litalea-draach Litalea Draach

Recebemos informações de que uma Guerra Econômica está acontecendo lá fora, um país quer falir o outro, assim como fizeram com a Alemanha no passado. Temos esperança, podemos ajudar as pessoas. Todos temos o mesmo objetivo, mas também temos nossas próprias motivações.


Ficção adolescente Para maiores de 18 apenas.

#tiro #conspiração #suspense #brasil #distopia
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Despertar de um Sonho

Um sábado calmo e parcialmente nublado, o dia perfeito para ficar na cama o dia todo ou simplesmente ficar jogado no sofá. Suspirei e me virei de costas para a janela, puxando meu cobertor até os ombros. Ao menos tive tempo de fechar os olhos e já ouvi seus passos rápidos pelo corredor.

— Vi! Hora de acordar! — Sua fala animada soou alta.

A porta foi aberta rapidamente, o chamado não cessou. Continuei a ignorando na esperança de crer que eu ainda dormia, que me deixasse sozinho aqui.

— Acorda! Por favorzinho!

Senti meu cobertor sendo puxado. Me virei para ela e a encarei sério, seu sorriso não desapareceu. Sentei-me com as pernas cruzadas sob a cama ainda sem cortar o contato visual. Lari começou a rir.

— Precisava me acordar assim? — Forcei um tom magoado.

— Sim! — Aproximou-se e me abraçou com força. — Eu... tive aquele pesadelo de novo... — Disse baixo.

— Já disse que não precisa ter medo, certo? Sempre que você acordar eu estarei aqui. Nunca vou te deixar.

— Nunca mesmo? Você promete?!

— Prometo sim. — Sorri carinhoso.

— Mamãe vai ficar brava se você não descer logo. Já faz tempo que ela veio te chamar para comer.

— Ela veio me chamar?

— Veio sim! Você não ouviu?

— Não, estava tendo um sonho estranho.

Segurei sua mão e caminhei para fora do quarto. Lari parecia ter se empolgado novamente quando me convenceu a contar meu sonho. Ela acredita fortemente que eles podem interferir na realidade e seu pesadelo tem a preocupado nos últimos dias. Nele, nossos separados por uma mulher má de rosto queimado. Não é segredo algum que somos adotados, que eu sou o único parente de sangue dela. Ela, infelizmente, não chegou a conhecer nossos pais biológicos, mas me parece feliz com Beatriz e Luiz.

Assim que chegamos na cozinha pude vê-los conversando sobre uma notícia em um jornal online que Luiz lia enquanto Beatriz enchia sua caneca novamente com café quente. Houve três desaparecimentos na região este mês e ninguém ainda soube dizer nada sobre o caso. Mesmo com todas as investigações e a ajuda dos civis, não há literalmente nada novo. Nenhuma informação sobre, é como se estas três pessoas tivessem passado a deixar de existir nas últimas semanas.

— Victor, coma antes que esfrie. — Beatriz disse olhando para o prato com torradas na mesa à minha frente.

Lari soltou minha mão e foi até seu lugar de costume. Fiz o que minha mãe havia dito, mas sem prestar muita atenção. Estava mais curioso em saber sobre a notícia que meu pai lia em voz alta agora. Ao que parece, um acidente de moto envolvendo duas pessoas desconhecidas.

Terminei meu café da manhã rapidamente e depois de ajudar minha mãe a arrumar a casa fui para sala jogar um pouco de videogame. Luiz possui um Playstation 2, o que é extremamente raro. Dizem que já se fazem uns dez anos que ninguém mais vê um, funcionando ou não. A primeira vez que tive contato com um foi quando a Alice, filha biológica deles, decidiu revirar as coisas na garagem e o encontrou. Lari parece gostar mais que eu, sempre que termina sua lição de casa me pede para colocar seu jogo favorito.

— Vi, posso jogar? — Entrou na sala correndo ao me ver ligando o console.

— Jogar o que?

— O jogo da raposinha. — Pediu com os olhinhos brilhando.

— Raposinha? — Fingi confusão, olhando-a atentamente.

— Que tem aquela máscara que ajuda ele. O Uka-Uka!

Peguei a bolsa de jogos e procurei pelo jogo que Lari havia pedido, Crash Twinsanity. Sua felicidade ao ver o CD sendo posto no leitor deixaria qualquer um com um sorriso bobo. Lari é como um anjo.

Estava tão animada jogando que ao menos parecia que não estava entendendo nada. Passamos a tarde jogando tudo o que tínhamos vontade, revezando na maioria das vezes ou dividindo uma partida multiplayer. Quando o sol começou a se pôr, ela me pediu ajuda para escolher sua roupa. Jantaremos fora hoje, em um restaurante recém-inaugurado na cidade vizinha. Dizem que a diversidade dos pratos lá é incrível e o atendimento impecável!

— Eu quero uma roupa igual a sua! — Falou alegre enquanto íamos até seu quarto, após dar fim as atividades com o PS2.

Continuei a seguindo sem tanta pressa, deixando que já começasse a sugerir a camiseta que iriamos usar. Ela queria que fosse exatamente igual.


Levamos alguns longos minutos até escolher tudo e depois de um bom banho começamos a nos arrumar. Calça jeans, um all star e camiseta branca sem estampas. Lari pegou uma de minhas pulseiras emprestada nesta noite.

— Vi, vamos! Mamãe já deve estar pronta!

Seguimos apagando as luzes de todos os cômodos até o andar debaixo, nossos pais já nos esperavam. A saída da cidade foi calma, sem muitas conversas, mas com o tempo aquilo foi se tronando chato e meu pai foi o primeiro a se pronunciar.

— Victor, recebi seu boletim nesta tarde. — Disse olhando-me rapidamente pelo retrovisor, estava com um esboço de sorriso no rosto. — Estou orgulhoso de suas notas.

— Vi é como Einstein?

— Não Lari, não sou.

— Mas você é inteligente, igual ele! — O tom indignado foi bem claro.

Não sei por que ela estava tão focada nessa comparação, levei quase o trajeto todo para fazê-la pensar em outra coisa ou não ficar emburrada por eu ter dito que não era como ele. Definitivamente, não estou nem perto desse cara. Ele está em outro nível. Literalmente.


O restante do trajeto seguiu tranquilo, o jantar foi mais alegre. Todos me pareciam estar satisfeitos e bem com a noite, mas Lari, que não parava de sorri, teve seu brilho apagado quando saímos do estabelecimento. O céu estava fosco, sem quaisquer estrelas e com suas nuvens ao leste um tanto quanto alaranjadas. Minha irmãzinha me olhou com medo antes de segurar uma de minhas mãos. Beatriz fez um comentário extremamente baixo, creio que nem Luiz, que estava ao seu lado, conseguiu entender.

Não deveríamos nos preocupar tanto com isso, mas a mudança climática está piorando com o passar dos anos. Agora, o céu poderia se abrir novamente, uma fraca garoa poderia ser o suficiente para o restante da noite ou uma grande tempestade poderia cair. Não há como saber.

Me foquei em manter Lari distraída, conversando sobre coisas que sei que ela gosta e dedica assiduamente sua atenção, desde desenhos e jogos até sobre seus amigos da escola e seus super-heróis preferidos. Já na metade do caminho uma fraca chuva começou a cair, mas foi se intensificando rapidamente. Logo os vidros estavam embaçados, Beatriz utilizava um paninho, que deixa sempre no porta luvas, para aumentar a visibilidade do marido em relação a pista. Quanto mais o tecido era passado pelo lado de dentro do vidro e os limpadores de para-brisas se movimentavam do lado de fora, toda aquela camada cinzenta e fria voltava com a mesma velocidade.

Eu não sei dizer como isso aconteceu. O motivo de tudo que veio a seguir. Sei que vi algo vindo em nossa direção em alta velocidade e ouvi um grito. Não sei de quem foi.

Tudo parecia estar em câmera lenta. Por puro impulso abracei Lari, colocando meu corpo em frente ao seu. Luiz sussurrou um pedido de desculpas e Beatriz disse que nos amava, todos os três ali presentes. Fomos jogados para a esquerda com força, talvez em uma tentativa de diminuir o impacto com aquilo que estava cada vez mais próximo. Senti como se meu mundo estivesse rodando incansavelmente antes de bater a cabeça e apagar por completo.

15 de Setembro de 2020 às 13:37 0 Denunciar Insira Seguir história
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