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gisasouza3 Maria Gisele

A dor da perda é algo que sufoca, que machuca, levando o indivíduo a cometer loucuras e até mesmo tentar contra sua própria vida, a pessoa não sente mais vontade de viver, deseja a morte e a loucura é certa. Sozinha no seu quarto, Emanuelle chorava a perda de seu grande amor, eram casados e estavam apaixonados, a criança que ela carregava no ventre seria a felicidade de ambos, mas o acidente e a depressão tiraram sua alegria. Mas na casa ao lado seu jovem vizinho a observava, procurando uma forma de tirar Emanuelle da escuridão e lhe devolver a felicidade.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#bts #kpop #romance #oneshot #drama #superação
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Um pedaço da felicidade.

Pobre Emanuelle, eu a observava há um ano, desde a terrível tragédia que aconteceu com seu marido, ela passava todos os seus dias trancada em um quarto escuro chorando a perda de seu grande amor.

Conheci o jovem casal no casamento de uma prima que era amiga de Emanuelle na faculdade, os dois formavam um lindo casal, tão perfeitos um para o outro, a conexão que existia entre ambos era surpreendente. Sempre sabiam o que o cônjuge sentia, até mesmo dançando havia uma sincronia perfeita neles, se eu os admirava? Sem dúvida.

Entre conversas ao redor da mesa descobrimos que éramos vizinhos, parecia até surpreendente, pois já faziam dois anos que eu morava naquela casa e nem sequer notei a presença deles, talvez meu emprego cansativo na escola de artes em Vancouver impossibilitou minha percepção aos novos vizinhos.

A felicidade do casal era contagiante, em toda a rua só se falava bem deles, de como eram apaixonados e almas caridosas, Emanuelle era a que mais tinha atenção dos vizinhos, com seu largo sorriso, bochechas rosadas, cabelos negros com longas ondas que desciam até a cintura, uma mulher em um milhão.

Alex seu marido fazia o tipo de galã de novela mexicana, braços fortes, cabelos com luzes loiras, olhos extremamente verdes e um porte atlético excepcional, muitas vezes me olhava no espelho e pensava:

Estou longe de ser um Willian Levy da vida, estou mais para bobo da corte.

O bairro inteiro já sabia da vinda do mini Alex, a futura mamãe estava radiante com a notícia, o pai era só alegria e sorrisos, eles seriam uma bela família e se dependesse da genética de ambos, a criança deveria ser venerada de tão linda que seria.

Como diz o ditado: nem tudo é um mar de rosas.

Era uma noite chuvosa, olhei pela janela da sala o céu negro com nuvens pesadas, parecia que tudo ia desmoronar, raios e trovões cintilavam no céu, não havia um ser humano na rua, na verdade foi o que pensei.

Saindo da casa ao lado, um homem de jaqueta preta usando um capacete ia em direção a uma moto estacionada na calçada, semi-cerrei os olhos e percebi que era Alex, ele estava apressado, vi que acenava para Emanuelle que permanecia na varanda da casa.

Para onde ele vai à essa hora?

Ao fazer a curva para sair, um carro que vinha em alta velocidade bateu em Alex o arremessando para longe, meus olhos se arregalaram ao presenciar aquela terrível cena, corri tropeçando nos calcanhares rumo ao acidente.

Emanuelle já havia corrido até seu amado que se encontrava no chão inconsciente, o motorista não parou para socorrê-lo, logo a rua inteira veio para ver a tragédia.

Caí de joelhos ao lado de Alex e encarei sua jovem esposa que chorava desesperada segurando sua cabeça no colo, aquela era uma cena de cortar o coração, o desespero e angústia de alguém que estava perdendo a quem mais amava.

Os dias que se sucederam após o velório de Alex, a jovem esposa entrou em uma tristeza profunda ao ponto de preocupar sua família. As inúmeras tentativas de tirar a própria vida ocasionou na perda de seu bebê que só tinha três meses de vida e a partir daí as coisas só pioraram, Emanuelle passou a beber incessantemente e ficava horas sentada na porta do quarto chorando.

Certo dia a vi saindo de casa pela primeira vez depois de meses, usava uma calça preta e um casaco de capuz da mesma cor, eu estava no jardim cuidando de minhas rosas quando a vi com as mãos no bolso do casaco andando apressada.

Fiquei até tarde da noite olhando pela janela esperando ela aparecer, já eram duas da manhã quando Emanuelle atravessou o portão de casa, ela tinha em mãos uma garrafa de whisky e sua cabeça ainda estava coberta pelo capuz.

Corri para meu quarto que tinha uma janela que dava acesso a janela do quarto dela, apaguei a luz e espiei seus movimentos, eu sei que era errado, mas não conseguia evitar, tinha medo que ela fizesse alguma loucura, pois todas as vezes eu pulava a cerca e invadia sua casa quando a flagrava tentando se matar.

Todas as vezes que a impedi de tirar a própria vida ou a socorri enquanto se afogava, não disse sequer uma só palavra, sempre a deixava dormindo aconchegada em sua cama e nem ao menos ela sabia.

Vi Emanuelle retirar o capuz mostrando sua cabeleira que antes eram belas cascatas negras e agora estava curto e mal cuidado, seus olhos estavam fundos e seu rosto cada vez mais pálido, ela caminhou até a cômoda e tirou algo que não consegui identificar até que sentou no chão levantando as mangas do casaco.

Meus olhos se arregalaram quando ela começou a riscar os pulsos, estava tentando se matar outra vez, saí do quarto às pressas descendo as escadas feito um furacão, quase caí da escada, mas finalmente consegui saí de casa alcançando seu portão.

Pulei a cerca sem me importar se ainda estava de pijama e de pés descalços, abri a porta à força e subi as escadas indo em direção aquele quarto desgraçado, forcei a porta e a cena que vi a seguir era triste.

Emanuelle estava sentada no chão com as costas encostada na cama, seus pulsos cortados já derramavam seu sangue pelo chão, andei até ela que levantou a cabeça me encarando.

__ Pare de me impedir de morrer anjo. _disse antes de fechar os olhos.

__ Enquanto eu viver, você viverá. _coloquei-a no colo encarando aquele rosto que antes esbanjava um lindo sorriso e que agora só carregava tristeza. __ A partir de hoje farei o possível para te devolver o sorriso.

Todas as vezes que levava ela ao hospital ligava para sua mãe e ia embora, mas dessa vez fiz diferente, fiquei ao seu lado todo o tempo guardando seu sono. O médico disse que ela ficaria bem, mas teria que tomar sangue, pois estava muito fraca e com anemia, então fiquei a noite toda ao seu lado.

Na manhã seguinte acordei cedo e enquanto dormia desci até o refeitório comprar algo para ela comer, quando cheguei estava abrindo os olhos lentamente, virou o rosto na minha direção franzindo o cenho.

__ Quem é você? _me olhou confusa.

__ Sou Jung Hoseok, seu vizinho. _respondi. __ Não lembra? Nos conhecemos no casamento da minha prima. _ela parecia se esforçar para lembrar.

__ Engraçado, eu lembro de você nos meus sonhos de morte. _deu um sorriso fraco e depois virou o rosto encarando o teto.

__ Deve ser porque nunca foram sonhos. _respondi fazendo ela me encarar. __ Sempre que tentava contra sua vida eu impedia.

__ Porquê?

__ Porque é jovem demais para morrer.

__ E se eu quiser morrer? Não pode ir contra minha decisão.

__ E por quê quer tanto morrer?

__ Já que é meu vizinho e salvador, deveria saber. _respondeu irônica.

__ Você acha que Alex ficaria feliz em te ver assim? _ela arregalou os olhos me fuzilando com os mesmos.

__ Não sabe nada sobre ele. _apontou para mim cheia de fúria.

__ Sei o suficiente para saber que ele te amava muito e não ficaria feliz de lhe ver nessa situação e pior, ser a assassina de seu filho. _sei que fui duro, mas era necessário para que ela caísse na real.

__ Não sou assassina. _colocou as mãos nos ouvidos e fechando os olhos. __ Não sou assassina. _ficou repetindo isso por diversas vezes. __ Meu filho está em casa dormindo no berço… ele ficou sozinho… preciso ir pra casa ver ele. _tentou levantar, mas a impedi, logo ela começou a chorar desesperada, então a abracei forte. __ Por favor anjo… me salve. _sussurrou entre soluços.

Meus dias se basearam em trazer uma nova vida para Emanuelle, quando saiu do hospital a levei para casa, depois de deixá-la na cama, decidi fazer uma faxina naquela sujeira que estava sua casa, lhe preparei uma sopa quente e assistimos um filme qualquer até ela cair no sono.

Não existia pessoa mais difícil de se lidar do que Emanuelle, na maioria das vezes que tentava uma aproximação ela batia a porta na minha cara, mas isso não significou que eu desistiria fácil.

__ Até quando vai fugir de mim? _perguntei enquanto segurava a porta para que ela não fechasse.

__ E até quando vai continuar atormentando minha vida? _respondeu forçando a porta para fechar.

__ Sou seu amigo, me deixe entrar. _apelei ao aegyo.

__ Não me venha com essa carinha fofa. _de alguma forma vi que tentava segurar uma risada, então fiz outra cara fofa. __ Estou falando sério Hoseok, pare com isso.

__ Isso o quê? _me fiz de inocente.

__ De fazer essas carinhas, senão vou te socar até a morte. _ela queria rir, mas se segurava com todas as forças.

__ Não estou fazendo nada. _dei um sorriso sapeca seguido de outro aegyo.

__ Já disse para parar. _Emanuelle soltou a porta de uma vez me fazendo cair de cara no chão derrubando a torta que tinha nas mãos.

__ Olha só o que você fez! _olhei para a torta espalhada pelo chão, Emanuelle sorriu de lado com minha desgraça.

__ Eu te falei para parar com aquilo. _levantei a cabeça e a encarei sério.

__ Agora vou te ensinar a nunca derrubar uma deliciosa torta. _me levantei e ela arregalou os olhos. __ É melhor começar a correr mocinha. _sorri e vi ela dá dois passos para trás.

__ Não se aproxime Hoseok.

__ Tarde demais.

Ela saiu correndo em disparada gritando feito uma louca pela casa enquanto eu corria atrás dela, desviou de alguns móveis tentando escapar de mim, nesse momento já estava rindo daquela brincadeira tosca e ridícula.

Então decidi me esconder para surpreendê-la, Emanuelle parou no meio da sala ofegante, olhou ao redor e percebeu que eu havia sumido, antes que pudesse fazer qualquer coisa, pulei em sua frente e assim caímos no chão, fiquei por cima do seu corpo.

De repente algo estranho aconteceu, depois de risadas nossos olhos se encontraram e ficamos parados nos encarando de uma forma intensa, que meu corpo começou a reagir de um jeito errado.

__ Me desculpe! _saí do transe levantando.

__ Tudo bem! _ela respondeu sem graça.

Depois desse dia, eu e Emanuelle ficamos mais próximos, todos os dias eu a visitava levando uma deliciosa torta, assistíamos filme e eu lia meus livros favoritos, nossa amizade crescia a cada dia, nunca mais me vi longe dela e aos poucos sua vida que estava em trevas ganhou um novo brilho.

Seu belo sorriso começou a voltar para o rosto, e era engraçado como as coisas mudaram, sua vontade de viver já se fazia presente, os móveis antigos e coisas que pertenciam a Alex foram tirados de sua vida.

__ Tem certeza que deseja fazer isso? _perguntei olhando para a velha moto que ainda estava na garagem.

__ Eu preciso deixar ele ir. _sorriu fraco colocando a plaquinha de vende-se.

Tudo havia mudado, para melhor devo dizer, mas algo dentro de mim também havia mudado, um sentimento desconhecido estava aflorando no meu coração, olhar Emanuelle enquanto dormia me fez sentir coisas inexplicáveis, pois já não conseguia mais viver longe da morena.

Será que estou apaixonado?

Várias vezes me questionei em relação a isso, não podia ser, ela era minha amiga e ainda amava o falecido marido, eu não tinha esse direito e para piorar, recebi uma notícia de que fui selecionado por uma empresa que estava procurando jovens dançarinos lá na Coréia.

__ Está tão distante grandão. _Emanuelle dizia com a cabeça no meu ombro enquanto víamos as cataratas do Niágara.

__ Estava pensando.

__ Por acaso tem haver com sua viagem à Coréia? _lhe olhei confuso sobre ela saber.

__ Como sabe?

__ A vizinhança inteira sabe. _sorriu dando de ombros. __ Quando ia contar?

__ Ainda não sei se vou. _baixei a cabeça triste.

__ Como assim não vai? É claro que vai. _franziu o cenho. __ É uma grande oportunidade para sua carreira grandão. _sacudiu meus ombros.

__ Mas e você? _a encarei.

__ O que tem eu?

__ Não quero te deixar sozinha.

__ Se está com medo que eu volte a cometer aquelas loucuras, não se preocupe, você me ensinou que não se cura uma dor com a morte e sim vivendo feliz a cada dia, me ensinou que eu tinha que deixar Alex descansar em paz para poder seguir minha vida. _segurou meu rosto. __ Jung Hoseok, você é o anjo que me salvou da escuridão, mas agora já está na hora de seguir o seu caminho. _suas palavras eram verdadeiras, mas como dizer a ela que eu a amava muito além do que simples amigo?

__ Vou sentir sua falta. _resmunguei.

__ Vá na minha casa amanhã à noite, faremos nosso último dia especial. _depois de falar aquilo depositou um beijo na minha bochecha me fazendo fechar os olhos.

Nunca senti tanta ansiedade na vida como senti naquele dia, não falei com Emanuelle o dia inteiro, sua casa parecia silenciosa e isso me fez ficar mais nervoso ainda. Quando a noite chegou, vesti minha melhor roupa e caminhei lentamente até sua casa segurando uma torta, meu coração estava acelerado, deveria ser igual a qualquer outra noite em que estivemos juntos, mas no outro dia eu iria embora, então não era uma noite qualquer.

A porta estava entreaberta e quando a abri totalmente tomei o maior susto, pois a casa estava toda iluminada apenas por velas aromatizadas e o chão estava coberto por pétalas, então caminhei até a sala e Emanuelle estava sentada no chão atrás da mesinha de centro e nela havia um jantar.

__ Gostou? _sorriu mostrando seus lindos dentes.

__ O que tudo isso significa? _indaguei olhando ao redor.

__ Um jantar. _deu de ombros.

__ Mas parece até um jantar romântico. _ri sem graça.

__ Sabe o que Alex disse um dia antes de morrer? _fui pego de surpresa com sua pergunta, então ela levantou e caminhando na minha direção. __ Se um dia viesse a falecer devido seu trabalho de policial, ele queria que eu lhe desse uma chance. _a encarei ainda mais confuso. __ Vamos fazer dessa noite a mais especial. _suas mãos pousaram no meu peito e seus olhos cruzaram com os meus.

Algo mais avassalador aconteceu naquela noite, nossos corpos se conectaram em um só, nossas bocas tiveram seu primeiro contato uma com a outra e em um momento de puro prazer Emanuelle tornou-se minha ao sentir seu corpo anseando pelo meu, seus gemidos podiam ser ouvidos em toda a casa.

Sua pele nua sobre o minha liberando os hormônios que a juventude ainda nos reservava, o suor em minha testa revelava as horas incessantes de prazer e luxúria.

Cinco anos se passaram desde aquela noite com Emanuelle, sem querer perdi contato com ela e isso acabou comigo profundamente, mesmo que nunca ouvi um eu te amo dos seus lábios, me sentia seu, ainda a amava com todas as forças e o tempo só fez aumentar ainda esse sentimento.

Finalmente tive um tempo para descansar, então resolvi visitar a cidade em que por anos vivi, onde tive os melhores momentos, onde encontrei o amor no lugar mais inusitado, mil coisas se passaram em minha mente, talvez ela seguiu em frente e casou de novo e está feliz.

As horas pareciam séculos, mas finalmente cheguei ao meu destino, olhei para minha antiga casa de cerca amarela, ainda era a mesma, então olhei para a casa ao lado e a vi, estava mais linda do que no dia em que a conheci, seus belos cabelos negros desciam em enormes cascatas, meu coração acelerou e sorri em resposta.

Mas meu sorriso se desfez ao ver um menino pequenino de cabelos negros como os da mãe, porém estava escondido em um boné, ela realmente refez sua vida e agora tinha um filho, aquilo doía, mas era a realidade.

De repente ela olhou para mim sorrindo, depois cochichou no ouvido do menino que também me olhou e correndo ao meu encontro, seus braços pequenos envolveram minha cintura em um abraço.

__ Seja bem vindo de volta papai!

FIM

14 de Agosto de 2020 às 12:34 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Maria Gisele Escrever é minha paixão, pois me permite viajar sem sair de casa... uma libertação espiritual.

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BF Bruna Ferreira
Eu sou muito sua cadelinha, cá estou eu só pra te seguir! Já tinha lido essa história antes, mas mesmo vou dar meu review, essa história é maravilhosa, com uma ortografia maravilhosa e que só poderia ter sido escrita por vc! Beijão, amo suas histórias!
August 14, 2020, 16:27

  • Maria Gisele Maria Gisele
    Obrigada!💋💋💋💋 fico muito grata pelo carinho August 14, 2020, 17:01
~

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