e não só o fandom. Gosto de abarcar todo o público. Obrigada! Eu tento dar o meu melhor ^^ E a sinopse... Eu nem sei o que dizer kkk Sempre foi muito difícil eu fazer elas. Que bom que eu consegui deixar misteriosa! Obrigada, obrigada! Nem sei o que dizer mais rs. Abraços <3 October 25, 2020, 19:34
Sakura Angeli Sakura Angeli
História linda, Sophia! É triste pensar em todas as vidas que foram perdidas e afetadas no processo. O que a falta de responsabilidade e apreço à vida humana não faz, né? Eu espero que eles possam ter encontrado paz em algum momento após a morte, para não precisar sofrer mais com esses problemas. Mas ficou bonito o final, com o Japão aparecendo para dar apoio à Ucrânia e Belarus. Dizem que só atingimos a verdadeira misericórdia quando passamos por sofrimentos parecidos que o outro e ele, mais do que ninguém, deve entender a dor dela. E é interessante pensar como os países sentem dor quando acontece algum desastre na terra, por menor que seja. Seria mais poético se não fosse trágico kkkk Enfim, comentário enorme de lado, eu gostei muito da história <3
October 15, 2020, 15:15

  • Sophia Loren Sophia Loren
    Ai, Giulia! Muito obrigada! Pus o coração nessa história, mesmo não sendo tão detalhada assim com a tragédia. Com certeza! Nesse livro que estou lendo — Vozes de Tchernóbil — conta cada coisa triste e de partir o coração! Do que eu imaginei da tragédia, não era nem ½ dela. É um horror! E o descaso do governo é grande! Até mesmo hoje em dia, pois ainda tem gente morando em zona de risco. Sim, isso mesmo! Também espero que tenham encontrado paz e tranquilidade em suas mortes. Japão é um fofo e gentil! Sabe que nesses períodos, pessoas que passaram pela mesma coisa devem se unir e se apoiar. Sim, sim! Ah, sempre imaginei que as personificações dos países sentiriam e sofreriam se algo trágico acontece em suas terras. Obrigada, sério! Você é uma fofa <3 October 15, 2020, 17:12
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