saaimee Ana Carolina

Por causa de um trabalho mal agendado, dois rivais — ex-amantes — são colocados juntos para promover uma marca. Os corações adormecidos tremem mais uma vez e o destino toma sua decisão. ------------------------------------------------------------------- → Capa tirada do site: pixabay.


Romance Romance adulto jovem Todo o público. © Todos os personagens aqui pertencem a mim e TsukiAkii. Portanto postar/reproduzir esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido. Plágio é crime e eu tomarei providências.

#romance #amizade #oc #romance-proibido #trabalho #m-f
Conto
1
560 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo único

— Eu sei que ninguém explicou a situação para vocês e agradeço que tenham vindo aqui mesmo assim – sentado na cadeira central da mesa redonda, um jovem produtor de semblante preocupado ajeitava os óculos, quase envergonhado, enquanto tentava se explicar diante dos dois modelos que tinha contatado alguns dias atrás. — Acredito que disseram sobre a linha de roupa, mas não foi explicado sobre a representação das fotos, certo? É basicamente sobre anjos e demônios – ele não os esperou responder, estava tentando não perder tempo, por isso deduzir a situação era mais conveniente. — São alguns cenários... quentes. Tudo bem para vocês?

— Claro.

— Aceitamos o serviço no momento da ligação. Não tem porquê voltar atrás agora.

— Perfeito... Obrigado! – Se levantando da cadeira, falou alto mostrando sorrisos aliviados para os rostos simpáticos que o encarava de volta. — Amo vocês! – Pegando os documentos sobre a mesa, se retirou da sala, os deixando ali no aguardo de uma nova ordem para começarem o ensaio fotográfico.

A sala de reuniões era pequena com espaço suficiente para 10 pessoas se acomodarem sem precisar invadir a privacidade uma da outra, entretanto, os dois estavam sentados lado a lado em cadeiras de estruturas delicadas, apoiados sobre a mesa fria.

Os olhos corriam por todos os lados observando os quadros decorando paredes artísticas, armários com revistas recentes sobre moda e as janelas que refletiam o brilho do céu limpo antes do meio dia. Não se olhavam, não se falavam, não se constrangiam. Naquele momento, suas mentes estavam ocupadas se preparando para as longas horas que passariam recebendo ordens e lidando com os flashes violentos em seus rostos.

O som do canto dos pássaros do lado de fora era quase imperceptível, mas conseguia atrair muito mais suas atenções do que o barulho das conversas no corredor ao lado.

Foi no meio desse silêncio vazio que uma explosão no espaço, uma faísca sem calor, uma atração inexplicável fez o homem virar o rosto em direção a ela. Seus olhos castanhos encontraram os azuis que observavam as mãos dele sobre a mesa, lentamente subindo por seus braços até pousar em seu rosto.

Outra explosão, mas dessa vez havia cores. A sala vazia se tornou sufocante em tons avermelhados se misturando a rosas que nem existiam ali.

Ele sorriu, curto, de canto, o suficiente para faze-la piscar, apagando o brilho ao redor deles.

— Quando foi a última vez que trabalhamos juntos? – A voz tempestuosa do homem costumava fazer o chão tremer e pessoas se ajoelharem em sua direção, mesmo quando falava de coisas triviais. Ela sentia isso, mas não se permitia cair.

— Estou impressionada que ainda lembra que trabalhamos juntos – suas palavras dançavam sorridentes em um tom doce que o feria como estacas em chamas.

— É impossível esquecer você, Emery.

— O mesmo para você, Malphas.

Os olhos da jovem se voltaram para as janelas, um suspiro cortou seus lábios grossos e sua mente a pedia para não olhar para o lado, para ignorar os olhos que ainda a encarava fazendo suas mãos imóveis suarem.

— Vi suas fotos semana passada – ela resolveu falar, era melhor do que o silêncio acusador que carregava tantas memórias. — Está chegando onde queria mais rápido do que era esperado, não?

— Tudo é fácil quando se tem os recursos certos.

Um riso sarcástico finalizou sua frase. Ela não comentou, não havia o que dizer sobre sua insolência.

Emery sabia que o homem tinha se tornado alguém perigoso. Sua agência tinha fama por destruir carreiras com boatos descarados no intuito de fazer seus próprios modelos cresceram. Malphas era um dos favoritos por usufruir desses recursos sem medo. Se o diretor matasse alguém, ele esconderia o corpo sem questionar.

Sem mover um músculo, ela desviou o olhar em sua direção, observando seu rosto marcado pelos ossos, se perguntando onde o garoto que entrou com ela na escola tinha ido parar. Nunca foram melhores amigos, mas passaram por vários perrengues juntos no início desse sonho. Tiveram o primeiro desfile juntos, a primeira briga contra os veteranos e até a primeira garrafa de vinho. Tinham tudo para serem os melhores rivais.

Juntando suas mãos sobre as pernas, soltou o peso dos ombros, olhando para as prateleiras ao seu lado, pensando que ainda queria poder andar com ele em um beco à noite depois de comer uma pizza gordurosa, sem medo de, na manhã seguinte, ter seu nome estampado em todos os lugares por boatos inventados.

Empurrando a porta com delicadeza, o figurinista adentrou a sala junto ao diretor de fotografia. Com sorrisos e apertos de mãos calorosos, os dois os cumprimentaram como se seus corações não estivessem disparados e seus corpos não tremessem atraídos pela força que os implorava para se aproximar.

A conversa durou alguns longos minutos os enchendo de explicações sobre seus papéis no projeto. Nenhum dos dois questionou. Apenas concordaram e, ao final, se dirigiram para a sala de maquiagem, preparados para começar o show.

O estúdio era espaçoso para deixar a equipe toda a vontade com câmeras preparadas, caixas de luzes posicionadas, ajudantes segurando rebatedores e diretores sentados nas cadeiras afastadas.

Quando as estrelas do dia finalmente foram liberados da maquiagem, todas as pessoas no estúdio soltaram suspiros e comentários altos trazendo sorrisos ainda mais confiantes a seus rostos.

As roupas ousadas misturavam os tons de branco com roxo e preto com vermelho. Exaltavam marcações por seus corpos definidos, exibindo partes atraentes, quase proibidas para os olhos mortais. A maquiagem trazia a inocência dos anjos aos olhos da jovem enquanto o sorriso dele tinha se tornado sombrio como o demônio aguardando nas sombras dos pensamentos.

Com a ajuda do diretor, eles se posicionaram diante de fundos coloridos e luzes quentes. Em silêncio ouviram os comandos, absorveram a ideia e assentiram com o plano.

Um passo para o lado, seus olhos se encontraram. Os braços dele se esticaram, o corpo dela se aproximou sem ordem, se unindo em um encaixe perfeito. Flashes.

O silêncio em suas mentes eclodia uma explosão de sensações por seus corpos. Flashes. Ela se afastou, as mãos dele se agarram em seus pulsos. Seu corpo girou, seu cabelo cacheado flutuando no ar como se o tempo tivesse parado. Flashes.

A voz do diretor animado era um eco distante. Como em um globo de neve, protegido das escolhas do mundo, eles dançavam, firmemente se apoiando um no outro, loucamente se agarrando a esperanças mortas deixando o impulso do tempo os guiar para o fim.

Olhando de perto, Malphas viu quanto tempo havia se passado desde que tudo começou. Por um instante de medo, se deu conta de que já não eram mais os jovens adolescentes cheios de sonhos e palavras vazias. Eram adultos. Satisfeitos. Diferentes.

Tinha aprendido que seus sentimentos não tinham valor, mas naquele momento quis ignorar as regras, quis deixar seu coração bater livremente, quis beija-la e dizer que as noites em que dividiram o mesmo colchão ainda estavam vivas em seus sonhos. Dizer que era cruel e iria destruí-la se fosse preciso, mas isso acabaria com ele também.

Seus toques na pele macia dela eram delicados, tentando aproveitar cada minuto para sentir sua carne, sua vida. Seu rosto próximo tentava se embriagar no perfume de seus cabelos que colocava sua cabeça em chamas.

Ela odiava seu olhar frio e sua mão quente a acariciando como se ainda tivessem 18 anos. Odiava correr suas mãos sobre a dele como se implorasse para não soltar. Odiava a violência com que respirava quando tocava suas costas contra o tórax dele.

O diretor deu o grito final.

Seus olhos se encontraram, seus lábios soltavam suspiros que se misturavam e seus peitos vibravam. Como o anjo e o demônio que nunca poderiam ficar juntos, eles se amavam.

Palmas e assovios quebraram o vidro. Sorrisos e agradecimentos cordiais se seguiram. Os pés se afastaram, caminhando para lados opostos, sem se olharem uma única vez mais.

Já havia trocado suas roupas, colocando suas vestimentas leves de quando chegou. A maquiagem tinha deixado alguns vestígios simplórios que ninguém iria notar e, com sua bolsa no quadril, Emery já seguia seu caminho para fora do local.

Seus olhos, ligeiramente cansados, olharam para a tela do celular vendo o grande 17:00 marcado. Tinha uma hora para voltar para o hotel, se arrumar e se preparar para o jantar programado com outro diretor naquela noite.

Havia tantas mensagens de seu agente empilhadas nas notificações que acabou se esquecendo de olhar para frente enquanto andava.

Seu corpo levemente trombou ao de outro que rápido segurou seus braços evitando uma queda para trás. Antes de falar, olhou, vendo o rosto do homem a olhando de cima, tão frio e sarcástico como sempre.

— Parece que hoje o universo inteiro quis que ficássemos juntos.

— Parece…

Não houve riso ou continuação para essa conversa inventada. O silêncio os tomou. Somente olhares gritantes falavam.

Os dedos dela falharam e, se não fosse pelo celular quase escapando de suas mãos, ela teria se perdido no turbilhão de sentimentos tomando seu corpo.

Seus pés relutantemente deram um passo para trás. O movimento o acordou, fazendo seus olhos piscarem rápidos e suas mãos soltarem os braços dela.

Dando um passo para o lado, Malphas deu passagem para a jovem. Os grandes olhos azuis o olharam, tentando entender o significado para algo óbvio.

Viu, então, em seu rosto o sorriso de olhos gentis da última noite em que estiveram juntos, anos atrás.

Seu coração perdeu o compasso. Sua cabeça se abaixou por um instante, fugindo das lembranças e com um suspiro se levantou novamente, dando lhe um aceno antes de seguir seu rumo com passos calmos em direção a saída.

Os olhos dele permaneceram parados, no mesmo local, encarando o espaço vazio que ela deixou. O sorriso não desapareceu, mas seus olhos tremeram, junto a suas mãos cobrindo seus lábios, desesperado por ter falado mais, culpado por ter desejado ali uma nova chance em uma outra vida.

13 de Agosto de 2020 às 15:25 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Fim

Conheça o autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~