luizasilveirabraga Luiza Silveira

[+12] O fogo é conhecido pelos homens pelo seu imbatível dom de devastar terras por completo. Por outro lado - e da mesmíssima forma - sua luz é a essência que pulsa dentro de nossas almas. Da mais pequena faísca em meio a um inverno assolador, ao aconchegante calor de um abraço. Ambos têm o poder de fazer com que a chama da vida em nossos espíritos flameje por mais uma vez. Graças a uma misteriosa visita, o príncipe deserdado do Reino de Phoenix, Nathan, descobrirá que pode reascender seu coração, depois de anos o esfriando. Ao mesmo tempo em que seus poderes, combinados à uma porção de trabalho em equipe, são a chave para salvar o Reino inteiro das estranhezas místicas que insistem em se revelar nesse ponto geográfico de magia descontrolada, ou até, das forças malignas por trás delas. Qual será a próxima aventura desses dois? Ou melhor... Qual o próximo caso mágico?


Fantasia Fantasia histórica Todo o público.

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A criança em chamas

Quem observa ao longe, pode certamente dizer que a capital do Reino de Phoenix adormece serena, coberta pelo gelo e neve do mês de dezembro, porém, olhando bem de perto, mais especificamente nos aposentos reais, abria-se as cortinas ao verdadeiro inferno. As faíscas flamejantes contidas nas tochas do palácio rebatiam agitadas no ar, a intensidade dos gritos de dor, proferidos pela Rainha Lucy Mary, as fazia sacudirem-se daquela maneira.


Não era a primeira vez que passava pelo rigoroso trabalho de parto, mas sem dúvida foi ainda pior do que as parteiras esperavam. Chacoalhando seus achocolatados cabelos encaracolados, olhava um homem exageradamente alto, sentado ao seu lado e dizia:


— Não Gabe, não vou aguentar, não dá! — O brilho do suor esforçado de sua majestade fazia destacar seus olhos caramelados, que constantemente fechavam rendidos à dor do corpo - GabrieEEL! - Gritou pelo nome do homem.


— Acalma-te, Majesté! Tu conseguir-rrá. — Suas palavras em sotaque francês eram abafadas pelos berros da gestante. Colocara seus cabelos loiros para trás da orelha e passou a segurar ainda mais forte a mão de sua amiga — Tenha force. (Força)


No segundo em que o Marquês proferiu essas palavras, ecoou-se um choro estridente, entre as pernas de Lucy Mary. Acabara de sair do ventre real! era ele: O tão aguardado príncipe Nathaniel Bernardo Fawney.

De repente, interrompido pelo ranger da porta pesada, a criança se calou. Quem entrara era um homem de barba escura e cabelos perfeitamente ondulados. Carregava em sua cabeça um acessório dourado, incrustado de rubis e esmeraldas, acessório esse que o dava poder de governar todo o Reino de Phoenix. Seu nome era Victor, de título ‘’O Irrefutável’’, apesar de Lucy Mary cogitar bem mais a opção ‘’O Língua Afiada’’.

Enquanto uma das parteiras segurava o bebê, a fim de acalmá-lo de seu próprio choro, ela sentira suas mãos esquentarem subitamente. O calor se tornava crescente e incessável, até queimar a pele pálida da senhora, fazendo o pequenino cair no chão, por pouco amortecido pela almofada carmesim, já presente ali. Quando então, um dos maiores imprevistos, ao qual ficaria marcado por toda a história, aconteceu:

Bem diante dos olhos de Victor, Lucy Mary, Marquês Gabriel De-Coeur e todas as dez melhores parteiras do reino, chamas surgiam do corpo da criança. Brotavam como pétalas incandescentes e alaranjadas, saltando sorridentes em uma dança tímida de fervência. No momento em que soltou um caloroso riso — Em todos os sentidos — o rei sacou sua espada, com a ponta em direção ao diminuto elemental.


— Isto não é filho meu. É um demônio! — Esbravejou, mascarava seu medo com a fúria exacerbada.


— Não faço ideia de como aconteceu... — Entrava em desespero a Rainha, ainda assim, não se submetendo a raiva de seu petulante marido - mas não permitirei que tire a vida dele, é apenas um bebê!


Tentava se levantar, uma tentativa falha pois a dor pós-parto permanecia. Em um ato de apoio, Marquês-De-Coeur acolheu o recém-nascido em seus braços fortes, já que o pequenino retornara a forma humana.


— Si é le desir da Majesté, le bebê vivra. (Se é o desejo da majestade, o bebê viverá) — Reafirmou com firmeza, contra seu próprio rei.


O ambiente se tornou tenso, percebendo isso, Victor logo baixou a espada, sem mudar de ideia sobre a natureza daquilo. Pousou a mão sobre a parede ornamentada pelo mais puro ouro, apoiara sua cabeça por poucos instantes, suspirando pesadamente. Em seguida declarou, por fim, o destino triste do pobre menininho:


— Ele poderá viver... — Ponderou impetuosamente sobre o decreto que proferiria a seguir, sua face compunha uma mistura quase perfeita do horror e, sobretudo, da ira eminente — contanto que a população desconheça de seu nome, jamais compareça em eventos da Alta Nobreza, nunca se aproxime de inocentes, e principalmente — Enfatizou os dizeres com um engrossar ríspido na voz — que não seja citado em hipótese alguma na nossa linhagem.


Em um grito de fúria, fincou a espada na parede, com um único golpe.


— Essa é minha palavra final.


Saiu com passos furiosos do quarto, deixando a espada como lembrança da sentença. Suas palavras caíram pesadas para todos naquele lugar, era terrível pensar que o futuro príncipe teria de viver daquela maneira, entretanto, ninguém discordou ou sequer questionou Victor. Pois sabiam que era o certo a se fazer, quando se tratava de um monstro tão descontrolado quanto aqueles que espreitavam pelos cantos sombrios da noite, em busca de novas vítimas.


Eles são ágeis, dissimulados, vivem disfarçados entre os humanos e a própria sociedade mágica com sua segunda pele, feita de carne. Nem os olhos mais experientes, de qualquer caça-feras que seja, eram capazes de distinguir com exatidão a diferença entre um ser humano e um pseudomo.

Qualquer alma que teme pela morte certa, reza à todas as entidades possíveis e imagináveis para que os livre de um encontro mortal com um desses e de muito outros seres e criaturas do reino. Mas sabe, é como todo mundo diz:


‘’ Bem-vindo à Phoenix, vai querer um escudo ou uma espada para a viagem? ’’

14 de Outubro de 2020 às 13:48 0 Denunciar Insira Seguir história
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