cherrycookie Cherry Cookie

Diferentemente dos outros palhaços, ele não queria provocar risos em ninguém, exceto, em si mesmo, e ninguém o divertia tanto quanto ela, a menina violeta de alma suja. A verdade por trás da obsessão, no entanto, pode ser ainda mais obscura. "Me chame de Jack, até que arrume outro nome melhor..."


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas.

#jeff-the-killer #policial #terror #378 #drama #laughing-jack #jack-risonho #lendas-urbanas
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Capítulo 1

A menininha corria pelo local em intensa alegria. Seus pezinhos minúsculos e descalços pisavam nas poças de lama, sujando suas pernas e até mesmo seu vestido lilás.

Sabia que sua mãe lhe daria uma enorme bronca quando chegasse em casa, mas no momento, aquilo não passava de uma lapse momentânea de pensamento em sua cabeça.

Girava e dançava em meio a brisa fria e ao céu cinzento de outono, cantarolando alguma música infantil, que soava ainda mais inocente em sua voz fina.

Seus cachinhos dourados insistiam em cobrir seus olhos, e por isso, não pôde ver que era observada por alguém bem ao longe, com olhos negros e maliciosos em conjunto com um sorriso odioso, que ansiava por colocar as mãos em seu corpo.

- Ei, bobona! - um garoto gritou em grosseria, a assustando.

Sem pensar duas vezes, a menina gritou, em desespero. Não sabia quem a havia chamado, e nem precisava saber, o que a deixou em choque foi a máscara que tal pessoa usava: Uma máscara de palhaço, com direito a um nariz vermelho redondo, lábios pintados e um sorriso que para ela, parecia uma visão de pesadelo.

Nunca odiara nada na vida, exceto essas criaturas coloridas e fantasiosas de festas de aniversário. Tinha horror por eles. Queria que todos morressem, só para não precisar mais olhar para suas caras imundas cobertas por maquiagem.

- Cale a boca! Sou eu, medrosa! - o menino tirou a máscara, revelando seu rosto furioso. A menina, porém, permanecia em extremo medo - Fique quieta antes que a mamãe venha brigar com a gente! - ele colocou a mão na boca da garota, tampando-a.

Ela mordeu um de seus dedos, e ele a soltou.

- Por que fez isso? - seus olhos azuis estavam cheios de lágrimas.

- Era brincadeira, bobona! - ele riu e ela encarou seus dedinhos dos pés cheios de lama - Seus pés vão ficar cheios de vermes se andar descalça assim.

- Não vão!

- Vão, sim.

- Pare com isso, Jordan! - a menininha gritou.

- Cale a boca, Violet! Quer que a mamãe venha brigar comigo?! - ele levantou sua mão e lhe deu um tapa no rosto, a derrubando no chão.

A mão pequena do garoto marcou a bochecha da loira, deixando a silhueta vermelha dos cinco dedos em sua face esquerda, que antes era tão pálida. Ela levou a mão ao local, sentindo o calor do impacto e do sangue fervendo por debaixo da pele. Logo lágrimas começaram a brotar de seus olhos.

- Quer vir pedir doces comigo? - Jordan resmungou - Não quero te levar, mas também não quero que vá chorando pra casa. A mamãe vai me matar se isso acontecer.

- Não… - ela secou as lágrimas do rosto - Não gosto do dia das bruxas.

- Claro que não gosta. Você é só uma criança medrosa - o menino exibia um sorriso vitorioso.

- Não sou medrosa! E você também é uma criança!

- Não sou! Eu já tenho 10 anos! - ele gritou e Violet engoliu o nó que se formava em sua garganta.

Se levantou e tirou a lama de sua roupinha. Passou as mãos sujas nos cachos, para retirá-los de seu rosto e desfez a expressão de choro, forçando-a a transformar-se em seriedade.

- Eu vou brincar no parquinho. Pode ir pegar doces, não vou contar nada pra mamãe.

- É bom mesmo - ele a olhou com desdém e colocou a máscara de volta, forçando a menininha a fechar os olhos.

Assim que o garoto se virou e seguiu para o lado de fora do parque, Violet caminhou até o velho balanço, onde se sentou, ainda com o rosto ardendo pelo tapa. Começou a se balançar, ouvindo o ranger das correntes enferrujadas pelo tempo e pelas chuvas.

Suas mãos estavam marcadas pela ferrugem alaranjada e sabia que daqui a pouco alguns calos surgiriam.

Iniciou-se ali um cantarolado triste, que acompanhava o seu vai e vem no brinquedo. Seus cachos voltaram a cair sobre seus olhos.

- Brilha, brilha, estrelinha… - ela parou para respirar - Quero ver você brilhar

De repente, ela para. Um barulho a obriga a interromper a canção.

Com medo, acaba ouvindo mais: Era o som de galhos quebrando, de pedras rolando, de folhas secas sendo esmagadas. Engoliu em seco. Não queria virar para ver o que era, mas sentia os sons se aproximando cada vez mais de seus ouvidos.

- Faz de conta que é só minha… - ela tentava ao máximo fazer com que a música parasse os barulhos. Fechou os olhos, não queria ver nada.

Rezou para que fosse apenas uma criança que estivesse ali, mas sabia muito bem que era a única que ainda tinha coragem o suficiente para brincar naquele parquinho abandonado e sujo, além disso, era dia das bruxas: Os meninos e meninas estavam ocupados demais pegando doces pela cidade naquele momento.

- Jordan! Você não me dá medo! Pare com isso! - ela gritou, mas não houve resposta.

Ela sabia que não era o seu irmão. Ela tinha certeza.

Seu coração então, quase parou no momento em que sentiu algo em seu ombro.

Uma mão. Terrivelmente grande e gelada.

As garras imensas arranhavam seu pequeno e magro braço.

Sem forças e quase a ponto de desmaiar, ela virou-se para olhar, vagarosamente e cautelosamente, como se não quisesse enfurecer o que quer que estivesse atrás de si.

Havia uma combinação de cores: Preto e branco. Não via nada além de um conjunto monocromático de roupas esquisitas e ouvia o som baixo de gargalhadas sinistras que lhe penetravam a alma.

- Só pra ti irei cantar... - o homem que estava atrás de si cantarolou em uma voz rouca e áspera, completando a canção que ela havia cantado anteriormente.

O medo agora corria em seu sangue.

Não teve coragem o suficiente para olhar para seu rosto.

Pulou do balancinho e correu para fora do parquinho, até que pudesse atravessar para o outro lado da grande rua. Seu coração quase pulava pela boca.

Tanta foi a pressa, que sequer percebeu o carro preto que quase a atropelou no meio do caminho: Estava anestesiada pelo pavor que o monstro a havia causado, os arredores agora não passavam de um mero borrão perdido.

Sentiu-se aliviada ao olhar para trás e ver que seu perseguidor não mais se encontrava à vista. Sentou na calçada e encolheu os joelhos. Agora finalmente poderia chorar.

- Brilha, brilha estrelinha… - ela começou, numa tentativa de espantar o medo, e no mesmo momento parou, receosa de que o homem a encontrasse para completar outra vez a canção.

Por que aquilo? Por que com ela?

Ele deveria estar enganado, não se conheciam, ela não tinha contato com adultos.

As lágrimas escorriam de seus olhos como verdadeiras cascatas enquanto ela observava os carros passando pela rua. Seu nariz e bochechas estavam vermelhos e molhados e seus olhos ardiam, não suportando o vento frio.

Ía colocando-se de pé, quando sentiu outra mão em seu ombro, essa era menor, quente e pesada. Virou-se para olhar e viu a pequena fagulha alaranjada da ponta de um cigarro resplandecer em meio a fina silhueta da mulher à sua frente.

- Mamãe… Um homem estava atrás de mim! - Violet falou em meio ao choro, mas sua mãe apenas revirou os olhos.

- Não seja estúpida, isso é coisa da sua cabeça! - a mulher respondeu, a fumaça cinzenta saindo por suas narinas - Olha só isso! O que estava fazendo?! Não acredito que sujou a roupa que eu lavei ontem!

- Desculpe, desculpe! Eu não queria sujar nada! Eu posso lavar!

- Ora, uma pirralha idiota feito você não sabe nem mesmo escovar os dentes! Vamos pra casa.

- Mas mãe…

- Agora! - ela jogou o cigarro no chão, apagando-o com a sola do chinelo e logo segurou com força o braço da menina com uma das mãos, enquanto carregava as compras com a outra.

Violet sabia muito bem o que lhe aguardava em casa, assim como já poderia prever que vários soluços dolorosos ainda estavam por vir.

28 de Agosto de 2020 às 02:21 0 Denunciar Insira Seguir história
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