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Mariana Pereira


O Reino do Ar decidiu atacar sem explicações alguma. O Reino da Água e do Fogo precisaram se unir para resistir às forças mais poderosas desta nova guerra no Reino Espiritual. Diante deste cenário, Camilly, uma ninfa da água em outras encarnações, perdeu suas memórias e poderes após morrer várias vezes, restando apenas seus sonhos como uma lembrança da magia anterior. Agora, encarnada no corpo de uma humana, poderá acreditar no garoto que lhe conta toda essa história, aceitar o seu destino, voltar ao Reino Espiritual e atender o chamado do seu deus. Ou, poderá simplesmente continuar sua vida escolar. Mas para qual seja sua escolha, terá que abrir mão da outra.


Fantasia Todo o público.

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Capítulo 1

O corpo afundava em águas frias, e o ato de respirar havia deixado de ser importante. Na verdade, ela mal lembrava se estava segurando a respiração ou se seus pulmões recebiam a água como se fosse oxigênio.

Afundava gradativamente em um ambiente mais hostil. A luz havia permanecido lá em cima e agora sua visão não detectava mais nada, nem mesmo suas mãos ou pernas. Porém, mesmo afogada na escuridão, não sentia medo. Muito ao contrário, aquela situação a causava uma estranha satisfação, como se todos os seus problemas e toda sua solidão tivessem sido consumidos pela água.

Uma leve agitação não passou despercebida. Algo estava acontecendo, mas não conseguia dizer o que. O movimento da água começou a ficar mais intenso, empurrando seu corpo de um lado para outro. Quando se deu conta, era tarde demais. Uma flecha cortava a água, em direção aos seus olhos. Não conseguia se mover, por mais que ordenasse seus membros a nadarem para longe dali. Soltou uma grande quantidade de bolhas antes da ponta metálica a atingir e a trazer de volta ao mundo.

Levantei em um susto. Minha respiração estava ofegante e o lençol molhado de suor, como em quase todas as noites. Olhei o despertador na cabeceira da cama. Faltava cerca de meia hora para ele tocar, então aproveitei para me arrastar até o banheiro, tomar um banho quente e voltar a tempo de desligá-lo.

Vesti a blusa branca de mangas compridas junto com a calça jeans e calcei a sapatilha, o uniforme que compunha quase que todo meu guarda-roupa. Atravessei o minúsculo apartamento vazio, já que minha mãe saía ainda mais cedo para o trabalho, e tranquei a porta ao sair, pronta para mais um ano eletivo.


Seu nome completava a lista de chamada, mas a carteira no fundo estava vazia. Quando o professor da primeira aula chamou seu nome três vezes, alguns cochichos pairaram pelas alunas. Seria um novato rebelde? Teria se perdido na escola? Estava passando bem? Era compreensível a ansiedade pelo primeiro dia de aula, principalmente do último ano do ensino médio.

Quando o sinal anunciou término da aula de matemática e início da de sociologia, que seria no horário seguinte, ele abriu a porta em um gesto brusco, roubando todos os olhares para si. Sua expressão era de poucos amigos, usava uma jaqueta escura e, em meio aos cabelos castanhos, uma mecha de cabelo vermelha destacava, assim como seus… olhos? Pisquei algumas vezes e percebi que, na verdade, eram cinzas. Algo naquela fisionomia prendia a minha atenção, eu só não sabia dizer o que.

— Camy — minha amiga me chamou, fazendo com que meus olhos desviassem do garoto que agora atravessava a sala para se sentar na última carteira vaga. — Vai se candidatar para representante de sala esse ano?

Representantes de classe e conselho estudantil eram os dois assuntos mais comentados entre os alunos no início das aulas. Todos os anos havia uma eleição e, mesmo que mudasse em absolutamente nada, os estudantes ficavam empolgados nesta época. Eu, em particular, achava tedioso.

— Não sei, Sara — respondi um pouco cansada. O pesadelo daquela noite não me permitiu descansar o necessário, o que não era novidade, já que desde pequena tinha esses tipos de sonhos, e as vezes acordava mais exausta do que quando deitei. — Tem muitas pessoas dedicadas e que merecem o cargo, acho melhor deixar para a próxima.

— Você não me convence com esse mesmo discurso — protestou, cruzando os braços. Sara era uma garota bonita, tinha cabelos lisos e escuros, como se fosse uma oriental. Apenas seus enormes olhos contradiziam com sua aparência. — Disse a mesma coisa ano passado. Irá se candidatar pelo bem da nossa turma!

Era verdade. Todos os anos Bianca ganhava as eleições, implantava aquilo que chamamos de ditadura e não tinha quem discordasse em seu reinado. Ela se coroava a rainha, tinha na palma de suas mãos todos os podres dos colegas que conhecia há anos, e conseguia o que queria da pior maneira possível.

— Veremos — respondi sem muitas cerimônias.

A aula decorreu tranquilamente, com uma apresentação do novo professor e um breve resumo das matérias que iríamos estudar ao longo daquele ano, sempre pensando nos vestibulares. A ideia não me agradava nem um pouco, mas não podia evitar. Era parte do “ciclo de vida de uma pessoa normal”.

O sinal tocou, sinalizando término da aula e início do intervalo. Sara pegou sua bolsinha de dinheiro e começou a tagarelar sobre como gostaria de comprar uma bebida gelada e sentar ao ar livre. A morena sentia saudades da escola e dos estudantes, o total oposto meu.

Quando estávamos saindo da sala de aula, um esbarro repentino me puxou de volta dos devaneios. Não chegamos a cair, mas percebi que o garoto atrasado me segurava pelos ombros. Provavelmente havíamos esbarrado ao tentar passar pela portinha da sala.

— Clarisse, você está bem? — perguntou preocupado. Pisquei algumas vezes, ele me chamou de que?

— Desculpe, mas você me confundiu — respondi rapidamente. — Meu nome é Camilly, e estou bem, obrigada — forcei um sorriso. Os olhos cinzentos não desviavam dos meus castanhos, e a sensação de familiaridade me tomou.

— Ah, você não se lembra — respondeu com naturalidade, me fazendo questionar se precisava lembrar de algo. Ele fez uma longa pausa, ainda segurando em meus ombros, até retomar. — Já vou indo, desculpe o tombo.

Ele me encarava profundamente e sustentei seu olhar por alguns segundos, antes de vê-lo virar as costas e se afastar. Aquela mecha de cabelo colorida me prendia a atenção. Não podia ser considerada ruiva, era uma tonalidade de vermelho tão forte e vivo, como se pudesse pegar fogo a qualquer momento.

Eu havia visto-o em algum lugar? Provavelmente não. Era algo incomum e tinha quase certeza de que me lembraria de alguém com uma parte do cabelo pintado de um tom peculiar de vermelho. Além disso, não teria como esquecer daquele rosto delicado e sério ao mesmo tempo. Não teria…

— Ele te chamou de Clarisse? — lembrei-me de Sara ao meu lado, provavelmente assistindo aquela cena dos bastidores. — Que garoto estranho.

11 de Agosto de 2020 às 19:17 0 Denunciar Insira Seguir história
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