antonio-stegues-batista Antonio Batista

Alfa é um androide criado num laboratório que é ao mesmo tempo uma fortaleza. A Terceira Guerra Mundial tem início naquele mesmo ano. A civilização é destruída, mas a fortaleza permanece intacta através do tempo e Alfa continua zelando pelo prédio.


Ficção científica Todo o público.
Conto
0
528 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

O GUARDIÃO DO PRÉDIO

Nascer é vir ao mundo, é ter vida, um princípio. A primeira coisa que vi, foram manchas brancas movendo-se no espaço cinzento. Ouvi um som que se repetia a intervalos curtos e com o tempo, tomei conhecimento do seu significado.

A visão clareou de repente e descobri que as manchas eram rostos e o som, a voz de um ser humano do sexo feminino.

Ela fez uma pergunta e deu uma ordem. Eu tinha a capacidade decifrar aquela mensagem e coloquei em funcionamento o raciocínio.

─ Alfa, está ouvindo? Responda.

Em meu íntimo estavam guardadas informações e no exterior ao meu redor, três homens e três mulheres tentavam entrar em contato comigo. Eram os seis cientistas que haviam me criado.

O nome de cada um deles estava em minha memória.

─ Alfa, está ouvindo? Responda. − repetiu a mulher chamada Helena.

─ Diga alguma coisa − ordenou o doutor Bruno. Eu sabia reconhecer o timbre de voz e a diferença física de cada um. Era meu dever responder e me comunicar com eles.

─ Estou ouvindo, o que querem que eu faça?

A minha reposta deixou aqueles seres humanos agitados. A mulher chamada Lídia pediu silencio aos outros e disse-me:

─ Alfa, erga o braço direito.

O braço direito é um dos membros superiores de meu corpo.

─ Muito bem, agora desça o braço e faça o mesmo com o outro. Ótimo!

Alfa é o meu nome. Todas as coisas têm nome, uma denominação. É um método de linguagem necessário para que as pessoas possam se comunicar e se entenderem.

─ Meu nome é Helena, Helena Bucholtz, e este, ao meu lado é meu marido Walter Bucholtz. Aquele é o doutor Bruno Ferri, e a doutora Diana Ritter. Os outros dois são os doutores Rubens Rosenberg e Lídia Thompson. Você se chama Alfa e nos o criamos. Somos seres humanos, compostos de matéria viva, de estrutura complexa e você é composto de matéria sintética, quase idêntica à nossa. Você é um androide, uma espécie de máquina que imita na compleição física e no intelecto, um ser humano. Colocamos todo o conhecimento que possuímos no seu cérebro e você tem a capacidade para aprender muito mais.

A doutora Helena calou-se, observando-me, e o doutor Walter falou:

─ Vamos conduzi-lo para dar um passeio. Vamos, levante-se, faça um pequeno esforço, erga o tronco e coloque os pés no chão. Queremos que você conheça o lugar onde estamos.

Através de circuitos elétricos, gerados pelo cérebro, comandei meu corpo a se movimentar. Ergui-me da bancada, coloquei os pés no solo e procurei manter-me ereto, acionando o sensor de equilíbrio, distância e profundidade. Caminhei ao lado do doutor Walter e os outros nos seguiram, observando meus movimentos. A sala onde estávamos era o aposento de trabalho. Visitei as outras dependências do prédio, a sala de estar, a oficina, a sala de jogos, e a sala dos equipamentos de segurança e sobrevivência. Havia também, uma garagem, além de um deposito repleto de materiais e ferramentas. No segundo piso estavam os dormitórios, uma cozinha, uma despensa, sala de refeições e dois banheiros. A construção é circular com uma cúpula coberta por geradores de energia solar. Há duas fileiras de janelas que circundam o prédio.

─ Além de energia solar, podemos utilizar a energia atômica, fornecida por uma pilha sob o prédio − explicou o doutor Rubens e a doutora Diana, ajuntou:

─ O seu corpo também funciona com energia atômica contida numa cápsula em seu tórax.

─ Por quê?

─ Para que você possa se locomover e raciocinar, para que tuas funções continuem funcionando. Nós também precisamos de energia para continuar ativo e essa energia vem dos alimentos que ingerimos, além do ar que respiramos.

─ Agora vamos para fora do prédio − pediu a doutora Helena e descemos para o andar inferior, saindo depois pela porta principal.

O sol brilhava no céu azul e eu senti o seu calor em meu corpo. Olhei ao redor e vi colinas cobertas por uma vegetação abundante e variadas. Havia muitos pássaros e insetos, na grama e nas folhagens. Entre as elevações passava um regato de águas cristalinas. A doutora Helena me perguntava o nome de cada coisa e eu lhe dava a resposta certa, sem vacilar. O doutor Bruno nos filmava com uma câmara de vídeo, para guardar aqueles momentos que para eles, era muito importante. Eu me sentia como se fosse um deles e eles me tratavam como tal. Voltando ao interior do prédio, a doutora Diana me ensinou as regras leis e costumes para se conviver em sociedade.

Com o passar dos dias, os cientistas me ensinaram muitas outras coisas e me contaram a Historia da Raça Humana. Fui encarregado de realizar pequenas tarefas, enxugar a louça, tirar o pó dos moveis, recolher o lixo. Por vezes eu me perguntava, qual era o propósito de minha existência. Fiz essa pergunta à doutora Diana, ela respondeu que fui criado para auxiliar os humanos em suas tarefas, obedecendo sempre, as três leis da robótica. 1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2ª Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

─ Você é um protótipo, um modelo experimental que está funcionando como o esperado. É uma unidade biocibernética que nos dá garantia de podermos construir outros iguais com a mesma eficiência.

Eu tinha a consciência de que era diferente dos humanos e a explicação da doutora Diana tranquilizou-me, mas havia ainda muitas questões que os próprios humanos não conseguiam responder.

Os dias foram se passando e os cientistas se concentraram em outros projetos.

Eles guardavam segredo sobre minha existência, porque achavam que ainda não era tempo de o mundo saber o que haviam criado. Quando chegava alguém estranho eu recebia ordem para me esconder. A minha aparência não era diferente dos humanos e eu não entendia porque tinha que me esconder.

O noticiário na televisão anunciou guerra na Ásia e na Europa e essa noticia deixou os cientistas apreensivos. Os meses se passaram e o conflito se alastrou pelo mundo.

Na parede da sala de estar, acima da porta de entrada, havia um relógio que marcava a hora, o dia da semana, o mês e o ano. Pelos registros da doutora Helena, ela e seus companheiros me deram vida no ano de 2038.

Em 2040 teve inicio a Terceira Guerra Mundial. Os cientistas partiram para visitarem familiares, prometendo que voltariam em poucos dias e me recomendaram zelar pelo prédio e equipamentos. Fiquei só, acompanhando os acontecimentos pela televisão.

Na televisão, as notícias sobre a guerra foram se tornando mais terríveis. Eu não entendia o porquê daqueles acontecimentos.

Quando a guerra acabou, o planeta foi envolvido por nuvens negras, muitas cidades tinham sido destruídas, milhões de pessoas estavam mortas e os sobreviventes começaram a perecer devido a doenças, falta de alimentos e água potável. Uma após outra, as estações de televisão e radio deixaram de transmitir as suas programações.

Seguiram-se longas semanas de silencio e solidão. O sol mal aparecia no céu cor de chumbo.

Passei os dias cuidando do prédio, mantendo os equipamentos limpos e lubrificados. Quando acabava minha tarefa, ficava diante da janela esperando que os cientistas voltassem. Com o passar dos meses a nebulosidade começou a se dissipar. O sol voltou a brilhar. Seguiram-se então, dias de intenso calor. Dois anos depois que a guerra havia acabado, resolvi sair do prédio para olhar os arredores. Notei que a vegetação estava perdendo o viço devido à falta de chuvas.

A paisagem verdejante adquiria tons escuros.

Algumas semanas depois, saí novamente do Prédio. As árvores estavam sem folhas, os arbustos ressequidos e o riacho quase seco. Não encontrei nenhuma ave e os insetos eram raros.

Eu estava observando a paisagem, quando ouvi o ruído do motor de um carro. Subi a elevação, contornei alguns arbustos espinhentos e corri para o Prédio.

No pátio estava um veículo de carga coberto de poeira. Uma mulher permanecia sentada, apoiada ao volante com a cabeça repousando sobre os braços. Ao pressentir a minha presença, ergueu o rosto e me olhou com uma expressão de cansaço. Era a doutora Helena.

─ Alfa! − exclamou, e saiu do veiculo para me abraçar. Eu sentia alivio e satisfação por revê-la, mas não consegui retribuir aquele gesto de afeto.

─ Doutora Helena e os outros?

Ela sorriu com uma expressão triste.

─ Fico feliz em saber que você não se esqueceu de nós. Não, os outros não vão voltar. Ajude-me a descarregar a bagagem.

Tiramos a bagagem do carro, algumas caixas de metal para o laboratório, garrafões com água e malas e sacolas para a cozinha. Após descarregarmos a carga a doutora Helena guardou o carro na garagem e depois foi tomar um banho e mudar de roupa. Quando voltou, sentou-se no sofá da sala.

─ Fiz uma viagem estafante e perigosa. Pensei que nunca chegaria até aqui. Quando saímos daqui eu e Walter nos separamos dos outros no aeroporto e seguimos para cidades diferentes, e depois, não tivemos mais contato. O mundo virou um caos devido à guerra. Não há mais Governo, ninguém respeita as leis. Todos lutam pela sobrevivência. A Humanidade sucumbe...

A doutora Helena deitou-se no sofá e continuou, pausadamente:

─ Walter morreu e eu passei muitas dificuldades para conseguir sobreviver e retornar para cá. Temi que este lugar tivesse sido saqueado, e você destruído.

A doutora Helena calou-se e adormeceu. Subi para o piso superior e preparei um leito para ela e depois a carreguei para o quarto, deitando-a na cama. Em seguida, preparei uma refeição. Ela acordou três horas depois, comeu o almoço e foi para o laboratório, trabalhar.

─ Pretendo transformar células vegetais em um composto químico granulado. Esse material será encerrado em esferas de formula química sólida, que deverão ser ativadas por uma descarga elétrica, antes de atingirem o solo. Talvez eu não consiga completar todo o projeto e por isso, eu vou registrar tudo em seu banco de memória para quando chegar o momento certo você possa proceder de acordo com minha teoria.

A doutora Helena continuou a trabalhar semanas seguidas e eu a auxiliava conforme sua orientação. Mas ela estava muito doente e não havia remédio que a curasse, apesar de ter um grande estoque de medicamentos. Suas forças foram se esvaindo e ela viu-se obrigada a se recolher ao leito. Passei o tempo todo ao lado dela.

─ Lamento muito não ter construído uma companheira para você. Eu não queria deixá-lo sozinho.

─ Por quê? A senhora vai partir novamente?

─ De certa forma, sim. Estarei viva enquanto meu coração funcionar, continuar pulsando, mas quando ele parar, minhas funções vitais e intelectuais terão se extinguido. Meu corpo não terá mais utilidade e você deverá enterrá-lo, entendeu?

─ Sim, mas o que farei aqui sozinho?

─ Cuide desse lugar enquanto você puder. Você saberá o que fazer...

─ Porque essas coisas aconteceram, doutora?

─ Que coisas?

─ A guerra, a morte das pessoas, a destruição das cidades!

─ As pessoas que dirigem as nações não conseguiram controlar os seus impulsos, as suas emoções, perderam a razão. Algumas pessoas são fracas de espírito.

─ O que é espírito?

─ A base dos sentimentos, da inteligência e da vontade. É a essência do ser humano.

─ E eu, tenho espírito?

A doutora Helena fez uma pausa e olhou-me por alguns segundos. Ela permanecia recostada nos travesseiros, as mãos delicadas repousando sobra os lençóis que lhe cobriam o corpo até a cintura. Seu rosto estava descorado, mas seus olhos brilhavam com uma luz viva. Sorriu.

─ É claro que tem − afirmou. Ficou calada por algum tempo, imersa em seus pensamentos.

Voltou a falar, dizendo:

─ Pegue um livro e leia algo para mim, uma poesia, qualquer coisa...

Ergui-me da cadeira e fui até a biblioteca, peguei um livro e retornei. Voltei a sentar-me ao seu lado.

─ Leia, por favor − pediu a doutora Helena num tom de cansaço.

Abri o livro e comecei a ler:

O dia nasce, o sol desponta no horizonte, as aves cantam nas folhagens. Uma brisa leve sopra sobre as águas do rio, agita os lírios que crescem nas margens.

No dia claro, na manhã fresca, cantam os pássaros que o sol aquece, no meio da mata, na beira do rio onde o lírio cresce.

O dia lentamente finda e o sol atrás dos montes desaparece, a mata emudece, calam-se o pássaro na noite que desce, a flor se recolhe, adormece...

Ao ouvir um suspiro, olhei para a doutora Helena. Ela estava com os olhos fechados. Notei que já não respirava. Inclinei-me sobre ela e procurei ouvir as batidas de seu coração e constatei que já não havia mais pulsação. Seu coração tinha cessado de funcionar.

Envolvi seu corpo numa lona plástica e enterrei-o no alto da colina. Voltei para o Prédio com uma estranha sensação de vazio em minha consciência, ao meu redor. O amanhã, o futuro parecia não ter utilidade alguma, porém, no fundo da minha memória havia um objetivo, algo que eu deveria fazer além de cuidar do Prédio e dos equipamentos. Organizei minhas tarefas de acordo com o passar dos dias, fazia a limpeza dos aposentos, das ferramentas, dos aparelhos e cuidava para que a câmara de resfriamento continuasse em bom funcionamento.

***

O Sol é uma estrela e a temperatura da sua superfície deve chegar a 6.000 graus, e no centro a 20 milhões de graus. O Sol tem aproximadamente 2 bilhões de anos e a crosta da Terra deve ter se formado há 1 bilhão de anos. Há 50 mil anos o Homem andava na Terra em bandos, com armas rudimentares feitas de pedras e ossos. Há 9 mil anos começa a surgir uma das cidades mais antigas, Jericó, na Palestina. Lentamente o Homem progrediu, conquistando o planeta com seus inventos extraordinários.

Em poucos dias, ele próprio destruiu a civilização e a si mesmo!

***

O calendário eletrônico marcava o ano de 2304. Passaram-se semanas e anos com pouca chuva. Houve um período de longas estiagens. O vento cortava, desgastava as encostas de arenito erguendo poeira em redemoinhos dançantes. O riacho era agora apenas um sulco coberto de seixos. Quando cessava o vento, somente as sombras se moviam enquanto o Sol cruzava o céu amarelo. Havia dias em que a temperatura chegava a 70 graus.

Com o passar dos anos, os livros que estavam na biblioteca se deterioravam e decidi colocar o conteúdo deles na memória do computador. Eram obras de ficção, de ciências e livros técnicos. Quando terminei o meu trabalho, sai para dar uma caminhada pelos arredores.

Da estrada já não havia nenhum vestígio. Nenhuma planta crescia no solo seco, somente restava algum tronco de árvore morta. A cidade era apenas escombros na planície calcinada. Breve as ruínas seriam cobertas pelas areias. Calculei que em toda face do planeta a situação era a mesma e que não restava mais nenhum animal ou ser humano sobre a face da terra.

Em 2640 o céu tornou a se cobrir com nuvens negras.

***

Depois de muitos dias de escuridão, o Sol voltou a brilhar num céu sem nuvens. O mesmo Sol, desde o nascimento da vida sobre a terra brilha sobre as colinas corroídas, sobre as ruínas na planície que a areia soterrou. Apenas alguns entulhos despontando do solo indicavam que naquele local existiram construções. O Prédio continua intocado pelas intempéries. Foi necessário limpá-lo da areia, fazer alguns reparos nos coletores de energia solar. O calor foi menos intenso e os dias se tornaram agradáveis.

O relógio-calendário na parede continua marcando a marcha inexorável do Tempo.

***

As chuvas chegaram em 2870. Nuvens úmidas vindas do mar lançaram algumas gotas de água sobre a terra seca. Houve um período de tempo nublado com chuvisqueiros esparsos. Comecei a construir um foguete com quatro metros de comprimento. A idéia de construir um foguete, a fim de lançar uma carga no espaço, surgiu de repente. Era a programação que a doutora Helena havia registrado em meu banco de dados. Terminei de montar uma cápsula que ela havia projetado e fiquei à espera de uma nova tempestade elétrica.

A tempestade chegou quase um ano depois. O céu cobriu-se de nuvens carregadas de eletricidade. Coloquei as esferas na cápsula e esta, no foguete que estava na plataforma de lançamento. No momento propício, apertei o botão de disparo. O aparelho subiu sem problemas e a 2 mil metros de altura a cápsula foi ejetada e as esferas lançadas entre as descargas elétricas. Ao serem atingidas pela energia dos raios, as esferas liberaram células vegetais juntamente com uma substancia líquida, que, ao atingir o solo, anulava a acidez.

Algumas semanas depois, as sementes começaram a germinar, as colinas e as planícies ficaram cobertas de vegetação.

Com as chuvas, um novo riacho surgiu no vale.

***

Em 3110 comecei a trabalhar na segunda parte do projeto da doutora Helena. Ela havia trazido embriões humanos e de animais, que estavam guardados na câmara frigorífica. Construí um aparelho, uma espécie de útero, para os embriões se desenvolverem. Fiz o teste com um macaco, mas o animal nasceu com anomalias. Corrigindo os defeitos no aparelho, o segundo animal nasceu perfeito. Continuei o processo com outros animais, antes de fazer o mesmo com os embriões humanos.

***

Em 3112 dei início ao nascimento dos seres humanos. Cinco anos depois, seis crianças brincavam pelo Prédio e eu tinha muito trabalho para criá-los. Eram três meninos e três meninas. Dei-lhes o nome de Helena, Lídia e Diana, Walter, Rubens e Bruno. Eles cresceram se tornaram adultos, casaram e tiveram filhos. Ajudei-os a construir suas casas na planície e ensinei-os a viver em harmonia com seus semelhantes.

***

Registrei a minha historia no computador e a seguir, dirigi-me para o ermo onde comecei a construi uma nave espacial. Quando ela ficou pronta, parti para o espaço sideral, a procura de um planeta idêntico a Terra, onde pudesse construir uma cidade e esperar pelos humanos que um dia, certamente, chegarão a ele.

Fim

11 de Setembro de 2020 às 12:47 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Mais histórias

As Crônicas de Althea: A Ascensão de Valkyrie As Crônicas de Althe...
CREPÚSCULO CREPÚSCULO
Dimensions of War Dimensions of War