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eduardo-miranda1595643581 Eduardo Miranda

Um casal finalmente encontra tempo para a reforma de sua cabana nas montanhas, porém uma descoberta maligna irá afetar por completo suas vidas.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#almas #suspense #bruxa #sacrificio #terror
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O Quarto Das Almas

Outono de 1972, embalado ao som de Nazareth – Love Hurts, Walter Foster descarrega da pick-up latas de tinta, pincéis, e ferramentas para reformar sua residência. Depois de um ano morando no campo é chegado à merecida férias e com ela a oportunidade de dar “um trato” na casa. A esposa, Andressa Foster, já está com a roupa “de guerra” e pronta para colocar a mão na massa, ela deixa o café com biscoitos e bolo de laranja prontos para beliscarem durante o trabalho. A residência fica em uma região montanhosa ao sul do Brasil, com muitas árvores ao redor e um frio constante, o casal deixa a lareira acesa e seguem na reforma, no meio da tarde Walter está lixando a parede de um dos quartos inativos do andar de cima onde pretende repintar com uma cor mais viva para utilizar o local como seu escritório, em um canto do cômodo ele sente uma leve e fria brisa passar por entre uma quase imperceptível fresta no chão. O homem curiosamente se agacha e apalpa a parede, ao dar umas batidas com o punho percebe o som oco e constata que pode haver outro cômodo por trás da parede, de repente Andressa surge:

_Amor!

_Meu Deus! – Walter deu um salto com o coração na boca. _Que susto!

_Porque está agachado no chão? – Ela pergunta segurando para não rir do susto que dera no seu marido.

_Dressa, vem cá, olha que estranho. – A mulher se agacha, examina a parede e chega a mesma conclusão que ele.

_Mas, Walter, como nunca descobrimos isso antes?

_Talvez porque durante um ano inteiro não tivemos o interesse de frequentar este cômodo.

Após algumas horas ele já havia aberto um acesso ao novo e misterioso cômodo, o local cheirava a mofo e para a surpresa do casal lá dentro havia uma mesa rústica de madeira maciça e um pequeno armário. Eles entraram cautelosamente, porém o local parecia bem estruturado assim como o restante da residência, o cheiro de mofo certamente era pelo fato de não haver nenhuma janela, a mesa no centro lembrava um altar e eles perceberam uma mancha escura que parecia ser de sangue, o casal sentiu aversão, Andressa sentiu enjoo, Walter seguiu firme mesmo sentindo náusea, com cuidado foi tirando tufos de teias de aranha que haviam por todo lado, abriu o armário, lá dentro o cheiro de mofo estava mais forte ainda, lentamente ele abriu as duas portas que rangeram dando calafrios no casal. Dentro do móvel encontraram dois livros, um deles com alguns nomes e datas de nascimento e morte, como se fosse uma lista de obituário, com datas de 1700 à 1900, havia algumas dezenas de nomes e o segundo livro continha informações e gravuras de rituais malignos. Aquela descoberta deixou o casal abalado, eles deixaram os livros no armário e saíram do local, ficaram por algum tempo sem tocar no assunto, após o jantar já no quarto do casal, Walter tenta falar algo sobre a descoberta, entretanto, sua esposa reluta, está realmente abalada com o que descobriram. Durante á noite Walter acorda com um barulho estranho, como se ratos roessem as paredes da casa, vestiu seu hobby e foi ver do que se tratava, seguindo o ruído chegou ao novo e sinistro cômodo, era como se o barulho saísse do estranho armário, lentamente ele se aproximou, o novo local da casa não tinha iluminação, recebia apenas um pouco de claridade da luz do quarto principal e as sombras o tornavam um lugar muito mais sinistro ainda, já dentro do pequeno cômodo o ruído cessou, um cheiro podre tomou o lugar, lá dentro parecia fazer mais frio que no restante da casa, ele ia dando um passo para trás quando o armário moveu-se sozinho, como se tremesse a ponto das portas de moverem também, rangendo alto e assustando Walter que saiu em disparada, foi direto ao banheiro lavar o rosto, estava certo de que se tratava de uma alucinação, estressado deitou-se com cuidado para não acordar a esposa, mas não dormiu mais naquela noite.

No dia seguinte Walter estava decidido a dar fim naqueles móveis e lacrar novamente o local, ele sentia algo ruim emanar daquele “buraco”. Pegou suas ferramentas, marreta, martelo e picareta para destruir tudo, só conseguiria retirar aqueles móveis rústicos se fosse aos pedaços. Ele entrou sozinho no quarto enquanto Andressa pintava a sala no andar de baixo, empunhando a marreta se aproximou do armário, porém algo aconteceu, uma das portas se abriu sozinha bruscamente batendo com força do lado oposto e varias vozes gemendo ecoaram pelo quarto, Walter pulou para trás, tropeçou e caiu sentado com o horror estampado em seu rosto ao mesmo tempo que a porta principal do quarto bateu trancando-o com seu terror. O rapaz bateu na porta, deu pontapés e gritou com toda força de seus pulmões, contudo, Andressa não respondia, era como se ela não estivesse no local ou ele estivesse em outra dimensão, isolado do mundo, finalmente ele pegou a picareta para destruir a porta, porém, antes de conseguir golpeá-la ela se abriu sozinha, ele correu descendo as escadas de 3 em 3 degraus e tropeçou ao chegar no andar de baixo deixando Andressa apavorada com o que vira.

Naquela mesma tarde, o casal ainda abalado sem saber do que se tratava e nem como resolver, receberam uma visita inesperada, as batidas na porta eram incessantes, quase que desesperadoras. Andressa atendeu a porta, era uma senhora idosa, cabelos esvoaçantes e brancos, um lenço no pescoço, blusa de lã sobre um vestido típico de uma senhora idosa, no rosto a aflição de quem viu algo sobrenatural.

_Pois não? Em que posso ajuda-la? – Andressa atendeu imaginando que fosse uma andarilha pedindo comida ou abrigo, afinal, o casal jamais vira aquela mulher pela região.

_Vocês precisam fazer o ritual para cessar o mal. – Aquelas palavras assustaram Andressa mais do que já estava. _Vocês libertaram o mal e ele vai querer vingança contra todos nós.

_Do que a senhora está falando?

Walter escuta a conversa e surge à porta pedindo explicações à velha e sinistra senhora.

_O que a senhora quer dizer com isso?

Andressa convidou a idosa a entrar e lhe ofereceu uma xícara de chá em troca das explicações.

_Séculos atrás nesta região houve uma “infestação” de bruxas e magia negra, os cristãos e missionários criaram a Ordem da Justiça Divina para dar um fim aquelas insanidades, eram sacrifícios de animais e até de pessoas, crianças, tudo em nome de Satanás. A Ordem perseguiu cada um dos adoradores do demônio durante muitos anos, eles eram capturados e suas almas oferecidas e entregues a quem lhes pertencia, eram mortos e enviados diretamente à Lúcifer.

_Mas, porque? – Andressa estava horrorizada.

_Era uma forma de castigar os adoradores do demônio. Se o cultuavam, seria justo que passassem a eternidade junto ao próprio Lúcifer.

_E como sabe de tudo isso? E o que a nossa casa tem a ver com isso? - Walter estava assustado.

_Bem, eu sou a última descendente dos fundadores da Ordem e esta casa foi o local dos sacrifícios. – O casal estava horrorizado com o que ouviam. _Ontem eu tive uma revelação de que os portões do inferno foram abertos por vocês, isso precisa parar ou vocês morrerão e eu serei perseguida até a morte por eles.

_”Eles”? – Andressa parece confusa, mas havia entendido perfeitamente a situação. _Os satânicos mortos?

_Sim minha filha, todas as almas dos mortos neste momento estão naquele quarto, o local se tornou um portal entre o nosso mundo e o inferno.

Walter se levantou bruscamente pegando a marreta e subiu em direção ao quarto.

_Impeça-o, o lugar deve ser lacrado e não destruído, se destruir a passagem ficará aberta para sempre.

Andressa correu atrás de Walter chegando ao cômodo junto do homem, na porta, eles pararam horrorizados, dentro do quarto vultos de almas negras corriam de um lado para outro, pelo chão, nas paredes e até pelo teto, o casal ouvia gemidos e grunhidos até que a velha apareceu.

_Meu Deus! O que faremos para parar isso? – Andressa fala em desespero, como se pedisse ajuda a velha.

_Temos que fazer o ritual novamente, precisamos sacrificar algum ser vivo sobre a mesa do altar para essas almas se acalmarem. – O casal se entre olhou sem saber como resolver a situação.

_Vamos, não fique ai parado, vá buscar algum animal na floresta e o traga aqui.

_Mas eu não sou caçador.

_Dê um jeito, pode ser qualquer coisa, um rato, preá, um passarinho, mas traga algo.

Walter saiu correndo, entrou no quartinho de bugigangas da garagem e saiu com sua espingarda de chumbinho, pelo menos um passarinho ele conseguiria pegar.

No cômodo do mal Andressa está paralisada na porta diante do que vê, não percebe algo acontecer atrás dela, a velha transforma sua feição, fica com uma expressão demoníaca, pega a marreta e golpeia a mulher na cabeça. Minutos depois Andressa recobre a consciência deitada na mesa de “ofertas” com muita dor na cabeça causada pela pancada, os espíritos malignos continuam gemendo e circulando o altar, porém agora com mais entusiasmo. A velha pega um punhal e começa a dizer palavras incompreensíveis, as almas negras parecem grudar em Andressa deixando-a sem forças para reagir, até que a velha demoníaca crava o punhal no peito da mulher ao mesmo instante que Walter surge na porta segurando um passarinho para a suposta oferenda. Em desespero ele grita.

_Porque? - O rapaz tenta socorrer a esposa, porém as almas o circundam enfraquecendo-o também. _O que você fez sua velha maluca? Quem é você?

_Na verdade sou descendente de uma das bruxas assassinada aqui, e vim fazer o ritual para reativar e receber o poder maligno de todas estas almas.

_Mas eu trouxe um animal para o sacrifício como você pediu, porque matou minha Andressa?

Sorrindo a velha se explica.

_Eu precisava mantê-lo ocupado, na verdade o sacrifício precisava ser feito com uma criança, pena que você descobriu o local antes de sua esposa completar a gestação.

Walter enlouqueceu com a notícia e desmaiou, uma semana depois seus parentes sentiram falta de notícias do casal e seu primo foi até o local descobrindo a cena sinistra, Andressa assassinada sobre a mesa rústica e no canto do cômodo em estado catatônico estava Walter. A polícia foi acionada e somente um mês depois, recluso em uma clínica psiquiátrica e a base de remédios, Walter conseguiu falar sobre o que acontecera, porém, a investigação policial jamais conseguiu encontrar algum fato que comprovasse a existência da velha maligna, a única coisa certa é que realmente Andressa estava grávida de dois meses. Walter foi indiciado por crime passional considerando a impossibilidade da gravidez o possível motivo da ação criminosa, tendo em vista que ele era estéril.

15 de Agosto de 2020 às 14:49 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Eduardo Miranda Paulistano, 47 anos, casado e pai de 3 filhos, amante da música e de esportes em geral, adora o cinema em especial o gênero suspense e terror. Meu primeiro trabalho iniciou em 2008 quando escrevi a fantasia , Maddems, em 2017 finalizei meu segundo trabalho, Um Santo Amigo, escrevi também cerca de 21 contos de terror. e agora me aventuro a escrever online o suspense "A Estrada Escura".

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