adam-nimrod1597606006 Marcus A.

Um jovem rapaz , conhecido como o anjo do armagedom, travou uma guerra sangrenta por um governo que no final descobriu ser opressor. Tentando corrigir o maior erro de sua vida, se une a uma antiga facção rebelde inimiga para o derrubar o governo que ele ajudou a estabelecer, enquanto resolve pendências do passado, descobre a verdadeira origem de sua natureza angelical.


Ficção científica Todo o público.

#guerra #aventura #sci-fi #anjos #amor #romance-mistério
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Capítulo 1 - O Socorro

Khalif voltou para o país onde cresceu, Moçambique, tudo mudou desde a grande guerra. Quando ardentemente, ele queria fazer parte das batalhas e mostrar sua força ao mundo. Ele tinha apenas dezasseis anos, mas era mais forte que sete soldados norte americanos.

***

"Eu posso senhor, sou forte, me deixe entrar para o exército. ‒ dizia eu agitado sob a imagem de filmes de aventura que tanto assistia.

‒ Não! Você é menor, vá para escola, onde estão seus pais? - O homem que falava comigo era um soldado, ele era forte com a cabeça raspada. Eu estava na base militar de Maputo.

‒ Eles morreram - menti. Não podia dizer que meu pai é Deus, pelo menos foi isso que me disse o padre.

‒ E com essa corcunda rapaz, é impossível! - ele estava zombando da minha falsa corcunda, mas ele não imaginava o que estava por vir.

‒ Não é uma corcunda - me aproximei e sussurrei para ele.

‒ Porquê está sussurrando rapaz? - Nesse momento me senti corajoso, pois afinal não é todos dias que alguém fala com um anjo.

‒ É que são asas, senhor, de verdade. - meu peito se encheu de orgulho. ‒ Asas? - O soldado não se conteve, entregou-se em gargalhadas. Seus colegas riram também, mas quero apostar que eles estavam rindo mais das gargalhadas do soldado que das minhas asas. Um homem gordo, com ar de mandão apareceu, parecia ser o superior.

- O que acontece aqui? ‒ Perguntou ele, num tom pomposo.

- Perdão senhor, mas estamos nas vésperas de um ataque, e este menino diz que quer entrar no exército. ‒ o homem dava pesadas gargalhadas, as palavras pareciam saltar de sua boca, isso me deixou envergonhado ‒ e o melhor está por vir, essa corcunda nas costas ele acha que são asas. O superior sorriu subtilmente e disse: rapaz me mostre o que tu podes fazer. Embora estivesse envergonhado tirei o meu casaco preto e mostrei a todos algo que até semanas atrás eu havia prometido ao padre que não mostraria a ninguém, eram as mais belas, majestosas e angelicais asas, enormes que meu próprio corpo."


***

O veículo, Skyraptor, entrou na atmosfera da zona de aglomeração número 1. Comummente chamada de Z.A-1. O sol estava nascendo, as pessoas em baixo, estavam aglomeradas num local. Pareciam esperar algo.

‒ Tudo está mudado, a guerra consumiu tudo - disse Khalif observando os vastos edifícios destruídos. E aglomerações de pessoas.

‒ Parece que você gostava mesmo desse lugar. ‒ Disse Marília, notando a emoção nos olhos dele.

‒ Como podemos, não gostar de nosso lar? - Embora dito alto, aquela questão era para ele mesmo ‒ como não gostar do único lugar onde é possível chamar de lar ‒ ele cresceu nesse país, andou nessas ruas, ele se maravilhou com a magnificência da cidade das acácias. Portanto seu coração não enxergava aquela parte do mundo como lar, pois ele sabia que se ali fosse seu lar, todos seriam iguais a ele. Voltar para seu país de origem, era ter que enfrentar antigos demónios.

‒ Não pense nisso agora, em breve essa charada estará devidamente solucionada - Marília tentou animá-lo como se pudesse sondar sua mente. ‒ Talvez, se eu não morrer antes - ele se referia aos estudos científicos que fora submetido desde o dia de sua revelação. Passaram pela portagem aérea da Cidade Nova, a antiga cidade das acácias, hoje residência dos Eleitos. O veículo que os transportava era um dos mais sofisticados, com a melhor tecnologia e design único, apenas para pessoas importantes do sistema, sobrevoaram a Cidade Nova. Uma satisfação para os olhos, um deleite para alma. Para os amantes da tecnologia essa cidade representa o belo, o excepcional, o magnífico, a mais avançada e perfeita obra arquitectónica. O vidro e aço se encontram formando um casal perfeito, o granito e o mármore namoram fazendo um par sem defeito. O branco divinamente se uni em combinações complexas com o prateado e o dourado, com seus muito altos edifícios a Cidade Nova se torna um verdadeiro paraíso na terra. Como lhes foi proposto. Nada como um lar aconchegante gritavam os painéis de publicidade.

‒ Senhores chegaram à Cidade Nova. - disse o condutor automático, ao estacionar o veículo que voava tão rápido quanto um helicóptero. ‒ Meu Deus! - Exclamou Khalif - de perto essa cidade é mais bela - ele olhava para os altos edifícios que quase tocavam os céus, para as pessoas que andavam sobre carinhos motorizados, que não permitiam que ninguém esbarasse um no outro, pois todos estavam atentos em seus dispositivos de comunicação, falando ou vendo alguma programação, todos tinha auréolas na cabeça que exibiam um brilho azul celeste. Havia grandes telas de publicidade, projecções de hologramas muito reais anunciando novos produtos, veículos, roupas.

- Senhores a vossa morada é no edifício Rhula - disse o computador do veículo, mostrando um magnífico edifício, no topo uma projecção holograma do símbolo do Santo Sistema, uma árvore vermelha feita de circuitos digitais. Na fronte do edifício estavam escritas a metal bronzeado a palavra Rhula. Quando deram um passo á frente, de repente um monte de drones com câmaras de filmagens e fotográficas apareceram sacando muitas fotos e filmando, estavam acompanhados de mulheres vestidas de branco, vestidos acima do joelho com meias calças brancas. As roupas eram feitas de couro com detalhes de prata. Diferente de Khalif e Marília que vestiam roupas antigas e de cor de terra.

‒ Khalif anjo do senhor! Se importa de dar uma declaração de como é estar aqui na Cidade Nova? Pela primeira vez depois da guerra? ‒ A moça tinha olhos azuis e seus cabelos eram vermelhos como fogo, seu corpo possuía curvas delicadas e acentuadas nas quais ela desfilava e rebolava ao falar, sua pele era bronzeada. Khalif se aproximou de Marília e a abraçou, como se procurasse protecção.

‒ A Cidade está bela, porém quero acreditar que todos deviam estar nela.

‒ Oh, estão juntos? ‒ Perguntou uma outra repórter, magra, vestia roupas do mesmo estilo que a outra mais tinha um tom azul-cíano. Khalif notou a apatia da repórter pelo que ele perguntou. O que o irritou e não quis responder a outra pergunta.

‒ Sim, estamos juntos - respondeu Marília - apesar de ele ser um anjo, eu acho que Deus não fica com ciúmes - depois de responder a essas perguntas acharam um meio de fugir deles entre os veículos, foram em direcção ao edifício Rhula.

‒ Pronto, já sabem - disse Marília enquanto caminhavam.

‒ É, parece ser a única coisa que lhes interessava - retrucou Khalif. As pessoas andavam lento, olhando para eles com admiração, uma criança correu na direcção dos dois. No sentido contrário, um homem de meia-idade trajando vestes sujas e fedorentas corria desenfreadamente com alimentos nas mãos fugindo da polícia santa; quase esbarando numa criança, Khalif segurou a criança antes que se ferisse. O homem assustado tropeçou, mas levantando-se rapidamente, tirou com violência uma senhora de seu carinho e se apossou dele. As pessoas gritavam assustadas. Khalif abriu suas asas e voou em direcção ao homem e o tirou do carinho; em estado de cólera, o homem praguejava.

‒ Porquê você está roubando? - Perguntou Khalif com o homem nas mãos, percebeu que diferente dos outros, aquele homem não tinha uma auréola. ‒ Porque vocês tem muito e jogam fora, eu estou apenas ajudando com vosso lixo - disse o homem com hostilidade - e agora? Não estamos todos a caminho da perfeição, porque dividem as pessoas se nos rendemos ao vosso sistema?

Antes que pudesse questionar mais, Khalif teve de o entregar as autoridades. As pessoas se perguntavam quem era aquele homem e porquê estava agindo assim. O homem praguejava e amaldiçoava o Santo Sistema. A reacção do homem intrigava Khalif quanto a forma como eram tratadas algumas pessoas. Era para ser perfeito, era o que se anunciava, era o que Magne tanto se gabava de fazer, coisas perfeitas.

As pessoas aplaudiram e os pais da criança vieram agradecer, Marília e Khalif depois dessa calorosa recepção queriam apenas privacidade, imediatamente entraram no edifício Rhula. Era aconchegante, pessoas andando lentamente sem desordem nem caos, conversando nos comunicadores outros conversando entre si. Os dois tentando não ser notados, o que foi em vão pois todos começaram a aplaudi-los, andavam a passos largos para alcançar o elevador.

‒ A melhor maneira de fugir da atenção é pelo tele-transportador - disse um homem quase velho pois tinha uma postura bastante saudável e uma personalidade jovial embora seus cabelos grisalhos - elevadores são coisas antigas, pouco práticas, mas o tele-transportador é melhor, embora ele seja evasivo pois se tiverem comido alguma coisa sugiro que peguem o saco no canto para vomitar se necessário.

Marília e Khalif não esperaram mais e correram em direcção ao teletransportador, embora não conhecessem optaram por ele. Ao entrar no teletransportador havia sinais na parede como não beijar quando o teletransportador estiver activo e não abraçar. Dava para compreender o porquê. O tele-transportador não era muito diferente do elevador. Khalif apertou no número trinta e três e uma luz intensa e cegante surgiu, eles sentiram seus corpos sendo divididos em pequeníssimas partículas, como um formigamento em todo corpo, e quando estavam em si estavam no trigésimo terceiro andar. Tontos e com náuseas.

‒ O tele-transportador divide todo corpo em moléculas e na velocidade da luz transporta essas moléculas para um outro local, magnífico não? - Disse o mesmo quase velho ao abrir-se o tele-transportador, enquanto eles tomavam fôlego - mas com o tempo vocês se acostumam.

‒ Obrigado senhor - disse Marília.

‒ É Antoninho - gritou o velho enquanto eles corriam para a porta de seu apartamento. Antes que entrassem, trocaram olhares íntimos á frente da porta, era como um sonho se tornando real, abriram de uma só vez e deram caras com o sinónimo de conforto. Aquele apartamento era magnífico a decoração era feita de tecnologia e detalhes barrocos. Marília, particularmente estava encantada e maravilhada. Aquele apart. fora projectado especialmente para ela. Khalif amava e gostava de tudo aquilo, mas o que acontecera quando ele chegou, o deixou preocupado, pois sentiase de certo modo culpado. Mas o sorriso de Marília era anestesia para qualquer dor. Mergulhou na emoção que o momento proporcionava.

‒ Qual lado prefere? - Questionou Marília, estando eles no quarto.

‒ O mesmo de sempre - disse Khalif despreocupado.

‒ Você pode escolher agora, não estamos mais no tempo de guerra onde tudo por mais ruim que esteja, está bem.

‒ Eu estou escolhendo, querida - Khalif carregou Marília e atirou-se na cama com ela. Os dois se amaram naqueles lençóis de seda. Foram tantas e tantas vezes que seu corpo arquejou, cansados caíram mortos na cama. Marília descansava confortavelmente no peito de Khalif, acariciando os pequenos pêlos que apareciam, era raro tê-los ali, pois ele tinha o hábito de se depilar. Adormeceram, ou melhor apenas Marília o fez, pois cada vez que Khalif fechava os olhos vinham imagens do homem que encontraram ao chegar, pois no seu interior temia que Floyd estivesse certo esse tempo todo. Eles foram acordados da conchinha romântica por uma voz grave, meio computadorizada que disse: senhores têm uma chamada, posso transmiti-la? ‒ Temos uma casa inteligente, óptimo! - disse Khalif mas não tão animado quanto queria parecer.

‒ Pode sim computador – respondeu Marília sentindo o sarcasmo na voz dele, ela sentia-se todas vezes obrigada a responder por Khalif, quando ele ficava chateado.

Uma imagem holograma formou-se diante da cama, era uma mulher vestida de branco e com um Tablet na mão.

‒ Olá, amados - disse ela sorridente - desculpa por importuna-los pois vejo que estavam fazendo o que Deus ordenou (risos), mas quero apenas lembrara-los da entrevista no programa Conectividade! - Desliga.

‒ Uau, meu Deus! - exclamou Marília - havia esquecido disso e não te falei Khal.

‒ E agora, somos celebridades? − Seu mau humor parecia ter aumentado. ‒ Eu sei Khal, que você queria privacidade, mas eles me ligaram marcando uma entrevista quando ainda estávamos em Madrid, nós precisamos comparecer.

‒ E eu achando que finalmente ia ter a paz prometida.

‒ Eu sei, mas precisamos fazer isso antes de iniciarmos os estudos, lembra? ‒ Marília se levantou com o lençol cobrindo seu corpo, caminhou até a porta de vidro que dava acesso a varanda onde se revelava uma vista estonteante. Ele olhava para ela com admiração, bastou uma mudança para seus cabelos se tornarem mais dourados e vivos. Sua pele estava alegre pois estava mais macia, embora queimada pelo sol. O lençol branco cobrindo-a desenhava suas curvas. Seus olhos eram como o mar, azuis, seu nariz empinado, era gracioso como uma onda que se ergue, por baixo, aquela boca serena, com lábios constantemente vermelhos. Ela era linda, ele sabia disso, tanto sabia que sentíasse afortunado por têla ao seu lado. Suportaria o que fosse para deixar feliz, aquela que enlaçou seu coração.

‒ E ainda me torturarão, para descobrir a origem de minhas asas! Grande coisa!

‒ Meu pai me colocou como sua guardiã para evitar isso, lembra?

‒ Quando será o programa?

‒ Daqui a trinta minutos.

‒ O quê? - Convencido, levantou-se da cama num salto. Rapidamente prepararam-se, diferentes de seus trajes velhos e antiquados, eles se vestiram das roupas clássicas e modernas da Cidade Nova.

‒ Você está linda - disse Khalif ao olhar para Marília. Ela vestia um vestido longo prateado, que desenhava seu corpo, havia pequenas pedras brilhantes no vestido, o tecido semelhante a todos era inteligente, capaz de regular a temperatura do corpo e trazer conforto. Seus cabelos loiros estavam amarrados com um gancho semelhantemente brilhante. Com pequenos brincos que embora sua pequenez, não deixavam de mostrar sua beleza. ‒ Obrigada meu príncipe, você também não está nada mal - Khalif vestia um fato-macaco branco com detalhes azuis digitais, acompanhado por blazer de couro branco com detalhes prateados, dava um ar mais jovem e formal ao mesmo tempo. Suas roupas estavam todas adaptadas às suas costas com asas. Como sempre seu cabelo no estilo Pank ( cortado nas laterais, deixando cabelo apenas no topo da cabeça). Olhou-se no espelho, precisava deixar a barba crescer, estava jovem demais, pensou ele. Seu rosto era cumprido com queixo quadrado, seus olhos eram de um castanho leve, escurecido, assim como sua pele. Havia veias em seus braços que mais pareciam ruelas, Marília era apaixonada por elas, seus lábios eram carnudos, ficavam como se fizesse piquinho. Saíram do quarto, um ajeitando o outro. ‒ E agora? - Perguntou Khalif, estando eles do lado de fora de seu apartamento.

‒ O quê? - Questionou Marília.

‒ Elevador ou tele-transportador?

‒ Tele-transportador, sempre!


16 de Agosto de 2020 às 19:44 0 Denunciar Insira Seguir história
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