carlospalugan Carlos Palugan

Em 1308, um convento dominicano em Portugal é envolto pela morte misteriosa de um de seus frades. Dois rivais vão tentar encontrar a explicação por trás do ocorrido, trazendo à tona segredos obscuros do ambiente outrora considerado pacífico.


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#mistério #378 #medieval
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O Frade Estatelado

- Morto! Morto!


O convento de São Domingos de Coimbra despertava com os gritos desesperados do frade Castro, enquanto alguns homens chegavam perto dele.


Frades corriam aos montes, se atropelando. Os gritos denunciavam morte, mas um lugar santo não poderia ser palco de tal escândalo. Uma morte em um convento era como a visão em um cego de nascença: incabível.


Chegaram ao local. Estava no chão o frade António, um homem de meia idade que sempre foi conhecido por ser reservado e oculto. Estava estatelado no chão, de bruços. Ao ser virado, foi uma cena desconfortável ver seu rosto fraturado, além de muito sangue na barriga.


Estavam todos em pânico, apavorados. Como isso teria acontecido ali? Uns sugeriram fechar todos em suas celas, outros sugeriram o exorcismo do local, e um, que estivera contando todos, gritou em meio à multidão:


- Está faltando um!


E, de fato, estava. Começaram a se perguntar quem era o ausente enquanto tentavam reconhecer as faces de seus irmãos, até que notaram que o frade que faltava estava chegando ao longe.


Era o frade Armindo, conhecido estudioso de filosofia clássica e da Escolástica. Planejava publicar grandes obras e passava os dias estudando. Estava calmo e sereno, porém sério.


- Que houve? - perguntou


- O frade António está morto! - disse o homem que apontara sua falta


Armindo entrou na multidão e olhou para o corpo. Não parecia algo estranho. Na verdade, parecia-lhe algo familiar. Essa reação foi motivo para mais pânico entre os homens.


- Teria Armindo matado António? - gritou Fernão, um frade velho que não mais pensava antes de falar.


- Não sou assassino - defendeu-se o recém-chegado.


- Que sugeres? - indagou um outro frade, este mais jovem, ainda com sua tonsura.


- Que, por ora, investiguemos esse estranho ocorrido. Que vão todos para suas celas e rezem para que descubramos o que houve aqui.


Os outros clérigos sempre se sentiam intimidados pelo controle absurdo de Armindo sobre qualquer situação. Todos, menos Francisco.


Francisco era o homem que tinha apontado a sua falta entre os presentes. Os dois eram rivais intelectuais, porém Armindo nunca abraçava as provocações do outro, preferindo se manter inerte e neutro. E foram os dois os únicos que permaneceram ali.


- Como pretende descobrir alguma coisa? - Indagou Francisco


- Ninguém morre de repente, e por essas circunstâncias, podemos deduzir que algo de muito estranho aconteceu. Sua cara está quebrada, e nota-se sangue em seu hábito.


O frade vasculhou o hábito de António, sem encontrar nada. Quase como se recebesse um sinal divino, olhou para cima. Bem perto dali havia uma construção, um outro aglomerado de celas monásticas. Todas as janelas estavam fechadas, exceto uma.


- Creio que agora sabemos como o corpo veio parar aqui.


- Alguém bateu em seu rosto, machucou-lhe o corpo e jogou-o lá de cima?


- Das três, apenas tenho certeza da última. Ninguém deixaria a janela de sua cela aberta por acaso e, dadas as circunstâncias atuais, é impossível não haver relação nenhuma. Vamos subir.


- Pretendes, então, assumir as rédeas desse caso? Não devíamos esperar o Frade Superior chegar de sua viagem? Dado o mistério, talvez isso chegue até aos ouvidos do Prior de nossa ordem...


- Quanto mais soubermos antes de comunicarmos o Frade Superior, melhor. Eu vou subir, vem comigo ou vai esperá-lo?


Notou-se indecisão em Francisco. O controle que seu rival exercia sobre as situações o irritava, mas mesmo ele, orgulhoso como era, sabia que sua vaidade importava menos do que descobrir como António fora parar no chão.


- Eu vou com você.


- Muito bem. Vamos.

27 de Agosto de 2020 às 13:55 0 Denunciar Insira Seguir história
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Conheça o autor

Carlos Palugan Jovem escritor de histórias de drama e mistério, além da afinidade para com poesias.

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