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janaamarante Janaina Amarante

A vida monótona de Maria mudou drasticamente quando conheceu um garoto melancólico. Róger era um rapaz estranho para si, isso, porém fez com que ela tivesse curiosidade sobre ele. Com o firmar de uma amizade, acontecimentos estranhos acabam surgindo e com isso ela descobre que aquele garoto carregar um fardo consigo e que somente ela poderia ajuda-lo a por fim nisso. Róger dependia totalmente dela para encontrar sua paz. OBS: conto também publicado no wattpad.


Conto Para maiores de 18 apenas.

#mistério #sobrenatural #378
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Naquele dia o céu estava nublado, indicando a chuva que a pouca iria cair. O vento forte bagunçava meu cabelo encaracolado os jogando para frente de meu rosto. A árvore em que eu encostava meu corpo não parava de balançar suas folhas e galhos, enquanto o livro em meu colo já não me chamava mais atenção, e sim as crianças correndo em direções contrárias pelo parquinho ao longe. O fato de que elas não se preocupavam com o amanhã era algo de apreso por mim. Logo me tornaria maior de idade e a escola não seria minha única preocupação.

Deixando os pensamentos de lado, meus olhos voltaram a vagar pelo lugar encontrando um garoto solitário observando ao redor como eu. Quando nossos olhares se encontraram um leve tom de surpresa ficou visível em seu rosto, meus dedos tiraram os cachos de minha face para poder vê-lo melhor. Sua pele extremamente pálida me era chamativo.

As gotículas da chuva, porém, me alarmou. De prontidão me pus de pé, fechando o livro enquanto limpava os farelos de terra em meu vestido. Tentei olha-lo outra vez, mas ele já não estava mais ali. Que nem as crianças que deixavam o parquinho aos poucos junto aos seus pais.

— Achei que teria que a chamar para dentro. — comentou Joana, minha mãe.

Neguei com a cabeça enquanto me sentava a mesa para comer. A tarde se passou lentamente e enquanto eu escutava a chuva cair nas telhas da minha casa, meus olhos vagavam na vizinhança pela vidraça de minha janela parcialmente aberta. Desde que me mudei para esse lugar, pude perceber a paz que reinava pelas ruas. A tranquilidade era algo já esperado para uma cidade de poucos habitantes.

Enquanto o sol ia embora e a lua tomava seu lugar a chuva cada vez mais aumentava. Raios e trovões podia ser ouvido por todo a região. Meu corpo tremeu quando o céu, já escuro, clareou ao que um raio atravessou a escuridão. Antes que eu fechasse a janela, todavia, em um banco qualquer na praça o mesmo garoto de antes encarava-me na janela. Meus olhos se arregalaram e de imediato fechei a janela a trancando para logo depois a cortina a cobrir. Quando me afastei não consegui deixar de pensar o que aquele garoto estaria fazendo ali, em meio a tempestade. Pela curiosidade, abrir uma breja pela cortina, mas ele já não estava lá. Talvez tenha sido coisa da minha imaginação. Suspirei, me arrumando para dormir.

No dia seguinte acordei mais cansada que o habitual. Meu corpo estava rígido e meus ombros doíam feito o inferno! Ao terminar de tomar café me apressei em sentar abaixo da mesma árvore que antes em meu quintal, ignorando a dor em meu corpo que aos poucos ia passando. Apreensiva, porém ansiosa, esperei que o garoto da noite passada pudesse voltar. E ele o fez, horas depois.

Levantei-me do chão, decidida a ir até si. Quando cheguei perto o suficiente, fui capaz de ver uma rosa murcha em suas mãos. Seus olhos estavam no chão e sua expressão era melancólica. Como quem não quer nada, sentei-me ao seu lado no banco descascado. Alisando meu vestido, pronuncie:

— Por que tão triste? — a pergunta saiu baixa, mas foi o suficiente para chamar sua atenção.

Ele levantou os olhos, encarando-me. Seu olhar era opaco, sem vida. Mais uma vez ele parecia surpreso ao me ver.

— Gostaria de ir a minha casa?

A pergunta me pegou desprevenida. De todas as respostas, não esperava essa. Franzi minhas sobrancelhas em alerta.

— Não, obrigada.

Ele concordou sem insistir. O silêncio incômodo ficou no ar, somente as gargalhadas e falas das crianças e adultos podiam ser ouvidos.

— Qual seu nome? — indaguei, tentando entrar em uma conversar.

— Róger. — foi simples ao responder, em nenhum momento seu olhar se voltou a mim.

— Me chamo Maria. — apertei o tecido do vestido fitando minhas mãos. — O que estava fazendo na chuva ontem? — continuei, mesmo pensando que a cena da noite anterior poderia ser algo da minha mente.

Voltei meu olhar para ele, que encarava a rosa morta. Roger não falou nada e senti que não deveria insistir. Ele parecia pouco mais velho que eu, talvez tivesse uns dezoito anos. Suas vestimentas estavam sujas e velhas, nada tão diferente das minhas. Apesar de não falar nada, me permiti ficar em sua companhia a manhã inteira, pois ele não parecia estar incomodado. Até o momento em que minha mãe me chamou.

— Até mais, Róger. — dei tchau, enquanto me distanciava.

Meio constrangida por ele não ter nem ao menos levantado o rosto, entrei em casa indo direto para a cozinha. Quando me sentei a mesa, meu pai estava lendo seu típico jornal que logo foi posto de lado para que pudesse comer. Uma imagem de um casal no jornal chamou-me atenção, mas não me importei ao ver a comida ser posta.

•••

Ao longo da semana, todas às vezes Róger ficava no mesmo banco da pracinha e eu todas às vezes o fazia companhia. Nessa terça-feira, em específico, o local estava parcialmente vazio. Eu observava as poucas árvores balançar lentamente, quando ele me perguntou outra vez:

— Gostaria de ir a minha casa? — seu olhar não se encontrou com o meu quando eu o olhei.

— Não, Róger. — respondi, como todas as outras vezes. — Por que sempre me pergunta isso?

Pela primeira vez tentei suprir minha curiosidade em relação a isso, entretanto ele não me respondeu. O silêncio apesar de não ser mais incômodo, me deixou inquieta. Já era noite quando resolvi voltar para casa. Me voltei para ele dando um breve aceno, não obtive resposta, como o de costume. Diferente das outras vezes, todavia, Róger me observou se distanciar. Antes que eu fechasse a porta de minha casa, o vi se levantar e caminhar para longe.

Meus passos podiam ser ouvidos pela casa silenciosa, já era costume tanto silêncio. O jornal de meu pai estava jogado de qualquer jeito pela mesinha de centro. Ao olhar a volta e não o ver, peguei o monte de papéis e corri para meu quarto. O velho não gostava que eu mexesse em suas coisas.

Me joguei na cama e abri o jornal, fui passando as páginas até encontrar a que me deixou curiosa a semana inteira. O casal que posava para a foto eram sorridentes, porém a matéria não era nada feliz. Meus olhos vagaram pelas palavras até terminar de ler. Eles foram presos por assassinato de seu próprio filho. Fechei o jornal bruscamente ao ouvir batidas na porta de meu quarto. Apressadamente abri uma gaveta da mesa de cabeceira e o guardei ali.

Quando a porta se abriu endireitei meu corpo na cama, observando minha mãe com um copo em mãos se sentar em um espaço no colchão.

— Como está? — perguntou.

— Bem. — sorri levemente.

— Suas férias não estão sendo entediantes? Vi que todo tempo está indo aquela pracinha.

— Tá tudo bem! — dei de ombro. Eu realmente não me importava em ficar sem fazer nada nas férias. Preferia assim, na verdade.

— Trouxe isso pra você.

Estendeu o copo e eu o peguei. Era achocolatado, sorri nostálgica. Quando eu era criança ela costumava fazer bastante isso. Joana se aproximou, passou as mãos pelos meus fios encaracolados e saiu. O líquido desceu morno pela minha garganta até a última gota. Deixei o copo de lado e apaguei a luz do abajur, preparando-me para dormir.

Ao fechar meus olhos o sono lentamente me consumia até apagar de vez.

Meu corpo estava leve, o vento soprava meu vestido e meus fios de cabelo para cima. Bruscamente abri meus olhos e percebi que flutuava no ar. O grito em minha garganta saiu alto e fino. Meus braços e pernas se debatiam no ar, mas a queda parecia não ter fim. A escuridão ao redor me assustava ao ponto de lágrimas brotarem de meu rosto e o molharem em abundância.

Foi quando uma fraca luz se fez presente que eu senti meu corpo se chocar com o piso frio. A dor, porém, foi mínima. Tirei meus fios de minha face, assustada. Respirei profundamente e me sentei. O lugar mal iluminado era sujo e não tinha móvel algum. O chiar de ratos me alarmou fazendo-me sobressaltar ficando de pé. A única lâmpada do lugar balançou, fazendo a iluminação ficar pior ainda.

O silêncio incômodo foi quebrado quando a porta se chocou com a parede em um barulho alto e dela entrou um homem arrastando um garoto pelo pescoço. Dei longos passos apressados para trás até minhas costas baterem na parede. A iluminação que entrava pela porta deixou mais visível a cena que acontecia a minha frente. Ofeguei quando o homem jogou o garoto no chão e em uma de suas mãos tinha um pedaço de madeira. Meus olhos se arregalaram quando eu o vi se aproxima do garoto, que tentava se afastar. Não consegui conter o grito, que se juntou ao do garoto quando ele começou a ser espancado. Ainda que meu grito tenha sido alto o agressor não parecia me notar.

Eu queria ir ajudá-lo, mesmo com medo, mas meu corpo não saia do lugar. Parecia petrificado. Longos minutos se passaram de desespero, tanto do garoto quanto de mim. E só quando o homem saiu do cômodo e o trinco fez barulho que meu corpo resolveu obedecer aos meus comandos.

Meu choro era baixo, já do outro não. Me aproximei vagarosamente, seu corpo tremia enquanto ele se abraçava. Meu peito doeu ao vê-lo encharcado de sangue. Ele implorava algo que não pude entender. Coloquei-me de joelhos e quando tentei toca-lo, o mesmo sumiu. Me coloquei de pé quando o piso começou a cair. Meu corpo, outra vez, se afastou rapidamente para a parede ao mesmo tempo em que o piso desmoronava. E quando minhas costas se chocaram com a parede, eu cai. A queda veio junto ao meu grito desesperado. Quanto mais eu caia, mais o breu me consumia. Meus olhos se fecharam com força e ao abri-los meu corpo se impulsionou involuntariamente para cima até minhas costas repousarem em minha cama.

Suor descia pelo meu rosto e, enfim, percebi que estava de volta ao meu quarto. Respirei fundo, limpando meus olhos marejados. Ao me sentar na cama passei as mãos pelo meu rosto tirando o suor. Quando minhas mãos se abaixaram, um garoto me encarava de pé em frente à minha cama. Seu rosto estava banhado em sangue. Ofeguei em susto e me apressei em ligar o abajur, quando me voltei a ele, já não estava mais ali.

Lágrimas desceram pela minha face e dali em diante não consegui mais dormir.

•••

O cansaço era visível em meu rosto, ao me observar no espelho do banheiro era evidente as olheiras roxas abaixo dos olhos. O lavei e passei a maquiagem que tinha pegado. Arrumei os cachos e sai. A fome não veio, então resolvi sentar abaixo da tão conhecida árvore. Dessa vez, porém, não consegui observar o ambiente. O garoto e seus gritos atormentavam minha mente. Seu rosto era apenas um borrão para mim, mesmo ainda me lembrando do sangue espalhado por ele.

Tentando tirar esses pensamentos, me levantei e comecei a caminhar até a praça. Meus passos curtos foram lentos até chegar em um banco qualquer e me senta sobre ele. Não demorou muito para Róger aparecer e sentar ao meu lado. O silêncio, já tão conhecido por mim, não me incomodo.

Uma garotinha que corria por perto parou a nossa frente e me olhou. Levantei as sobrancelhas por ela está assim a alguns segundos. Ela passou as mãos pelo vestido de babados e balançou seu corpo no lugar.

— Tia, quer brincar comigo? — sua voz infantil chegou em meus ouvidos. Neguei com a cabeça e sorri levemente. — É que eu te acho tão solitária sozinha aí.

Seu tom era tristonho, logo após sua fala a criança voltou a correr pela praça. Surpresa adornava meu rosto, meu olhar a seguiu até parar em frente a uma mulher, que a pegou no colo.

— Quer ir a minha casa?

Me assustei quando ouvi a voz de Róger se pronunciar. Voltei-me para ele, que olhou de volta para mim. Mesmo de todas às vezes que neguei em ir a sua casa, ele continuava a perguntar. Soltei o ar pela boca aborrecida pela insistência e concordei de uma vez. Não faria mal algum ir a sua residência, certo? Esperava que sim. Ele parecia alguém tão inofensivo.

Ao seu lado, o seguir enquanto caminhávamos pela rua pouco movimentada. Aproveitando a caminhada, resolvi indagar:

— Seus pais estão em casa?

— Não.

— Você é de outra cidade? Eu nunca o vi por aqui antes. — continuei a suprir minha curiosidade.

— Não.

Suas respostas eram tão sem emoções que resolvi ficar calada. A caminhada não parecia ter fim, quando, finalmente, paramos em frente a uma casa. Essa casa, porém, estava em ruínas. Franzi as sobrancelhas ao vê-lo entrar. Olhei para trás e algumas pessoas caminhavam por ali, pensei seriamente em correr para longe, porém, quando voltei meu olhar para a residência já não dava mais para ver Róger. Suspirei e caminhei até a porta entreaberta, tentei a abrir mais, entretanto estava emperrada. Passei meu corpo por entre a fresta entrando no lugar.

A condição do local estava péssimo por dentro. As janelas estavam com tabuas pregadas impossibilitado a luz de entrar. Os móveis estavam revirados e quebrados, as paredes encardidas faltando alguns pedaços. Parecia que um furacão tinha passado por ali ou que estava abandonada há muito tempo.

Procurei Róger com o olhar, entretanto ele não estava em lugar algum. A escada do local que dava acesso aos outros andares tinham alguns degraus quebrados, por isso, pensei que talvez ele não tivesse subido ali. Com passos cautelosos adentrei ainda mais a casa, entretanto, estanquei no lugar ao que a escuridão de um corredor me assustou.

— Róger? — chamei por seu nome, porém não obtive resposta. — Róger!

No segundo chamado algo atrás de mim se espatifou no chão, fazendo-me virar bruscamente. Era um jarro com flores mortas dentro, um líquido vermelho manchava os pedaços de vidros. Franzi o cenho em estranhamento com aquilo e senti meu cabelo sendo acariciado o que fez eu me sobressaltar no lugar. Outro barulho me fez voltar a atenção ao corredor, que outrora encarava.

— Isso não tem graça! — berrei para as paredes, irritada.

Com passadas fortes me apressei em sair daquela casa, porém ao chegar perto da porta a mesma estava totalmente fechada. Tentei a abrir, mas foi em vão.

— Por favor, me ajude! — uma voz masculina me fez ofegar de susto. A súplica era em um sussurro, todavia, não tinha ninguém perto de mim. — Por favor...

Fechei meus olhos, implorando para que alguém me tirasse dali. Quando os abrir outra vez, estava no mesmo lugar e a voz continuava a sussurrar em meus ouvidos. Soltei a ar pela boca e tomando um pouco de coragem comecei a seguir o som da voz. Ela me levou para o mesmo corredor de antes, porém desta vez uma luz fraca me permitia ver o corredor extenso. Alguns quadros de fotos, manchados e rasgado, estavam nas paredes. Coloquei um pedaço de uma foto no lugar e meus olhos se arregalaram ao reconhecer aquela família. A foto no jornal me veio a mente e como um click as peças se encaixaram. Aquela era a casa deles. Róger era filho deles? Ao me afastar tropecei em meus próprios pés caindo sentada no chão. A voz, antes desconhecida, me chamou. Com lágrimas nós olhos eu a seguir. Quando virei em outro corredor a voz me pareceu mais nítida, até me fazer parar em frente a uma porta, onde ela se calou completamente.

Minhas mãos trêmulas alcançaram a maçaneta. Quando abri a porta um fedor de podridão era nítido no lugar. Minhas mãos ficaram em volta de meu nariz para tentar amenizar o mau cheiro. Ele, porém, era forte demais. Desci a pequena escada e a única coisa que eu via era a pouco luz vinda da porta. Até que a porta em um estrondo se fechou e nada mais podia se ver. Meu grito acabou com o silêncio ensurdecedor, quando uma mão passou pelo meu cabelo. Me abaixo no chão e tampo minhas duas mãos no rosto, fechando meus olhos fortemente.

Minha respiração estava ofegante e meu coração batia fortemente em meu peito, além de meus pelos estarem totalmente eriçados. O medo me consumia por inteiro.

— Maria... — meu nome foi chamado em um sussurro, e se eu não conhecesse a voz não teria saído de minha posição. Meu olhar marejado se encontrou com Róger tristonho, senti um pouco de alívio por vê-lo, todavia as fotos me fizeram lembrar quem ele era. Levantei-me e só agora percebi uma luz fraca vindo da lampada do teto. — Me ajude...

— Por que está fazendo isso comigo? — ignorando sua súplica levantei-me o encarando.

— Preciso que continue. — sua expressão era sofrida. Ele mostrou-me uma lanternar.

— Continuar o quê? — minha confusão era evidente em meu rosto. Estava assustada demais para pensar coerentemente — Por que me trouxe para essa casa, Róger?

Ele nada respondeu, sua mão se levantou e seu dedo apontava para algo longe de mim. Olhei nessa direção e a única coisa que vi, além de vários lixos jogados no chão, foi uma pequena porta fincada no piso. Franzi o cenho, quando voltei meu olhar para ele, entretanto, já não se encontrava mais ali. Verifiquei toda a sala pequena, mas ele não estava em lugar algum, somente a lanternar estava ligada no chão. Outra vez ele me deixou sozinha. Engoli a seco e peguei o objeto me aproximando da porta no chão. Não foi fácil abri-la, pois a mesma era bastante pesada. Ao abrir, todavia, o fedor se tornou mais forte ao ponto de me dar ânsia de vômito. Com o nariz tampado desci a escada de metal que estava ali. No meio da escada, um de seus degraus se partiu me fazendo cair com tudo no chão. Gemi de dor e engatinhei ate a lanterna a pegando. Ao me colocar de pé, iluminei o lugar. A cena que eu vi na minha frente, fez-me colocar para fora a janta da noite passada.

O cadáver quase não tinha mais pele em seu corpo. A pouca carne que possuía estava apodrecida. Mesmo depois de vomitar, não consegui me mover e muito menos gritar. Estava paralisada. Tinha membros fora do corpo e em uma de suas mãos possuía uma rosa já morta. Não contive quando lágrimas desceram por meu rosto.

— Me ajude...

Róger sussurrou em meu ouvido, mas ele não estava no cômodo. Meus olhos ficaram maiores que o normal e eu corri, deixando a lanterna para trás.

As portas se encontraram abertas, me permitindo sair daquela casa. Quando me coloquei para fora dela cair de joelhos no chão e mais uma vez vomitei.

— O que estava fazendo aí dentro?

Levantei meu olhar limpando minha boca. A senhora de idade me encarava de cima.

— Me ajuda... — sussurro para ela.

•••

A polícia estava por toda parte, depois de eu dar meu depoimento me sentei na varanda da casa da senhora de idade, em frente à casa abandonada. A mulher conversava com um dos polícias. Foi quando Róger se aproximou de mim e se sentou ao meu lado.

— Obrigado. — Foi a primeira vez que eu vi um sorriso surgir em seu rosto. Ele se levantou e caminhou para longe sumindo de minha vista.

Seu corpo morto foi retirado de dentro da casa. E desde aquele dia eu nunca mais o vi. Mas eu sabia que, enfim, ele pode descansar em paz.

11 de Agosto de 2020 às 19:05 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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