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dop90 Ana Beatriz

O mundo já não era o mesmo, quinze anos se passaram desde o começo de seu próprio fim. Com uma inesperada infecção que, rapidamente, contaminou ao Mundo todo, caos era uma das palavras para definir o que aconteceu pelos dias seguintes. Criaturas sanguinárias, outrora humanos, agora eram o motivo de extermínio da raça, caçando-os incansavelmente, enquanto os poucos sobreviventes viam-se tentando sobreviver a este caótico cenário. Não há um verdadeiro lugar seguro neste Mundo, apenas os mais aptos seriam capazes de sobreviver naquele inferno. Lute pelo que acredita e, quem sabe, irá viver para o novo amanhã.


Pós-apocalíptico Todo o público.
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Prólogo: Bem-vindo ao Fim da sua Vida.

O fedor de carne podre e sangue parecia sempre fazer-se presente para onde se ia naquela cidade, mesmo com a vegetação que, lentamente, começava a tomar posse de tudo em seu caminho, o cheiro forte e marcante ainda era impossível de se esquecer.

O cheiro da morte.

Aqui não há um nome, denominação de territórios foi-se esquecida com o tempo, não era mais importante a localização e sim um fator; proteção e segurança. Caso não haja os dois, corra para o mais longe possível ou tente sobreviver por si próprio.

Conhecida antigamente como Los Angeles, esta outrora bela cidade, agora não passava de um lugar abandonado, assim como o resto do Mundo. Quase 10 anos se passaram desde a infecção, disfarçada como uma possível cura para uma doença que alastrou-se pelo Mundo, ninguém sabe qual empresa foi a verdadeira responsável pelo inferno que vivemos atualmente, mas do que se adianta culpar um lado? Fomos abandonados por Deus e isto é um ponto final.

Com o declínio da vida humana em Terra, que de sete bilhões se viu há um limitado número de dois milhões, o verdadeiro eu da humanidade revelou-se sombrio e macabro, governos ruíram-se de dentro para fora, logo uma tentativa de Lei marcial se iniciou, mas derrubada por grupos que tomaram posses de suas cidades. Logo, qualquer democracia se via ao nulo, a selvageria entre humanos se sentenciou por alguns anos.

Não é necessário dizer que infectados aumentaram, certo? Grupos incompetentes que ruíram por egoísmo ou incompetência, os mais ardilosos preparados tornaram-se grandes, alguns tornaram-se um só ou foram mesclados em um por algum confronto, diversos fatores e histórias.

Muito tempo se passou desde o inicio do fim, quinze anos em exatidão. Nada melhorou, tampouco piorou, mas os dias futuros eram preocupantes, remédios e comidas tornaram-se escassos e uma moeda valiosa nos dias atuais, vacinas sequer existiam e a preocupação de algum novo surto era grandes.

Isto tudo está predestinado ao caos, somente com um verdadeiro milagre as coisas poderiam ter algum outro caminho, mas estamos falando dos humanos, é provável que eles mesmos fodam com isto, típico da raça.

Tateei meus bolsos em busca de algum fosforo, o pequeno baseado já em minha boca, odiava dias tão tediosos como estes, ainda mais em um lugar onde, claramente, não encontraríamos nada além de corpos e aberrações.

Surpreendi-me quando, em um gesto rápido, algo tirou-o de meus lábios, olhei para o lado, encontrando o par de olhos azuis encarando-me com certa rigidez. Odiava quando impediam-me de fumar, ainda mais quando este alguém era Rio.

De uma descendência nipônica, Rio era um homem alto, muito bem trabalhado fisicamente, este projeto de tanque era filho da porra de um ex-militar, não preciso dizer o quão duro na queda – e chato para caralho – ele era, certo?

— Nada de fumar aqui, sabe que esta parte é perigosa. — O tom firme em sua voz me fez revirar os olhos, antes de vê-lo guardar meu baseado em seu bolso — A última coisa que precisamos é alguém incapaz e que atraia atenção.

Rio era o que se poderia chamar de ‘líder’ de nossa infame dupla, o que era muito incomum, afinal era muito mais comum grupos de cinco a vinte integrantes, mas para ele, quanto menor o grupo, mais fácil se torna o trabalho, pois administrar mantimentos para um grupo muito grande era algo patético e incapaz de dar certo.

Apesar de não parecer empático, o ruivo era alguém muito nobre e solidário, mesmo que não aceitasse ninguém junto a nós, por seus próprios ideais, ele conseguia auxiliar aos poucos sobreviventes que encontramos, dando comida em sobra que tínhamos ou dando cuidados médicos. Saber que escolhi estar ao lado de alguém assim me preenchia o peito.

— Não tem nada nesse lugar, somente corpos humanos e deles. — Murmurei, ajeitando o laço em minha cabeça, confirmando estar bem preso.

— Mesmo assim, todo cuidado é pouco. — Respondeu-me, puxando o velho mapa de sua mochila, havia respingos de sangue a folha já era amarelada pelo tempo. — Estamos na rua Beverwill, se formos por esta rua, iremos achar um colégio, iremos conseguir bastante suprimentos se chegarmos aos depósitos.

Assenti pela informação, colégios eram uma grande fonte de comida e produtos químicos, apesar de achar muito para uma dupla, Rio sempre tinha uma boa índole ao seu redor, pegarmos o suficiente para a próxima cidade e deixar para os próximos, apesar de parecer estupidez, era uma regra que ele me fazia seguir à risca.

— Vamos, não quero passar mais tempo que o necessário neste fim de mundo. — Ele riu do que eu disse, o que era irônico, tudo era o fim do Mundo, mas este lugar conseguia ser bem pior. Ajeitei a grande mochila em minhas costas, seguindo Rio, que abria caminho.

Não demorou muito para encontrarmos a longa e velha construção escolar, o cercado estava enferrujado e cheio de buracos, assim como vegetação e sangue velho, bom, era o que eu pensava, até que o ruivo em minha frente parou abruptamente, sua expressão tornando-se rígida o bastante para me dar um sinal do que estava a se passar, sem qualquer demora saquei minha 357 Magnum.

— Olhos abertos, tem cheiro de sangue fresco aqui, logo eles podem chegar aqui. Vamos! — Ordenou e eu assenti, em um movimento simples conseguimos pular o velho portão, demorou um pouco para que eu conseguisse equilibrar-me, mas logo tomei minha postura, Rio ia mais a frente, parecendo olhar tudo ao redor. — O portão do zelador ainda esta se movendo, por barulho.

— Acha que são muitos? — Questionei-o, vendo-o negar, sacando o fuzil 762 que tinha, certo, as coisas iriam acabar ruins. Muito ruins.

— Vamos rápido, fique perto. — Foi tudo o que me disse, enquanto cruzávamos o grande pátio, haviam alguns carros estacionados, mas sabíamos que era perda de tempo tentar abri-los, o alarme soaria e então estaríamos fodidos, logo o ruivo abriu uma pequena janela, que dava entrada para uma pequena sala de materiais, o ambiente úmido, frio e escuro nos encobriu, Rio aproximou-se da porta, o mais silencioso possível, encostando seu ouvido contra a madeira fria antes de abri-la,

Corredores longos e vazios, me parecia estranho vê-los cheios de crianças, digo, isso foi realmente possível? Me pergunto, as vezes, se uma vida tão próxima como a anterior que se tinha, se uma vida assim seria possível.

Cruzamos alguns poucos corredores, até nos vermos próximos ao refeitório, as portas estavam encostadas, minhas mãos estavam próximas de as empurrarem, quando a mão de Rio tocou gentilmente meu pulso, a outra mão em um gesto pedindo-me silêncio, antes de puxar-me para perto de si nos abaixarmos. Foi então que eu entendi.

O grupo invasor estava ali.

Não pude conter o bater acelerado de meu peito ao ouvir o ranger de móveis lá dentro, merda, aquelas coisas entrariam ali em um piscar de olhos!

— Vadia incompetente, não consegue fazer nada de útil. — Uma voz masculina e agressiva escoava pelo ambiente. — Eu disse, não foi Verônica? Mantê-la com a gente só iria foder com tudo!

— Cale a boca, Miguel. — Aparentemente, a Verônica lhe respondeu duramente, um gemido em seguida preencheu o local. — Não vamos conseguir ir mais longe que isso...Droga.

O que eles pretendiam fazer? Abandonar um companheiro para trás? Segurei firmemente o revolver em minhas mãos, recebendo um olhar repreendedor de Rio.

— Vamos usá-la como isca, fugimos pelos portões da frente. — Uma outra voz falou, de maneira rígida. — Não pretendíamos tê-la conosco por muito tempo, Izumi é somente fardo. — A voz disse, sem qualquer preocupação, mas que diabos?

— Fico triste por Yuki ter uma irmã tão incompetente...pelo menos o corpo compensa. — Miguel disse, o tom carregado em malicia, olhei novamente para Rio, que parecia tão puto quanto eu, que tipo de companheiros eram aqueles?

— Céus, faça logo isso, seu pervertido. — Verônica lhe respondeu, em rápido movimento desvencilhei de Rio e, sem que eu mesma notasse, empurrei as portas do refeitório.

Primeira dica, caso vá realizar um ataque surpresa e seu inimigo esta armado, nunca ataque sob o campo de visão, é um meio fácil de ter balas ou algum objeto lançado em sua direção;

Segunda dica, imobilize o mais próximo e execute o mais próximo a este, torna o mais distante um alvo fraco.

E terceiro, tenha Rio Mason como amigo.

Em rápido movimento, segurei o pulso do homem e bati meu joelho contra sua perna, lhe derrubando, um tiro rápido contra a testa da outra e, em pouco segundos, o mais distante estava sendo enforcado por Rio.

Foi tudo rápido, como sempre fazíamos, a mulher caiu rapidamente contra o chão, seu sangue começando a escorrer pelo piso, Rio, em um rápido movimento, torceu o pescoço do outro e segurei mais firmemente o ‘sobrevivente’.

— Quem...quem diabos são vocês? — Gaguejava em pavor, pelo tom de voz, este parecia ser o que planejava deixar Izumi para trás. Enfim olhei para onde a garota estava, deitada, havia cortes relativamente grandes na região da barriga, deixando o tecido de sua camisa completamente encharcado pelo sangue.

— Nos conte, o que vieram fazer aqui, rápido ou vamos te deixar para ser comida de rato. — Rio ameaçou, abaixando-se em sua frente.

— Somos do grupo Alvorecer, seus putos! Acham mesmo que vão sair vivos dessa cidade? Quando Bruce souber que nós... — Ele rapidamente fora silenciado pelo joelho esquerdo do ruivo, aproveitei para soltá-lo, ele teria problemas maiores para lidar, aproximei da garota inconsciente.

O rosto estava levemente pálido, pela perda de sangue, ela possuía fortes traços asiáticos, seu cabelo, de um tom negrume profundo, estava preso em um coque mal feito. Movi meu olhar para Rio, que acabava de nocautear aquele homem, segurei-a com firmeza em meus braços, fazendo o ruivo notar minha movimentação.

Mas antes que disséssemos qualquer coisa, um grito estridente ecoou por todo lugar. Engoli em seco, meu coração batendo de maneira desenfreada dentro de minha caixa torácica.

— São...eles... — O homem dizia com dificuldade, seu rosto começando levemente a ter algumas deformidades, Rio tomou posse das três mochilas que eles levavam, sabendo que haveria suprimento ali. — Vo... vocês não podem me deixar para trás! Não podem! — Vociferou.

Rio empurrou-me com cuidado para a saída daquele lugar, ouvíamos os gritos tornarem-se mais altos e barulhos vindos do corredor, provavelmente corpos chocando-se com paredes e móveis. Ao sairmos dali, com Rio arrastando uma velha cadeira, antes do ruivo fechar a porta, tive a rápida visão deles.

O corpo, outrora humano, agora em tons pálidos berrantes, olhos amarelos e com sangue seco em sua região, alguns já possuíam deformidades, como parte da mandíbula inferior dividida em duas, trapos cobriam algumas partes de seus corpos, as pernas eram bizarramente semelhante a de louva-deus, mas eram incapazes de saltar como o inseto, mas em compensação eram capazes de correr tão rápido como um leopardo.

Malditos corredores.

Rio fechou a porta, passando uma das pernas da cadeira por entre as maçanetas da porta, a tempo de impedir o avanço daquelas criaturas.

Ao ouvir o mesmo som na região em que estávamos, olhei para Rio, que tinha sua arma em mãos, preparando-se para o inferno que batia em nossa porta, meus olhos pousando sob a frase entalhada na velha escopeta.

Bem-vindo ao Fim da sua Vida.

2 de Agosto de 2020 às 17:29 0 Denunciar Insira Seguir história
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Ana Beatriz Não há satisfação maior do que aquela que sentimos quando proporcionamos alegria aos outros. - Masaharu Taniguchi

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