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scio-n- Scio N.

Eu li aquele conjunto de palavras que ela escreveu. Me recuso a considerar aquilo um livro. É tão mal escrito e tão mal feito que meus olhos doeram quando terminei de ler. Enfim, resolvi continuar a histórias de onde ela parou e contar ela partindo do meu ponto de vista. (Capa provisória)


Fantasia Épico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#reflexão #realidade #sangue #noite #monstros #mistério
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Capítulo 1

Meu pai sempre foi estranho. Ele pontualmente ia dormir toda noite às exatas 23 horas e acordava às exatas 6 da manhã. Você deve estar se perguntando: Por que não às 22? Porque as 22 horas da noite de todos os dias ele me fazia ir para a minha cama e me contava uma história. A história não era para eu dormir. Elas costumavam ser tão interessantes que quando ele acabava de contar eu estava mais disperso que antes. E ele fazia cada encenação, sabe? Não era muita coisa, mas era bom. Eu gostava.

Eu lembro até hoje da vez em que a gente foi brincar de água e fogo no meio da floresta. Sempre que jogava um jogo comigo ele ganhava as vezes, mas me deixava ganhar de vez em quando. Acho que ele queria que eu pensasse que, se eu ganhei, foi por próprio esforço. Ele queria dar sentido na coisa toda.

Enfim: eu, meu pai, uma floresta e água e fogo. Aquele dia foi divertido. Era fim de semana, mas eu não lembro se era sábado ou domingo. Seja como for, não era dia útil. Meu pai nunca brincaria comigo em dias úteis. Não porque ele não queria, mas porque ele trabalhava muito e levava seu trabalho muito à sério. Não lembro de ter visto ele faltar um dia que fosse. Eu não ia para a escola na época, então eu o via sair e chegar em casa. Chegava cansado e estressado, por mais que tentasse ao máximo esconder isso. Dava para ver pelo jeito dele de andar que seu dia fora desgastante. Sua expressão era preocupada mesmo quando ele sorria. Ele nunca faltava em serviço, no entanto. Mas é como eu disse, ele era um sujeito estranho.

Mas os abraços dele eram sempre calorosos e apertados. Não importava se estava com raiva, triste ou preocupado. Em todas as vezes em que ele me abraçou eu nunca senti nada diferente de segurança. Ele sempre fazia eu me sentir seguro em tudo. Era sempre confortável estar com ele. Como de manhã, quando ele fazia questão de fazer o café da manhã antes de eu acordar para que eu sentisse o cheiro dos ingredientes pela cozinha. Se eu tivesse sorte, o pão teria acabado e ele teria que acordar um pouco mais cedo para assar mais. Até hoje o cheiro de pão e telemea me lembram de casa.

Seja como for eu estava falando sobre água e fogo, certo? Era minha vez de ir procurar e fechei os olhos enquanto ele escondia um livro em algum lugar na floresta. Estava demorando demais e o jovem eu era mais impaciente. Resolvi abrir os olhos e ir procurar.

Já estava escurecendo. Não que isso fosse me atrapalhar. Eu enxergo melhor no escuro. Mas o sol estava se pondo e isso me deixava com medo. Tinha alguma coisa errada, pois meu pai nunca me deixaria ficar fora de casa até tão tarde. Fui andando pela floresta vagarosamente e passei de árvore em árvore espreitando em busca de alguma resposta. Foi quando uma voz feminina falou:

— Água.

A voz era tão profunda que eu não sabia de onde ela tinha vindo. Olhei ao meu redor e não vi ninguém. Decidi ignorar e continuar procurando meu pai, mas quando ia dar outro passo a voz insistiu.

— Água.

Confuso, eu parei um pouco e dei outro passo na direção contrária. Voltei para onde estava e continuei seguindo.

— Fogo. — A voz disse em aprovação.

Alguém estava brincando comigo. Não era como meu pai, que sempre fazia eu me sentir feliz com qualquer tipo de brincadeira. Eu estava apavorado. Suava muito mais do que jamais suara em toda a minha vida. Com o coração à mil, continuei seguindo o que a voz falava.

— Água. — Ela disse quando estava prestes a pisar em um arbusto.

— Fogo. — Disse quando passei por uma árvore torta.

As árvores negras e finas e as folhas no chão davam à paisagem um aspecto medonho e cada vez mais morto. Era um dia nublado de outono. Estava muito frio e eu queria ir para casa. Mal podia esperar para encontrar meu pai e ele me fazer um chocolate quente. Até hoje me lembro do gosto doce e forte do chocolate quente que ele fazia. Mas não foi isso o que ele fez quando eu o encontrei.

— Fogo. — A voz falou gentilmente quando eu me aproximei de uma pilha de folhas.

Um livro cor de vinho estava enterrado nessa pilha. Em sua lombada, em entralhes dourados, estava escrito Britannica e outras coisas que não prestei atenção. Não me importava. Aquele era o livro que meu pai escondeu. Era um dos que ele sempre lia quando não tinha nada para fazer. Sem pensar duas vezes eu desenterrei o livro e vi que tinha mais coisas na pila. Percebi o quanto as folhas mais soterradas eram mais vermelhas. Depois percebi que estava começando a desenterrar uma blusa de frio. Eu achei meu pai. Ele estava parcialmente enterrado no solo com a cabeça separada do pescoço.

9 de Agosto de 2020 às 19:32 0 Denunciar Insira Seguir história
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