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renatavieira88 Renata Vieira

Dara era uma pessoa comum. Cresceu em uma parte pobre de sua cidade, mas conseguiu lutar para obter o seu espaço. Estava feliz com a sua vida até ali. Tinha um noivo, o negócio dos seus sonhos, sua mãe por perto e sua boy band preferida. Ah! Os seus garotos... Cinco, agora já homens, que encantavam o país com seus talentos. O grupo se chamava Lovely Princes e, mesmo com mais de dez anos de carreira, eles ainda tinha seu espaço. Como fã, ela só sonhava em ter um relacionamento amoroso com seu preferido. Ela só sonha. Sabia que nunca poderia ter uma chance com algum deles, tão pouco esperava pela reviravolta de sua vida e o começo de tudo. Escrita em 2017 Completa no Spirit


Histórias da vida Para maiores de 18 apenas.

#erótico #Sliceoflive #vidacotidiana #romance #original #fluffy #drama
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Começo

Dara


Enquanto eu esperava no saguão do aeroporto meu voo ser anunciado, eu revi, pela milésima vez, o programa que meus amigos de faculdade realizavam. Ainda em Constelação, minha cidade natal e a capital do meu país, um sentimento saudosista tomou conta de mim no decorrer do vídeo. Me lembrei de toda a minha trajetória de luta para chegar até ali.

Minha infância foi complicada. Nasci e cresci em um dos bairros mais pobres e perigosos da capital; o Morro do Nascente. Meus pais não tinham muita coisa, muito menos meus vizinhos, mas éramos felizes com o pouco que tínhamos. Eu não me lembro quando a situação começou a ficar ainda pior por eu ser muito pequena, mas lembro de meu pai ir se distanciando de nós duas, minha mãe e eu, até que ele nos abandonou.

Nessa época eu tinha sete anos e havia acabado de mudar de escola. Recordo que, naquele dia, eu não queria ir a ela, mas papai me obrigou, caminhando junto comigo até a entrada e dizendo o quanto eu era importante para ele e que me amava. Não aceitei muito bem sua atitude, mas confiei em suas palavras. Passei a aula inteira ainda me sentindo mal, só entendendo o que estava acontecendo ao retornar para casa e não ver sinal de meu pai. Ele havia nos abandonado.

Minha mãe e eu ficamos em uma situação muito complicada. Ele era a maior renda de nossa família e, sem aquele dinheiro, muito do pouco que tínhamos teve que ser cortado. Nada mais de tênis da moda, ou eletrônico do momento. Eu, depois disso, tive que ser uma garota como qualquer outra do Morro.

Foi nessa época que meu gosto pela confeitaria apareceu. Sem meu pai, minha mãe passou a trabalhar em tempo integral na padaria perto de casa, subindo um pouquinho os trocados que ganhava no fim do mês. Por conta disso, final de semana e férias de escola, eu ia junto com ela e ficava na cozinha, para não atrapalhar os clientes.

Os padeiros eram muito bonzinhos comigo e sempre dispunham um cantinho para que eu pudesse passar o tempo enquanto brincava. Mas confesso que eu gostava mesmo era de ver a mágica acontecendo. Um deles logo percebeu isso e, sempre que o movimento estava tranquilo, ele me ensinava os mistérios de seus pães. Eu ficava fascinada quando isso acontecia e encantada quando comia o que eu fazia. Nasceu aí minha paixão.

Por conta da minha paixão, minha adolescência não foi como as outras. Eu passava a maior parte do meu tempo livre ou na cozinha ou me preparando para tentar entrar na Universidade Federal de Constelação, uma das mais prestigiadas no mundo no quesito gastronômico. E eu, como alguém com poucos recursos, tinha que lutar com unhas e dentes para conseguir o que é meu.

Juntando meu comportamento atípico e o fato de eu ser uma adolescente fora dos padrões, eu não tinha amigos. Bem, não era para tanto, eu tinha alguns poucos amigos. Alguns eu conheci na escola, outros eu conheci graças a minha banda preferida: o "Lovely Princes". Um deles era a Melanie, uma garota dois anos mais velha aspirante a "idol" que conheci na fila do primeiro "fan sign" da minha banda preferida. Apesar de nossas diferenças, ela se tornou uma de minhas melhores amigas.

E já que eu toquei nesse assunto, por que não falar dessa "boy band" maravilhosa? Ela é composta por cinco garotos lindos, parece até que foram escolhidos a dedo tamanho a beleza e o talento de cada um.

Alec é o mais novo, debutando com 13 anos. Seu personagem era o de um príncipe que amava videogames, desenhos animados e tudo o mais que vinha junto com esses dois. Ele era o palhacinho da turma e estava sempre sorrindo.

Diego era, e ainda é, o sonho de qualquer garota. Seu papel era o do príncipe sensível e amável, muito carinhoso e atencioso com qualquer um. Rumores a cerca de sua sexualidade eram o prato principal da mídia em nosso país tamanho a calma e delicadeza que irradiava dele. Mas nada ficou provado.

Jack era o exemplo a ser seguido. Seu papel era o do príncipe inteligente e sensato. Seu jeito calmo e sua capacidade de ouvir, fez dele o líder do grupo, mesmo ele não sendo o mais velho. Ele era um bom mediador de conflitos entre a mídia e seu grupo com respostas e perguntas sagazes que nos faziam pensar sobre o tema em questão.

Sam era o garoto praticidade. Seu papel era o do príncipe moderno, antenado nas últimas tendências da moda e tecnologias que facilitavam a nossa vida. Ele era o típico homem moderno, dinâmico e amante de esportes.

Por último, mas não menos importante, o “bad boy” e mais velho do grupo: Yoshi. Esse era o seu papel, o do príncipe rude e poderoso. Ele era o mais quieto do grupo, talvez por ser o único estrangeiro e não se ouvia falar muito dele quando não estava em atividades. De todos os cinco, ele era o que tinha a menor base de fãs, mas as mulheres mais maduras o adoravam por ser muito seguro de si e transbordar sensualidade em seu olhar.

Dos cinco, o meu preferido era o Diego, claro. E devo a ele a minha aproximação com Melanie e minha fama na escola. Eu era uma das poucas ali que conseguia pagar a anuidade do fã clube oficial por vender doces na escola e dividia com todos que gostavam deles o que conseguia no fã clube, sem falar que era uma das melhores escritoras de "fanfics" do “shipe” "YoDi" – Yoshi e Diego.

Minha paixão por eles me impulsionou a querer criar algo especial para eles e, ainda na escola, eu comecei a criar receitas ou reinventar as que já conhecia, tudo com o que eu achava que poderia ser do agrado deles. E foi por causa deles que, depois de anos juntando dinheiro, minha mãe abrir seu próprio negócio; nossa pequena confeitaria; que nasceu o "Princess Kingdom".

Nossa pequena confeitaria era simples, mas charmosa e com boas receitas. Nosso café era o melhor da região e nossa clientela, mesmo depois da confeitaria chique que abriu em frente começar a funcionar, era fiel. Conseguíamos ter um bom lucro, mas nada que nos fizesse mudar para uma região melhor.

Eu não pude trabalhar na confeitaria, porém pude ajudar com as receitas exclusivas. Primeiro porque eu não tinha idade quando a confeitaria foi aberta, trabalhava apenas nas férias escolares e em meio período por não ser permitido o contrato com menores. Depois por eu ter conseguido o meu sonho, entrar na Universidade Federal de Constelação como aluna do curso de Gastronomia.

Esses foram quatro anos incríveis da minha vida. Aprendi tanta coisa bacana e pude investir ainda mais em meu sonho, aproveitando todos os cursos oferecidos em minha área pela universidade. Cheguei até a fazer alguns intercâmbios e conquistei um currículo de primeira.

Meu empenho me rendeu uma bolsa de estudos na “Escola de Culinária Corais Vermelhos” em Atol Negro, uma ilha de meu país muito famosa por sua produção de cacau, café e culinária. Eu não queria ir, confesso, quando recebi a notícia. Uma porque minha mãe não estava bem de saúde e outra porque eu estava noiva. Foram os dois que me incentivaram a ir para lá e eu acabei indo.

Atol Negro é uma região incrível e sua capital é bem charmosinha. Era lá, na cidade de Gobi que ficava a “Escola”, que funcionava dentro do complexo da “Faculdade de Gobi” que abrigava vários cursos que tinham a tradição de serem integrados. Tradição essa que também se aplicava aos dormitórios oferecidos pela instituição.

Eu fiquei em um deles com mais cinco garotas. Uma do curso de teatro, Felicity; duas do curso de engenharia, Giulia e Katy; uma do curso de biologia, Sabrina; e uma do curso de jornalismo, April. Eu dividia o quarto com April e foi ela que me deixou famosa no campus logo no início do ano. Tudo por conta de uma brincadeira em que eu fazia com um comercial de seguros famoso ali, mas que me irritava. Em uma de minhas imitações, ela gravou sem que eu soubesse e postou no blog do seu curso.

Pronto! Em menos de uma semana todo o campus já conhecia a "fada dos doces". Não liguei, sabia que isso ia passar logo. Só que não! Menos de uma semana depois e mais um vídeo meu, desta vez tentando dançar e cantar o novo sucesso de minha banda preferida, pronto! Virei celebridade.

O que veio muito a calhar. Os alunos de jornalismo, teatro e dos outros cursos que se envolviam com entretenimento, tinham uma grade horária cedida pela emissora local para promover os cursos e a cidade. Minha fama na faculdade me fez participar de um dos programas, ensinando receitas de um modo simples para os jovens adultos que estavam se aventurando no universo do "morar sozinho".

No meu último ano na especialização em pâtissier – era isso que fui fazer em Atol – eu era famosa na cidade de Gobi por conta do programa. Tão famosa que fui convidada pela emissora para conduzir uma entrevista com meu grupo preferido que estava de passagem na cidade com sua nova turnê. Essa foi a melhor coisa que a fama me trouxera, poder ficar bem perto de meus ídolos.

E foi incrível! Mais até do que nos “fan sings”. Num evento desses nós podíamos ficar bem perto dos nossos ídolos, mas era por pouco tempo. Na entrevista eu passei quase uma hora com eles sem ter que dividi-los com mais ninguém. Me diverti bastante com eles, mesmo com os pequenos contratempos, e, no final do dia, ainda pude curtir o show no espaço reservado para a imprensa matando todos que eu conhecia e eram "Princes Lover" – como o "fandom" do grupo era chamado – de inveja.

Meu segundo ano em Gobi também me trouxe um dos meus melhores momentos. Eu estava um pouco chateada com minha mãe por ela ter assinado um contrato de sociedade com o dono da confeitaria chique em frente a nossa sem me falar nada. Mesmo não gostando, acabei aceitando pelo dono do concorrente ser um amor de pessoa – e um dos meus atores preferidos também. O principal ponto negativo foi o fato de eu ter que usar meu pouco tempo livre para ensinar minhas receitas para os novos funcionários já que ficaria responsável pela cozinha. Quando possível, eu pegava um avião e ia até a capital para dar o treinamento, quando não, meu pessoal vinha até mim e usávamos uma cozinha emprestada para tal.

No meio dessa bagunça toda, eu recebi um convite para fazer parte de um projeto de conclusão de curso de uma galera que mexia com entretenimento. Seria uma espécie de "reality show" onde universitários competiriam para ver quem era o melhor na cozinha. Ele não seria televisionado, mas os episódios seriam liberados nas plataformas online de vídeos, nos canais oficiais da faculdade. Eu seria uma das juradas, a única envolvida que realmente entendia de cozinha, e daria suporte nas receitas que deveriam ser elaboradas nos episódios.

A gravação das semifinais do programa coincidiu com o início do treinamento que teria que ministrar. Nem por isso eu deixei de me divertir, era impossível não rir com aquele bando de loucos desesperados por pontos para segurarem seus respectivos canudos.

Eu estava voltando para Atol para gravar o último episódio do trabalho depois de um longo feriado dando treinamento quando, já no aeroporto da ilha, eu vi aquela notícia.

13 de Outubro de 2020 às 19:28 0 Denunciar Insira Seguir história
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