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esternw Ester Cabral

Armin mais uma vez virou a noite acordado, mantendo-se desperto na base de cafeína e força do ódio. O motivo? As conversas com sua Princesa Jujuba. Ou ao menos era esse o nome do user dela. Depois de tanto tempo gasto no bate papo, é claro que ele não hesitaria em aceitar o primeiro convite dela para se encontrarem. A noite acordado valeu a pena. Porém, após mais de cinco colheradas no seu café naquele cyber café em que se encontram, passou a ter certeza que o amargor na sua boca não era culpa da falta de mais uma colher de açúcar.


Fanfiction Jogos Todo o público.

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Olá, meu povo!
Essa one faz parte do que eu resolvi chamar de "trilogia dos excluídos", onde dou um final para os três paqueras excluídos do UL. Também é minha tentativa de escrever ao menos uma fic com cada um dos cinco paqueras originais. Há uma outra oneshot para o Kentin e uma mais longa para o Lysandre, caso se interesse, só dar uma olhada no meu perfil :D
Essa também é uma songfic da música Milonguita do Esteban Tavares.
E caso alguém não pegue a referência, Dulce = Docete.

Boa leitura ;)

XXX

Armin adoçou seu café e bebeu um gole, sequer se importando em colocar a colher dentro da pia da cozinha e deixando-a dentro da xícara mesmo. Pôs a bebida sobre sua escrivaninha e mudou de guia no navegador, deixando a aba com o e-mail de trabalho para ser respondido outra hora. Resolveu abrir a aba do jogo online, que o fizera passar a noite toda com os olhos colados na tela do notebook, sobrevivendo na base da cafeína e da força do ódio. E também da vontade de conversar.

PrincesaJujuba35:

"Pode ser hoje mesmo, lá pelas 9?"

"É perto do meu trabalho e de lá posso ir direto"

Armin quase cuspiu o café ao ver a mensagem brilhando no cantinho do chat do jogo. Havia quase um mês que estava papeando com a PrincesaJujuba e ver o pedido para se encontrarem pessoalmente foi uma surpresa e tanto. Mas ela parecia direta, pelo que pôde perceber naquele pouco tempo em contato com ela. Apenas era estranho não terem trocado os nomes reais ainda.

Mas quem se importava? Com certeza ela não era uma assassina que o stalkeava por aí... Ao menos esperava que não fosse. Sua mente podia ser muito imaginativa às vezes.

HuckFinn81:

"Quando você quiser"

Sorriu feito o Gato de Chesire ao ver o galanteio barato na sua breve resposta. Tomando o café preto em um gole só, abaixou a tela do notebook, correndo de meias até seu guarda-roupa. Precisava de algo quente se quisesse enfrentar aquela manhã fria. O que não iria fazer por aquela garota...

...

O rapaz de cabelos negros agradeceu com a cabeça à garçonete que lhe trouxe a xícara de café preto fumegante e os bolinhos. Precisava de energia se quisesse se manter acordado por aquela manhã inteira, e nada melhor do que açúcar e cafeína para fazer o serviço.

Ele adoçou a bebida com cinco colheradas generosas de açúcar, sequer se lembrando da constante advertência de seu irmão, de que teria uma diabetes caso continuasse se alimentando desse jeito. Deu um gole, sentindo o docinho e o quentinho o aquecer por dentro. Um vento gelado entrava cada vez que alguém abria a porta e entrava naquele cyber café, todos encharcados de chuva e depositando seus guarda-chuvas molhados dentro de um balde com esta função. Armin agradeceu por sempre manter sua capa de chuva dentro da bolsa. Ele nunca confiava nas previsões do tempo e às vezes acabava se dando mal por isso.

Mordeu um bolinho, sentindo o creme de limão adoçar a língua, e observou a rua pela enorme janela de vidro que tomava metade da parede do estabelecimento. Escolheu uma mesa próxima à porta e bem visível pela janela, para que ela pudesse vê-lo quando entrasse.

O lado de fora se tornava cada vez mais difícil de enxergar com o vidro que começava a embaçar e o tempo também não ajudava, com a chuva aumentando gradativamente e batucando no telhado com força, seu barulho atrapalhando um pouco as conversas do cyber café cheio àquela hora da manhã.

Armin mordeu mais um bolinho e teve a impressão que o creme de limão se tornou mais azedo do que deveria em sua boca ao abrir da porta. O guarda-chuva ensopado foi posto dentro do recipiente para isso e os saltos úmidos encaminharam-se na direção de sua mesa, batucando no piso do lugar. Ele foi subindo os olhos por ela, vendo as pernas da calça risca-de-giz ensopadas e algumas partes úmidas da cacharrel preta. Sua observação terminou no rosto com uma maquiagem discreta, os olhos verdes o encarando surpresos e o longo cabelo castanho, que outrora costumava ser pintado de ruivo.

— Armin?! — ela exclamou alto, soltando seu nome meio como uma pergunta. Puxou a cadeira, sentando-se de frente para ele, deixando a alça de sua bolsa no encosto da cadeira.

— Eu. — Tentou soar despreocupado, com um sorriso brincando na cara e uma resposta como aquela. Mas, a verdade é que estava tão nervoso e desconfortável quanto ela parecia estar. A diferença é que às vezes escondia esse tipo de coisa por trás da faceta brincalhona.

— Eu realmente não esperava que você fosse... — A moça balançou a cabeça, parecendo não acreditar na presença bem à sua frente.

Ele bebeu mais um gole do café preto, para ter certeza que estava muito bem acordado.

— Eu que devia dizer esse tipo de coisa, né? Você sumiu tem mais de quatro anos. — O rapaz colocou a xícara sobre a mesa com um pouco mais de força do que deveria. Passou a língua pelos dentes, procurando pelas palavras para dizer.

— Foi uma surpresa pra todo mundo. — Ela riu. Armin continuou o mesmo, encarando-a como se fosse um fantasma sentado naquela cadeira. — Eu consegui um emprego numa galeria de arte aqui na cidade e voltei, há uns três meses — explicou e o rapaz assentiu, encarando a mesa branca.

A garçonete veio e perguntou se a recém-chegada desejava algo. Ela pediu um latte e mais nada.

— E você? Como tem passado? — a moça optou por seguir uma conversação banal. Sobre o que mais podiam falar, afinal de contas? Armin pensou em mil e um assuntos, mas preferiu seguir as normas de “diálogos civilizados”.

— Eu tenho trabalhado com informática, computadores. Mas só posso te falar isso, é confidencial — respondeu de um jeito engraçadinho e viu os lábios coloridos com um batom nude abrirem um sorriso. Disfarçou um sorriso triste com as lembranças que aquilo lhe trouxe.

— Você não pode estar falando sério... — Ela arqueou as sobrancelhas, descrente, e viu quando ele abriu aquele sorriso engraçadinho que costumava ter.

— Pela sua própria segurança, Dulce, é melhor a gente pular essa parte. — Bebeu mais um gole de café e ouviu-a rir mais uma vez. O gosto amargo não era só pela bebida que tomava, mas ele preferia não considerar essa opção. Se focou nela.

Dulce Maria, primeira namorada, antiga colega de ensino médio dele e do irmão, Alexy. A garota que pintava os cabelos de vermelho cereja e que ele costumava chamar de Roberta, graças à novela mexicana que ela gostava de assistir e apresentou a ele. A mesma garota que costumava ser a única a captar suas referências escondidas no meio de suas frases e que achava graça nas suas tentativas de galanteio barato. E que ainda parecia gostar disso, visto suas conversas com a PrincesaJujuba35.

— Então... — ele começou, tentando mudar de assunto. — Princesa Jujuba, é? — questionou, tentando segurar o riso. Acabou deixando ir, quando viu que ela mesma estava gargalhando.

A garçonete sorriu ao ver os dois de forma leve quando veio para deixar a xícara com o latte sobre a mesa. Não podia estar mais errada sobre o clima naquela mesa...

— Eu sempre gostei de Hora de Aventura — Dulce argumentou, bebendo um pouco de sua bebida e sendo aquecida por dentro. O vento frio ainda fazia seu corpo tremelicar quando a porta era aberta. Suas roupas permaneciam um pouco úmidas.

— Não, isso eu sei! — Armin exclamou. — Você sempre foi viciada nesse desenho... — A frase quase morreu na garganta quando a lembrança veio. E quando viu a forma dela bem na sua frente. Dulce pareceu perceber e ele continuou. — O que surpreende é você jogando online. Você sempre reclamava que eu gastava tempo demais nos fóruns.

— Isso porque lá você perdia o tempo que poderíamos ter passado juntos — disse com certo amargor e os dois se encararam constrangidos. Em sincronia, cada um bebeu do conteúdo em sua própria xícara. — Desculpa — ela pediu e ele balançou a cabeça, indicando que estava tudo bem. Exceto que não estava. — Só fico surpresa da gente não ter adivinhado que estávamos conversando um com o outro.

— Cá entre nós, era quase impossível disso acontecer, né. A gente se reencontrar depois de tanto tempo em um fórum. — O rapaz viu Dulce dar de ombros, um gesto que ela costumava fazer quando concordava com algo. — Parece até coisa daqueles filmes que você gosta de ver.

A moça apenas levantou brevemente os cantos dos lábios.

— Você ainda me conhece bem — admitiu, brincando de rodar a xícara entre as mãos.

— É... — ele soltou baixinho e a conversa pareceu morrer junto daquela palavra.

Era estranho, para dizer o mínimo, reencontrar Dulce quatro anos depois. Do mesmo jeito que ela se foi, sorrateiramente e sem dar avisos, ela veio, entrando na sua vida sem ele saber.

— Como está o Alexy? — a moça questionou, tentando dissipar o clima denso feito as nuvens lá de fora, usando a banalidade para isso.

— Ele se mudou pra capital, foi estudar Moda — informou, vendo-a sorrir e comentar como aquilo era legal. — Rosa também foi, porque Leigh resolveu se mudar pra lá para aumentar a loja dele. Ela e Alexy estudam juntos, se formam esse ano.

— Que bom que eles conseguiram trabalhar no que queriam — comentou e Armin ergueu uma sobrancelha, suspeito. O gesto não passou despercebido por Dulce, que escondeu o rosto, olhando para baixo e as bochechas esquentando visivelmente. Pelo visto, um ainda sabia ler o outro muito bem. — Eu me formei em História da Arte, mas era porque minha tia conseguiu a vaga na universidade pra mim. Não tinha Jornalismo, então... — Ela deu de ombros, como se aquilo não fosse nada.

— Então você foi embora pra cursar um curso que sequer queria. — Armin jogou a verdade na cara, surpreendendo Dulce por ser tão direto.

— Também não é assim! — Ele apenas ergueu as sobrancelhas e a moça soltou uma respiração pela boca. — História da Arte também é legal, eu gosto do meu emprego. — Armin bebeu mais um gole de seu café preto, deixando claro para ela que não insistiria no assunto.

— A gente sentiu bastante falta de você — ele comentou, brincando com a língua na boca e sentindo um leve amargor. Talvez devesse passar a colocar mais açúcar no seu café. Quem se importava com diabetes? Alexy, com certeza. Mas ele não estava mais ali para reclamar disso.

— Eu sei. — Ela deu uma pausa, tomando do docinho de seu latte. — Eu também senti falta de vocês. Só não tinha muito tempo pra manter contato, era muita coisa pra assimilar.

— Rosa também te xingou bastante, te chamou de desnaturada por você não dar mais sinal de vida — soltou na tentativa de provocar e viu Dulce sorrir tristemente.

— Imagino, é a cara dela falar isso...

Armin tentou beber mais um pouco de café, porém, viu que a xícara estava vazia. O amargor continuava na boca e resolveu voltar a comer os bolinhos com o creme de limão azedo. Nunca mais pediria aquilo. Dulce fez um sinal para a garçonete e entregou-lhe algumas notas, não pedindo o troco.

— Eu... Preciso ir. — Ela batucou os dedos sobre a mesa, parecendo não saber como encerrar aquela conversa. — Já tá quase na hora de começar meu expediente.

O rapaz tirou o celular do bolso do moletom, vendo que faltavam dez minutos para as dez.

— Nossa, o tempo passou rápido — ele comentou qualquer coisa e devolveu o aparelho para onde estava anteriormente.

— É, a conversa rendeu um pouco...

Dulce parecia tentada a comentar algo, mordendo o lábio inferior. Fato que não pareceu despercebido por Armin, que a encarava curioso. Ela resolveu não hesitar mais. O que precisava ser feito, teria de ser feito. Ela tinha compromissos e horários a serem cumpridos.

— Vamos continuar conversando mais tarde? — questionou incerta, ainda naquela mesma expressão que Armin não via há tanto tempo.

— Claro, claro. — Ele assentiu mecanicamente. — No horário de sempre. — Viu-a sorrir e acabou ofertando outro, sabendo que aquele era o tchau entre eles.

Dulce deu-lhe as costas, colocou a alça da bolsa no ombro e pegou seu guarda-chuva de volta. Com um último olhar e um último sorriso, deixou-o para trás e abriu a porta, sendo recebida pela chuva que ainda caía lá fora. A porta se fechou, deixando lá dentro o quentinho do estabelecimento e Armin sozinho com seus bolinhos azedos, matutando coisas que não queria e que sequer imaginou que passaria pela sua mente novamente.

...

Armin bebeu um gole de seu café preto, deixando a xícara sobre a sua escrivaninha. Dessa vez o adoçou na cozinha, largando a colherzinha por lá. Resolveu colocar um pouco a mais de açúcar, para ver se aquele amargor ia embora. Surpreendentemente, não estava mais lá.

Passou o dia todo dormindo, desde que retornara do cyber café, em seu horário desregrado que estava virando rotina. Passaria mais uma noite na base da cafeína e da força do ódio.

Abriu o navegador, vendo que as guias podiam ser restauradas, já que não as fechou devidamente da última vez. As novas mensagens de PrinceJujuba35 brilharam na aba do chat. Ele as viu, mas apenas isso. Viu sem ler. O amargor estava de volta na boca. Com certeza a culpa não era de seu pobre café.

Armin apertou o mouse, o dedo batucando em um dos lados e a dúvida corroendo seu estômago, dando uma sensação estranha de azia. Puxou o cursor para um lado, para o outro e fez o que pensou que nunca fosse fazer na vida. Apagou sua conta no jogo. E fechou a aba.

O amargor foi soltando sua língua e percebeu que não ia precisar tomar um antiácido mais tarde. Seu estômago parecia estar mais calmo dentro de si.

Bebendo mais um gole de seu café, estralou os dedos, pronto para responder o e-mail, que deveria ter feito ainda na parte da manhã.

Suas únicas companhias naquela madrugada seriam mais uma vez a cafeína, a internet e a força do ódio. Sem Dulce. Apenas o doce do açúcar com o qual adoçou seu café, que estava no ponto em que gostava, doce.

14 de Agosto de 2020 às 16:58 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Ester Cabral Diretamente do interior de São Paulo e com duas décadas de vida nas costas [apesar da carinha de menina], que sequer sabe o que falar sobre ela mesma pra fazer uma descrição interessante por aqui. Amante da música, fã da Fresno, de temperaturas amenas, de gatos, contos e que de vez em quando resolve se aventurar em uma história mais longa. Quer saber que histórias eu ando inventando por aí? Pegue uma xícara da sua bebida favorita e vamos nos aventurar por esse mundão de fics <3

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