moonna Luana Baldonado

Anastia é a jovem guerreira mais aclamada de seu planeta: uma feroz assassina controlada por Orionis, seu futuro marido e Imperador de Valkyrie. Porém, sua vida muda drasticamente quando ela precisa escapar de seu planeta natal. Forçada a cometer um assassinato diante dos convidados de um jantar de negócios organizado pelo Imperador, Anastia se encontra em uma situação impossível: como escaparia do alcance de Orionis e recuperaria as rédeas de sua vida?


Ficção científica Para maiores de 18 apenas.

#fantasia #ficção-científica #ficção #381 #aventura #guerra #301
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Prólogo

Anastia observava o ambiente ao seu redor enquanto aguardava a chegada do Imperador Orionis e de seus sacerdotes. O salão que habitavam era extenso; o chão de mármore se encontrava com paredes massivas adornadas por um excelente trabalho de tapeçaria. As fontes primárias de iluminação eram as janelas sofisticadas que tomavam um dos lados do salão; no lado de fora, Anastia admirava o vívido mar cerúleo, suas ondas calmas banhavam a praia como se a acariciassem. Logo desfocou o oceano e enxergou o próprio reflexo no vidro. Seus cabelos brancos platinados serpenteavam à sua volta, com as pontas flamejantes de tom alaranjado. Um dos olhos era azul como o mar do lado oposto da janela, já o esquerdo, além de cego, era tão pálido que muitos acreditavam ser capaz de os enfeitiçar.

Anastia perdera a visão de um de seus olhos durante uma batalha, quando — pela primeira vez — fora capaz de encontrar um adversário à sua altura. O rapaz se chamava Ashtaroth e vivia em Mianir, um planeta devastado por corrupção e pobreza, mas que fora salvo pelas mãos do Império Valkyriano. Permitira que o jovem vivesse, visto que cultivava um sentimento de admiração pelo habitante de Mianir. Após o confronto, passou a carregar uma cicatriz vertical centralizada em seu olho esquerdo; o rapaz, por sua vez, tornou-se um de seus aliados. Motivado por ciúmes, Orionis por pouco não ceifara a vida do jovem; entretanto, Ashtaroth implorara por sua vida e prometera fidelidade ao imperador de Valkyrie.

Uma batida abrupta na porta de entrada indicou a presença do Imperador. Um de seus sacerdotes, Majur, anunciou a chegada de Orionis aos convidados:

— Curvem-se diante de seu senhor, o Imperador Orionis. Comandante supremo de Valkyrie.

Orionis era conhecido como um ser místico em inúmeros planetas pela grandiosidade de seus feitos. Seu desejo insaciável por controle, exercido ao submeter povos aos trabalhos forçados para engrandecer sua nação, também contribuía para sua misticidade. Anastia estava sob o domínio do Imperador desde que era somente uma menina, fora submetida a treinamentos forçados, invasões e devastações de planetas. Sua força precisava ser testada nas batalhas contra os guerreiros dos planetas rebeldes. Fora proibida de usar suas habilidades de onisciência e de vislumbre infinito; o Imperador temia a grandiosidade do poder de sua mente. Entretanto, conseguiu desenvolver um bloqueio mental quando Orionis não estava presente. Seus pensamentos vagueavam através de outros mundos e se conectavam com seres exóticos, saboreava o aprendizado de culturas e civilizações distantes.

O Imperador de Valkyrie adentrou o recinto trajando um uniforme preto revestido com detalhes dourados costurados sutilmente em fios de ouro, a insígnia de Valkyrie estava pendurada elegantemente ao lado esquerdo de seu peito. Todos ali realizaram uma reverência ao Imperador, mas o seu olhar se fixou de imediato em sua noiva logo a frente. Anastia vestia um longo e belo vestido branco, uma espécie de colar dourado estava costurado em suas vestes e os ombros estavam à mostra. Era o tipo de vestimenta que toda mulher desejava naquela parte do país; todavia, os vestidos usados pela jovem eram desenhados exclusivamente para ela a pedido do noivo. Anastia era a mulher mais elegante presente no salão, as pessoas lançavam olhares de admiração em sua direção a todo momento.

— Quanto tempo até chegarem? — Orionis se aproximou de Anastia e Majur, retirou a mão da espada presa à cintura e a repousou gentilmente na cintura de sua amada.

Simultaneamente, Anastia ouviu uma voz sussurrada ao ouvido, estava certa de que só ela poderia ouvir, pois Orionis se conectava com sua mente. Almejo vê-la após o acordo com Sabir, peço que não seja tão flexível diante dos pedidos dos representantes dessa nação. Se persistirem, você sabe o que fazer.

— Em breve, meu senhor. O governante de Sabir nos enviou um alerta há alguns minutos.

Orionis se direcionou a Majur e acenou com a cabeça. Em seguida, se afastou de Anastia e do restante de sua guarda para tomar seu lugar à mesa. Anastia o acompanhou e sentou-se ao seu lado.

O que deseja para esta noite? Os sussurros internos do noivo não cessaram.

— Nada, por enquanto. Estou sem fome. — Notou o encarar de Orionis por um breve momento, mas ele nada disse.

— Você, traga-me algo para beber. — Orionis exigiu da serviçal mais próxima, sem olhá-la.

Anastia arriscou uma breve espiada na direção da moça. Seus olhos se encontraram e uma conexão turbulenta tomou conta de seu ser. Ela reconheceu aquele olhar, apesar do tempo, apesar do sofrimento marcado em suas feições. Um sentimento de tristeza se espalhou por seu peito, mas logo o bloqueou por temer que sua comoção e seus pensamentos pudessem ser invadidos por Orionis. Anastia selou as mãos, como em uma prece, e tudo se acalmou.

— Sim, meu senhor — respondeu a moça a Orionis com uma voz calma antes de se retirar.

— Há algo errado? — A indagação do Imperador fez Anastia despertar de seu devaneio, os olhos cinzentos a encaravam e um calafrio percorreu sua espinha.

Será que ele pôde me sentir?

— Anastia, aconteceu algo? — Antes que pudesse abrir a boca para responder, os presentes foram interrompidos pelo alto ruído da porta de entrada.

— Os governantes de Sabir: Rei Ortiz, Rainha Élodie e seus filhos, Eiva e Izan — anunciou Majur formalmente aos ocupantes do salão.

— É uma grande honra para o povo de Valkyrie ter os governantes de Sabir finalmente conosco. — Orionis se levantou e partiu de encontro aos convidados. — Quero apresentá-los à minha noiva e futura líder de Valkyrie, Anastia.

Sorrindo, Anastia se aproximou dos governantes e os recepcionou:

— Adoraremos recebê-los aqui, senhores. Vocês e seus filhos. Espero que aproveitem o banquete real, preparamos as principais iguarias de Valkyrie para que possam se deliciar com um pouco de nossa culinária. Sentem-se, por gentileza. — Anastia cercou a mesa e apontou gentilmente com as mãos aos assentos de cada convidado.

— A honra é toda nossa em conhecê-los e em fazermos progresso com nossos aliados, somos muito gratos pelo convite, princesa Anastia — disse a rainha Élodie após se sentar. Ela possuía gentis olhos caramelo e cabelos ruivos; era alta e esguia, optou por usar enormes pedrarias ao redor do pescoço e um longo vestido verde-esmeralda que ressaltava a cor de seus olhos.

Anastia sentiu uma grave tensão exalar dos filhos; os governantes, por outro lado, aparentavam sincera alegria e descontração.

— Vamos. Sentem-se, crianças — insistiu o rei Ortiz aos filhos.

Anastia analisou os convidados por alguns instantes: Izan herdara os cabelos da mãe, era alto e esguio; seus olhos possuíam um forte tom esverdeado, recebidos de seu pai. O monarca tinha o cabelo loiro platinado e era muito mais alto que Élodie. Eiva também era ruiva e exibia olhos como os de sua mãe. Estava explícito que muitos dos presentes se impressionaram com a beleza da família de governantes de Sabir.

— Agradecemos o convite e estamos felicíssimos em fazer negócios com vocês, senhores — disse Izan, finalmente, após se sentar.

— Será ótimo para todos nós, jovem rapaz — disse Orionis. Em seguida, solicitou o banquete real completo aos serviçais.

Ao se retirarem, Anastia lançou outro olhar aos presentes no salão e avistou sua mãe um pouco além, servindo um dos convidados residentes em Valkyrie. Ela era terminantemente proibida de realizar qualquer tipo de contato com serviçais e empregados: quando mais nova, fizera amizade com os súditos e prometera que um dia libertaria cada um deles. Orionis descobrira e os punira, um a um, em sua frente, como forma de represália.

A presença de sua família no banquete de recepção aos governantes de Sabir a deixava inquieta. Era um martírio os ter por perto e não poder abraçá-los. O banquete foi servido e todos mergulharam silenciosamente em suas refeições. Em alguns momentos, os reis soltavam gemidos de satisfação e elogios às iguarias.

— Bom. Podemos? — Ortiz foi o primeiro a se pronunciar. Inclinou o corpo em sua cadeira com discrição e apalpou o estômago, claramente saciado.

— É claro. O senhor pode iniciar, por gentileza. — Orionis parecia completamente atento às próximas palavras do rei.

— Estamos planejando uma visita amigável a Sebile e Maéva, respectivamente, em busca de seres que desejem se juntar à nossa luta, além de desejarmos explorar os recursos naturais existentes em cada um dos planetas. — Ortiz acariciava o queixo protuberante enquanto discutia seus planos, os olhos verdes estudavam cada rosto da mesa.

— Eu soube que Maéva é um planeta recheado de recursos naturais, por mais que seja extremamente longínquo. Os seres que o habitam são tão irracionais... Massacram a si mesmos com certa frequência. Os preparativos e a viagem podem durar anos. — Anastia se pronunciou, tinha liberdade para opinar nos debates e acordos de sua nação. Com a sobrancelha arqueada, ignorou o olhar surpreso de Ortiz e notou o semblante impressionado de Elódie.

— Sim, também pensei nisso. Porém, caso seja possível a dominação das espécies existentes nesse planeta, os longos preparativos serão as menores de nossas preocupações. Seremos gratificados com a imensidão de seus recursos naturais. — Foi a vez da rainha se prontificar.

— Isso se os seres irracionais não destruírem tudo antes de chegarmos até eles. — Ao ouvirem isso, todos se voltaram para Izan. De início previu a irritação de seus pais; entretanto, assim como Anastia, todos ali reconheciam que Izan não estava errado.

— Então devemos acelerar os preparativos para a viagem até Sebile e Maéva — decretou Anastia. Considerava o plano de ação óbvio.

A princesa Eiva era a única que parecia desinteressada em tudo que se discutia, mas Anastia não se preocupou com isso; sentia uma enorme angústia dentro de si: ela sabia que a invasão destruiria milhares de vidas. Seus pensamentos foram interrompidos por uma voz conhecida, apenas ela a escutava.

Como você pode aceitar isso?

Eu sinto muito, meu pai. Por favor, não tente se comunicar comigo, Orionis seria capaz de matá-lo por isso. Não devo agir contra ele, não agora. Estava em um jogo perigoso. Não podia arriscar ser descoberta por seu noivo.

Anastia sabia que não deveria procurá-lo entre os presentes no salão, mas não resistiu à vontade de admirar as feições de seu pai, mesmo que por alguns segundos. Ele se encontrava em pé e de costas para a grande mesa, onde os reis iniciavam uma conversa alegre sobre a cultura de Sabir. Anastia encarava Orionis com apreensão; ele não demorou a notá-la.

— O que foi, querida?

— Não, não. Está tudo bem. — Ela agarrou a mão esquerda de seu noivo e a apertou suavemente, tentando controlar o pesar em seu peito.

Não posso mais suportar você longe de nós, minha filha. E não poderei aceitar que mais civilizações se tornem reféns de Valkyrie. Eu sinto muito, querida. Eu amo você.

Anastia percebeu que seu pai estava próximo de Orionis; porém, momento seguinte aconteceu com tanta velocidade que ela não compreendeu o que acabava de acontecer. O homem sacou uma faca de dentro das vestes e desferiu um golpe que teria acertado o peito do Imperador, mas em um rápido movimento, Orionis agarrou a lâmina com uma das mãos.

— Mas o que é isso, senhores? — o rei Ortiz estava de pé com o resto de sua família, arfava ruidosamente.

Os presentes no salão estavam estarrecidos com o que haviam presenciado, ouviu-se gritos de desespero, alguns se levantaram e correram, outros permaneceram em seus lugares, petrificados com a movimentação repentina do homem. Orionis notou os guardas se aproximarem, mas levantou a mão para pedir que se afastassem.

— Bem... — Orionis olhou de soslaio para a noiva e continuou. — Esse é o pai de minha amada noiva.

— Você armou um ataque contra seu esposo? — A rainha Élodie encarava Anastia, que se sentia completamente atônita.

Anastia estava salpicada de sangue, seu vestido branco parecia ter enfrentado um início de batalha, mas seus olhos se embaçaram e o choro era insustentável. Ela não aguentaria mais.

— Por favor, eu imploro. — Ela se pôs de joelhos defronte ao noivo, que agora estava em pé. Agarrou sua mão livre, enquanto a outra segurava as vestes do homem pela gola. — Deixe-o ir.

— Você armou isso? — A fúria era perceptível na voz de Orionis: o homem mais rosnava do que falava.

— Sim. — Anastia foi firme em sua resposta, surpreendendo o noivo. — Foi tudo ideia minha.

— Não… — o pai dela sussurrou entre arquejos. Orionis passou a enforcá-lo, o asfixiaria até a morte.

— Sim! Eu planejei tudo! Não ouse dizer que não. — Vencia o nervosismo a cada instante, mantinha a voz firme e a atenção fixa no asfixiamento de seu pai.

— Eu não esperava menos de você. — disse Orionis enquanto ainda apertava o pescoço do homem. Sua expressão alternava entre raiva, ultraje e astúcia.

— Por favor, meu amor… — Anastia se levantou e agarrou o braço de Orionis.

— Faça. — Orionis interrompeu suas súplicas, derrubando seu pai sobre o chão de mármore frio do grande salão. Parecia calmo, um brilho assolou os olhos cinzentos.

— O quê? O que você quer que eu faça? — Não compreendia a ordem do Imperador. Estava desesperada, não fazia ideia do desfecho de uma situação como aquela.

— Mate-o. Se não o fizer, eu mesmo farei. Acredito que não queira ver isso — Orionis mantinha os lábios pressionados, mas o leve inclinar de seu olhar denunciava um sorriso reprimido. A ordem era absurda.

Anastia foi tomada por um sentimento terrível de impotência e tristeza; suplicou para que ele não a fizesse matar seu próprio pai, mas Orionis ameaçou massacrar o resto de sua família. Derrotada, ela se abaixou perto do pai, enlaçando-o em um profundo abraço, enquanto sussurrava:

— Eu te amo, eu te amo… me perdoe, por favor.

No mesmo instante, imagens de sua infância invadiram seus pensamentos. Anastia estava em um belo pomar em sua antiga casa, brincava com sua irmã e sua mãe; o pai limpava um animal selvagem para o jantar. Aquela espécie existia apenas ali, Anastia sabia, pois viajara por toda Valkyrie com sua família. Nascera em Loïc, uma cidade distante e não muito povoada.

— Você é mais poderosa do que imagina, minha filha... você é descendente de seres celestiais, os mesmos seres que criaram tudo que nos cerca e além… — o pai murmurava com dificuldade.

— Do que o senhor está falando? — ela perguntou baixo junto ao pai e o apertou junto ao peito, desesperada.

— Nós somos os criadores, nos caçaram... queriam nos usar para conquistar outras civilizações. Não herdamos força suficiente de nossos antepassados, somente você. Só você. Por isso você é tão importante para ele. — Esforçava-se ao máximo para falar, estava fraco e agonizante.

— Eu não entendo.... — Anastia chorou baixinho.

— Apenas Orionis é capaz de fazer o mesmo que você. Você não aprendeu o suficiente, ele sim.

— O que você está esperando? Rápido! — ordenou Orionis.

— Fuja, leve sua mãe e Sapphire. Me prometa que você irá protegê-las. — O pai implorava com a boca e com o olhar, a respiração estava entrecortada, lágrimas escorriam por seus olhos.

— Eu prometo — ela soltou o homem, se ajoelhou e contemplou pela última vez as feições de seu pai. Por fim, esperou até que ele desmaiasse. — Sinto muito.

Anastia retirou a espada da bainha presa na cintura e desferiu um golpe certeiro no peito do homem; ela soluçava alto, arquejava, não acreditava.

— Me perdoe, meu pai… — Ela soltou a espada ensanguentada no chão, agarrou o corpo inerte e prometeu vingança por tudo que Orionis havia causado.

6 de Outubro de 2020 às 07:58 0 Denunciar Insira Seguir história
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