lireas tiago líreas

Sobre como podemos ser indecisos sobre que tipo de realidade queremos para nós próprios, ou se sequer queremos algum tipo. E sim, sou eu na foto. Foi tirada numa praia espanhola, na Galiza, a beira oeste da Península Ibérica. (A imagem não aparece inteira na capa, pelo que preciso dizer que as rochas mais distantes de mim levam a terreno seco. Digo-o para ajudar na interpretação do texto)


Poesia Oda Todo o público.
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Na Beira

Entrei na beira da vida –

Dividido entre as águas

Do céu, da terra e das mágoas –

De pé na mão não merecida.


Entre a mão, a rocha e a terra,

Contemplo o meu destino.

Salto, me solto ou desatino?

Aqui decido: paz ou guerra?


Quem me dera poder flutuar

Entre a morte e a existência,

Como animal sem demência,

Pertencente somente ao ar.


Ser o que não morre nem vive.

Que não escolhe elemento,

Mas o é e sem fundamento:

A rocha que com a terra convive.


Quero ser a beira, não estar nela

A divisão entre matéria e éter

Me arranca daqui, Deméter

E me veste de luz-flanela


19 de Setembro de 2020 às 18:03 2 Denunciar Insira Seguir história
1
Fim

Conheça o autor

tiago líreas Eu não gosto de escrever coisas fáceis de se ler. Me encaixo nesse clichê só pra ter o que dizer.

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Vl Vitoria leticia
Parabéns cara poxa queria ter seu nível de poesia
Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Tiago, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Que poema forte e encantador! De alguma forma eu consegui me por em seu lugar e pegar tudo o que foi aqui escrito, e por a prova da minha própria vida. Em muitos momentos me peguei pensando se eu queria, ou ao menos teria, coragem para atravessar o mar furioso que sempre me deixou sobre muitos impasses, inclusive em momentos de tomar alguma decisão a cerca de problemas pessoais e em como iria lidar. Como se em muitos momentos a rocha que não deixava o mar tocar meus pés fosse a calmaria e se eu descesse e escolhesse pisar nas águas, fosse como se eu enfrentasse algo que de certo modo não valhesse a pena. Sendo mais seguro e mais eficaz em alguns momentos, se manter fora do molhado. Bom, eu devaneei legal nisso, mas espero que tenha entendido, haha. A coesão e a estrutura do seu poema estão impecável. Confesso que quando eu vi a autoria, eu não esperava por tal poema, suas historias: Descamado e Doze Faces, me mostraram que de certa forma era como se esse fosse o gênero que pertence a você, então eu realmente fiquei surpresa com esse poema que me fez parar e refletir sobre algumas coisas. Também reforço que está tão bem escrito, como todas as suas obras que já li ao longo do tempo que estou na embaixada. Desejo a você sucesso e tudo de bom sempre. Abraços.
September 23, 2020, 20:49
~

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