alexlorenzo Alex Lorenzo

Na escola, dois jovens estudantes se deparam com um evento entre a lenda e a realidade. Suas crenças decidirão suas vidas.


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#escola #estudantes #adolescentes #suspense #lenda #mistério #escolar #lenda-urbana
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Lucas e Thiago

Notas iniciais

Diálogos, monólogos e onomatopeias. Com esses três recursos eu me propus a escrever esta história curta que não conta com a participação do narrador. O desenvolvimento do enredo aposta na imaginação do leitor numa maneira particular de contar uma lenda urbana. Abraços.


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— Ué? Vai voltar? Thiago.

— Estou apertado, Lucas.

— Seu Jair tá fechando tudo.

—Vou rapidinho.

— É o número dois?

— Não.

— Então faz na rua, ué?

— Não sou cachorro pra mijar num poste. Pelo menos nisso minha mãe tem razão.

— Se eu fosse você, não voltaria. Já estamos no portão. Seu Jair está desligando tudo e fechando a escola.

— Claro que vou, é rapidinho.

— Ei, volta aqui!

— O que é agora?

— Você sabe... é melhor mijar na rua.

— Sei o quê?

— O mistério do banheiro...

— Para de sacanagem comigo. Minha bexiga vai estourar.

— Ei, vai não. Volta, maluco!

— Não vou voltar. Vai pra lanchonete do Hambúrguer da Diná. Daqui a pouco, eu chego lá.

— Merda, que teimosia!

— Fui!


***


— Seu Jair?

— Eita! Cadê seu Jair? Olha, vou ao banheiro, não me tranca nessa joça!

— Seu Jair?


tsitsitsitsitsitsitsitsitsi


— Estou me sentindo mais leve, putz grila!


Tuf Tuf Tuf Tuf Tuf Tuf


— Seu Jair? É o senhor? Já estou saindo, não tranca a escola!


Tum Tum Tum Tum Tum Tum


— Seu Jair! Cadê o senhor? Não desliga as luzes!

— Eu acho que esse coroa é surdo. Não é possível. Eu gritei.

— Agora como vou sair desse breu?

— Que coisa é essa? Cacete! Isso não é luz de lanterna!

— Dane-se! Se minha mãe tivesse me colocado no turno da manhã, isso não estaria acontecendo.


Prum Prum


— Ai! Que merda! Acho que quebrei meu tornozelo. Ai.

— Tropecei em alguma coisa. Eu deveria ter ouvido aquele medroso do Lucas.

— Pronto.

— Acho que não quebrei nada, mas está doendo muito.

— Preciso chegar até o corredor de saída. Pensa... minha sala é perto do banheiro, então preciso ir para o outro lado, pra saída.

— Que luz estranha... Seu Jair? É o senhor? Meu celular descarregou. Hoje é meu dia... Putz!

— Amanhã vou reclamar de seu Jair pra diretora. Ele tinha obrigação de olhar todas as salas e até o banheiro.


Nheeeemmmm


— Quem está aí?

— Escroto! Aparece, babaca! Quem está aí?

— Ainda bem que estou chegando perto. Acho que é essa porta. Cadê a maçaneta? Espera aí. Urruuu! Está aberta. Escuro.

— Cheiro de coisas de comida. Isso não é a saída. Cara, é a despensa. Eles deixam a despensa aberta. Bom, pensa, raciocina. Se estou na despensa é que tomei a direção contrária, agora é só voltar e seguir em frente. Isso, isso mesmo. Vou pegar o corredor de saída.

— Ai, meu tornozelo. Eu não merecia isso. Hoje é meu aniversário. É Halloween. Dane-se! Vou chegar em casa e não vai ter nenhuma comemoração mesmo. Quatorze anos passa rápido, estou ficando velho.

— Ai, meu pé! Vou tirar o tênis. Acho que meu pé está inchando. Ahhhhaaa. Pronto.

— Cara, por que falo sozinho? Eu preciso ouvir minha voz. É isso, só pode ser isso. Assim, eu não me sinto sozinho. Não ouço coisas...

— A luz de novo! Agora, ela está andando. Ela foi para o corredor. É o corredor de saída! Estou todo arrepiado. Acho que não estou sozinho... E não é seu Jair. Parou no meio do corredor!

— Vou ou não vou? Pensa Thiago, pensa. Se essa luz for do Bem, ela vai me guiar, se for do Mal, vai me levar pra algum lugar que eu não quero ir.


Tum tum tum tum tum tum


— Nossa! Estou ouvindo meu coração batendo nos ouvidos. Minha mãe tem isso. É pressão alta.

— Não vou, não vou, não vou.

— Pensa. E se eu falar a Ave Maria? Eu não lembro de tudo, não vai adiantar.

— Pensa. Pensa. A sim! Sai de retro coisa ruim!

— Merda, a luz nem piscou. Usa o raciocínio lógico como dona Lúcia Maria de matemática sempre fala nas aulas. Se fosse coisa ruim, já teria me atacado, me comido vivo, sei lá.

— Devagarinho. Ai, meu pé.

— A luz é linda, azulada, está crescendo. Estou me sentindo bem.

— É... é uma pessoa, uma mulher...

— Não acredito! Socorro! Socorro! Pelo amor de tudo que é sagrado. É Ela... Lucas, seu otário, você tinha razão! É um coisa estranha. Eu não consigo correr...

— Não!


***


— Acho que seu amigo deve ter ido por outro caminho.

— Duvido, dona Diná, o Thiaguinho é meio avoado, mas não é vacilão. Ele não ia me sacanear desse jeito. Já é noite.

—Um momento, deixa eu atender o freguês.

— Seu Jair? Seu Jair!

— Calma, garoto.

— Ali, passando do outro lado da rua, é seu Jair. Seu Jair!

— Para de gritar garoto. Seu Jair é surdo.

— É isso, seu Jair trancou Thiaguinho dentro da escola. Preciso ir lá.

— Melhor não ir lá não. Liga para os pais dele, pra diretora, mas não entra naquela escola de noite não.

— Por quê?

— Já estudei nessa escola. Tem coisa estranha por lá de noite.

— O pior é que eu acredito nisso.

— Então, faz o que eu te falei. Dá licença, têm fregueses chegando.

— Droga, atende o celular. Atende. Acho que vou voltar lá e gritar no portão.



— Thiago. Você está aí? Ficou trancado?

— Vou pular o muro! Qualquer coisa, eu saio correndo.

— Cade você? Isso está escuro. Que isso? Seu Jair deixou a porta do prédio dos alunos aberta?

— A lanterna do meu celular está fraca. Estranho, juro que carreguei essa droga.

— Estou todo arrepiado.

— Thiago, responde cara.

— Que burrice a minha! Se a porta estava aberta, ele saiu. Vacilão! Me deixou mofando na dona Diná.


TUM!


— A porta... ela... ela fechou sozinha.

— Três por cento? Não acredito!

— Thiago, se é você que está de brincadeira, para logo com essa zoação.

— Merda! A porta foi trancada por fora. Nem adianta forçar.

— Não! Não! Não! Eu tenho medo de escuro. Thiago para com isso. A gente tem uma surpresa pra você, festa de aniversário. Eu ia com você até sua casa. Você está estragando tudo com essa brincadeira babaca.

— Eu tenho medo disso aqui cara. Tenho medo de escuro. Tenho medo do que existe no banheiro. Ela perambula pela escola à noite.

— Eu tô com frio


Tuf Tuf Tuf Tuf Tuf Tuf Tuf


— Thiago?


Nheeeemmmm


— Quem está aí?

— Que luz é essa?

— Eita, mijei nas calças.

— Está tomando forma de gente... de mulher, não. De garoto. Como assim?

— Thiago? Vo-você?

— Não! Não! Não!

24 de Setembro de 2020 às 13:27 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Alex Lorenzo Olá, sou o Alex. Carioca. Amante de literaturas, com desvios de predileção por fantasia medieval. Curto novelas de ficção científica, com distopia, melhor ainda. Viajo por contos de quaisquer modalidades, seja estilo Stephen King, seja Machado de Assis. Escrevo por terapia, por amar. Nas horas vagas, desenho. Meu sonho é desenhar meus próprios personagens. Bom, se quiser conversar, sugiro uma xícara de café com biscoitos amanteigados. Abraços!

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Afonso Luiz Pereira Afonso Luiz Pereira
Interessante junção de recursos para se contar uma história de mistério, uma pena nenhum dos garotos terem tempo de narrar o que lhes aconteceu. Será a Maria Sangrenta do Banheiro, uma lenda urbana que atacou os dois? Mistérios.
March 17, 2021, 21:24

  • Alex Lorenzo Alex Lorenzo
    Oi, Afonso! Será? Sua hipótese é aceitável! A junção de recursos deu um pouco de trabalho, mas acabou saindo. Abraços! March 20, 2021, 22:07
~