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Sakura, adulta e escalada capitã de pelotões ANBU, é chamada para executar uma missão para a Hokage Tsunade. Ao receber as instruções, toma conhecimento de um fato chocante: Sasuke, ainda um nukenin foragido, foi localizado e cabe a ela e ao seu time trazê-lo de volta. O que parece ser uma oportunidade de consertar o passado vai por água abaixo quando Sakura é capturada pelo time Hebi e se torna refém de seu antigo amor e maior inimigo: Uchiha Sasuke. [ SasuSaku | 18+ | UN | Longfic | Não-Canônica ]


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Missão

Sakura olhou a si mesma no grande espelho vertical pendurado na parede do quarto.

Nua, contemplou a tatuagem em seu braço esquerdo. O símbolo sinuoso era quase como uma cicatriz, perdendo-se entre as marcas naturais da pele: não se lembrava dos tempos em que não possuía a marca negra da ANBU. Também sentia como se, desde sempre, servisse a organização, realizando as missões de elite por todo o continente.

Era um sentimento estranho. Sabia que havia mudado, e muito, ao longo daqueles anos... Ainda assim, era como se seu subconsciente sussurrasse “você sempre foi assim”.

Ela havia crescido e amadurecido, havia se tornado uma mulher perspicaz e habilidosa, o que lhe rendeu o posto de capitã de pelotões dentro da organização. Já havia liderado incontáveis missões. Talvez não fosse uma estrategista tão boa quanto Shikamaru ou Neji, mas tinha sangue frio e resistência psicológica, o que garantiu sua ascensão nos rankings internos, missão bem-sucedida após missão bem-sucedida.

Passou a mão pela tatuagem, esfregando a pele do braço distraidamentee saiu da frente de seu reflexo. O uniforme jazia em cima da cama, quase como um companheiro vivo que a esperava. Ela vestiu sua roupa de baixo preta e simples, contrastando com a pele alvae por cima,a regata de gola alta e calças pretas. Restavam o colete cinzento, luvas, sandálias e toda a parafernália protetora.

Levou a mão àtesta, massageando o selo, enquanto franzia as sobrancelhas com a preocupação que a afligia.

Tsunade-shishou a havia convocado para uma reunião relâmpago em sua sala, enviando um colega ANBU mascarado em seu lugar. O homem a chamou do peitoril da janela, informando data e local da reunião, sem dar maiores informações, e desapareceu. Assim ela soube que tinha um compromisso com a Hokage naquela manhã.

Reuniões relâmpago não costumavam ser um bom sinal.

Suspirando, ela terminou de se vestir e encarou a máscara branca sobre a cama arrumada. Ela era singela, porém resistente, com pinturas em negro, cinza e rosa velho.

A lebre representava a pureza, a fertilidade e a prosperidade. Mas ao mesmo tempo, Sakura sentia que era um símbolo de sua ingenuidade e tolice. Desde seu ingresso na ANBU, ela nutria sentimentos conflitantes com o animal que lhe havia sido conferido.

Colocando a máscara que escondia sua verdadeira identidade, ela colocou os pés sobre o batente da janela, e dando uma última olhadela para o ambiente para garantir que tudo estava nos conformes, fechou o apartamento e se retirou em direção à torre da Hokage, onde lhe seria conferida sua próxima missão.

——————

— Hokage-sama. — Sakura disse educadamente, agachando-se e fazendo um cumprimento formal.

— Sakura. — A voz de trovão de sua mentora ecoou pela sala. — Levante-se, por favor. Estou só aguardando os integrantes que vão te acompanhar na missão… Assim que estiverem aqui, poderei passar todas as informações.

Sakura anuiu silenciosamente. Ela se levantou e permaneceu onde estava.

Não havia recebido nenhuma explicação de antemão, estava completamente no escuro. Observou sua tutora absorta com as tarefas através dos buracos da máscara. Aspirou ar para indagar do que se tratava aquela missão misteriosa, mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, a porta se abriu, revelando uma ninja de cabelos castanhos e um ninja alto e moreno em seus trajes ANBU.

Tsunade ergueu os olhos da mesa, observando os dois entrarem e a saudarem.

— Ótimo, agora que estão todos aqui podemos começar. — falou. Ela ajeitou a papelada sobre a mesa e tornou a olhar para a frente, alternando seus olhos cor de mel entre os três ninjas mascarados parados na sua frente. — Como ANBU, vocês já sabem que todas as missões conferidas a vocês são de alta periculosidade... mas gostaria de informá-los que estamos lidando com algo muito maior desta vez.

Silêncio.

— A primeira informação que devo passar a vocês é que localizamos Uchiha Sasuke.

Sakura sentiu seu coração pular uma batida, mas permaneceu impassível.

— Ele foi visto junto com três ninjas foragidos numa pequena vila nos limites do País do Fogo. Um batedor fugiu e foi capaz de nos trazer as informações, mas os outros dois ninjas do pelotão foram mortos em ação, muito rápida e brutalmente pelo que me foi transmitido. — Ela estava séria. — Isso significa que se trata de um inimigo com altíssimo poderio ninja e sem nenhum escrúpulo em batalha. Nada de novo no front. — Sakura sentiu seus órgãos afundarem e engoliu em seco. — Confio que são astutos o suficiente para entender o que isto significa.

Juntou as mãos em cima da mesa, entrelaçando os dedos.

— Não só um nukenin poderoso foi localizado, como invadiu as terras de nossa nação e assassinou dois de nossos companheiros. — a voz de Tsunade era poderosa e firme. — Evidentemente, é uma missão Rank S.

Não houve qualquer reação ou resposta por parte dos ninjas que a escutavam.

— Esta é a primeira equipe dentro de um grande grupo que pretendo mobilizar para esta missão. Vocês são a Equipe Alfa, responsáveis pela investigação. Vocês sabem o que isso significa, certo? — Ela correu o olhar pelos três.

— Sim, Hokage-sama.— Eles responderam em uníssono.

— É sempre bom reforçar. — seu olhar se demorou sobre a ninja de cabelos rosa. — Isso significa que, em hipótese alguma, repito hipótese alguma, vocês devem entrar em combate com o inimigo. Qualquer confronto direto deve ser imediatamente evitado com as técnicas de fuga e esconderijo aprendidas nos treinamentos ANBU. Caso alguém seja capturado, vocês têm ordens de retornar e exigir reforço, não devem tentar agir por conta própria… Conhecem o protocolo.

Ela passou os olhos pelos três, a expressão severa.

— O trabalho de vocês se resume a rastreamento, observação e coleta de dados. Isto engloba missões de infiltração e rapto de civis, e tudo o mais que for necessário fazer para angariar dados para as equipes de assalto. Vão, descubram o máximo que puderem, e voltem. Ilesos. — Sua voz forte frisou a última palavra. — A Equipe Beta é o primeiro esquadrão de ataque. Eles serão responsáveis por alcançar e entrar em combate direto com Sasuke e os ninjas que o acompanham, auxiliados pelos conhecimentos de vocês e pelas informações que conseguirem obter.

Os ninjas sob seu comando apenas absorviam as informações, colunas eretas e posturas impecáveis à sua frente.

— A equipe Gama será o reforço, caso necessário. Mas estou mobilizando os melhores ninjas que possuo, então espero não ter que recorrer a isso. — Ela suspirou. — Vão, preparem o território, fiquem sempre alertas. Shizune vai fornecer os detalhes da missão para vocês na sala ao lado. Qualquer dúvida falem com ela diretamente.

A Hokage cruzou as pernas abaixo da mesa, pousando as mãos sobre os joelhos sem cessar seu olhar altivo sobre eles.

— A missão é sigilosa. Vocês partem essa madrugada. — Anunciou. — Estão dispensados.

Os outros dois ninjas ANBU anuíram de imediato e saíram silenciosamente. Sakura foi deixada sozinha na sala com a Sannin.

— Alguma dúvida, Sakura? Sugiro que fale com Shizune, estou atolada de trabalho.— Tsunade falou, desconfiada, ciente da conversa que se desenrolaria dali em diante, e nem um pouco ansiosa para que começasse.

— Tsunade-shishou… — Sakura esfregou as mãos nervosamente, olhando os telhados pela janela aberta da sala. — Quem são os ninjas na Equipe Beta?

A Godaime suspirou.

— Sakura, você sabe que não posso fornecer este tipo de informação. — A loira respondeu, saindo de sua postura séria e sentando-se recostada contra o encosto da cadeira enquanto perscrutava a ninja de cabelos rosas à sua frente. — Você saberá no momento certo, não quero correr o risco dos nomes caírem em mãos erradas.

Era uma forma de proteger os demais ninjas e proteger Konoha, para o caso de um sequestro, não havia informações valiosas a serem tiradas a força.

Hm. — Sakura engoliu sua saliva grossa da boca seca. — Por que estou na equipe de reconhecimento? Você sabe como essa missão é importante para mim. — Estar na equipe de reconhecimento significava trabalhos longos, enfadonhos, nenhum combate e pouca ou nenhuma participação nos momentos de ação.

Tsunade a fitou longamente. Quando falou, sua voz teve o mesmo efeito de uma adaga perfurando a pele.

— Exatamente por isso, Sakura. Exatamente por você não conseguir separar seus desejos pessoais da missão.

Sakura sentiu seu rosto esquentar sob a máscara. Aquelas palavras diretas eram um golpe direto em sua auto-estima e sua auto-confiança ninja.

— Eu posso perceber sua frustração, e não estamos nem começando. — Tsunade continuou. — Para ser honesta, cogitei não incluí-la em nenhum dos esquadrões. — completou, direta e franca como sempre era.

A ninja de cabelos rosas mais uma vez sentiu o sangue subir para suas bochechas, constrangida e com raiva. Sem conseguir conter sua frustração, soltou um grunhido de decepção e abaixou a cabeça, desviando o olhar da líder. Quando falou, concentrou-se em normalizar seu tom de voz, que começava a vacilar com a agitação crescente em seu peito:

— Tsunade-shishou, eu jamais deixaria meus sentimentos me cegarem. Eu evoluí. — Ela apertou a própria mão com força, tentando conter sua frustração. — Você é a maior testemunha disso.

A Hokage franziu as sobrancelhas, e então olhou para ela com seriedade.

— Então, Sakura, encare isso como uma prova. Não para mim, mas para si mesma. — Tsunade juntou as mãos sobre os joelhos novamente, os olhos cor de mel com um brilho aguçado ao fitar a aluna diante de si. — Se você seguir minhas ordens corretamente e concluir a primeira parte da missão com sucesso, reorganizarei a Equipe Beta para que você cumpra a função de apoio médico do esquadrão.

Não era exatamente o que queria, mas era o máximo que ela teria no momento.

— Isso é tudo? — Tsunade perguntou. Sabia que não, mas Sakura era insistente e incansável, então precisava colocar um fim à conversa. — Como falei, tenho trabalho a fazer.

Sakura apertou os próprios punhos tentando aliviar a tensão.

— Sim. — respondeu. — Obrigada, Tsunade-shishou.

Ela se curvou, agradecendo com um maneio de cabeça, mas ainda se sentia frustrada e deixada de escanteio. Quando saiu, conversou brevemente com Shizune, adquirindo informações mais específicas e os detalhes necessários.

Recolheu o pergaminho da missão, voltando para o seu apartamento, observando o movimento nas ruas abaixo de si enquanto pulava habilmente pelos telhados.

——————

Ela tirava os objetos do armarinho do banheiro, espalhando-os pelo chão. Seus dedos estavam levemente trêmulos, e cada frasco apoiado no chão de maneira brusca denunciava sua frustração acumulada.

Bem da verdade, aproveitava para descontar sua raiva nos potes e bisnagas enquanto tentava organizar as coisas a serem levadas para a missão, já que Shizune havia confirmado que a partida seria naquela madrugada. Não havia tempo a perder, considerando a incerteza de quanto tempo Sasuke e seu time permaneceriam estacionados no mesmo local.

Sasuke.

O nome fazia seu coração disparar, mesmo após tanto treinamento e autocontrole.

No fundo, sabia que Tsunade estava certa. Naquele aspecto, ela ainda não podia confiar plenamente em si mesma, o que a frustrava imensamente. Sentia um ímpeto ao ouvir o nome do Uchiha: queria vê-lo, encontrá-lo, mesmo que fosse apenas por um segundo. Seu corpo respondia de forma involuntária à mera menção do moreno e a ansiedade a consumia.

Estava sentada entre os potes de plástico e itens de primeiros socorros quando ouviu um barulho. Inclinou-se na direção da janela para ver Tenten entrando pela abertura com seu uniforme ANBU, sem a máscara. Aparentemente portas eram sempre a última opção quando se era um ninja.

— Oi, Sakura. — A morena falou alegremente, descendo para o chão de ladrilho do banheiro. — Como está? Quis passar para te ver. — ela parou em frente à Sakura e pousou as mãos na cintura. — … e falar da missão.

— Oi Tenten. — Cumprimentou a morena, sem conseguir esconder sua inquietação. As duas não haviam se falado na sala da Hokage, pois era de praxe agir com discrição com relação a outros membros da ANBU, ainda que fossem próximos. — Estou ansiosa. Fiquei para falar com Tsunade depois, mas ela estava evasiva.

Sakura fitou a morena de olhos cor de chocolate. Viu a amiga soltar um muxoxo, e então recostar-se contra o vidro do box.

— Você sabe quem é a Equipe Beta? — Sakura indagou.

— Sim. Encontrei Neji nesse meio tempo, ele também foi convocado por Tsunade. Ele tinha algumas informações a mais. — O Hyuuga e a morena vinham cultivando um relacionamento íntimo e discreto há anos. — Ela está montando um time de peso. Eu, você e Kiba somos a primeira equipe, vamos abrir caminho, partindo hoje à noite. A equipe Beta sai daqui dois dias, Tsunade escalou Neji, Naruto, Ino e Sai. Shino está agindo paralelamente, ele é o membro Delta, e foi despachado há uma hora.

Tenten havia feito o dever de casa ao que parecia.

— Ino? — Sakura questionou. A amiga era uma ótima ninja e se saía bem como apoio médico do time, mas Sakura era mais eficiente.

Tenten deu de ombros, levantando as mãos em frente ao corpo. O assunto pairava no ar.

— Tsunade me deixou de fora... Por questões emocionais. — Sakura finalmente desabafou.

Tenten soltou um resmungo aborrecido.

— Imagino que você deva estar puta da vida.— ela cruzou os braços em frente ao corpo, franzindo as sobrancelhas em indignação. — Entendo sua frustração. Ela deveria ser a primeira a reconhecer sua capacidade.

Sakura estalou a língua, movendo a cabeça em uma leve negativa.

—É… sim. Na verdade, não sei ao certo como me sinto. Estou frustrada, isso é óbvio. — Sakura respondeu. — Mas sei que no fundo ela tem razão... só de ouvir o nome de Sasuke, eu...— a frase morreu em seus lábios.

Passou a mão pelo rosto nervosamente e ajeitou o cabelo cor-de-rosa atrás da orelha. Queria evitar pensar no moreno tanto quanto pudesse. Que o assunto ocupasse sua mente apenas quando fosse necessário, e acima de tudo, útil.

— Essa missão vai ser terrivelmente difícil. Já que conversou com Neji, sabe como Naruto reagiu? — Ela indagou, fitando a amiga novamente.

— Mal. Acho que ele queria sair imediatamente atrás de Sasuke, ali mesmo da sala da Hokage. Mas Tsunade ameaçou tirá-lo completamente da missão, e Neji e Sai conseguiram acalmá-lo. — Sakura quase sentiu alívio por não ser a única a reagir efusivamente, mas já era de esperar uma resposta explosiva do Uzumaki.

Tenten pareceu pensativa por algum tempo. E então emendou:

— Não o culpo. Realmente, é um assunto que mexe com todos nós. Acho que Sasuke ter deixado a vila impactou nossa geração, todos nós sentimos responsáveis de alguma maneira…. Você e Naruto, bem… Não há nem o quê dizer. Só quem participou de um time sabe o valor e conexão que temos com nossos companheiros. — Seus olhos escuros e sinceros eram reconfortantes. — Mas veja pelo lado positivo, Sakura. Finalmente chegou o momento da ação. Atualmente somos a elite ninja de Konoha; se há um grupo de pessoas que pode trazer Sasuke de volta, esse grupo é constituído por nós. Espero que todos saibam agir com sangue frio.

— Sim… — Sakura concordou, estreitando os olhos com preocupação. — Falo isso por mim também, acima de tudo. Quem é a possível equipe Gama?

— Ninguém da ANBU.— Tenten falou. — Tsunade está pensando em escalar jönins para a equipe Gama, já que ela acredita que nossos times trabalham melhor entre si. Seriam Shikamaru, Hinata e Lee, talvez sob o comando de Kakashi. Mas ela realmente espera não chegar a esse ponto.

Sakura olhou o vidro de álcool que segurava em suas mãos, sem realmente vê-lo.

Ela sabia que sua parte na missão era importante, mas se sentia aflita com a possibilidade de não ver o Uchiha. Ao mesmo tempo, a possibilidade de vê-lo a colocava em um estado de nervos quase incontrolável. Chacoalhou a cabeça, tentando se livrar dos pensamentos inoportunos.

Qualquer deslize colocaria tudo a perder. Precisava agir com cautela e concentração.

Provavelmente seus receios estavam estampados em sua face, pois quando voltou os olhos novamente para a amiga de cabelos castanhos, a morena prontamente se agachou ao lado dela, colocando a mão em seu ombro e dando um aperto encorajador.

— Sakura, querida, você está na missão é isso é tudo que importa. Vamos dar o nosso melhor e trazer Sasuke de volta. — falou, e então deu-lhe um meio abraço.

Sakura assentiu silenciosamente, passando o braço em volta da amiga de volta.

Tenten se levantou novamente e inclinou a cabeça, dando um sorriso gentil com a intenção de reconfortá-la.

— Vou indo, Sakura. Kiba já está se organizando também, preciso me organizar e arrumar minhas coisas, sem deixar tudo para última hora como sempre faço. — Ela chacoalhou as mãos desleixadamente, demonstrando sua irritação consigo mesma. — Nos vemos no horário combinado nos portões da vila?

Sakura anuiu silenciosamente e a morena acenou antes de sair pela janela com agilidade, deixando a ninja de cabelos cor-de-rosa sozinha com seus pensamentos.

——————

Sakura andou tranquilamente até o grande portão verde. Viu Kiba encostado no muro, aguardando pacientemente, enquanto observava as estrelas brilhando no céu escuro e sem nuvens, seus olhos selvagens reluzindo levemente.

Ela se aproximou, carregando seu grande pergaminho pendurado a tiracolo e a máscara de lebre na mão. O Inuzuka carregava sua máscara lupina também, e a cumprimentou quando a viu chegando.

— Olá, boneca. Tudo pronto? — cumprimentou enquanto oferecia um sorriso galanteador.

— Sim. — ela sorriu. Kiba era uma companhia agradável, ainda que mulherengo, e muito competente em missões, sendo um rastreador impecável. Ele e Shino eram absolutamente os melhores, capazes de encontrar qualquer ninja, onde quer que fosse. Ele seria a estrela daquela missão. — E você? Creio que estamos nos metendo em algo maior do que imaginamos. Uma baita encrenca.

Sakura sentiu um leve calafrio. Suas próprias palavras a deixavam inquieta ao lembrar de que se tratava de algo grave e grandioso.

— Também acho. Francamente, sinto cheiro de algo esquisito no ar. Ou Sasuke se deixou ser visto de propósito, ou o tempo o deixou relapso... o que eu duvido. — O Inuzuka cruzou os braços, fazendo uma careta. — Se, ao chegarmos lá, ele for facilmente detectado, comunicarei a Hokage sobre uma possível emboscada. Não podemos correr riscos: contra ele sozinho, talvez tivéssemos algum sucesso em capturá-lo, mas não conhecemos os ninjas que o acompanham.

A kunoichi lembrou-se de quando ela, Sai e Naruto encontraram Sasuke após longos três anos, no esconderijo de Orochimaru. Eles não foram páreo para ele, e ela duvidava sê-lo mesmo hoje.

A chegada de Tenten a tirou de seus devaneios.

— Desculpem, pessoal. Atrasei. — A morena deu um sorriso sem graça, e então passou as mãos sobre as próprias roupas, ajeitando-se. Ela já estava completamente vestida e segurava sua máscara felina. — Podemos sair imediatamente, se quiserem. A viagem será longa.

Kiba assentiu, colocando sua máscara, seguido pelas duas mulheres que o acompanhavam. Sakura havia sido apontada como capitã da Equipe Alfa, e tomou a dianteira, acelerando o passo após ter atravessado o imenso portão da vila.

Quando pularam para a copa das árvores, deslocando-se silenciosamente entre as folhas escuras, Sakura não pode deixar de notar a angústia que carregava no peito.

Sasuke, eu vou te encontrar. Nem que seja a última coisa que eu faça.

Espere por mim.

——————

O som ritmado das sandálias shinobi contra o chão de terra seca estava começando a dar nos nervos.

O time, cansado de viajar através das copas das árvores, e ainda relativamente distante do local designado para investigação, optara por realizar aquela parte do percurso a pé. Ouvindo o barulho repetitivo, Sakura começava a questionar a decisão, enquanto via as pequenas pedras de cor bege no chão.

Ao seu lado, Tenten se lamentava sobre a dor nas panturrilhas e Kiba permanecia amuado com o calor exaustivo, falando menos do que o normal.

Sakura olhou para o horizonte, vendo os sinais de um vilarejo pequeno na distância. Suspirou, ajustando o pergaminho nas costas, sentindo o suor deixando o tecido do uniforme molhado onde o objeto se apoiava.

— Vamos parar naquela sombra. — ela falou, apontando para um conjunto de árvores na beira do caminho. Sentiu uma gota de suor escapar dos cabelos rosas e escorrer pela sua têmpora. — Ainda estamos relativamente longe, mas andamos rápido e estamos adiantados. Aproveitarei para comprar suprimentos e buscar algumas informações.

Ela limpou o suor da testa, sentindo o ar quente à sua volta. O calor excessivo tornava qualquer atividade, que originalmente deveria ser indiferente, completamente miserável.

— Ótimo, estou mesmo precisando de um descanso. — Tenten soltou um muxoxo. — Você vai sozinha? — A morena indagou, jogando os braços atrás da cabeça. Pelo menos os coques deixavam o ar circular na sua nuca, já Sakura não podia dizer o mesmo, silenciosamente invejando o penteado escolhido pela amiga.

— Sim. Prefiro evitar ao máximo chamar atenção dos civis… Um ninja denuncia apenas uma missão casual, já três ninjas é algo a se preocupar. — Ela falou, voltando a baixar a mascara ANBU sobre o rosto, vendo a cidade se aproximar conforme avançavam. — Baixem as máscaras enquanto eu estiver fora, não queremos ser reconhecidos. Kiba, o que me diz sobre os arredores?

O grupo adentrou alguns metros na floresta que beirava o caminho, jogando os pertences entre as raizes do chão, aliviados de finalmente escapar do sol que brilhava sem misericórdia. O moreno pareceu farejar por alguns instantes, com um olhar desconfiado.

— Há algo de estranho no ar, mas não posso dizer exatamente o quê. O que posso afirmar é que Sasuke esteve aqui, com certeza.— A Haruno parou abruptamente com a afirmação.— Não sei dizer há quanto tempo, porém. — Ele respondeu, fitando-a de escanteio.

Sakura sentia-se estúpida, mas seu coração disparava automaticamente ao ouvir aquele nome. O moreno pareceu perceber, pois deu uma risada de escárnio.

— Ainda mexe com você, o Uchiha.

Sakura o fitou, irritada. Kiba era dado a comentários arrogantes e inconvenientes.

— Apenas me preocupo com a possibilidade de encontrarmos o time Hebi. Tsunade-shishou foi bem clara quanto a evitar combates diretos e trabalhar nas sombras. — ela respondeu, voltando os orbes esmeralda para a cidade, brilhante no horizonte.

— Talvez seja melhor você não ir sozinha? — Tenten sugeriu, sentada contra um tronco, abanando-se com as mãos. — Você sabe, caso Sasuke esteja por aí… — a possibilidade soava mirabolante na cabeça dos três, como se ninguém estivesse realmente levando a sério. Mas era algo a se pensar.

— Se ele estivesse aqui, eu saberia. — Kiba respondeu, cruzando os braços. A camada de suor que cobria seu corpo o estava deixando irritado. Limpou uma gota que escorria por sua têmpora. — O cheiro está fraco. Devem ter passado há um tempo, mas ainda ficaram alguns rastros. Podemos ir com você de qualquer maneira, Sakura. Se quiser.

Sakura ponderou alguns instantes, e então deu de ombros.

— Não é preciso. Vou e volto em instantes. Apenas fiquem aqui e observem. Qualquer movimentação, vão ao meu encontro.

Os dois companheiros de time anuíram, silenciosamente gratos por permanecerem sob a sombra das copas, enquanto a Haruno se aventurava sob o calor do meio dia.

——————

Quando fora de missão, os fios róseos caíam sob sua face de um jeito charmoso e despojado, impossíveis de serem presos em um único rabo de cavalo devido ao pouco comprimento. Agora, suando e sentindo os fios grudarem contra sua pele sob a máscara de lebre, Sakura se perguntava se não era hora de deixá-los crescer a fim de ser capaz de prendê-los com eficácia.

Chacoalhou a cabeça, pois sabia que jamais faria isso. Seus cabelos curtos eram um símbolo do eu do passado que havia deixado para trás, a pequena Sakura fútil e indefesa. Toleraria os fios rebeldes, era um pequeno preço a pagar pela auto confiança e segurança que o corte a trazia.

Conforme se aproximava da cidade, após algum tempo seguindo rapidamente pela estrada, sedenta e pensando em seu cantil de água vazo, a kunoichi apertou o passo, visando escapar o mais rápido possível da radiação que a atingia, sentindo a parte do braço exposta pelo uniforme começando a arder.

Assim que pisou na rua pavimentada da cidade, passando em frente às primeiras casas, Sakura soube que havia algo errado. Reinava um silêncio mortal. Colocando os olhos verdes sobre as fachadas, ela andou, desconfiada e cautelosamente, através das construções, até encontrar uma loja que parecia ser um mercado comum. Empurrou a porta com o menor movimento possível, uma mão sobre a maçaneta, a outra sobre a kunai guardada na cintura.

Assustou-se com um movimento desengonçado e veloz, quando um grande homem se jogou em sua direção, nas mãos um machado rústico. Ela desviou com facilidade, vendo que se tratava de um civil, e pulou para cima do balcão, desviando conforme ele girava o instrumento sem a menor habilidade.

Quando o homem ergueu o braço para atacá-la novamente, ela pulou para trás dele, agarrando-se no lustre, e num movimento rápido estava com a arma contra a jugular exposta, ao mesmo tempo em que torcia um dos braços para trás, imobilizando-o. O braço livre sofreu um espasmo e deixou o machado cair com um barulho seco no chão. Civis e suas habilidades de combate risíveis.

— Quem é você e por que me atacou? — ela perguntou num sussurro, próxima àorelha dele.

Tratava-se de um homem na casa dos cinquenta anos, gordo e de estatura mediana, visivelmente desprovido de qualquer habilidade de combate. Ele tremia e suava, vendo a lâmina escura apertada contra a pele mole do próprio pescoço, enquanto o tórax subia e descia com a respiração acelerada pelo movimento e pelo pânico.

— Eu sou o dono dessa loja! — ele respondeu, visivelmente amedrontado. — Quem é você?! Você não está com aqueles bandidos?! — Sakura soltou as mãos dele diante da frase e baixou a kunai, e o homem desesperadamente empurrou as mãos dela para baixo, correndo para trás do balcão, enquanto pegava uma faca de cozinha para se defender. — Você não vai roubar nada daqui!

Sakura abaixou a arma, colocando a mão na cintura, enquanto o observava apontar o objeto sem ponta para ela. Era patético, mas ela sentiu pena.

— Não sou uma bandida. Sou uma ninja de Konoha, vim até aqui na esperança de comprar água e suprimentos. — o homem pareceu relaxar, abaixando a arma e deixando sua postura hostil de lado. — Você poderia me vender algumas coisas? — Ela pegou o saco de moedas no bolso, balançando-o e fazendo os metais tintilarem.

— Tire a máscara e eu venderei. — ele respondeu.

— Nada feito. Estou aqui em missão, você terá que confiar em mim.

Ele pareceu confuso, incerto sobre como agir. Sakura apenas permaneceu parada, aguardando. A ausência de qualquer ameaça ou postura de combate, além do intervalo decorrido,pareceram ser o suficiente para dá-lo tempode se acalmar. Civis eram facilmente convencidos.

—S-sim, eu posso vender as coisas para você. — comentou, recompondo-se, limpando o suor da testa, ajeitando as calças e camisa. Logo estava pegando garrafas d’água e alimentos. Enquanto Sakura pegava os suprimentos desejados, ele a observava, desconfiado como um animalzinho. — A senhorita não está com os bandidos?

Sakura estava esperando uma oportunidade de sondar a informação, apesar de acreditar não ser nada além de meros capangas e ladrõeszinhos de estrada.

— Não, estou sozinha. — Ela respondeu, colocando as coisas em frente ao caixa, a máscara escondendo qualquer expressão sua. — Como eles eram? Os bandidos, eu digo.

— Eles eram esquisitos. Um carregava uma espada gigante, e a outra era uma garota de cabelo vermelho, com uma voz muito irritante.— ele respondeu, enquanto contabilizava os preços na velha máquina de caixa que tinha sobre o balcão gasto. — Eles entraram, pegaram tudo o que queriam e saíram, depois de ameaçar minha família. — ele terminou de passar as compras, enfiando-as numa sacola. Sakura permaneceu silenciosa. — Devem ter voltado para onde estavam os outros. Você deveria tomar cuidado por aí, menina. Eles eram fortes.

Sakura teria rido do comentário, mas estava encafifada com as descrições.

— Obrigada pela preocupação. — Ela respondeu, antes de pegar seus pertences e sair pela porta, ouvindo o sino sobre a entrada soar. — Vou me cuidar por aí.

——————

Kiba se levantou de supetão, farejando o ar, a concentração estampada na face masculina.

Tenten apenas observou enquanto suas narinas abriam e fechavam.

— Há algo de errado. — Ele falou, olhando em volta, procurando a direção de onde o cheiro era proveniente. — Tem alguém aqui além de nós. Alguém forte.

Tenten se levantou, e caminhou alguns passos. Parou, suprimindo seu próprio chakra a fim de sentir presenças próximas. Detectar energias alheias não era seu forte, pois não possuía um controle ou monitoramento de chakra fino. Se Neji estivesse aqui, pensou, pois o moreno era capaz de detectar uma presença a quilômetros.

— Estão ocultando o próprio rastro, Tenten. Estão abafando os cheiros, e provavelmente mantendo o chakra suprimido, mas acabam de abandonar a cobertura. — ele disse, olhando a morena, seus olhos escuros denunciavam urgência e preocupação — Precisamos nos encontrar com a Sakura, agora. — Ele disse, pegando os objetos com pressa e desajeitadamente, e saindo num pulo, seguido por Tenten nos calcanhares.

Droga! — Tenten exclamou, enquanto se locomoviam. — Nós baixamos a guarda!

——————

Um shinobi com uma espada gigante e uma garota de cabelos vermelhos não necessariamente significariam que o Time Hebi estaria por ali. Sakura lutou contra os pensamentos inquietantes que começavam a tomá-la. Estava sendo paranóica.

Conforme descia a rua de paralelepípedos, ouviu um shouji se abrir, e uma criança sair correndo para fora. Claramente se tratava de um garoto muito jovem, talvez havia saído ao vê-la passar, e curioso com a mulher mascarada, lançou-se na sua direção.

A série de eventos que se seguiu ocorreu num piscar de olhos.

Antes que pudesse retornar a criança para dentro da casa, algo se movimentando rapidamente surgiu ao lado do garoto, realizando um ataque furioso contra o chão, fazendo o piso se quebrar. Sakura teve tempo apenas de tomar o garoto pelo colarinho, puxando-o para si enquanto fugia do rastro de destruição que se estendeu por metros. Enquanto aterrissava mais a frente, a criança começou a chorar, e ela finalmente conseguiu traçar a silhueta de quem se movimentava: o shinobi alto de cabelos azulados segurava a espada gigante contra o chão, rindo enquanto observava a Haruno apertar a criança em prantos contra si.

A descrição batia com todos os relatos: era Suigtesu, um dos integrantes do time Hebi. Sakura sentiu o coração bater forte contra o peito.

Ela nunca havia se movido tão rápido em sua vida. Antes que pudesse pensar em fazer suas pernas se moverem, ela estava em posição defensiva, empurrando a criança para trás, a fim de protegê-la.

Ugh. Eu detesto crianças choronas! — o ninja exclamou, puxando com facilidade assustadora a enorme espada que se encontrava fincada no chão. — Você deveria tomar mais cuidado, crianças não deveriam ficar andando por aí sozinhas. Nunca se sabe o que pode acontecer, quem pode aparecer. — Ele disse, caminhando quase caricaturalmente na direção da Haruno.

Sakura pulou, puxando a criança, quando uma presença completamente indetectada tentou atacá-la, um chute direto nas costas. Caiu sem precisão sobre um telhado, a criança agora muito assustada para emitir qualquer som. Um resmungo feminino foi ouvido quando sua inimiga, a kunoichi de cabelos vermelhos, a fitou sobre as telhas.

— Karin, você é burra?! Não acredito que revelou sua posição executando um ataque porco como esse. — Suigetsu gritou, sem a menor cerimônia.

—Cale a boca, idiota. Vamos matar essa vagabunda. — a mulher respondeu, olhando o colega de soslaio.

Droga, pensou.

Sakura xingou para si mesma, o ar saindo num chiado contra os dentes apertados de tensão. Agarrou a criança com força e saiu pulando os telhados, enquanto ouvia os dois inimigos soltarem um grito que misturava crueldade e empolgação num som sinistro. As telhas quebravam abaixo de seus pés conforme ela pisava com força, desviando dos ataques que Karin realizava quando a alcançava, descendo para o meio da cidade numa tentativa quase falha de escapar do ataque.

Não conseguia contra-atacar com a criança nos braços, pois era impossível fazer selos. Suigetsu atacou de novo, dessa vez num brandir horizontal da espada, batendo contra o muro de uma construção, e o derrubando ao meio como se fossem blocos de madeira, leves e facilmente derrubáveis. Seus movimentos tinham uma força assustadora.

Tendo pousado mais uma vez sobre o chão da cidade, ela notou os habitantes do vilarejo a observando através de suas pequenas janelas, aterrorizados. Um grito alto a fez olhar em direção a uma casa com portas abertas, onde uma mulher tentava correr para o meio da rua e era segurada por duas senhoras. Era a mãe. Quando tentou se aproximar, na tentativa de devolver a criança, Suigetsu desceu a lâmina entre ela e a casa, afundando-a no piso novamente, forçando Sakura a recuar.

— Nada disso! — ele exclamou. Sabia que devolver a criança significava mãos livres para atacar.

Sakura se moveu com rapidez, e num movimento despercebido por Suigetsu, sacou uma agulha do coldre e enfiou no joelho do shinobi, fazendo toda a perna adormecer com a dor excruciante. O grito dele a causou arrepios.

— Sua vagabunda! — Ele gritou, e ela imediatamente se lembrou da segunda integrante. A ruiva havia sumido.

Antes que Sakura pudesse pensar, a mulher a atacou, um soco de direita que foi desviado com destreza, e respondido com um chute baixo, segurado por Karin, deixando-a em desvantagem. Num movimento arriscado, ela puxou a própria perna, trazendo a inimiga para perto, e com uma cabeçada derrubou a garota, sem soltar a criança.

Sua máscara caiu, revelando seu rosto. Mas não havia tempo para recuperá-la.

Sakura finalmente conseguiu uma abertura, entregando a criança para a mãe desesperada, e pulou num movimento continuo e rápido para os telhados, de onde ela viu o descampado a frente. Fugiu para além dos muros da cidade, em direção ao que planejava ser uma fuga efetiva.

Não poderia voltar para Kiba e Tenten, pois Suigetsu e Karin bloqueavam o caminho naquela direção e estavam em seu encalço.

Merda. Merda. Merda. Pensou, enquanto corria o mais rápido que conseguia, embrenhando-se na mata esparsa à frente, com os dois shinobis gritando ofensas dos mais variados tipos enquanto a perseguiam.

———

Quando Kiba e Tenten chegaram na vila, os rastros de destruição eram muitos.

— O que houve aqui?! O que aconteceu? Quem estava lutando?! — Tenten exclamou, vendo os civis espiando através das cortinas. Tão logo ela falava, elas se fechavam. — Puta merda.

Seguiram os rastros da batalha até alcançar o telhado, visualizando a pradaria a frente. A partir dali, tudo parecia na mais perfeita ordem.

— Kiba, para onde eles foram?! — Tenten perguntou, aflita. — Hein?!

— Eu estou tentando descobrir, merda! — o Inuzuka respondeu, visivelmente estressado. — Tem alguém muito bom em acobertar rastros nesse time, eu não consigo acreditar.

O Inuzuka desceu para a grama, seguindo o rastro do cheiro, avançando em baixa velocidade. Enquanto isso, Tenten olhou as marcas ao seu redor. Ela se abaixou, observando a fenda deixada pela espada no chão, e soltou uma exclamação dolorida. O Inuzuka a fitou de baixo, preocupado com o que viria a seguir.

— Kiba, isso é a Zambatou. Sakura está sendo atacada pela Hebi.

——————

Já havia corrido por quilômetros, desviando de cada golpe lançado em sua direção.

Sua estamina estava se esvaindo. A cada pulo, a cada defesa, a cada bloqueio, sentia seus movimentos perderem força e precisão.

Sakura arfou, pisando em falso numa pedra no caminho, rolando para frente. Antes de sequer reagir à queda, já estava a postos novamente, pegando impulso para pular entre as árvores, desviando das grandes formas de água que se chocavam contra os troncos, produzindo explosões que gotejavam em todas as direções.

Os dois ninjas a atacavam violentamente, claramente não mediam esforços. Era óbvio que queriam matá-la.

Bateu uma mão no chão, lançando-se para o alto, pousando de forma felina em um tronco. Fitou Suigetsu que avançava em sua direção. Ele brandiu a espada e deu um golpe violento, fazendo a lâmina cortar o ar com um zunido. Sakura pulou no último segundo e a espada dividiu o grosso tronco em dois.

A kunoichi estava em pleno ar quando o tronco começou a inclinar, tombando em direção ao chão. Antes que ele pudesse cair, concentrou chakra nas mãos, agarrando-o na extremidade antes da copa e girou-o com força. Suigetsu, que se aproximava mais uma vez, foi atingido no flanco pela forma imensa que girava violentamente nas mãos de Sakura, sendo lançadopara longe com o impacto. Karin fitou com horror a ninja da Folha girar com facilidade aquele objeto que pesava toneladas. Quando seus pés derraparam no chão, a Harunolançou o tronco longee ele voou como um projétil através das árvores da floresta.

— Sua desgraçada! — Karin gritou, e avançou na direção dela.

Entraram em um combate de taijutsu, mas Karin rapidamente notou ser inferior. Depois de Sakura aparar um golpe, lançou-se para trás, fazendo selose olhos verdes a esquadrinharam, sobrancelhas franzidas. Quando a ANBU avançava em sua direção, Suigetsu executou um ataque de cima, caindo com a espada sobre sua cabeça, e ela foi obrigada a rolar para o lado em um desvio. A espada abriu uma fenda no chão.

Karin correu na direção da kunoichi e, enquanto Suigetsu tirava a arma do chão mais uma vez, voltou a lutar diretamente.

— O que está fazendo, idiota? Sabe que não é páreo para o taijutsu—

— Eu sei! — Karin falou num rosnado enquanto trocava golpes com Sakura. Conseguiu acertá-la no braço, e imediatamente um selo se formou no local.

Fuinjutsu, Sakura olhou com horror a marca.

Com um chute alto atingiu o ventre da Uzumaki, lançando-a metros e metros para trás. O propósito daquela técnica logo se tornou claro: sentia seu chakra fluindo de forma estranha no braço, e quando Suigetsu veio atacá-la, percebeu-se com a força reduzida.

Merda. Desviava dos golpes com maestria, mas não conseguia carregar sua força no braço direito. Teria que apelar para o esquerdo, com o qual não tinha tanta potência.

— Agora você vai perder, vagabunda! — ouviu Karin gritar. A ruiva se erguia do chão cuspindo sangue, estava praticamente derrotada, mas seu trabalho ali estava feito. — Logo mais seu chakra vai parar de correr pelo braço!

Sakura grunhiu. Suigetsu brandia a lâmina de um lado para o outro com ferocidade. Quando ele a atacou, abaixou-se com rapidez e chutou o joelho que havia ferido anteriormente. Ele escorregou com o golpe, caindo para trás, urrando de dor, e ela viu sua chance: com um braço só não tinha a menor possibilidade de vitória contra os dois nukenins.

Saiu correndo em disparada. Talvez conseguisse despistá-los.

Podia escutá-los perseguindo-a através dos troncos. Torceu-se no eixo, lançando agulhas finíssimas no ar.

— É veneno! Cuidado! — Karin gritou para Suigetsu que vinha alguns metros atrás, o nukenintinhaa expressão carregada de dor.

Ela se virou e seus olhos se arregalaram ao ver uma forma brilhante zarpar ao lado de seu corpo.

Uma corrente de chakra se chocou contra a árvore na sua frente, fazendo-a recuar, e seu erro foi titubear por um segundo, pois o chute violento de Karin a jogou para o chão.

Em questão de segundos, Suigetsu estava ao seu lado, brandindo a gigantesca espada acima da cabeça.

Ela viu a lâmina subir, e colocou as mãos em frente ao rosto num gesto automático, como se fosse capaz de protegê-la do poder cortante e destruidor da arma. Fechou os olhos num reflexo.

Vou morrer, foi o que pensou naquele milésimo de segundo.

E então, nada.

Quando abriu os olhos, uma figura branca bloqueava a lâmina grossa e pesada de Suigetsu com uma katana, a expressão completamente impassível.

Olhos negros como a noite a fitavam.

— Sasuke. — ela murmurou, tão baixo que era quase impossível ouvir sua própria voz.

4 de Agosto de 2020 às 21:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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