u15975060021597506002 João Ferro

Esta história é a narrativa de um retorno, onde o personagem vai se encontrar com o seu passado. A maneira como ele vai enfrentar cada desafio de sua saga vai refletir no futuro dele e dos seus ao redor. Nesta história desejo que surja em cada leitor de se perguntar sobre o que é o bem e o mal. Onde há o limite de certeza sobre qualquer coisa. A sorte está lançada...


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas. © João Victor Ferro

#lol #how #what? #PointBlank
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Voltando para casa

Não havia dormido bem, já eram 11:00 e havia pouca vontade de levantar-se no momento. Deparou-se com o teto branco do quarto, com um esforço maior percebeu as rachaduras, deveria ser por causa das infiltrações de tanto tempo. Desde que acordou foi a vigésima vez que pensou no que estava fazendo ali.

A melhor parte de um final de semana comum consiste em fazer qualquer coisa para comer, não existem regras alimentícias quando passa a viver sozinho. Na verdade não existem mais tantas regras como antes. Pertence ao seleto grupo que come hambúrguer pela manhã e toma suco natural para ser um pouco saudável. Essa vida rotineira se repetia durante toda a semana, seu ápice estava no domingo. Era o pior dia da semana, porque ficar na rotina era ótimo, mas era no domingo onde isso não acontecia, era o dia mais vazio.

Apesar daquela vida pacata, existia outra pessoa dentro dele que nem nos seus piores sonhos quis se tornar.

É um dia intenso, chove torrencialmente. Não existe vontade de sair de casa, porém é preciso. Procura o guarda-chuva, não o encontra. Sai a assim mesmo. No caminho de sua casa olha para as pessoas, pensa como seria ter que pegar aquele ônibus lotado. Não foi dessa vez, subindo a rampa que leva à passarela, observa como os carros fluem intensamente numa avenida.

Foram muitas aulas, houve tanta coisa. Agora voltando para casa, ele vai continuar sua rotina. Não dessa vez. A polícia corre intensamente, vai intensamente em busca de dois caras, cada um em uma moto. Dá para perceber a inveja nos olhos. Nunca a frase: ‘’seja marginal, seja herói ‘’. Fez tanto sentido, bem, ele acabou de chegar em casa, vai estudar um pouco, arrumar a casa e vai dormir.

De manhã, descobre que um homem foi assassinado por tráfico de drogas. Novamente sente algo diferente, não sabe dizer exatamente o que é. Predestinado a lavar a louça, deixou pro outro dia. Não havia maneira de resistir ao sono. De repente já são cinco horas, é necessário começar a rotina novamente.

São 3 horas da tarde, chegou o dia de voltar para a casa dos pais, arrumou pouca coisa, não levava nada mais em sua mochila do que sua vida vazia. O tráfego no final de semana é intenso, começou a chover, não existe contraste eu uma metrópole, apenas a sobreposição dos tons cinzentos. Este era seu refúgio. Diferentemente dos dias normais, hoje não existiam tantos vendedores ambulantes, era muito curioso pensar sobre essas coisas.

Não há mais tanta novidade no trajeto, é apenas uma questão de paciência, precisar esperar até chegar ao destino depois de quatro horas de viagem. Ele observa o dégradé de verde na paisagem. Quando o motorista da van precisa abastecer, fica observando como as pessoas olham para ele, se sente diferente dos outros, como se fosse um criminoso, talvez fosse. Em seguida um ambulante aparece com várias tangerinas dentro de saquinhos de cinco unidades. Decide comprá-las, infelizmente as tangerinas estavam azedas, e por isso, não chegou a comer a última. Pensou que a guardando poderia ter fome e comer depois. Bem, ela se estragou dentro de sua mochila. Precisou pegar o último transporte para chegar até em casa, levaria mais quinze minutos para este partir, e mais vinte para chegar no ponto perto de casa. Caminhando, observa aquilo que fazia um ano antes. Agora, trata-se de algo efêmero daquele dia. Esperou um pouco para que ela chegasse até lá.

Sua barba revela a idade que não tem, a voz revela a escassez de maturidade. Isso ficava ainda mais evidente, quando chegava em casa e sua família o enchia de mimos. Principalmente sua mãe, que tinha já suas marcas da idade.

O silencio ressoou na sala que possui um espelho de emoldurado em madeira, naquela parede verde-limão, a qual adorava. Seu quarto não era mais o mesmo, tinha se tornado um depósito para todo tipo de bagunça, não cabia mais a ele. Conquistou uma vida nova, não a ideal, muito menos a que esperava ter.

Ele precisava se apressar, mas não muito. No fundo este sabe que nada mudou. As antigas memórias ainda estão naquelas ruas por onde passava. Era só uma questão de tempo até que estas fossem reveladas com o decorrer dos passos. Trajeto este que fazia desde os seus dez anos. Nada mudou tanto, alguns postos de gasolina nas esquinas foram recém-inaugurados, por um lado era bom, fazia a companhia na caminhada noturna. Porém a simples mudança fazia-o incomodar, parecia que aos poucos sua história estava sendo apagada de lá. E não estava?

Porém foi em uma praça que seu coração bateu mais forte, talvez fosse a esperança de que ela aparecesse novamente com um grande sorriso. De fato, isso nunca mais aconteceu, nunca em cinco anos de espera. Ao continuar sua caminhada encontra alguns amigos que aparentam não ter mudado nada durante todos esses anos. Vai ser questão de tempo para perceber que tudo mudou, que não tem mais volta. Quando a maturidade chama, ela não chega delicadamente como um agente de endemias. Na verdade, esta chega como a polícia com um mandado por tráfico.

Sim e é sobre as contas mesmo, faz parte do dia-a-dia. Parece que ele esqueceu de pagá-las enquanto estava na universidade. Porém ao inserir seu cartão no caixa eletrônico este percebe um olhar fixo de uma mulher ao longe. Fingindo não perceber o que estava acontecendo ele continua fazendo seus pagamentos mensais. Assim que termina vai à seção de alimentos para comprar algumas coisas para ela.

A mulher que outrora estava o observando, não está mais. Ela já foi embora. Talvez fosse tudo imaginação, pensou ele. Talvez não. Desde que seus pesadelos ficam cada vez mais frequentes, é uma dificuldade distinguir a realidade daquele mundo horrível na qual sofre toda vez que dorme. Não fosse pela sua capacidade de se conhecer muito bem, já tinha enlouquecido.

15 de Agosto de 2020 às 17:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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