mruniicornz Diego Noronha

Crítica social em que faço uma reflexão sobre o esvaziamento de nossas almas em uma sociedade rasa e superficial.


Poesia Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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Sociedade dos Homens Vazios

Nascemos e morremos em cidades vazias e superlotadas,

Somos treinados e forjados para sermos máquinas,

Vendemos nossa felicidade para então comprá-la em forma de produtos que não precisamos e que por fim irá nos destruir,

Nós consumimos a própria essência de nossa mãe, ficando doentes conforme ela apodrece de dentro para fora,

Causamos os desastres que matam nossos irmãos e irmãs para podermos compartilhar notícias que só servem para alimentar nosso ego,

Preferimos alimentar os números de uma rede social do que alimentar os famintos,

Nos conectamos através de máquinas, e para isso precisamos afastar as pessoas,

Talvez porquê se nos vissem pelo que realmente somos, nós é que seriamos afastados,

Competindo uns com os outros,

Matamos e morremos a cada dia para tentar agarrar um pouco de satisfação da carcaça de nossos companheiros,

Nos fechamos em nossas bolhas com medo do mundo exterior,

Todos aqueles que não compartilham de minhas ideias são meus inimigos,

Minha nação vale menos do que eu,

As pessoas que vivem ao meu lado são apenas números,

Feitas para servir aos meus ideais e propósitos,

Eu sou o protagonista desta história maquiavélica,

Sou o herói e também o vilão,

Tenho deuses particulares que existem para atender somente minhas preces,

Nada me importa realmente,

Minha família e minha dignidade são moedas de troca para números em uma aplicação que não me é importante,

Temos a dádiva de sermos cercados por outras pessoas em nossas comunidades,

Mas ao mesmo tempo que andamos e vivemos nossas vidas,

Só enxergamos pessoas sem rosto,

Pessoas vazias e que não são importantes,

Se não afeta meu status no impérios virtuais então podem morrer,

Passo por cima dos cadáveres de seres que não são dignos do meu olhar,

Essas pessoas não existem realmente,

Esses animais não existem,

São apenas pinturas sem alma,

Ou talvez seja eu que não exista,

Talvez seja minha alma que esteja se esvaindo,

Servindo de alimento para empresas e corporações,

Onde ganho meu sustento para continuar minha não existência,

Minha satisfação rápida é meu objetivo,

Meu prazer momentâneo é minha motivação,

Tudo aquilo que leva tempo já não vale a pena,

Tudo que é um investimento futuro não me serve,

Viver em uma sociedade vazia repleta pelos meus clones é uma existência miserável,

Os clones mais afortunados que eu me roubaram os privilégios,

Tudo o que eles têm, foi tirado de mim,

Tudo me pertence,

E ainda que eu consuma o mundo e todos os seus seres,

Ainda que minha fome seja o suficiente para aniquilar todo o universo,

Nunca estarei saciado,

O vazio sempre cresce, pois eu perdi o que me fazia humano,

Perdi o que me fazia animal,

Talvez por culpa minha ou da própria sociedade,

Talvez o mundo precise mesmo terminar.

30 de Setembro de 2020 às 10:58 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Diego Noronha Aspirante a autor, amante de cerveja, animais e bons livros. Histórias obscuras são meu ponto fraco. Edgar Allan Poe e Lovecraft são meus escritores favoritos.

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