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ladydaenerys Lady Daenerys

Unindo-se com a Irmandade Sem Bandeiras, acreditando ingenuamente que eles seriam a família que tanto buscava, Gendry Waters deixa o passado e os amigos para trás, almejando um futuro que se encaixasse. Os anos transcorrem, fazendo-o acreditar que Arya Stark está morta. Entretanto, chegando a Winterfell, ele recebe uma oportunidade para isentar os erros, entregando a lealdade a Jon Snow e recebendo assim uma segunda chance. E deparando-se novamente com o passado, nota-se que nada mais era como antes. A garotinha que um dia conhecera fora moldada pelo destino, trancafiando o próprio coração numa esfera de gelo. Gendry não mais compreendia os seus sentimentos por ela, que também foram moldados, e não eram fraternais. Somente não sabia se seria capaz de atravessar a barreira invisível que Arya Stark criou ao redor se si.


Fanfiction Romance adulto jovem Todo o público.

#game-of-thrones #As-Crônicas-de-Gelo-e-Fogo
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Prólogo

Um tênue floco de neve estatelou-se de modo leve sobre o chão, mesclando-se unicamente com a espessa camada pálida que velava o gramado verde num cobertor translúcido.

O tinido das botas de couro colidindo-se furtivamente contra o assoalho mantinha os corvos alertas.

De modo ligeiro, a jovem menina de olhos acinzentados jornadeava de um lado a outro, sentindo-se, por um instante, perdida em meio à nevasca gélida que chicoteava o Norte com vigor, sem receios pelas consequências que a densidão álgida ocasionava. Um fino revestimento da crosta branca adornava-lhe os cabelos, fazendo os fios inteiramente castanhos congelar junto ao pátio. Ela não poderia importar-se menos.

A cada firme passo que Arya Stark suscitava, sentia os próprios pés afundarem no chão, deixando uma trilha de pegadas intensas – que não demoravam a ser novamente apagadas pelo vento. O sono passava longe de seus olhos e isso a deixava inquieta. Fazia uma grande equivalência de horas que perambulava pelos pátios congelados de Winterfell, buscando algum rumo, ou simplesmente o sono que a tinha abandonado no vazio. Por mais que sondasse a razão, não compreendia quais os motivos da inquietação que proporcionava sua apreensão e retirava sua vontade de relaxar. Após um suspiro, ajeitou a Agulha sobre o coldre, dirigindo-se então para debaixo de uma árvore. As folhas completamente congeladas ondulavam no sincrônico baile da álgida brisa. O ressonar dos corvos, por um desconhecido motivo, intensificaram-se quando a garota se aproximou e se sentou sobre uma grande rocha. Ligeiramente receosa, fitou o alto, analisando as estrelas através dos galhinhos finos e nus. A lua cheia pincelava o céu azul tomado por um tapete obscuro, que lutava incansavelmente contra a neblina que o preenchia numa guerra lenta e tediosa, tão profundo quanto o mar da meia-noite.

Se obrigou a digerir os próprios sentimentos, quase sufocando ao evitá-los, não se sentindo no direito de reclamar. Afinal, Arya devia estar feliz por estar finalmente em casa, onde tanto desejou voltar. No entanto, sentia que uma parte de seu coração faltava. Mesmo estando ao lado de Sansa e Bran, ela sentia como se ainda estivessem distantes, tão distantes como as pequenas estrelas no céu. Como se um Mar-Estreito os separasse. Ou talvez, o seu coração tenha se tornado frio demais para sentir alguma coisa. Após tantos anos distantes, após vivenciar a dor da perda, da morte e da solidão, quando perdeu seu pai, sua mãe e Robb.

O sabor das cinzas inundava seu paladar de um modo grotesco, obrigando-a a digerir a amargura que as sensações provocavam.

Sempre quando estava longe, pensava em Winterfell, imaginando o quão diferente as coisas seriam quando finalmente retornasse ao seu lar. Aquele pensamento dava-lhe mais forças para continuar. Mas as coisas não foram exatamente como desejou. Aquele local que um dia prosperava amor e felicidade, agora parecia um cemitério vazio e sem vida. A imagem cinzenta de Winterfell não dizia o contrário. O castelo estava morto como Catelyn Tully e Eddard Stark. E quando o herdeiro e rei do Norte, Robb Stark, morreu no Casamento Vermelho, levou consigo os últimos resquícios da imagem do passado que Winterfell refletia.

A garota respirou fundo, sentindo o ar frio preencher seus pulmões aos poucos e logo após o emancipou em um longo suspiro. Fechou os olhos e deu um leve sorriso de canto ao recordar-se do jovem Touro de cabelos pretos, no qual sentia tantas saudades.

FLASHBACK – RIVERRUN

Com os olhos fixos, Arya Stark fitava Gendry, enquanto analisava detalhadamente o rosto áspero e, ao mesmo tempo, sereno. A caverna estava escura, iluminada somente pelas luzes dos braseiros que resplandeciam a localidade num banho alaranjado. A claridade colidia-se levemente contra a face do garoto, ofertando para Arya a visão completa das pequenas linhas de expressão que assinalavam as feições masculinas. As madeixas negras brilhavam por conta dos finos feixes de claridade, enquanto os olhos azuis prestavam total atenção na armadura de metal que consertava.

Arya não compreendia por que ele negou-se a acompanhá-la na tão aguardada jornada em busca de Catelyn e Robb. Gendry escolheu ficar ao lado da Irmandade Sem Bandeiras e correr o perigo de ser morto pelos Lannister.

Ela não compreendia isso.

Aquela teimosia deixava-a irritada.

No entanto, de alguma forma, identificava-se com aquele pequeno defeito.

Ambos eram parecidos nisso.

Apesar de tudo, a menina não queria deixá-lo. Ambos tornaram-se grandes amigos no decorrer dos dias. Inocentemente, imaginou que ficariam juntos até o fim – mas não esperava que o fim fosse um triste e doloroso adeus, e que tudo se encerraria daquela forma inesperada que a magoava intensamente. Adeus era uma palavra forte e dolorosa, uma palavra que Arya não tivera a chance de dizer ao Ned quando ele fora decapitado injustamente, ou quando Sansa foi capturada por malditos leões dourados, e nem mesmo quando Theon Greyjoy queimou seus irmãozinhos.

Respirando fundo, a garota afastou enfim os pensamentos. Com passos firmes e precisos, caminhou até ele, com um brilho de determinação absurdo refletido nos olhos levemente cinzentos e, num minuto de coragem, ela o abraçou, pegando-o de surpresa com aquele ato.

Ele não demorou nada para correspondê-la.

Um abraço sincero.

Os pequenos braços da garota envolviam carinhosamente o pescoço do rapaz, e os braços fortes do jovem a envolviam pela cintura, puxando-a para mais perto. Arya não era o tipo de donzela que gostava de demonstrar os sentimentos; a não ser para seu pai. Todavia, no decorrer dos dias, ela fora se tornando uma pessoa fria e fechada. Uma assassina com o sangue mais frio do que o gelo. Uma loba solitária. Mas com Gendry foi diferente. Arya importava-se com ele, ela gostava dele e aquele abraço transbordava todos esses sentimentos que mantinha guardado no ponto mais profundo de seu coração. Sabia que aquela, talvez, seria a última vez que o veria.

Gendry a apertou ainda mais contra o seu corpo. Por um momento, Arya perdeu-se totalmente no calor aconchegante que eram os braços dele. Ela não se importaria em passar o restante da vida ali, ou a eternidade, se fosse possível.

As mãos ásperas do ferreiro passaram vagarosamente sobre as costas da menina, como se ele buscasse gravar cada detalhe feminino somente com os dedos, para jamais esquecê-la. O perfume de determinação misturado com um pingo de doçura que ela possuía invadia seus sentidos, preenchendo os seus pulmões com a aura mais doce que já sentiu. Arya era a sua melhor amiga. A única que o fazia sentir-se amado, como se tivesse uma família de verdade. Algo que ele nunca teve... E que sempre desejou ter. Mas a escolha do garoto estava tomada por mais que doesse.

Aos poucos, o abraço fora se desfazendo. Arya afastou-se, saindo dos braços dele, sentindo um frio lhe percorrer o corpo.

Aquilo seria um adeus.

Sem dizem nenhuma palavra, a garota deu as costas a ele e destinou-se a caminhar lentamente. A cada passo que ofertava, sentia como se uma espada afiada atingisse o seu coração em cheio. Sentia os olhos arderem e a garganta queimar por conta do choro que ameaçava vir a qualquer instante. Mas não pararia por conta disso.

Estava pronta para retirar-se, quando a voz grave e arrastada tiniu chamando-lhe mais uma vez a atenção. A garota parou no mesmo instante ao ouvi-lo.

— Lorde Beric pode sero líder, mas foram eles que o escolheram. Eles são irmãos. Uma família — o garoto fitou o chão. — Nunca tive família.

Arya sentiu seu coração apertar ao ouvir aquela última frase. Uma fina lágrima escapou de seus olhos, escorrendo pela sua face gelada e pingando sobre o chão de pedra da caverna. Com certo receio, virou-se lentamente para fita-lo.

Os olhos cinza tempestuosos se cruzaram com os azuis elétricos.

— Eu posso ser sua família.

A voz da Stark tangeu melancólica, contudo, firme.

O rapaz sorriu levemente de canto, enquanto a encarava.

— Você não seria minha família, seria minha lady.

14 de Agosto de 2020 às 16:23 2 Denunciar Insira Seguir história
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Lyse Darcy Lyse Darcy
Fadinha ... Que capítulo maravilindo foi Esse heim??? Sempre irei elogiar tua escrita é tão linda e como gosto de como vc passeia nas palavras ... é tão delicioso de acompanhar as tuas histórias sempre ricas e cheias de sentimentos ... Vivi todos os sentimentos que Arya sentiu ... Amoriga tua é muito sensível e talentosa ... não me canso de dizer isto ... Adorei o prólogo... Beijos de caramelo
August 15, 2020, 03:38

  • Lady Daenerys Lady Daenerys
    Agradeço de coração, meu amor. Você é uma Fadinha! <3 August 26, 2020, 20:40
~

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